"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 8 de agosto de 2026

Ensaio Teológico IV(21) — Os Olhos da Visão Clara e o Coração Singular: Uma Análise Crítica

 


Ensaio Teológico IV(21) — Os Olhos da Visão Clara e o Coração Singular: Uma Análise Crítica

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Conheço um homem — chamemo-lo apenas de amigo, para preservar aquilo que há de íntimo nessa história — que, aos trinta anos, decidiu "olhar só para a sabedoria". Vendeu o que considerava supérfluo, recusou convites, afastou distrações e passou a viver quase como um monge, determinado a cumprir ao pé da letra aquilo que entendia ser a orientação de Provérbios 4:25-27: manter os olhos fixos adiante, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda. No começo, parecia admirável. Havia propósito, disciplina e uma vontade quase obstinada de não perder tempo com aquilo que julgava secundário. O problema é que, em menos de dois anos, ele havia se afastado dos amigos, negligenciado as contas e transformado a própria busca pela sabedoria numa espécie de isolamento. E havia algo ainda mais paradoxal: a sabedoria que cultivava com tanto empenho já não tinha ninguém a quem ser oferecida. Foi essa história, muito mais do que qualquer teoria, que me fez desconfiar de uma leitura excessivamente literal daquele texto.

A experiência me ensinou que uma coisa é ter os olhos voltados para uma direção; outra, bem diferente, é deixar de enxergar tudo o que acontece ao redor. Salomão escrevia para um mundo muito mais estreito do que o nosso, em que as escolhas, embora difíceis, eram relativamente mais delimitadas. Hoje, o cenário mudou. Multiplicaram-se as possibilidades, as vozes, os caminhos, as necessidades e, sobretudo, as urgências simultâneas. Somos chamados a responder a tudo ao mesmo tempo e, não raro, acabamos não respondendo bem a coisa alguma. Talvez seja justamente por isso que Provérbios 14:15 — "o simples dá crédito a tudo, mas o prudente atenta para os seus passos" — me pareça tão atual. O texto não recomenda uma visão estreita, mas uma atenção desperta. Não basta olhar para frente; é preciso saber onde se está pisando.

Daniel Kahneman, ao estudar os mecanismos pelos quais nossa mente toma decisões e também se engana, chegaria a uma conclusão semelhante por outra porta. A visão verdadeiramente lúcida não é necessariamente aquela que elimina a emoção em nome da razão, nem aquela que abandona a razão para seguir apenas a intuição. O discernimento nasce, muitas vezes, justamente da capacidade de colocar essas dimensões em diálogo. Razão e emoção, experiência e reflexão, dados e intuição podem caminhar lado a lado. Afinal, de que adianta ter olhos fixos no horizonte se não somos capazes de perceber a pedra que está bem diante dos nossos pés?

Confesso que essa constatação me incomoda mais do que me consola. Porque, se os olhos precisam permanecer atentos a muitas dimensões da existência — dinheiro, relações, família, trabalho, vocação e fé —, onde termina o equilíbrio e começa a dispersão? Essa fronteira não é tão nítida quanto gostaríamos. Às vezes, aquilo que chamamos de equilíbrio não passa de uma desculpa para a falta de foco; outras vezes, aquilo que chamamos de foco é apenas uma forma elegante de esconder nossa incapacidade de lidar com as demais responsabilidades da vida. Não tenho uma resposta definitiva. Talvez nem exista uma fórmula pronta. O que existe é a necessidade de vigiar, avaliar e, de tempos em tempos, parar para perguntar a nós mesmos: estou concentrado no que realmente importa ou apenas ocupado demais para perceber que estou me perdendo?

Mateus 6:22-24 nos lembra que não se pode servir a dois senhores. A advertência é séria, sobretudo quando colocamos o coração a serviço do dinheiro, do poder ou da própria ambição. Mas administrar bem os recursos financeiros não significa necessariamente transformar o dinheiro em senhor. Há uma diferença enorme entre ser dominado pelo que se possui e aprender a administrar aquilo que se recebeu. O dinheiro pode ser instrumento ou ídolo; pode servir à vida ou escravizá-la. Quando bem administrado, pode garantir dignidade, cuidar da família, atender necessidades e, quem sabe, ainda sobrar para causas que ultrapassam os limites do nosso próprio interesse. O problema, portanto, não está apenas no que temos, mas naquilo que aquilo que temos passa a fazer conosco.

E o coração? Talvez seja aqui que a questão se torne ainda mais profunda. Será que um coração fiel precisa necessariamente ter uma única paixão? Aristóteles já afirmava que o homem é, por natureza, um ser social e que aquele que vive isolado, ou é deus, ou é fera. A frase atravessou os séculos porque toca numa verdade difícil de ignorar: fomos feitos para viver em relação. Temos família, amigos, trabalho, responsabilidades, afetos, sonhos, compromissos e, para quem crê, uma relação com Deus que pretende dar sentido a tudo isso. Ser inteiro não significa ser estreito. Pelo contrário, talvez a verdadeira inteireza esteja justamente na capacidade de abraçar muitas dimensões da vida sem permitir que nenhuma delas usurpe o lugar daquilo que consideramos essencial.

Por isso, começo a olhar de outra maneira para o chamado "coração indiviso" de Salomão. Talvez ele não represente um coração incapaz de amar muitas coisas, mas um coração que, mesmo envolvido com inúmeras responsabilidades e afetos, não perde de vista aquilo que lhe confere sentido último. Não se trata de viver com os olhos fechados para o mundo, mas de enxergar o mundo sem perder o eixo. Não é fugir das coisas para preservar a fé, mas aprender a lidar com as coisas sem transformar nenhuma delas em absoluto. Afinal, há uma diferença entre ter muitas responsabilidades e pertencer inteiramente a elas.

Ainda hesito diante dessa conclusão. E, pensando bem, talvez seja melhor assim. A sabedoria não parece nascer quando finalmente encontramos uma resposta que encerra todas as perguntas, mas quando aprendemos a fazer perguntas melhores e a suportar a inquietação que elas provocam. Aquele homem queria olhar somente para a sabedoria e acabou deixando de enxergar pessoas, contas e responsabilidades que também faziam parte da vida. Talvez essa seja a ironia de toda busca excessivamente estreita: podemos fixar tanto os olhos no horizonte que deixamos de perceber o caminho.

No fim, talvez a visão clara não seja aquela que olha apenas para frente, mas aquela que consegue enxergar o horizonte, o caminho e os próprios passos. E talvez o coração singular não seja aquele que ama uma única coisa, mas aquele que sabe qual delas deve ocupar o centro. Entre foco e abertura, entre devoção e responsabilidade, entre razão e emoção, caminhamos tentando não perder o rumo. Ainda hesito, sim. Mas talvez seja exatamente nessa hesitação — não na certeza absoluta — que a sabedoria começa, silenciosamente, a habitar em nós.

Ensaio Teológico IV(20) Ouvir, Aprender, Questionar

 


Ensaio Teológico IV(20) Ouvir, Aprender, Questionar

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Há uma frase de Salomão que carrego comigo como quem guarda uma pedra no bolso — pequena, mas impossível de ignorar: "ouve, e cresce em saber" (Provérbios 1:5). Simples assim. E, no entanto, há noites em que essa simplicidade me confronta, porque ouvir, nos dias de hoje, tornou-se quase um ato de resistência. Vivemos cercados por vozes que disputam nossa atenção o tempo inteiro; todo mundo quer falar, opinar, ensinar, convencer. Poucos, porém, parecem dispostos a parar, respirar e escutar. O mundo grita tanto que, às vezes, até o silêncio parece ter perdido a voz.

Cresci acreditando que a sabedoria tinha endereço certo: as páginas finas de uma Bíblia, a voz grave de um pregador, o silêncio reverente de um templo. Durante muito tempo, foi assim que aprendi a reconhecer aquilo que chamava de verdade. Mas, a vida, essa professora teimosa que não costuma pedir licença, foi me mostrando que o conhecimento não cabe inteiro dentro de um único livro, de uma única tradição ou de uma única voz. Em algum momento da vida adulta — talvez numa madrugada de dúvida, talvez diante de uma leitura que contrariava aquilo que eu havia aprendido — percebi que Paulo já havia deixado uma pista: "não se conformem com este mundo, mas transformem-se pela renovação da mente" (Romanos 12:2). E renovar a mente, convenhamos, não é trocar uma certeza por outra; é permitir que ela seja desafiada, ampliada e, quando necessário, reconstruída.

Foi assim que comecei a admitir, inicialmente com certo desconforto, que a sabedoria também pode nascer fora do templo. Isso não significa que Salomão estivesse errado; significa apenas que o mundo ao qual sua sabedoria se dirigia não é exatamente o mesmo mundo que hoje nos interroga. O conhecimento contemporâneo chega por livros, universidades, laboratórios, experiências humanas, telas, algoritmos e por uma infinidade de vozes que antes sequer teriam oportunidade de ser ouvidas. Se, por um lado, isso amplia enormemente nosso horizonte, por outro, também nos obriga a discernir. Afinal, nem toda voz merece crédito simplesmente porque encontrou espaço para falar.

Quando um pensador contemporâneo trata a inovação como uma busca incessante pelo desconhecido, não necessariamente está contradizendo a sabedoria de Provérbios. Talvez esteja, sem perceber, repetindo uma antiga intuição em outra linguagem. E quando uma voz pública afirma que a educação liberta, ela reencena, com palavras seculares, o mesmo espanto contido em João 8:32: "conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". A linguagem muda, os tempos mudam, as ferramentas mudam, mas certas perguntas permanecem. O ser humano continua querendo saber, compreender, ultrapassar seus próprios limites e descobrir o que existe depois daquilo que já conhece.

Mas, é justamente aí que aparece o verdadeiro problema — aquele para o qual ninguém me preparou. O que fazer quando ouvir e questionar entram em rota de colisão? O que acontece quando a voz da tradição diz uma coisa e a voz da razão contemporânea diz outra, ambas ressoando dentro do mesmo peito? Confesso: não tenho uma resposta fechada. E talvez essa seja justamente uma das formas de honestidade que uma fé madura exige. Há momentos em que a fé não se apresenta como uma certeza tranquila, mas como uma tensão que precisa ser sustentada sem desespero. Afinal, ouvir sem questionar pode transformar-se em obediência cega; questionar sem ouvir pode converter-se em soberba disfarçada de liberdade. Entre esses dois abismos, caminha aquele que realmente deseja encontrar sabedoria.

É por isso que Provérbios 1:7 continua sendo tão provocador ao afirmar que o temor do Senhor é o princípio do conhecimento. Princípio não significa necessariamente ponto final. É começo, porta de entrada, fundamento a partir do qual a busca pode prosseguir. Talvez o problema esteja justamente quando transformamos aquilo que deveria ser uma porta em um muro. A fé que impede toda pergunta pode acabar protegendo mais o medo do que a verdade; e a razão que despreza toda tradição pode descobrir, tarde demais, que também carrega seus próprios dogmas.

Talvez, então, a vida cristã contemporânea não consista em escolher entre a página antiga e a voz nova, entre a tradição e a razão, entre ouvir e questionar. Talvez consista em aprender a caminhar entre elas — às vezes tropeçando, é verdade; outras vezes parando no meio do caminho, olhando para trás e perguntando se ainda estamos na direção certa. Não há vergonha nisso. Quem busca de verdade não precisa fingir que nunca teve dúvidas. Pelo contrário, talvez seja justamente a dúvida honesta que nos impeça de transformar a fé em mera repetição.

No fim das contas, ouvir e questionar podem não ser forças inimigas. Uma escuta verdadeira abre espaço para a pergunta, e uma pergunta sincera nos ensina novamente a ouvir. É nesse movimento, nesse ir e vir entre a certeza e a inquietação, que a mente se renova e a fé deixa de ser estática. Talvez a sabedoria seja exatamente isso: não ter medo de ouvir o que nos desafia, nem vergonha de questionar aquilo que sempre consideramos intocável. Porque a fé que se põe em movimento não é necessariamente uma fé que perdeu o rumo; pode ser, justamente, uma fé que finalmente aprendeu a caminhar.

domingo, 2 de agosto de 2026

Quando a Inclusão Vira Responsabilidade de um Só

 




Quando a Inclusão Vira Responsabilidade de um Só

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Há coisas na educação que me inquietam não porque sejam difíceis de compreender, mas porque, de tanto serem repetidas, acabam ganhando a aparência de verdade. Uma delas é a ideia de que, quando há um estudante público da Educação Especial na sala regular, toda a responsabilidade por sua inclusão recai sobre o professor regente. É uma afirmação repetida tantas vezes que, para alguns, já adquiriu a força de uma lei. Mas, repetição não transforma opinião em norma. E eu aprendi, com os anos, a desconfiar justamente daquilo que todos repetem sem se dar ao trabalho de verificar.

Foi por isso que, mais uma vez, fui procurar nos documentos aquilo que muitos preferem encontrar apenas nas conversas de corredor. Afinal, ensinar também é aprender a perguntar: onde está escrito? Quem determinou? Qual é a responsabilidade de cada um? Em educação, como na vida, convém separar o que se diz do que, de fato, está estabelecido.

Foi assim que voltei os olhos para a Portaria MEC nº 421/2026, especialmente para o artigo 11. Ali encontrei uma indicação que, a meu ver, merece ser lida sem pressa: o Plano Educacional Individualizado — o PEI — não aparece como tarefa solitária do professor regente. Ele deve contemplar o plano de acessibilização curricular e conter, no mínimo, as atividades do Atendimento Educacional Especializado, além da articulação necessária com o professor regente e os demais profissionais da unidade escolar. Parece uma questão meramente técnica. Não é. Por trás de uma norma aparentemente burocrática existe uma concepção de educação. E, por trás dessa concepção, há uma pergunta filosófica que considero fundamental: quem é responsável pelo outro?

Penso, enquanto escrevo estas linhas, num menino que vou chamar de Davi. Não é seu nome verdadeiro, mas poderia ser o de tantos outros. Davi tem oito anos, é autista e tem uma professora regente que, sozinha, tentava adaptar todas as atividades da semana, sem nunca ter recebido, sequer uma vez, o plano de acessibilização que deveria orientá-la. Ela improvisava com o que tinha: recortava, simplificava, tentava, errava, refazia, adivinhava. E, quando Davi não avançava como o esperado, era ela — só ela — quem era chamada à sala da coordenação para explicar o que "estava dando errado". Ninguém perguntava se lhe haviam dado os instrumentos necessários para fazer dar certo.

É essa cena, multiplicada em milhares de salas de aula pelo país, que uma política de inclusão precisa ajudar a desfazer. O estudante não pertence ao professor regente. Ele pertence à comunidade escolar. Sua aprendizagem não é uma responsabilidade particular; é uma responsabilidade compartilhada. E aqui está, talvez, um dos maiores equívocos de certas práticas que se dizem inclusivas: confundir colaboração com transferência de responsabilidade. Colaborar é trabalhar junto. Transferir é entregar o problema a alguém e esperar, de longe, que ele encontre sozinho a solução. Há uma diferença enorme entre essas duas coisas.

O estudo de caso e o planejamento do Atendimento Educacional Especializado não podem ser reduzidos a procedimentos burocráticos, preenchimento de formulários ou documentos destinados a cumprir uma exigência administrativa. Precisam produzir conhecimento real sobre aquele estudante: quem ele é, quais barreiras encontra, quais são suas potencialidades, que recursos podem favorecer sua aprendizagem e quais estratégias podem ajudá-lo a avançar.

E esse conhecimento precisa, depois, atravessar a porta da sala de aula e chegar às mãos de quem está diante da turma todos os dias. Não como uma ordem a ser cumprida mecanicamente, mas como orientação, apoio e possibilidade concreta de trabalho. Porque nenhuma criança cabe perfeitamente em um formulário. E Davi, com certeza, jamais coube no dele.

Um documento que não transforma a prática é apenas papel. E papel, por mais importante que seja, não ensina ninguém. Não abraça, não espera, não escuta, não percebe quando um aluno teve uma noite ruim ou chegou à escola carregando, no silêncio, alguma coisa que ninguém consegue enxergar.

Ao longo da minha trajetória como professor, aprendi que a escola tem uma tendência perigosa: burocratizar aquilo que deveria humanizar. Criamos formulários para falar de pessoas, relatórios para descrever histórias de vida e planos para organizar sujeitos que, na realidade, não cabem em planilha alguma.

O estudante é sempre maior que o diagnóstico, maior que o laudo, maior que o PEI — maior, inclusive, que as limitações que, às vezes, lhe atribuímos sem perceber. Por isso, quando discutimos inclusão, talvez a pergunta errada seja "quem vai fazer o PEI?". A pergunta certa é outra: "o que precisamos fazer para que esse estudante aprenda?" A primeira distribui tarefas. A segunda distribui compromisso. E talvez seja justamente compromisso, mais do que protocolo, o que esteja faltando em tantas escolas.

Não estou dizendo que todos devam fazer tudo. Isso seria tão equivocado quanto entregar tudo ao professor regente. Cada profissional tem seu campo de atuação: o professor da Educação Especial, o professor regente, a equipe gestora e os demais profissionais da escola. Cada qual tem sua função, suas atribuições e sua contribuição específica. Mas, funções diferentes não significam responsabilidades isoladas. A inclusão é uma obra coletiva. E uma obra coletiva não se ergue quando cada trabalhador empurra o tijolo para o vizinho, esperando que alguém, no fim, termine a construção.

Sei o que significa entrar diante de uma turma e tentar ensinar algo que faça sentido para todos, inclusive para o Davi de cada sala. Sei também que o professor já carrega peso suficiente. Há planejamento, avaliações, registros, reuniões, cobranças, demandas administrativas, dificuldades de aprendizagem e, muitas vezes, a sensação de que se espera dele aquilo que deveria ser construído por toda a escola. Acrescentar-lhe todas as etapas da inclusão, sem articulação, formação, recursos e apoio, não é promover inclusão. É apenas rebatizar a sobrecarga com um nome mais bonito. E há uma ironia dolorosa nisso tudo.

Enquanto discutimos portarias, planos, atribuições e responsabilidades, existe sempre um estudante sentado em algum canto da sala esperando que alguém perceba que ele não precisa apenas estar ali. Precisa participar. Precisa aprender. Precisa ser ouvido. Precisa ter suas barreiras enfrentadas. Precisa encontrar uma escola que não lhe diga apenas "você está incluído", mas que demonstre, todos os dias, na prática: "nós estamos aqui para que você possa aprender." É aí que a inclusão deixa de ser discurso e começa a ganhar carne, rosto e vida.

Inclusão não é simplesmente colocar o aluno dentro da sala e entregar ao professor uma responsabilidade que deveria ser institucional. Também não é produzir um "PEI" impecável e imaginar que, com isso, o problema está resolvido. Inclusão é processo. É diálogo. É planejamento. É acompanhamento. É responsabilidade compartilhada. Sobretudo, é uma escolha ética que se renova a cada manhã, a cada aula, a cada estudante que entra pela porta.

Por isso, quando alguém me pergunta se o professor regente é o responsável pela elaboração do PEI, minha resposta permanece simples: não devemos transformá-lo no proprietário solitário de uma responsabilidade que pertence a uma rede inteira de profissionais. Ele precisa participar. Precisa conhecer. Precisa articular. Precisa executar. Precisa avaliar. Precisa, muitas vezes, refazer o caminho quando aquilo que foi planejado não produz o resultado esperado. Mas, não pode ser abandonado sozinho diante de uma tarefa que, por sua própria natureza, exige colaboração. Afinal, educação não é linha de montagem, em que cada um entrega sua parte e vai embora. Educação é encontro. E todo encontro verdadeiro exige responsabilidade pelo outro.

Foi isso que aprendi, depois de tantos anos vivendo a escola por dentro: não basta mudar a legislação se não mudarmos o modo de olhar para o estudante. Não basta criar o "PEI" se não houver compromisso com sua execução. Não basta falar em inclusão se, diante das dificuldades, a primeira reação for procurar alguém para culpar. Porque, no final das contas, a pergunta mais importante não será quem elaborou o plano. Será outra, bem mais incômoda: quando Davi precisou de nós, o que realmente fizemos por ele? E essa pergunta, meus caros, não cabe inteira em nenhum formulário.

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Como seu professor de Sociologia, fiz esse texto inspirador sobre os desafios da inclusão escolar. Ele nos convida a pensar para além das leis e dos papéis, focando nas relações humanas e na nossa responsabilidade enquanto sociedade.

A sociologia nos ensina que a escola é uma "instituição social", um espaço onde construímos nossa vida em comum. Quando falamos de inclusão, estamos discutindo que tipo de sociedade queremos ser: uma que isola indivíduos ou uma que compartilha cuidados?

Com base nas reflexões do texto, preparei 5 questões para exercitarmos nosso pensamento crítico. Vamos lá?

Atividade de Sociologia: Reflexões sobre a Inclusão e a Responsabilidade Compartilhada

Questão 1: Colaboração vs. Transferência

No texto, o autor faz uma distinção importante entre "colaborar" e "transferir responsabilidade". Explique, com suas palavras, por que deixar o professor regente sozinho com a inclusão de um aluno como o Davi não pode ser considerado uma prática verdadeiramente inclusiva.

Questão 2: A Comunidade Escolar

O autor afirma que o estudante não pertence apenas ao professor, mas sim à "comunidade escolar". Do ponto de vista sociológico, como a união de diferentes profissionais (gestores, professores de AEE, regentes e funcionários) pode transformar a escola em um ambiente mais justo para todos?

Questão 3: O Perigo da Burocracia

O texto alerta que a escola tem uma tendência perigosa de "burocratizar aquilo que deveria humanizar". Como o excesso de foco em preencher formulários e relatórios pode acabar "escondendo" quem o aluno realmente é, transformando histórias de vida em apenas "papel"?

Questão 4: Educação como Encontro

Ao final do texto, lemos que "educação não é linha de montagem", mas sim "encontro". Relacione essa frase com a ideia de que a inclusão é uma escolha ética que deve ser renovada todos os dias na prática escolar.

Questão 5: Além da Legislação

O autor menciona que "não basta mudar a legislação se não mudarmos o modo de olhar para o estudante". Em sua opinião, por que as leis (como a Portaria MEC nº 421/2026) são importantes, mas sozinhas não conseguem garantir que alunos como o Davi aprendam e participem de verdade?

Dica do professor: Ao responder, tente se colocar no lugar do professor regente ou do próprio aluno. Pensem em como as estruturas da nossa sociedade às vezes sobrecarregam os indivíduos em vez de oferecer apoio real. Bom trabalho!

quinta-feira, 2 de julho de 2026

A garrafa de Vidro com água sobre a mesa ("A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele." — Hannah Arendt)

 



A garrafa de Vidro com água sobre a mesa ("A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele." — Hannah Arendt)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Naquele dia, enquanto o café esfriava lentamente na xícara, li mais uma daquelas notícias que a gente termina de ler, mas custa a acreditar. Um aluno teria colocado cacos de vidro na garrafa de água de uma professora. Baixei o celular, permaneci alguns segundos em silêncio e pensei, quase sem querer: "Achei que já tivesse visto de tudo." Mas, pelo visto, eu estava enganado.

Antes mesmo que a indignação encontrasse lugar dentro de mim, outra manchete apareceu. Em outra escola, um estudante aproveitava os momentos de distração para contaminar a garrafa de água do professor de inglês de um jeito que prefiro nem repetir. Logo depois, veio mais uma notícia: funcionários descobriram que alguns alunos cuspiam no lanche justamente quando eram encarregados de levar as bandejas até a sala. E, como se a realidade insistisse em ultrapassar qualquer ficção, li sobre brigadeiros distribuídos entre colegas que continham maconha — um gesto que, à primeira vista, parecia gentileza, mas terminou estampado nos noticiários.

Confesso que não me faltaram palavras; faltou foi coragem para organizá-las. Há notícias que informam. Outras, porém, nos desarmam. Elas fazem mais perguntas do que oferecem respostas e nos obrigam a encarar um desconforto que preferíamos evitar.

Foi então que me lembrei de uma professora que conheço há muitos anos. Num fim de semana, ela me enviou uma mensagem curta, quase um desabafo: "Entrei na sala hoje e percebi que estava com medo de abrir minha própria mochila. Não sei desde quando isso começou." Demorei para responder. Fiquei olhando para aquelas palavras como quem percebe, de repente, uma rachadura numa parede que sempre acreditou ser sólida. Há medos que não chegam fazendo barulho; simplesmente se instalam e passam a morar na rotina.

Lembrei-me também de um aluno que me procurou ao final de uma aula. Falava baixo, escolhendo cada palavra, como se carregasse um peso maior do que a própria mochila. Disse que estava cansado. Não de estudar, nem das provas ou dos trabalhos. Estava cansado de entrar na escola sentindo que precisava se proteger antes mesmo de ocupar sua carteira. "A maioria de nós quer só aprender", confessou. "Mas a gente acaba pagando por quem não quer." Aquela frase continuou ecoando muito depois que a conversa terminou.

Essas duas vozes — a da professora e a do aluno — permaneceram comigo enquanto eu seguia lendo as manchetes. E foi impossível não voltar no tempo. Lembrei da escola que habita minhas memórias. Ela nunca foi perfeita. Sempre houve brincadeiras de mau gosto, apelidos cruéis, travessuras e pequenas rebeldias. Mas, existia uma fronteira invisível que poucos ousavam ultrapassar. A sala de aula era, antes de tudo, um espaço de confiança. O professor deixava sua garrafa de água sobre a mesa sem imaginar que ela pudesse representar qualquer risco. O lanche era apenas o lanche. O doce compartilhado no recreio significava amizade, nunca suspeita.

Hoje, no entanto, tenho a impressão de que não foi apenas a disciplina que se perdeu. E disciplina, convenhamos, sempre pode ser ensinada. O que parece estar em falta é algo muito mais profundo: a capacidade de reconhecer no outro alguém digno de respeito. Quando esse olhar desaparece, a violência já não precisa gritar. Ela se esconde nos pequenos gestos. Mora numa garrafa de água adulterada, num alimento contaminado, numa humilhação gravada para render curtidas ou numa "brincadeira" que deixa cicatrizes muito depois que o vídeo desaparece das redes sociais.

Talvez seja esse o aspecto mais inquietante de tudo. Muitos desses atos chegam disfarçados de "pegadinhas", "desafios" ou simples diversão. A internet aplaude durante alguns segundos e, logo depois, segue em frente. Mas, quem sofre a humilhação ou convive com o medo não consegue fazer o mesmo. A confiança, quando quebrada, leva muito mais tempo para ser reconstruída do que qualquer conteúdo leva para viralizar.

É por isso que continuo acreditando que a escola jamais educou sozinha. Ela prolonga aquilo que começa dentro de casa e encontra força — ou fraqueza — na comunidade em que está inserida. Quando respeito, empatia e responsabilidade deixam de ser cultivados, alguém acaba aprendendo que machucar pode ser engraçado, que humilhar rende aplausos e que a dor do outro pode virar espetáculo.

Quando terminei o café, ele já estava frio. Fechei o noticiário e meus olhos pararam, quase sem perceber, na garrafa de água que repousava sobre minha mesa. Nunca imaginei que um objeto tão comum pudesse carregar um significado tão pesado. De repente, ela já não simbolizava apenas água. Representava algo muito mais precioso: a confiança.

E talvez seja exatamente aí que mora o maior problema dessas notícias. Não são apenas os atos de violência que nos assustam, por mais graves que sejam. O que realmente inquieta é imaginar uma geração começando a desconfiar justamente dos lugares onde deveria aprender a confiar. Porque uma escola consegue sobreviver à falta de recursos, às paredes descascadas e às carteiras antigas. O que dificilmente consegue suportar é a perda da confiança entre aqueles que cruzam diariamente o mesmo portão acreditando que ali ainda existe um espaço para aprender, conviver e, sobretudo, tornar-se gente.

Apesar de tudo, a professora continua entrando na sala todas as manhãs. O aluno continua abrindo o caderno e tentando aprender. Ambos insistem em acreditar que a educação ainda vale a pena. E talvez seja essa esperança silenciosa, renovada a cada novo dia, a lição mais importante que uma escola ainda pode ensinar.



https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2026/07/01/se-eu-fosse-voce-nao-beberia-professora-narra-como-descobriu-que-aluno-colocou-vidro-no-copo-de-agua-dela-em-escola-no-interior-de-sp.ghtml


https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/alunos-colocam-vidro-em-copo-de-agua-de-professora-em-sp-policia-investiga/



Olá! Como seu professor de sociologia, preparei um roteiro de reflexão com cinco questões discursivas. Elas foram elaboradas para conectar os conceitos teóricos à realidade do cotidiano escolar, focando na construção de uma convivência mais ética e democrática.

Questão 1: A Escola como Agente de Socialização

A sociologia define a escola como um agente de "socialização secundária". Explique, com suas palavras, qual a diferença entre o que aprendemos na família (socialização primária) e o que aprendemos na escola, e por que essa transição é fundamental para a vida em sociedade.

Questão 2: A Função Social da Escola

Além de transmitir conteúdos acadêmicos (como Matemática e História), a escola possui uma "função social" política e ética. Discorra sobre como o ambiente escolar pode contribuir para a formação da cidadania e para o respeito aos direitos humanos.

Questão 3: Para Além da Violência Física

Muitas vezes, a violência escolar não se manifesta apenas por agressões físicas, mas também através da "violência simbólica" ou psicológica (como o bullying e a exclusão). Como esse tipo de violência invisível prejudica o processo de aprendizagem e a integração do aluno no grupo?

Questão 4: A Crise de Confiança nas Instituições

O texto aborda a "perda da confiança" entre a escola, os alunos e as famílias. Na sua visão, como a falta de diálogo e de confiança mútua contribui para o aumento da hostilidade e dos conflitos dentro do ambiente escolar?

Questão 5: Caminhos para a Cultura de Paz

Considerando a função da escola de ser um espaço de convivência com a diversidade, cite e explique uma ação prática que a comunidade escolar (professores, alunos e pais) poderia adotar para reconstruir os laços de confiança e reduzir a violência.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Quando os Ursos Voltam à Cidade: Vários Ursos no Portão da Escola ("O temor do Senhor é o princípio da sabedoria." — Provérbios 9:10)

 



Quando os Ursos Voltam à Cidade: Vários Ursos no Portão da Escola ("O temor do Senhor é o princípio da sabedoria." — Provérbios 9:10)

Por  Claudeci Ferreira de Andrade

Antes de virar manchete nos telejornais japoneses, o urso já rondava os territórios da imaginação humana. Era mais do que um animal: era aviso, presságio, fronteira. Guardião silencioso dos limites que a gente vive fingindo que não existem, ele lembrava ao homem uma verdade antiga e desconfortável: nem tudo pode ser domesticado. Em Utsunomiya, cidade de meio milhão de habitantes ao norte de Tóquio, esse símbolo ancestral saiu das brumas dos mitos para deixar pegadas reais sobre o asfalto. De uma hora para outra, quase cem escolas fecharam as portas, patrulhas cruzaram ruas estranhamente silenciosas, e pais apressaram o passo para buscar os filhos. O inesperado bateu à porta de uma das sociedades mais organizadas do planeta e, ironicamente, bastou a sombra de um urso para expor o quanto nossa rotina repousa sobre uma ilusão delicada de controle.

Tudo começou com um avistamento num sábado. Depois, vieram outros. Um urso teria passado pelos arredores de uma escola; outro surgiu nas imagens granuladas das câmeras de segurança do centro comercial; relatos desencontrados começaram a correr de bairro em bairro como quem carrega um segredo ruim. Naquela semana, o burburinho das crianças nos corredores foi substituído pelo ruído seco das janelas sendo trancadas. Sacos de lixo permaneceram dentro das casas. Conversas em tom baixo atravessaram cozinhas, portões e calçadas. Ninguém sabia ao certo se havia um único animal ou vários deles à solta. Mas, o medo, ah, o medo raramente espera pela confirmação dos fatos. Ele chega antes. Instala-se no corpo, aperta o peito, acelera os passos, faz mães olharem duas vezes pela janela antes de apagar a luz e pais demorarem alguns segundos a mais diante do portão, como se pudessem vigiar o invisível.

Mas, reduzir esse episódio a uma curiosidade exótica do outro lado do mundo seria um erro. Há algo profundamente humano escondido sob essas notícias. Com o fim da hibernação, os ursos voltaram a descer das montanhas. A diminuição da caça, as mudanças climáticas, a escassez de alimento e o esvaziamento das áreas rurais estreitaram, perigosamente, a distância entre a floresta e a cidade. O cheiro úmido do bosque parece já não respeitar a fronteira do concreto. A natureza, tantas vezes ignorada, reaparece para cobrar atenção — e talvez humildade. Eis uma das lições mais desconcertantes do nosso tempo: justamente quando acreditamos ter dominado tudo, descobrimos que continuamos pequenos diante das forças que nos cercam. Forças ecológicas, sim; mas também morais e espirituais. Afinal, o progresso não aboliu a nossa vulnerabilidade. Apenas a disfarçou sob camadas de conforto e tecnologia.

Curiosamente, muito antes das estatísticas, dos protocolos de segurança e das notas oficiais, os ursos já habitavam outro tipo de memória: a memória do sagrado. Em 2 Reis 2:23-25, Eliseu seguia seu caminho após suceder Elias quando foi cercado, em Betel, por jovens que o ridicularizavam. Chamaram-no de "careca", zombaram de sua autoridade e desprezaram aquilo que ele representava. O texto relata que duas ursas saíram do bosque e atacaram quarenta e dois daqueles rapazes. Evidentemente, não se trata de um aval à violência nem de uma nostalgia por punições exemplares. O episódio aponta para algo mais profundo: quando o respeito se desgasta, toda autoridade legítima corre o risco de ser banalizada. E basta olhar, sem muito esforço, para muitas salas de aula dos nossos dias para perceber o quanto essa reflexão continua incômoda e atual. Professores são interrompidos, desautorizados, transformados em alvo de deboche; pessoas mais velhas veem sua experiência ser tratada como peça de museu; limites são confundidos com opressão, e disciplina, com autoritarismo. Não, nenhum urso atravessa o portão da escola para impor silêncio ou restaurar a reverência perdida. Talvez isso seja até melhor. Ainda assim, permanece diante de nós a tarefa árdua — e inadiável — de ensinar respeito numa época em que o próprio respeito parece ter saído de moda.

Entre os ursos que hoje caminham pelas cidades japonesas e as ursas que emergem das páginas das Escrituras existe uma ponte invisível sustentada pela mesma advertência. A arrogância humana costuma florescer justamente quando esquecemos os nossos limites. Nem a tecnologia elimina nossa fragilidade diante da natureza, nem o progresso dispensa a necessidade de honra, humildade e reconhecimento da autoridade que serve ao bem comum. Talvez a verdadeira sabedoria não esteja em viver sem medo, mas em aprender o que o temor saudável tenta nos ensinar. Há fronteiras que não devem ser atravessadas com desdém; há forças que exigem reverência; há valores que, uma vez perdidos, custam caro para ser reconstruídos. E, num mundo cada vez mais disposto a rir de tudo e de todos, talvez o maior perigo não seja o urso escondido na floresta. Talvez seja a nossa crescente incapacidade de reconhecer que ainda existem realidades diante das quais convém baixar a voz, inclinar o coração e reaprender o respeito.


https://edition.cnn.com/2026/06/09/asia/japanese-city-schools-close-bear-intl-hnk



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Como professor de Sociologia de vocês, fico empolgado quando pegamos um texto tão rico como esse para analisar. À primeira vista, parece uma notícia sobre ursos invadindo cidades no Japão, mas, se olharmos com os "óculos da Sociologia", vamos ver que o texto fala sobre organização social, medo coletivo, a relação entre homem e natureza, e a crise de valores e autoridade na nossa sociedade. Com base nas ideias do texto, preparei 5 questões discursivas, simples e diretas, para aprofundarmos nosso conteúdo. Vamos exercitar nossa imaginação sociológica?

1. A Ilusão do Controle Social

O texto menciona que o Japão é uma das sociedades mais organizadas do planeta, mas que a presença de um urso bastou para "expor o quanto nossa rotina repousa sobre uma ilusão delicada de controle".

Pergunta: Do ponto de vista sociológico, como as instituições sociais (como o governo e as escolas) tentam manter a ordem e a segurança no dia a dia, e por que eventos inesperados da natureza conseguem quebrar essa sensação de controle tão facilmente?

2. O Medo Coletivo como Fenômeno Social

O autor afirma que "o medo raramente espera pela confirmação dos fatos. Ele chega antes". Na Sociologia, estudamos como sentimentos e comportamentos podem se espalhar rapidamente por uma comunidade, alterando a rotina de todos.

Pergunta: Explique como o medo relatado no texto deixou de ser um sentimento individual de uma única pessoa e se transformou em um "fenômeno social" que alterou a dinâmica de toda a cidade de Utsunomiya.

3. A Fronteira entre Sociedade e Natureza

O texto discute que problemas como o esvaziamento das áreas rurais e as alterações climáticas fizeram com que a natureza "cobrasse atenção", quebrando as barreiras entre a floresta e o concreto.

Pergunta: De que maneira o avanço das cidades e a modificação do meio ambiente pelo ser humano (o que os sociólogos chamam de impacto da ação antrópica) geram novos problemas e desafios para a vida em sociedade hoje em dia?

4. A Crise de Autoridade na Modernidade

Fazendo uma ponte com a história das ursas e do profeta Eliseu, o texto traz o debate para os dias atuais e afirma que "quando o respeito se desgasta, toda autoridade legítima corre o risco de ser banalizada", citando o exemplo de salas de aula onde professores são desautorizados e ridicularizados.

Pergunta: Por que a autoridade de figuras como professores e idosos parece estar em crise na sociedade moderna? Diferencie, com suas palavras, o que é ter autoridade legítima e o que é ser autoritário.

5. Valores Sociais e o "Respeito Fora de Moda"

No encerramento, o autor alerta que o maior perigo atual pode não ser o urso na floresta, mas a nossa "crescente incapacidade de reconhecer que ainda existem realidades diante das quais convém baixar a voz (...) e reaprender o respeito".

Pergunta: A Sociologia ensina que os valores (como o respeito, a empatia e a solidariedade) são a base para a convivência pacífica. O que acontece com a coesão de uma sociedade quando as pessoas passam a "rir de tudo e de todos", ignorando os limites sociais e o respeito mútuo?