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MINHAS PÉROLAS

sábado, 25 de maio de 2013

FALTA (RE)CONHECIMENTO? (Média do IDEB 3,1 — "Aqui tem trabalho do governo de Goiás")


Crônica da vida escolar

FALTA (RE)CONHECIMENTO? (Média do IDEB 3,1 — "Aqui tem trabalho do governo de Goiás")

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Naquele intervalo, a professora de educação física escrevia os cartazes para divulgar os jogos interclasses, registrava: "VEM AÍ!!! OS JOGOS INTERNOS DA ESCOLA..." Então, eu percebendo que faltava um acento gráfico no verbo,  orientei-a que colocasse o circunflexo, pois o verbo vir na terceira pessoa do plural é acentuado, nesse caso o sujeito é "os jogos", portanto plural. Ela me agradeceu e terminou o trabalho. Às 17h, na saída, vi os ditos cartazes afixados nas paredes e um na entrada da escola, cada um com uma plastrada de corretivo branca encima do acento. Falta respeito ou (re)conhecimento? (rima às avessas intencional).
          Na manhã desse mesmo dia, no intervalo, agora no colégio, anterior a isso, ouvira da gestora uma pequena preocupação: Se os alunos do nono ano têm média excelente em português e matemática, em seu boletim, como é que a escola tem Média 3,1 na prova do "IDEB"? E a comédia mesmo, é que esse resultado está bem exposto numa placa na frente do colégio, junto aos dizeres: "Aqui tem trabalho do governo de Goiás" E vejam que essa prova externa é preparada para elevar os índices de aprovação, por sinal muito aquém do ideário conteudista!!! Todos os mecanismos didáticos e avaliativos do sistema educacional público é no sentido de passar o aluno de série, para justificar anúncios como estes: "Informe especial-Avança Goiás: A educação cresce e Goiás aparece. A evolução do "IDEB" mostra que o Governo conseguiu alavancar a qualidade de ensino no estado." A culpa é sempre do professor, escuto isso todos os dias através de atos e falas, isso se agrava quando se confere a competência do alunado, por que o fracasso deles também é culpa do professor. E quando alguém acerta, os méritos são de quem? Mas, poucos acertam, será por que os alunos não levam a sério as provas do governo, a ponto de boicotarem-na? Não são parceiros?
          Saiu agora, um tal "Programa de Intensificação da Aprendizagem" (PIA). Mas, como assim, se o aprendiz não está a fim de intensificar nada? Deveria, sim, ser uma intensificação do ensino já que, em nós professores, coagidos para isso, recai toda culpa do fracasso deles, e o resultado será sempre o mesmo: recuperação de nota!
          Para completar, aquele dia, final de tarde, já depois que tinha trancado minhas coisas no armário da escola, uma mãe acompanhada de uma aluna daquelas indisciplinadas, desrespeitadoras, sua filha, pressiona-me para dar um trabalho extra para a tal acomodada que estava correndo riscos de reprovação e só lembrou disso no último bimestre do ano. Eu garanti para ela que sua filha iria para recuperação, ou melhor, para o PIA (abreviação de piada). O resultado você já sabe...
          A banalização de meu papel, por toda a comunidade, não me ajuda impor-me. Só me resta tomar "analgésicos"! Porém, o que ainda me conforta é comparar a vida com um jogo de damas: o adversário tem que mover suas pedras para perder a partida, não o avise se o vir errar. Apenas "assopre" as pedras dele e tire proveito das vantagens. Eu pelo contrário, estou avisando, provavelmente esta partida não será minha. Será que não tem professor de Língua Portuguesa na escola dos cartazes...?!
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 28/11/2012
Reeditado em 08/12/2012
Código do texto: T4010066
Classificação de conteúdo: seguro
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