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MINHAS PÉROLAS

sábado, 30 de junho de 2012

UM ERRO NÃO JUSTIFICA OUTRO (— "Você já foi preso"?)



Crônica

UM ERRO NÃO JUSTIFICA OUTRO (— "Você já foi preso"?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Sempre me disseram que os atalhos são perigosos, mas fiz pouco caso do precioso conselho, até que fui achado na economia do caminho e envergonhado. Saindo da escola, lá no Conjunto Valéria Perillo, Senador Canedo, depois do trabalho, no final do dia, porém ainda, não tinham acabado as minhas desgraças daquela quinta-feira. Desci a rampa do postinho de saúde, com a moto, dali do pé da cerca ensombreada onde estacionava sempre, e cruzei a pracinha da frente pela calçada, já demonstrando meu cansaço de sala de aula, para pegar a estrada de volta para casa. Precavi-me, olhei para todos os lados, não tinha ninguém em perigo, então me atrevi, até porque não tinha visto a viatura da policia militar vindo à minha frente. Que surpresa desagradável!!!  Abordaram-me aos gritos de comando e mão na arma, parei meio desatinado pela falta de experiência nessas situações; pediram-me meus documentos, estavam todos em ordem, como sempre os mantenho, anotaram em um bloco muitas coisas, inclusive meu endereço, e constrangeu-me deveras a pergunta: — "você já foi preso"? Mas, um fio de felicidade acendeu-me o coração, por poder contradizer-lhes com a resposta destemida, com a força da verdade: Ainda não, graças a Deus! Bem, mas, depois de eu prometer piamente que aquilo não iria mais acontecer, eles, vendo minha intranquilidade ingênua, liberaram-me, dizendo para eu esquecer aquilo tudo.
          Os que aplicam as leis devem ser iluminados por Deus para terem polidez, destreza, talento e jeito para, no final, darem ao punido a mesma sensação de justiça que Lúcifer terá no final de seu julgamento Divino, motivando-lhe a expressão: — Minha condenação é um ato de amor! E aqui foi o caso!
          Porém, como posso esquecer este terrível trauma moral? Embora merecido, diga-se de passagem! No outro dia, após o ocorrido, Sexta-feira de desforra, agora foi a vez dos alunos, quando pisei na entrada do portão, um, o Gabrielzinho, veio logo correndo em minha direção a peguntar, com aquele sorriso debochado: — "É bom ser pego pela polícia, fessor"?  Outros mais, e discretos, abordaram-me diferentemente, contudo sem conseguir esconder a caçoada implícita:— "Os policiais queriam dinheiro, professor"? — "O senhor está importante, né professor, dando autógrafo para a polícia"!
         Transgressões leves com penalidades máximas, isso fere mais do que cura. Aprendi essa lição, e meus alunos serão duplamente beneficiados.
Claudeko
Enviado por Claudeko em 04/03/2012
Reeditado em 26/06/2012
Código do texto: T3534178


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