"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 4 de novembro de 2017

O AMOR DE MUITOS ESFRIARÁ ("Muitas vezes não temos tempo para dedicar aos amigos, mas para os inimigos temos todo o tempo do mundo!" — Leon Uris)



Crônica

O AMOR DE MUITOS ESFRIARÁ ("Muitas vezes não temos tempo para dedicar aos amigos, mas para os inimigos temos todo o tempo do mundo!" — Leon Uris)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Detesto receber visitas em minha casa: meu refúgio! Ainda mais de pessoas portando crachá da largura do peito. Vivo no tumulto do ambiente escolar, cheio de gente que não tenho certeza da amizade. Quando venho para casa, quero me esconder. Ninguém é bem-vindo, até porque nunca me apareceu alguém, trazendo-me presentes. Os poucos vêm só minar o tempo que me sobra para ensaiar umas notas no violão, e ler alguma texto importante; exceto: Gosto da visita dos funcionários dos correios, porque os atendo lá fora, pego a encomenda e os despeço ali mesmo, eles têm pressa de fazer o seu trabalho. Eu sou como eles, minhas visitas sempre têm um motivo nobre. Por isso, prefiro ir visitar as pessoas quando sinto saudade, pois sei que elas só convidam quando precisam da gente, aí sou rápido, como quem tem uma missão a cumprir, sei exatamente a hora de ir embora. Não incomodo ninguém. E adoro as dicas de inconveniência, "manco-me" logo. 
           Gosto de ter poucos amigos, só os que respeitam minha solidão, e se você não ligar para  mim, protege-me de si. 
           Hoje, pela primeira vez,  fui, sem convite, visitar um amigo de infância, a fim de me encontrar com o passado, há muito já sem detalhe. Cheguei e imediatamente fui pedindo o álbum de fotografia da família para recordar nossa infância. Encontrei uma relíquia em seus amontoados de fotografias. Então, achei essa muito importante, não me lembro o ano, e nem ele se lembrou mais, apenas sei que foi uma participação minha em um festival de música popular, em Araguaína- To, talvez nos anos 80. Fiquei bastante contente. Isso prova que tentei ser artista. Não no estilo contemporâneo, mas à moda antiga! Todavia não nasci para ter fãs! Mas, meus lamentos, estre outras reclamações, percebendo o lado negro da solidão, é que serei encontrado morto qualquer dia destes. "Quem mora só não morre, é encontrado morto". Quem sabe fui avisá-los que agora está mais próxima minha partida eterna.
            Sobretudo, deve haver um lado bom nas amizades! Nesse caso, Johann Goethe está com a razão: "A amizade é como os títulos honoríficos: quanto mais velha, mais preciosa."
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 03/11/2016
Reeditado em 04/11/2017
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sábado, 28 de outubro de 2017

Quando o Riso Fere: a Violência Invisível que Antecede o Gatilho ("A justiça é o direito do mais fraco. — Joseph Joubert)



Crônica

Quando o Riso Fere: a Violência Invisível que Antecede o Gatilho ("A justiça é o direito do mais fraco. — Joseph Joubert)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Mergulhar no caso do Colégio Goyases é como encostar numa ferida que o tempo se recusa a fechar. Não é cicatriz — é carne viva. Fica ali, latejando em silêncio, só esperando um descuido para sangrar de novo. Diante de um horror desses, a reação quase automática é apontar o dedo para quem puxou o gatilho. Dá um certo alívio, né? Como se bastasse isso. Mas, no fundo, essa pressa em achar um único culpado tem mais de fuga do que de justiça. Porque aquilo ali não nasceu de repente — foi sendo cultivado, dia após dia.

O bullying, esse crime sem manchete, não explode de uma vez. Antes, ele corrói. Vai desgastando por dentro, em pequenas doses, quase invisíveis, até que o invisível vira insuportável. Não, não é “coisa de criança”. É violência em estado bruto — só que maquiada de riso, de piada, de “brincadeira”.

Sempre aparece alguém para simplificar o caos com rótulos prontos — “maldade”, “desvio”, “ideologia”. É confortável pensar assim. Dá aquela sensação de controle. Mas, conforto não explica tragédia nenhuma. Como bem lembra Dhiogo J. Caetano, “culpar o outro é um escapismo diante da omissão dos fatos e a não compreensão dos efeitos”. A verdade, essa sim, incomoda: ninguém colhe o que não foi plantado. E ali, naquele ambiente, o que se semeava todo dia era humilhação.

Os colegas sabiam. Viram. Alguns riram. Outros preferiram o silêncio. E, olha, silêncio nessas horas não é neutralidade — é cumplicidade das mais eficientes.

É aqui que a reflexão pede coragem. Não para passar pano para o erro, mas para encarar o que levou até ele. Quando as instituições falham — escola, família ampliada, Estado — quem tá acuado não deixa de sentir, não. Só deixa de ser amparado. E quando a dor não encontra palavra, ela arruma outro jeito de sair. Nem sempre o certo, quase nunca o aceitável — mas ainda assim, uma saída.

“A paz só se conquista com a Justiça!”, lembra Hermes C. Fernandes. E justiça não é só correr atrás depois do estrago feito. Justiça de verdade é impedir que o processo chegue a esse ponto.

A gente chora — e tem que chorar — pelos mortos. Mas existe uma outra morte, mais lenta, que quase nunca comove: a de quem vai sendo desmontado por dentro, um pouco a cada dia, diante de todo mundo. O menino não era só “o alvo”. Era alguém. Talvez com um sonho guardado, desses que a gente nem conta para não virar piada. Talvez gostasse de coisas simples — desenhar, ouvir música baixinho, imaginar um futuro onde fosse visto sem ser julgado. Talvez tivesse um sorriso que foi sumindo aos poucos… até sobrar só o vazio de quem já não se reconhece.

Aí veio a tal “brincadeira”. A campanha do desodorante. Para alguns, besteira. Para quem recebe, uma pancada. Porque não é sobre cheiro — é sobre pertencimento. Ou melhor, sobre a negação dele: “você não pertence”.

Cláudia Hanna capta isso com precisão quando diz que “existem situações que vão acabando com a pessoa, coisas que quem está de fora acha besteira, mas para quem é o alvo da chacota, sofre muito”. Não é comentário solto — é um alerta. Um desses que a gente ouve, mas insiste em não escutar direito. Respeitar o outro como ele é não devia ser lição aprendida depois da tragédia. E, mesmo assim, a gente continua aprendendo no tranco.

Só que aqui cabe um freio: nada de cair no fatalismo. Não, a paz não pode depender do medo da próxima tragédia. Se for assim, não é paz — é só um silêncio tenso, uma convivência à base de receio. O que precisa é outra coisa: mudança de postura, de verdade. Um esforço diário — às vezes incômodo, às vezes contra a corrente — de cortar o riso cruel, de acolher quem tá à margem, de lembrar, na prática, que dignidade não se negocia.

Porque, no fim das contas, como escreveu Bento Fleury, “cada um morre um pouco na morte de cada outro”. E, se isso é verdade, então também é nossa a responsabilidade de manter os vivos inteiros.

A ferida não fecha sozinha. Ou a gente cuida — ou, mais cedo ou mais tarde, aprende a conviver com o sangue.


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Como seu professor de sociologia, preparei este roteiro de reflexão baseado no texto. O objetivo aqui não é apenas "checar o conteúdo", mas exercitar sua capacidade de enxergar as estruturas sociais e as relações de poder que se escondem por trás de eventos trágicos como o do Colégio Goyases. Aqui estão 5 questões discursivas para você desenvolver seu pensamento crítico:

1 A Invisibilidade da Violência: O texto descreve o bullying como um "crime sem manchete" que corrói a vítima por dentro antes de explodir em tragédia. Do ponto de vista sociológico, por que muitas vezes a sociedade só reconhece a violência quando ela se torna física e letal, ignorando as microagressões cotidianas?

2 O Papel do Grupo (Espectadores): O autor menciona que o silêncio dos colegas diante da humilhação não é neutralidade, mas "cumplicidade das mais eficientes". Explique como a omissão de um grupo social pode validar e fortalecer o comportamento de um agressor.

3 Instituições e Falha Social: De acordo com o texto, quando instituições como a escola e a família falham, o indivíduo acuado deixa de ser amparado. Como a ausência de mecanismos de mediação de conflitos nessas instituições contribui para que a dor se transforme em atos desesperados de violência?

4 Estigmatização e Identidade: A "campanha do desodorante" citada no texto é apresentada como uma negação de pertencimento. Como a criação de rótulos negativos e a desumanização de um indivíduo dentro da escola afetam a construção da sua identidade e sua saúde mental?

5 Justiça Preventiva vs. Justiça Punitiva: O texto cita que "a paz só se conquista com a Justiça" e que a verdadeira justiça deveria impedir que o processo de bullying chegue ao extremo. Diferencie, com base na leitura, uma resposta baseada apenas na punição do culpado de uma abordagem que busque a "mudança de postura" e a dignidade coletiva.

Dica do prof: Ao responder, tente se colocar no lugar dos diferentes atores sociais mencionados (vítima, agressores, escola e colegas). Use trechos do texto para fundamentar seus argumentos! Bom estudo.

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sábado, 21 de outubro de 2017

O AMANHÃ ESPERA O GOLPISTA ("A sabedoria com as coisas da vida não consiste, ao que me parece, em saber o que é preciso fazer, mas em saber o que é preciso fazer antes e o que fazer depois". — Leon Tolstói)



Crônica

O AMANHÃ ESPERA O GOLPISTA 

("A sabedoria com as coisas da vida não consiste, ao que me parece, em saber o que é preciso fazer, mas em saber o que é preciso fazer antes e o que fazer depois". — Leon Tolstói)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

            Ao me deparar com os desafios da segunda-feira, mais o estigma negativo que ela carrega, sobrecarregam-me o espírito com muitas demandas, desestabilizando meus ânimos, fico procurando minimizar o estresse com uma postura positiva e colaborativa; porém, não adianta muito: é teatro. Como não tem outro jeito, então que venham os negociadores, abusadores e assediadores, farei qualquer negócio ou acordo até com os Demônios, mas só vou assinar qualquer documento amanhã. "Passa amanhã", agora minha agenda está inflexível exatamente para minimizar a tensão dos previstos. E não me tragam mais imprevisíveis.
             Tenho que desconfiar das facilidades, são estes facilitadores que me roubam dinheiro, tempo e vida! A mercê dos golpistas, estou pensando nos prós e nos contras das investidas deles, e não vou deixá-los me seduzir facilmente pelas oportunidades "cabeludas". Porque estou com meu humor oscilante e melindres acesos. Então, é prudente que eu também deixe para amanhã as decisões importantes, garantindo ótimos resultados futuros. É bem provável que você me chame para ajudar em algo que utilize minhas habilidades naturais, tentando me enfraquecer e ser imediatista, mas sei que é uma armadilha. Vindo de si não é confiável. Detesto ser movido por impulsos. Por favor, dê-me um tempo para pensar e você cairá nela. "Quem prepara uma armadilha para outros nela cairá; Quem prepara uma armadilha para outros nela cairá; quem rola uma pedra sobre outros por ela será esmagado. quem rola uma pedra sobre outros por ela será esmagado." (Provérbios 26:27 NVT),
            Amanhã, estarei mais maduro e naquelas circunstâncias estará mais elevada minha experiência, conseguinte estarei mais assertivo frente aos desafios nas relações humanas, especialmente com pessoas cujas ações são negativamente conhecidas, forçando-me a lidar com sentimentos de urgência. Estou buscando a transparência, não vou me contentar com impressões superficiais. Sei que é preferível lidar com a dura realidade do que com sonhos muito distantes, todavia adiar para amanhã é necessário. O sentimentalismo precisa de um porto seguro, caso contrário a sensação pode ser a de estar à deriva, porém o desgaste requer uma pequena folga. Nesse caso, o amor próprio é o que segura a minha onda.
           Deixo sempre para amanhã o que hoje é duvidoso!           
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 03/11/2016

Reeditado em 21/10/2017
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sábado, 14 de outubro de 2017

O PESSIMISTA ("O homem que é pessimista antes dos 50 anos, sabe demasiado; o que é otimista depois, não sabe o bastante". —Mark Twain)





Crônica

O PESSIMISTA ("O homem que é pessimista antes dos 50 anos, sabe demasiado; o que é otimista depois, não sabe o bastante". —Mark Twain)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Meu pessimismo aflorou-se, depois dos cinquenta anos de idade, quando vi a lua à luz do dia, desbotada, olhei-a com preguiça, estava apenas a metade, não sei se era crescente ou minguante, todavia fui coagido a desviar a atenção e pensar na nuvem escura do lado esquerdo do céu, ela estava feia para chover. Pensei, sobre outros luares, de noites claras, quando me encontrava com aqueles amigos, com os quais vivíamos sempre próximos, em todas as situações, até para as serenatas de crente. Hoje, não confio em ninguém, foram-se os bons tempos. Preciso marcar algo para esse final de semana prolongado, mas não posso fazer isso, se quem eu gosto já morreu! Tudo está em desfavor, desconectado do coração e sugerindo desentendimento, a fase é ruim, diz o horóscopo. É lua crescente no céu; todavia, minguante em minha vida! Não são só os estudos os despressurizadores das ideias, mas também o instinto natural.
           Embora, já seja sábado, dia do descanso sagrado, propício a algumas atividades prazerosas, porém, não me venha recomendar viagem, pois detesto perder tempo! Então, vou procurar algo mais proveitoso por aqui mesmo. Quem sabe, vou me enriquecer de cultura, adquirir informações com meus livros e na internet ou consertando alguma coisa velha no quartinho da bagunça. É lógico, que não vou deixar de lado os prazeres da carne, as sensações de gozo. Ainda mais, quando meu potencial comunicativo está afetado, e nas redes sociais engrosso as fileiras dos deprimidos. Então, quando eu acordo dos meus muitos devaneios, preciso provar minha existência exitosa através da participação real e das conversas prazerosas entre pessoas reais, é aí que falho novamente. Mas, talvez, um anjo caia das nuvens em meu colo, trazendo-me felicidade, hoje é O Sábado de Aleluia.
           Ninguém acredita que este lamento é uma busca por qualidade para meu cotidiano, pois é! Atravesso uma fase crônica, na qual já estou insensível. Todavia, quero melhorar, sim. Vejo que na teoria tudo é perfeito, porém na prática, dá defeito. Ainda assim, continuo crendo que o amor vale a vida e que o sexo é essencial!!! "Tudo é puro para os que são puros; mas nada é puro para os impuros e descrentes, pois a mente e a consciência deles estão sujas." (Tito 1:15).



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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 03/11/2016

Reeditado em 14/10/2017

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sábado, 7 de outubro de 2017

FALSO MORALISMO É ASSIM... ("O pudor inventou a roupa para que se tenha mais prazer com a nudez." — Carlo Dossi)



Crônica

FALSO MORALISMO É ASSIM... ("O pudor inventou a roupa para que se tenha mais prazer com a nudez." — Carlo Dossi)


Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Ontem foi sexta feira treze, dias das tretas! Então, por acaso, comentei positivamente um "post" polêmico na internet. Por  isso, sobraram-me os xingamentos dos fanáticos. Referi-me  ao “35º Panorama da Arte Brasileira – 2017“, exposição com curadoria de Luiz Camillo Osorio – diretor do Departamento de Filosofia da PUC-RJ – iniciada no último dia 26 de setembro e com término em 17 de dezembro. Em uma das instalações, os visitantes – sob aviso, advertindo os pais – foram convidados a tocar o coreógrafo Wagner Schwartz, o qual se encontrava nu. De acordo com o site do MAM, “o coreógrafo apresentava La Bête, performance em que ele se tornava um Bicho de Lygia Clark e podendo ser manipulado pelo público”.                  https://www.alternativatupa.com.br/2017/10/18/o-mundo-de-ponta-cabeca/ (acessado em 15/01/2023).
            Eu não ia me desgastar dizendo o óbvio a essa corja de pessoas, evangélicas e de direita; xingadores extremistas. Chamaram-me de analfabeto, velho e pedófilo, só porque encaminhei questionamentos sobre a incoerência dos que querem arte e cultura, mas do seu jeito, não do jeito dos artistas; usando seus filtros rotos para coar mosquitos, deixando passar antas. Se é crime, por que não deixar com a polícia invés de querer fazer justiça com as próprias mãos? Então, ofereci-lhes minha reflexão.
           Sua sede exagerada em combater a tal exposição artística, causou animosidade até em quem só queria ficar indiferente. Já diziam os estudiosos do comportamento que os agressivos o são para esconder alguma coisa que não gostam em si mesmos. Se fossem bons leitores, veriam que não estou a favor de pedófilo algum. Estou bem certo de que "Um erro não justifica o outro", apenas reclamo aqui é de pessoas cruéis como vocês em criticar irresponsavelmente os que fazem alguma coisa ousada. Se todos nós pensássemos igual, ninguém pensaria grande. Deviam procurar sair de trás do biombo do falso moralismo e serem mais honestos consigo mesmos.
          Outros condenaram a mãe que levou a criança para o espaço cultural. Se considerarmos uma pessoa inculta, feia e desproporcional; então compararmos com outra, civilizada, estudada e esculturalmente linda, qual das duas tem tendência para o tradicionalismo radical? A primeira paga para ver a segunda e disfarça superioridade, tentando limitá-la COM SUAS REGRAS, enquanto a segunda não se importa com a primeira e esnoba. Com certeza, aquela mãe se sentia inteligente, e culturalmente moderna, e aberta às novas tendências. Ela não tinha do que se envergonhar, pois estava num espaço público e rodeada de pessoas também inteligentes procurando "cultura". "Existe postura mais imoral que o falso moralismo?" (Lucivaldo Ferreira). 
            Agora imagine uma criança podendo exercer trabalhos artísticos, isso não configura exploração de menor? Sobretudo não pode frequentar uma exposição artística, onde se vê a nudez adulta, mesmo que sua mãe a leve e lhe conte uma história bonita. Assim, com as mesmas intenções, condena-se a ideologia de gênero nas escolas, sem conhecimento de causa. Respeitar a diversidade não mata ninguém, o que mata é a discriminação. E se fosse um ator infantil representando La Bête, despido, na mesma performance, os efeitos certamente seriam os mesmos, pois ainda não seria filho de índio. E por que andar nu se as pessoas nascem vestidas (riso)! A nudez deixaria de ser problema por aqui, se descolonizassem o Brasil. "Quando o português chegou, debaixo duma bruta chuva, vestiu o índio, que pena! Fosse uma manhã de sol, o índio tinha despido o português." (Oswald de Andrade). 
            Não, não estou apoiando crime algum nem de arte eu entendo, disseram-me que arte é vida; Wikipédia disse: "Arte pode ser entendida como a atividade humana ligada às manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada por meio de uma grande variedade de linguagens, tais como: arquitetura, desenho, escultura, pintura, escrita, música, dança, teatro e cinema, em suas variadas combinações". 
           Mas, de uma coisa sei, os principais abusadores não são os estranhos. Eles vivem com as crianças, ou têm livre acesso a elas, geralmente recebendo confiança por parte da família. Agora a arte pressupõe apresentações esporádicas. Todavia, é mais cômodo ficar sentado no sofá criticando casos como esse e alimentando a "cortina de fumaça" do que procurar crescer com as transformações do mundo. Por que os "conservadores" já não criticam mais o casamento gay? Ou um casal de homossexual pastoreando uma igreja? Para mim, rendeu uma boa oportunidade de conhecer muitos hipócritas, até ator pornô chamando a exposição de pouca vergonha. ... moralistas gratuitos!                  https://www.otempo.com.br/diversao/alexandre-frota-protesta-no-mam-apos-performance-de-homem-nu-1.1526059 (acessado em 15/01/2023).
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 02/11/2016

Reeditado em 07/10/2017

Código do texto: T5810572 

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sábado, 30 de setembro de 2017

A VIAGEM INEVITÁVEL ("Estou para realizar a minha última viagem, um grande salto no escuro". — Thomas Hobbes)



Crônica

A VIAGEM INEVITÁVEL ("Estou para realizar a minha última viagem, um grande salto no escuro". — Thomas Hobbes)

           Ultimamente, meu humor está instável. E minha intolerância é um obstáculo na relação com as pessoas. Mas, vou me esforçar para cultivar flexibilidade e imparcialidade, ainda que precisarei manter uma postura austera como professor. Este é meu último estado situacional. Não gosto de fantasiar!
           Apesar dessa certeza, estou daquele modelo: esperando que os outros me compreendam e se aproximem. Sim, e vai ser assim porque minha atitude já está decidida. Fiz muito por eles, agora quero que façam por mim. O meu desafio para este final de existência é de me expressar como eu gosto: Quieto em meu canto e calado, parecendo sábio. Porém, se vier alguém, a gente "viaja" junto!
           Como já disse, vou começar procurando encurtar mais as conversas, pois já deixei de "xororô" e "mimimi". Escutarei somente os mais experientes com boa vontade e até falarei bem dos jovens se possível, quero que fechem o meu esquife funerário com elogios; não assim, tão imediatamente, mas que se atrase bastante a visita da velha de preto com foice na mão. Estou cuidando do meu humor, talvez ela pense que estou feliz demais para morrer assim salutarmente. Claro que quero com todas as forças que tudo se resolva, quando chegar minha hora, sem dor. Aí, tudo estando sereno e tranquilo e não me preocupando mais  com esta existência, então os reservatórios de minhas energias poderão esvair-se prontamente. 
           Nem eu e nem Deus não gostamos de exageros. De vocês, queremos uma postura disciplinada para as despedidas. Meu conselho de cabeceira é o do Leo Vonyazzi: "É isso mesmo. Viajar é o melhor remédio para curar: tédio, rotina, tristeza, solidão. Então o que está esperando? Faça as malas agora e dê mais uma chance para a vida te mostrar tudo o que ela tem para te oferecer!" Amém, se tiver vida após a morte!
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 02/11/2016

Reeditado em 30/09/2017
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sábado, 23 de setembro de 2017

SOBREVIVÊNCIA AOS "TRANCOS E BARRANCOS" ("O cão não ladra por valentia e sim por medo." — Provérbio Chinês)



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SOBREVIVÊNCIA AOS "TRANCOS E BARRANCOS" ("O cão não ladra por valentia e sim por medo." — Provérbio Chinês)

Por Claudeci Ferreira de Andrade* 

            

cRçôNICA

SOBREVIVÊNCIA AOS "TRANCOS E BARRANCOS" ("O cão não ladra por valentia e sim por medo." — Provérbio Chinês)

Por Claudeci Ferreira de Andrade* 

            Hoje, mais uma vez, temi perder minha integridade física. Tentaram prejudicar a minha saúde e alma. Procurei resolver o problema, escondendo a cabeça: tipo Ema. Porque as questões de relacionamento que precisavam ser discutidas, não consegui, eu esperava uma confirmação de minhas supostas parcerias  para reverter uma negociação a meu favor. Todavia, ainda estou respirando.
           Fujão não, enquanto em mim houver vida, estarei lutando para me recuperar de traumas ou de problemas que podem estar associados a minha própria falta de cuidado com meu nome e caráter. "Quem me rouba a honra priva-me daquilo que não o enriquece e faz-me verdadeiramente pobre." (William Shakespeare). Assumir a culpa para sensibilizar meu anjo da guarda era minha intenção. Agora, estou sentindo um desequilíbrio e sem direção. Não posso perder o contato com minha verdadeira identidade, mas finjo que sou ator em uma peça ruim, porque no fundo sou eu mesmo. Continuo trabalhando no meio deles, e me debatendo para encontrar o caminho certo. Porém, desespero-me e não tomo uma atitude definitiva por força maior.
            Portanto, tenho que fechar os olhos para as pessoas que não me reconhecem como sou, oprimem-me, intimidam-me; preciso apenas desejar lhes as consequências de todas as ações dirigidas para me afetar. Eu sei que no futuro se encontrarão no mesmo desespero que me encontro agora! E lhes direi, seu eu estiver lá: "Quem ajuda o tolo terá de ajudá-lo novamente". Por isso não o fiz. 
            Pelo visto, estou sozinho e excluído por ser velho, sinto-me pressionado por resultados e lucros. Talvez devo reformular métodos de trabalho ou reconsiderar prazos até que fiquem dentro do padrão de qualidade esperado. Senão só me resta ser um pouco mais irônico.
             Desse jeito, fazendo o balanço dos acontecimentos, vejo-me na pele de Bob Marley e nas circunstâncias de Elias. A Bíblia nos diz: “Ele ficou com medo.” Será que Elias visualizou a morte terrível que Jezabel planejava para ele? Se ele ficou pensando nisso, não é de admirar que tenha sentido medo. Seja como for, Elias ‘foi embora pela sua alma’ — ele fugiu para salvar a vida. — (1 Reis 18:4; 19:3). No entanto, Bob Marley explicou a atitude da nossa alma: "Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama. Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer". E assim seja!



Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 02/11/2016

Reeditado em 23/09/2017

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sábado, 16 de setembro de 2017

DOIDO OU BURRO, EIS A QUESTÃO! ("Ninguém fica doido de tanto estudar! É mais fácil ficar doido de tanto ser burro." — André Azevedo da Fonseca)


Crônica

DOIDO OU BURRO, EIS A QUESTÃO! ("Ninguém fica doido de tanto estudar! É mais fácil ficar doido de tanto ser burro." — André Azevedo da Fonseca)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

         Hoje, sinto a necessidade de ocupar minha mente com assuntos agradáveis e que elevem a minha autoestima, porque logo cedo, estou sentindo uma angústia e medos infundados; acordei assim. Estou ainda remoendo insucessos ou teorizando acerca de situações mal resolvidas do passado. Então, vou me recolher na minha insignificância ou, pelo menos, diminuir os encargos do dia, pois minhas fragilidades podem somatizar a decaída. Talvez esse esforço não resulte em grande coisa, mas, construirei momentos mais adequados à contemplação e análise da vida. De qualquer forma, hoje será um dia ruim para mim, diz meu horóscopo. O que eu devo fazer para me livrar de problemas recorrentes do meu trono de ensinar?
           Já me disseram que todo professor tem problemas mentais! De tanto ouvir essa sugestão, comecei a crer no fenômeno. "Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes." (Albert Einstein). Se não, como explicar os seguintes comportamentos: Eu estava conversando com uma pessoa num lugar tranquilo e isolado, quando ela me pede para falar mais baixo. Eu não estava percebendo que gritava invés de dialogar em um tom civilizado. Existem outros Professores que choram na sala em frente dos alunos! Já ouvi nos depoimentos de alguns, sobre não poder ver, na rua, um aluno uniformizado que têm crise de pânico e desviam seu caminho! Outros ainda, no grupo das lutas pelos professores no WhatsApp, de plantão, somente para ofender quem quer que postar qualquer assunto conservador, é atacado.  E, olha, que não são casos únicos, isolados, mas recorrentes. 
            Bem pudera, tente compreender as agressividades mil de alunos gratuitos; os desrespeitos de pais barraqueiros pagando de herói à sociedade, buscando direitos; a concorrência dos colegas com sede de poder assusta; tudo vitimando o professorado de quem está num beco sem saída. Esta história de vida repete-se no ambiente de quase todas as escolas,  de vez enquanto, um de nós perde a cabeça: Porque ele está assim? O que se faz cego não entenderá, que muitas vezes, os alunos passando dos limites, igual a cartão de crédito, e o mestre absolve tudo, tentando ajudá-los, cai na armadilha. Além do mais, tem consciência que é mal remunerado etc. 
           Também é doido quem endoidece os outros. "Como você sabe, os loucos sempre encontram as portas do céu abertas." (Martha Medeiros). Por último, graças a Deus por ser doido varrido!
         
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 02/11/2016

Reeditado em 16/09/2017

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sábado, 9 de setembro de 2017

CLIENTE OU PACIENTE DE PSICÓLOGO? ("As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio." — Franz Kafka)


Crônica

CLIENTE OU PACIENTE DE PSICÓLOGO? ("As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio." — Franz Kafka)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

            Quando dizem que sou o pior professor da escola, com nada para contribuir, nunca me ofenderam. Pelo menos ainda sou professor. Agora será se os que me julgam já foram professor um dia! Sim, se foram, agora transferem a mim o seu fracasso e me comparam com eles, isto já me ofende muito, porque não avancei o suficiente para me perderem de vista. E destrói o meu bom espírito, vendo uma coordenadora "tangendo" os meus alunos para dentro da sala numa rotina cansativa como a da faxineira que limpa a casa para sujar novamente, pois eles (alunos), estes sim, não querem contribuir, almejam apenas a atenção que lhes faltam na família e na sociedade. Pois ficam todo tempo da aula na porta olhando para o pátio da escola ou se mostrando folgados e com a aparência chocante, sem o uniforme, conquistando "prestígio" dos rebeldes. 
           Descobri que muitos da comunidade interna de uma unidade escolar (colegas de trabalho), não acreditam na benfeitoria de seu trabalho. Acho que é meu caso, talvez por isso agora, estou me sentindo medroso, como quem está fugindo, parece-me que alguma coisa na minha vida não foi resolvida ainda: consciência pesada. Estou pensando cuidadosamente e tentando descobrir que pendência é essa! Quero resolvê-la, e vou fazer desse objetivo um momento de decisão prática e importante, contribuindo com minha ausência. Contudo, é sempre relevante, quando se trata de sobrevivência e trabalho, é um sinal, que devo redobrar a atenção nos detalhes de tudo. Se você quiser dar uma rasteira em mim, este pode ser um bom momento para desatar de vez os laços de amizade que porventura estejam abalados, dobrando-me às frustrações e diferenças.
           O medo é a raiz da violência, mas sou covarde demais para praticar a vingança, libertando-me da perseguição, apesar de ser ela uma verídica moeda de troca. Almejo a paz, porém sei que ela só acontecerá com guerra. Por que continuo alimentando este medo, se Anjos não morrem? Aqui fala por mim a Fernanda Gaona: "Eu não sou tão forte quanto eu previa, nem tão fraca quanto eu temia. Não tenho o passo rápido como eu gostaria, nem paraliso como poderia. Aprendi a me equilibrar nos extremos. Se não tenho o direito de escolher todos os acontecimentos, me posiciono de acordo com os fatos."
           Não me favoreça a injustiça, pior ainda é me marginalizar, desta maneira, compram minha vingança ou de quem me comissionou ao professorado. Assim explico: não sou violento, a palavra é minha arma e o silêncio também. Após o debate, a finalidade é meu consolo. Por isso, não posso me calar ainda. 
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 02/11/2016
Reeditado em 09/09/2017
Código do texto: T5810552 
Classificação de conteúdo: seguro

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