sábado, 31 de maio de 2014

PERSEVERANÇA É ASSIM ("Vai ou racha")



Crônica

PERSEVERANÇA É ASSIM ("Vai ou racha")

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           A água sempre supera os seus obstáculos, contornando-os. Às vezes, demora um pouco, outras nem tanto. Portanto, quando alguém lhe ofender, ou lhe frustrar, tentando bloquear seu caminho, contorne-o. Mas, antes faça uma pressãozinha, testando o oponente, e também para achar o caminho mais fácil.
           Nas minhas buscas através da internet, deparei-me  com uma notícia insólita: "Os alunos aproveitam o recreio, trancam os professores e vandalizam em escola". {http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2014/03/alunos-aproveitam-o-recreio-trancam-professores-e-vandalizam-em-escola.html} (acessado em 01/12/2019). 
           Eu fiquei feliz, jamais porque estava ausente no incidente, isso parece sadismo, mas pensei no pior, e agradeci a Deus por que não espancaram os professores presentes ali. Contudo, dura é a certeza da pior situação para os professores perseverantes. Um colega arriscando uma rima diz: "Escola que é prisão tem rebelião". Nesse caso, preferível seria, os professores serem expulsos da escola pelos alunos, a serem depredado como o patrimônio público: Objeto direto de vingança deles.
           Minha sugestão é essa: a escola pública deve ser melhor, tornando-se excludente, mais seletiva, tirando os restolhos do alunado (os que não querem estudar) e do professorado (os que não querem ensinar). Pois, só aprende quem quer aprender, e os papadores de bolsas e bônus do governo continuem depredando o sistema de fora para dentro e nunca mais de dentro para fora. Já que a verdadeira democracia nega a prática atual da escola, ensinando  o quê dos pedagogos é oficial, da forma imposta, não de acordo demanda a realidade local. Ah, se ainda, as virtudes fossem a prioridade da educação! Mesmo sabendo sobre a obediência forçada de forma alguma ser virtude.
           Embora esteja sendo difícil levar, mas graças aos professores "teimosos" e "insistentes" ( para não desvirtuar também a palavra perseverante), o sistema está funcionando, embora aos trancos e barrancos. Vamos assim mesmo, e coitados de nós!  

Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 09/03/2014
Reeditado em 31/05/2014
Código do texto: T4722199
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sábado, 24 de maio de 2014

BULLYING EM NOME DA ORDEM: Quem sustenta a sala quando tudo desanda? ("O bullying começa quando a professora deixa outro aluno ir beber água e você não" DM.)


Crônica

BULLYING EM NOME DA ORDEM: Quem sustenta a sala quando tudo desanda? ("O bullying começa quando a professora deixa outro aluno ir beber água e você não" DM.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

A palmatória ficou no passado — pelo menos no discurso. Porque, na prática, se a gente olhar sem romantizar, a escola ainda é um lugar onde todo mundo apanha um pouco: apanha o professor, apanha a coordenação, apanha a direção e, claro, apanha o aluno. É um “cada um por si” travestido de rotina pedagógica, um empurra-empurra silencioso em que, de vez em quando, a violência deixa de ser figura de linguagem e vira cena concreta.

E vamos falar a verdade: quem nunca soube de um episódio atravessado no pátio ou na sala? Começa miúdo — um desrespeito aqui, outro ali —, a tensão vai se acumulando… até que estoura. Só que o jogo, hoje, tá embaralhado. Não é raro o professor virar alvo. E, pior, por quase nada.

No meio desse enredo, entra a engrenagem institucional — bonita no papel, capenga na prática. A coordenação orienta, cobra, determina: “retire o celular”, “controle a turma”, “não tolere isso”. Só que entre a norma e o chão da sala existe um abismo. Confiscar um celular, por exemplo, pode até parecer simples, mas, ali, na frente de todo mundo, vira constrangimento para os dois lados. Já não é só questão de certo ou errado — é de contexto, de jeito, de respaldo. E respaldo… bem, esse anda rareando.

Cobrança, por outro lado, nunca falta. Se o professor faz vista grossa para uma cola, é cobrado. Se intervém, corre o risco de incendiar o clima. É uma corda esticada — e quase sempre arrebenta do lado mais fraco. Porque, sejamos francos, não há jogo de cintura que resolva tudo: tem aluno que já chega ferido de casa, tem insegurança institucional no ar, tem desalinhamento por todo lado. Isso pesa. E pesa muito.

Outro dia, vivi uma dessas cenas que dizem mais que relatório. A coordenadora parou na porta e disparou: — "Professor, não te incomoda esta falta de respeito à sua aula, com tanto aluno na porta da sala fazendo nada?"

Respirei fundo. Podia ter engolido seco, mas devolvi: — "Pergunta para eles se fazem isso para me desopilar o fígado ou se é só preguiça de encarar a atividade!"

Pronto. Bastou. O ambiente azedou. Vieram indiretas, desconforto, aquele clima pesado que não constrói nada. Quando ela saiu, alguns alunos se aproximaram, quase em solidariedade:

— "Não deixa ela falar assim ao senhor, não!"

Olha o retrato: quem deveria mediar, tensiona; quem deveria só aprender, tenta proteger. E o professor? Fica no meio do fogo cruzado, equilibrando-se entre se impor e não romper de vez com a turma. Porque é fácil exigir postura quando não se paga o preço dela no dia seguinte.

No fundo, a engrenagem vai moendo todo mundo: o professor vira “o problema” por tentar dar conta; a coordenação se desgasta tentando sustentar regras que não se sustentam; e os alunos, muitos sem referência, entram no fluxo do descompromisso. No fim, ninguém sai inteiro.

E quando a coisa descamba — como no caso da professora que perdeu o controle e agrediu um aluno —, a reação vem rápida, ruidosa, simplificadora. A mídia aponta, enquadra, reduz. Mas a vida real não cabe em rótulo. Não se trata de relativizar erro — erro é erro. Só que também não dá para fingir que ele nasce no vácuo. Há um ambiente que tensiona, desgasta, empurra.

A pergunta, então, fica martelando: dá pra ensinar respeito sem recorrer à força? Dá para quebrar esse ciclo antes que ele se repita? Porque violência, a gente já sabe, só chama mais violência. É eco. É repetição. Como lembra o provérbio, “a palavra branda desvia o furor”. Pode soar simples — e talvez seja mesmo. Mas, em tempos de gritaria, o simples virou quase um ato de resistência.

Bullying, indisciplina, desrespeito… nada disso brota do nada. É falta de limite, de escuta, de exemplo. É um sistema que, muitas vezes, educa mais pelo conflito do que pelo cuidado. Quem olha de fora vê o efeito dominó: uma peça fora do lugar e tudo vem abaixo. Difícil mesmo é alguém ter firmeza — e paciência — pra tentar reerguer o que ainda não caiu de vez.

E, no meio desse cansaço todo, é aí que eu me seguro. Porque, apesar de tudo, ainda tem aqueles poucos — poucos mesmo, mas insistentes — que querem aprender. Que escrevem, que perguntam, que tentam. E é por eles que, muitas noites, a gente segue corrigindo redação às dez, mexendo numa vírgula aqui, lapidando uma ideia ali, acreditando. Não por ingenuidade. Mas por uma esperança teimosa — dessas que não fazem alarde, mas também não arredam o pé.

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Como professor de sociologia, compreendo perfeitamente as tensões que o texto descreve. Ele apresenta a escola não apenas como um local de ensino, mas como um espaço de conflitos sociais, microagressões e crises institucionais. Para analisarmos essas ideias sob uma perspectiva sociológica — focando em relações de poder, instituições e socialização —, preparei as seguintes questões discursivas para os meus alunos:

1. O "Abismo" entre a Norma e a Prática

O texto menciona que "entre a norma e o chão da sala existe um abismo". Do ponto de vista sociológico, como as regras institucionais (como a proibição do celular) podem gerar conflitos quando não levam em conta o contexto social e as relações interpessoais no dia a dia da escola?

2. A Escola como "Fogo Cruzado"

O autor descreve o professor como alguém no "meio do fogo cruzado", sofrendo pressões tanto da coordenação quanto dos alunos. Explique como essa posição reflete uma crise de autoridade nas instituições modernas, onde o respeito não é mais garantido apenas pelo "cargo", mas precisa ser conquistado diariamente.

3. A Violência como Fenômeno Sistêmico

Segundo o texto, a violência escolar (seja física ou verbal) "não nasce no vácuo". Relacione essa afirmação com a ideia de que a escola reproduz tensões que já existem na sociedade e nas famílias dos alunos.

4. O Papel da Mediação de Conflitos

No episódio da coordenadora na porta da sala, o autor afirma: "quem deveria mediar, tensiona". Qual é a importância da comunicação e da "palavra branda" (citada no final) para romper com ciclos de violência e indisciplina dentro de um ambiente coletivo?

5. A Resistência através do Afeto e do Ensino

Mesmo diante do esgotamento, o professor encontra motivação nos alunos que "querem aprender". Como o ato de ensinar e aprender pode ser considerado, segundo o texto, um "ato de resistência" em um sistema que muitas vezes parece "moer" os indivíduos?

Dica para o professor: Ao corrigir, valorize as respostas que consigam identificar que os problemas da escola não são apenas "culpa" de um indivíduo (do aluno bagunceiro ou do professor impaciente), mas sim fruto de um sistema educacional que precisa de mais escuta e suporte institucional.

A sociedade deve ler esse texto. Os politiqueiros, devem ler esse texto. E eu me pergunto, de quem é a culpa? De onde vem tamanha indisciplina moral? Penso que estamos diante de enfrentamentos dos quais não conseguimos viabilizar soluções. E temo pelo bullying. E temo pelas gerações futuras. Ainda assim acredito nos princípios familiares. "Se eu tive uma boa educação, passarei adiante para os meus filhos". "Se eu tive maus exemplos durante a minha formação, provavelmente também descontarei na minha prole" (não é regra). Por fim, fico como você, sem saber ao certo como prosseguir. Um beijo.

sábado, 17 de maio de 2014

ANJOS DO LAZER (A depilação pubiana traz implícita, na pele lisinha, algo 'pedodesejado', em nome da higiene.")




Crônica

ANJOS DO LAZER (A depilação pubiana traz implícita, na pele lisinha, algo 'pedodesejado', em nome da higiene." — Clodoaldo Fernandes)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Quanto mais se quebra a barreira distintiva dos gêneros, mais se valoriza o sexo como lazer em detrimento de outros benefícios e da forma procriativa! Qualquer senhor idoso se submete normalmente a uma cirurgia de risco, colocando uma prótese peniana para continuar regrado no sexo. A mais frequente justificativa para uma intervenção cirúrgica de períneo é o despertar de intenção lascívia feminina.  Assim, aumenta-se a vulgarização com as mil possibilidades de se fazer sexo, só por fazer; Incluímos aqui a sedução da dramatologia do amor e a nudez artística, tudo bem mostrado à vista das crianças; na telinha colorida, assim tudo fica comum. 
           Outro mundo sugestionador é a música, um forte exemplo disso está nos MCs "de menor": Eles ganham muito dinheiro cantando "putaria", e dando exemplo de talento aos outros menores de idade. Por que tanta represália em cima das prostitutinhas pobres de beira de estrada? Sei sobre um erro quase nunca consertar outro, não defendo nem uma coisa, nem outra, mas questiono a incoerência dos que também ganham muito dinheiro defendendo essa suposta moral tão igualitarista. Quão felizes estão os pais desses "fanqueiros" menores de idade! https://www.youtube.com/watch?v=xPPxa8bWqz8 (acessado em 05/09/2019).
          Se fosse uma menina cantando putaria, como a sociedade a trataria? Isso tem a ver com o machismo reinante! Cadê as MCs Menininhas? Porém sou do tempo, no qual as crianças ajudavam os pais nos afazeres domésticos, tinham autonomia no escolher e/ou construir seus próprios brinquedos de lazer. Sem a influência do modismo midiático embotando-lhes o gosto simples e inocente.
           As crianças de hoje, quase sempre, são usadas ora no bem, ora no mal da moralidade coletiva, nem têm sua própria infância, tornam-se os brinquedos de pedófilos. Enquanto se pensa sobre os moralistas estarem a benefício das crianças, exploram seus atributos "infantoingênuos", tentando aparecer, sensibilizando os outros adultos destituídos dos devidos resíduos da infância saudável. Mas, a graça infantil é usada nos comerciais, no cinema divertindo os "pedoespectadores". A estética infantil é usada nas passarelas de estilistas de roupa leve alimentando o prazer dos "pedovoyeuristas". Quase tudo no comércio tem-se a versão infantil até maquiagem para fazer a criança parecer um adulto pequeno e delicado. Não estou entrando no mérito do julgamento, se é bom ou ruim, apenas estou questionando se esta primeira fase da vida de todo mundo deve ser como um bolo de massa modelar nas mãos dos adultos espertos buscando brinquedos e lazer?
           Na escola, as crianças tornam-se clientes da instituição de ensino e fonte de renda dos próprios pais (criança matriculada gera benefício financeiro para os pais e escola), olhando de outro ângulo, pareceu-me mão de obra infantodesqualificada, porém eficiente para quem nunca quer qualidade, mas quantidade. Não seria um abuso e exploração infantil praticados pela mãe, quando engravida só pensando em arrancar uma mesada gorda do pai e/ou bolsa família do governo?
           A Filho de pobre é negada a sua infância, privado de tudo, resta-lhe apenas se recolher na insignificância de suas virtudes desejadas em si. E estas "abelhinhas" viram-se em "pedofóbicas" quando adultas, olhando para trás, por detestar as lembranças dos relacionamentos com adultos quando ainda tinham pouca idade. Em tempos modernos, perde-se a ingenuidade muito cedo na vida, só tenho a lamentar, pelos jogos eletrônicos exacerbados de erotismo e violência; acesso livre à tv e à internet. Podemos afirmar, por agora: não há mais criança que aprenda com a simplicidade da natureza, pois já lhe é tão insípida!
          Quem impedir um casal, não convencional, de adotar uma criança será taxado de discriminador. Reporto-me a imposição da moda como uma lei seca. Porém, faz sentido a pergunta que tipo de adulto produzirão? 
           E Acrescento mais de um instigador comentário a esta própria crônica: "Bom, um exemplo a que muitos não percebem nessa 'pedofilização' inocente é o discurso da higiene na depilação pubiana. Nesse sentido, essa depilação traz implícita uma pele lisinha, algo 'pedodesejado' que remete ao pueril" (Sic). Disse Clodoaldo Fernandes com muita propriedade. http://www.recantodasletras.com.br/resenhas/4693672 
           Que me explique o ECA: se o "carnaval" é para adulto, por que, na época, aumenta a "exploração sexual infantil"?
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 14/02/2014
Reeditado em 17/05/2014
Código do texto: T4690657
Classificação de conteúdo: seguro

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sábado, 10 de maio de 2014

DEPENDÊNCIA NO ENSINO MÉDIO, "MICO" PEDAGÓGICO (Então falo com pregas vocais cheias de calos de tanto ensinar.)


Crônica

DEPENDÊNCIA NO ENSINO MÉDIO, "MICO" PEDAGÓGICO (Então falo com pregas vocais cheias de calos de tanto ensinar.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           A LDBEN, artigo 24 inciso III trata da progressão parcial, mas a efetivação do procedimento cabe ao Regimento Escolar regulamentar detalhadamente, bem como, definir a grade horária, o uso dos espaços físicos e alocação de professores. O que nunca justifica o constrangimento ao qual o professor é submetido, na maioria das unidades escolares, é melhor aprovar todos os seus alunos, se não terá a pena de salvá-los no ano seguinte, mesmo nem sendo mais seus alunos. Se o professor deixou o aluno retido em sua disciplina na primeira série do Ensino Médio, terá de aplicar, ou melhor, resolver a dependência do mesmo, embora nem seja mais o professor da primeira série — disse-me a outra professora coagida, fugindo da responsabilidade. Nesse caso, o aluno em dependência jamais fará os requisitos de igual forma com as turmas da primeira série em andamento, porém fará sim um "trabalhinho" desconjuntado e facilitado daquele professor agora modulado só na segunda e terceira série. Penso sobre o aluno retido parcialmente cumprir as avaliações dos quatro bimestres, as mesmas, junto dos alunos da série em onde deve a disciplina, é lógico que em outro turno, se ainda estiver legalmente matriculado. 
           Minha pergunta é: se um aluno vindo, com dependência, transferido de outra unidade, quem a aplicará? E se eu reprovei um aluno em minha disciplina, e ele mudou de unidade, será se eu terei de resolver a dependência dele a distância? Quanto mais se facilita ao aluno, mais se complica ao professor!!!(talvez seja esse o objetivo de certos coordenadores) Aliás, A Progressão parcial é, para o aluno,  uma lambança, e para o professor, hora extra não remunerada!  Fiz a seguinte pegunta a professores veteranos da escola na qual trabalho: O que mais lhes incomoda quando aplicam a dependência ao aluno? Todos responderam em uníssono: — "preencher as fichas exigidas de cada aluno." Então é melhor sem reprovar ninguém! Mesmo assim, de vez em quando, aparecem alunos desconhecidos, nem sei de onde vieram, encaminhados pela coordenação, retraços do ENCCEJA, esperando minha resolução da dependência. 
           Todo movimento do ideário pedagógico "moderno" deixa bem claro a cada um, a quem nem precisa ser da área, em especial aos alunos, querendo ou não, serão empurrados literalmente para a série seguinte até sair, mesmo saindo deficitários. Ultimamente, o alunado formado no Ensino Médio confia nas cotas das Universidades, destinadas a palear a vergonha do povo brasileiro amantes dos aproveitadores do sistema educacional público. Quem deveria se importar, senão os próprios alunos: os maiores prejudicados, mas de forma alguma se importam!

           Como entender a veracidade dos índices da educação, aumentando o número de diplomados semianalfabetos! Por que continuar jogando a culpa histórica, pelo fracasso escolar de uma parcela avantajada, consumidora dos benefícios do governo, no professor, este sem reconhecimento positivo? Por ser professor público, também sou governo, incoerente, diga-se de passagem, porque não tenho poder na voz; no final de safra, então só reclamo a ouvidos surdos ao meu timbre, palavras verdadeiras, porém baixas, produzidas por pregas vocais já cheias de calos de tanto ensinar.
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 04/02/2014
Reeditado em 09/05/2014
Código do texto: T4678483
Classificação de conteúdo: seguro

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sábado, 3 de maio de 2014

"AMASSANDO BARRO" (Os nossos alunos são mais inteligentes e espertos do que pensamos, o que lhes falta é o sentido das coisas!)


Crônica

"AMASSANDO BARRO" (Os nossos alunos são mais inteligentes e espertos do que pensamos, o que lhes falta é o sentido das coisas!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Encontrei um dos meus alunos de filosofia na pista de Cooper (caminhada) e lhe propus o seguinte silogismo: Se caminhar é melhor do que não caminhar, e correr é melhor que caminhar, logo não caminhar é pior do que não correr.
           Então ele me perguntou, gracejando: — para que tanta pressa para morrer dos mesmos males dos que só caminham?
            A resposta esperada: viver com qualidade ou morrer com qualidade. Eu nunca subestimo a inteligência e a capacidade de raciocínio dos meus alunos, apenas têm preguiça de pensar. Mas, quando acho algum que se destaca assim, eu o valorizo mais ainda. Porque é deste tipo de que a educação precisa muito: pessoas pensantes. 
            Todavia, o organograma inchado do sistema educacional tem funções desnecessárias que para justificar sua existência produz o verdadeiro "amassar barro", ou seja, finge que anda, mas não sai do lugar.  Se qualquer pessoa se aprofundar nos feitos da escola e sua história percebe as notáveis contradições que faz tudo deslizar na massa mole, ou seja, na "maionese", ou ainda se arrastar em círculo como a barata rodando de pernas para cima, fadada à morte. Estamos vivendo e assistindo bem de perto o vai e vem do tear com os fios embaraçados debaixo do nariz do tecelão que se movimenta infrutiferamente, tentando esconder as pontas soltas para vender um tecido colorido que não se precisa dele.
           O desrespeito à educação e aos seus profissionais não seria por que a população descobriu que não precisa da sistematização dela? Talvez a saída seja para cima: As nuvens!  
           A informatização pode mudar a realidade se ao invés de tomar o aparelho celular do aluno e obrigar que o professor deixe o dele desligado no armário, que as metodologias da educação fossem mais contextualizadas na realidade; e que as normas também contivessem o futurismo das máquinas —"EDUCAR NÃO É CORTAR AS ASAS, E SIM ORIENTAR O VOO.!!!" (madre Maria Eugênia). O "amassar barro" é tão promissor para nosso tempo como o é a criterização dos governos para distribuir as verbas às escolas, pelo número de alunos matriculados: aqui embaixo, sem seleção alguma, priorizamos a quantidade geradora de recurso e a desqualificação por falta de seleção rigorosa, mais do que a excludência do barro amassado, ou melhor, da massa mole que não serve para construir. Os nossos alunos são mais inteligentes e espertos do que pensamos, o que lhes falta é o sentido das coisas! Disse Mahatma Gandhi: "Acredito que um tal sistema educativo permitirá o mais alto desenvolvimento da mente e da alma. É preciso, porém, que o trabalho manual não seja ensinado apenas mecanicamente, como se faz hoje, mas cientificamente, isto é, a criança deveria saber o porquê e o como de cada operação."
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 03/02/2014
Reeditado em 03/05/2014
Código do texto: T4676930
Classificação de conteúdo: seguro

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