sexta-feira, 31 de março de 2023

EVITE A APARÊNCIA DO MAL ("Os maiores males infiltram-se na vida dos homens sob a ilusória aparência do bem." — Erasmo de Roterdã)

 


EVITE A APARÊNCIA DO MAL ("Os maiores males infiltram-se na vida dos homens sob a ilusória aparência do bem." — Erasmo de Roterdã)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

A Bíblia usa a expressão "bom nome" como uma metonímia de uma boa reputação. Eu me preocupo sim com isso, que se construa naturalmente minha boa reputação. Já viu alguém trabalhando honestamente para enriquecer?  É louvável, mas me parece que quando um tem demais, o outro tem de menos; mas, quem quer somente ter riqueza material, tem que usar as outras pessoas. Esse abuso, já é em si, falta de caráter. 

            Eu sou um "trans-status", sou pobre, porém me sinto rico espiritualmente. Além do mais, as pessoas veem o que querem ver, e ainda jogam a culpa na vítima. Quem zela muito pela sua reputação não tem tempo para empobrecer, porque o que vale mais hoje é viver de aparência. E para manter a boa aparência, é o exercício físico, dieta e descanso, conjugado com roupas de Grife e outros bens materiais.

          Só há uma saída para o pobre melhorar sua reputação, visto que as pessoas adoram palavras agradáveis, devem os pobres ajudar os pobres  e sejam ricos exalando um bom nome, com palavras afáveis, suaves, amigáveis e de grande ajuda. Quem não tem dinheiro pode recorrer a esse subterfúgio para construir um bom nome. É a combinação perfeita de delicadeza, bondade, humildade e jovialidade que torna os homens e as mulheres charmosos e agradáveis para ninguém botar defeito. Quem suporta um pobre grosseiro? E o quanto você é agradável sem dinheiro? Conduta exemplar é agradar os outros: seus avaliadores. CiFA

quarta-feira, 29 de março de 2023

Entre a Aula e o Abismo: REBELIÃO DESNECESSÁRIA ("A insubordinação e a rebelião são as piores atitudes de um funcionário." — Bruno Cidadão)

 


Entre a Aula e o Abismo: REBELIÃO DESNECESSÁRIA ("A insubordinação e a rebelião são as piores atitudes de um funcionário." — Bruno Cidadão)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Durante muito tempo, confundi silêncio com respeito e atenção com virtude. Talvez porque aprendi assim: a sala como templo improvisado, o professor como oficiante cansado, os alunos como fiéis relutantes. Hoje percebo o equívoco — escola não é altar, é arena; não é liturgia, é conflito vivo, imperfeito, humano.

Nesta semana, em uma aula de Projeto de Vida, vi uma aluna deitada no colo de um colega. Não vi apenas um corpo fora da norma; vi o colapso simbólico da aula que eu acreditava estar oferecendo. Esperei que o constrangimento surgisse por si, como se a regra ainda tivesse força moral suficiente para se impor sozinha. Não teve. E talvez nunca tenha tido.

Por muito tempo chamei isso de rebeldia. Usei palavras duras, rótulos fáceis, até textos sagrados fora de lugar — como se adolescentes entediados fossem equivalentes a hipócritas de poder denunciados nas escrituras. Hoje reconheço: esse tipo de leitura não ilumina, violenta. Adolescente que não escuta não é víbora; é alguém que não encontrou sentido no que lhe é dito.

Também errei ao tentar decifrar almas por gestos: a testa franzida, o corpo inclinado, o rosto fechado. Não eram sinais de perversidade, mas de cansaço, confusão, talvez desinteresse legítimo. A leitura moral do corpo foi, no fundo, projeção da minha frustração. Mais fácil julgar o aluno do que admitir a fragilidade da aula.

Chamei críticas de “mimimi” — palavra preguiçosa, injusta, autoritária. Hoje entendo o perigo desse gesto: quando desqualifico a queixa, recuso a escuta; quando recuso a escuta, preservo meu conforto. Mas e se a reclamação for verdadeira? E se Projeto de Vida, do modo como nos foi imposto, for mesmo vazio, mal pensado, desconectado da realidade dos alunos e da formação dos professores?

A contradição tornou-se insuportável: como falar de autonomia exigindo obediência acrítica? Como ensinar protagonismo silenciando vozes? Transformei uma disciplina que deveria nascer do diálogo em monólogo moral. E depois me surpreendi com a recusa.

Dizia que minha consciência doía pela ineficácia — mas não perguntava por quê. Hoje a dor mudou de lugar: não é mais a rebeldia dos alunos que me inquieta, mas a minha resistência em mudar. Talvez eu também tenha medo — não das “caras feias”, mas do confronto verdadeiro, daquele que questiona métodos, desmonta certezas e ameaça a autoridade construída sobre hábitos antigos.

A indisciplina que vi não é apenas individual. Ela é estrutural. É fruto de currículos impostos, de disciplinas esvaziadas, de salas superlotadas, de professores exaustos e alunos atravessados por fome, violência, trabalho precoce, abandono, angústias que não cabem em planos de aula. Culpar o jovem é conveniente; enfrentar o sistema é mais difícil.

Hoje sei: entre a instrução e a chamada insubordinação existe um abismo — e ele não se atravessa com sermões, mas com escuta. Talvez o verdadeiro projeto de vida comece quando o professor aceita descer do púlpito e sentar, enfim, no mesmo chão instável onde seus alunos já estão há muito tempo.


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Sou seu professor de Sociologia. O texto que acabamos de ler é uma autocrítica corajosa que nos permite discutir como as instituições sociais e as relações de poder funcionam na prática. Ele nos convida a sair do julgamento moral e entrar na análise sociológica. Para nossa aula de hoje, preparei 5 questões discursivas e simples. Vamos exercitar nosso "olhar sociológico"?


1. Escola: Templo ou Arena? O autor diz que antes via a escola como um "templo" e agora a vê como uma "arena" de conflito vivo. Questão: Na sociologia, o conflito é visto como algo natural das relações humanas. Por que tratar a escola como uma "arena de conflito" é mais realista do que esperar que ela seja um lugar de silêncio e obediência absoluta?

2. A Falha das Normas Sociais. O professor esperava que a regra de comportamento (como sentar-se direito) se impusesse sozinha, mas isso não aconteceu. Questão: Quando uma norma social (regra) perde sua "força moral" e deixa de ser seguida pelos indivíduos, o que isso nos diz sobre a crise de autoridade nas instituições atuais?

3. Autonomia vs. Obediência. O texto aponta uma contradição: a escola tenta ensinar "protagonismo" e "autonomia", mas muitas vezes exige uma "obediência acrítica". Questão: Como é possível desenvolver a autonomia de um jovem se o sistema escolar ainda se baseia em monólogos e no silenciamento das vozes dos alunos?

4. Indisciplina Individual ou Estrutural? O autor afirma que a indisciplina não é apenas culpa do aluno, mas fruto de "currículos impostos, salas superlotadas e professores exaustos". Questão: Explique a diferença entre culpar o indivíduo (visão moral) e analisar o problema como algo estrutural (visão sociológica), conforme sugerido no texto.

5. O Significado da Escuta. Ao final, o texto sugere que o "abismo" entre professor e aluno não se resolve com sermões, mas com a escuta e a descida do "púlpito". Questão: De que maneira a escuta ativa pode ser considerada uma ferramenta de democratização das relações de poder dentro da sala de aula?

Dica do Prof: Não busquem respostas "certas" ou "erradas" como se fosse matemática. Busquem argumentos! Usem o texto como base para entenderem que a sociedade é feita de pessoas em relação, e essas relações mudam com o tempo.

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terça-feira, 28 de março de 2023

O FRUTO, O BICHO E O ESPELHO: EU, MEU PECADO E A POSSIBILIDADE DE TRANSFORMAÇÃO (Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. -- Rm 7:19)

 


O FRUTO, O BICHO E O ESPELHO: EU, MEU PECADO E A POSSIBILIDADE DE TRANSFORMAÇÃO (Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. -- Rm 7:19)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Ontem, ao partir uma manga e encontrar larvas em seu âmago, experimentei um choque de categorias. Supunha, em minha ingenuidade botânica, que tal corrupção fosse privilégio das goiabas. O bicho, porém, não era um invasor externo: alimentava-se da própria substância do fruto. Nesse instante, a máxima de Jesus ecoou com peso ontológico: conhece-se a árvore pelos frutos. Se a árvore é a essência e o fruto é a existência, como separar o que sou do que faço? Uma fonte não pode verter, ao mesmo tempo, água doce e amargosa. O caráter não é acessório, mas a digital da alma impressa no mundo. Por isso, o imperativo bíblico é cirúrgico: "Abstende-vos de toda a aparência do mal." (1 Tessalonicenses 5:22).

Essa clareza me transporta aos tempos de sala de aula, onde o embate entre a Filosofia e a religiosidade de fachada se tornava visível. Recordo alunos que, sob o manto de uma santidade arrogante, sabotavam o diálogo. Eram "sepulcros caiados": reivindicavam privilégios divinos para mascarar irresponsabilidades terrenas. Mas o espelho retrovisor logo me interpela. Ao chamá-los de hipócritas, não estarei ignorando que a larva que os corrói também rói minhas próprias estruturas? A diferença entre o erro de um Davi ou de um Pedro e a performance desses alunos não está na ausência de falha, mas na sinceridade da fratura. O santo não é quem não erra, mas quem não se esconde atrás do erro. A sociedade adoece quando o “bichado” deixa de ser exceção e se torna sistema, quando fanatismo e exploração passam a ser vendidos como virtude.

É nesse pântano ético que floresce o álibi da conveniência: "Amo o pecador, mas detesto o pecado". Filosoficamente, trata-se de um malabarismo para evitar a conversão; teologicamente, de uma tentativa de agradar a gregos e troianos. Como adverte 2 Reis 17:41: "Assim, estas nações temiam o SENHOR, mas ao mesmo tempo idolatravam suas imagens esculpidas; seus filhos e seus descendentes agem até o dia de hoje exatamente como fizeram seus pais." Não se pode servir a Deus e a Baal, nem amar o porco desprezando a lama que define sua condição atual. Se eu e meu pecado somos um, a saída não é a negação do pecado, mas a regeneração da natureza — o enxerto da árvore enferma na videira verdadeira. Sem essa transformação, a frase “amo o pecador” não passa de anestesia moral para evitar o confronto com a podridão do fruto. Insanidade é crer que se possa separar essência e ação. No fim, se não houver mudança na raiz, eu e minha obra permaneceremos, tragicamente, a mesma coisa.


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Como seu professor de Sociologia, fico muito satisfeito em produzir este texto utilizando metáforas para discutir problemas centrais da convivência humana e da ética. Na sociologia, estudamos como as instituições (como a religião e a escola) moldam o comportamento, mas também como a coerência entre o discurso e a prática é fundamental para a saúde da sociedade. Aqui estão 5 questões discursivas pensadas para o nível de Ensino Médio, focadas na interpretação sociológica e ética do texto:


1. A Metáfora do Fruto e a Instituição Social: O texto afirma que "conhece-se a árvore pelos frutos". Levando isso para o campo da Sociologia, como o comportamento individual de um membro de um grupo (como uma igreja ou uma escola) pode afetar a imagem e a credibilidade de toda a instituição perante a sociedade?

2. O Conceito de Hipocrisia e a "Religiosidade de Fachada": O autor utiliza o termo "sepulcros caiados" para descrever alunos que usavam a fé para mascarar a falta de compromisso com seus deveres estudantis. Explique como essa "religiosidade de fachada" pode prejudicar o diálogo democrático e a cooperação dentro de uma comunidade.

3. Ética: Essência vs. Aparência: O texto critica a frase "amo o pecador, mas detesto o pecado", chamando-a de "anestesia". Do ponto de vista ético, por que o autor defende que não se pode separar totalmente as ações de uma pessoa (o fruto) da natureza dela (a árvore)?

4. A "Sinceridade da Fratura": Ao citar figuras como Davi e Pedro, o autor introduz a ideia de "sinceridade da fratura" — o reconhecimento do próprio erro. Qual a importância sociológica de os indivíduos reconhecerem suas falhas em vez de tentarem manter uma imagem de perfeição para a manutenção da confiança social?

5. Crítica ao Sistema "Bichado": O autor afirma que "a sociedade adoece quando o 'bichado' se torna o sistema". O que você entende por um sistema social (político, religioso ou econômico) onde o "fanatismo e a exploração são vendidos como virtude"? Cite um exemplo de como isso pode impactar a vida coletiva.

Dica do Prof: Para responder, tente conectar os conceitos bíblicos citados (como o "enxerto" ou a "fonte") com conceitos sociológicos como anomia social (quando as regras perdem o sentido) ou identidade social.

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AMIGO CIRCUNSTANCIAL ("Quando necessitei de roupas, vós me vestistes; estive enfermo, e vós me cuidastes; estive preso, e fostes visitar-me..." — Mt. 25:36

 


AMIGO CIRCUNSTANCIAL ("Quando necessitei de roupas, vós me vestistes; estive enfermo, e vós me cuidastes; estive preso, e fostes visitar-me..." — Mt. 25:36

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Em minha enfermidade, frequentemente tive de ouvir dos meus pretensos amigos: "Inclui meu nome em seu testamento, pois você não tem para quem deixar mesmo." Pessoas que mal conheço têm essa ousadia. Quero lhes dizer que  não serve de nada perguntar pelas redes sociais como estou, prometer que vem me ver e não mover uma palha. Bem sei, a maioria dos amigos o são quando tudo vai bem. O comprometimento e a lealdade a nós só têm firmeza enquanto estiver dando lucro. Quando a coisa fica difícil, eles se mandam rapidamente. Os verdadeiros amigos, os quais o mundo pouco conhece, não são tão volúveis assim. "Em todo o tempo ama o amigo; e na angústia nasce o irmão." (Pv 17:17).

            A maioria dos homens é egoísta: quando não percebem nenhuma oportunidade maior num relacionamento, eles abandonam a pessoa "amada".  A própria família do homem o abandona, quando ele é  financeiramente pobre. E certamente ele  não tem amigos, pois não veem qualquer razão para se associar a ele, exceto para lavarem a consciência, dando-lhe esmola de vez em quando. Mesmo que ele possa expressar muita afeição, eles o abandonam de qualquer maneira. Assim é comigo, então finjo que não preciso deles para me mostrar forte. CiFA

domingo, 26 de março de 2023

JOGUEI PORCOS ÀS PÉROLAS ("Gosto de porcos. Os cães olham-nos de baixo, os gatos de cima. Os porcos olham-nos de igual para igual." — Winston Churchill)

 


JOGUEI PORCOS ÀS PÉROLAS ("Gosto de porcos. Os cães olham-nos de baixo, os gatos de cima. Os porcos olham-nos de igual para igual." — Winston Churchill)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Tudo que escrevo aqui, é para vocês: curiosos e inteligentes ou porcos sardentos como cachorros.  E tenho a certeza que muitos bichos leem-me, pois meu termômetro é a quantidade de contestadores; basta eu rugir para "cobras e lagartos" sibilarem; condenam-me ao invés da ideia em questão; vira caso pessoal. Inimigos não me faltarão!

           Pois é como já disse Martin Luther King: "Para ter inimigos, não precisa declarar guerras, apenas diga o que pensa." Inimigos inteligentes é uma benção, vale a pena um esforço para  amá-los e tê-los por perto, seguindo a orientação bíblica. Todavia, não aos beijos e abraços, porém refazendo argumentos e treinando o discurso. Pago o que lhes devo, não os menosprezando, pois não me vingar, já é uma forma de amar.

            Essa divergência de pensamentos pode ser proveitosa, desde que não vire questões pessoais. "Se todos nós pensássemos igual, ninguém pensava grande". Os boatos, tomo de alerta, fugindo dos grandes abismos! Por isso, gosto de meus inimigos mais inteligentes, suas espertezas justificam as minhas.  Argumentos fracos, são armadilhas que levam o tolo ao desrespeito; a mim não, estão me ensinando a ser calado e ausente, para diluir a dor do fim.  

           Para o outro grupo: Os que me leem, todavia, permanecem neutros. O que escrevo nada representa para eles. Então, conclamo aos que aprenderam de mim; digam a eles as vantagens que viram, sejam sempre uma extensão de mim ou castiguem-me, negando o que sabem a meu respeito. Nesse caso, jogarei porcos às pérolas.  (Cifa

GRANDE, EM CIMA DOS DIPLOMAS: Quando o Ego Grita e a Vida Sussurra Verdades ("Os infinitamente pequenos têm um orgulho infinitamente grande." — Voltaire)

 


sábado, 25 de março de 2023

Texto Crônica O Refúgio de Prata e o Vácuo das Estrelas: O LUNÁTICO NO MEIO DA NOITE ("O bom de ser lunático, é que os problemas não têm gravidade." — Marco Paschoal)