"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 25 de março de 2023

NÃO SOU SEU BRINQUEDO: O Brinquedo Quebrado do Tempo! ("‎Não brinque com os outros, o mundo gira. Hoje você brinca, amanhã é brinquedo!" — Caio Fernando Abreu)

 


sexta-feira, 24 de março de 2023

JÉSSICA, MINHA LILITH! ("O que falta para eu entender que acabou? Que dor falta sentir?" — Tati Bernardi)

 

JÉSSICA, MINHA LILITH! ("O que falta para eu entender que acabou? Que dor falta sentir?" — Tati Bernardi)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Eu aqui, escrevendo e pensando no Jardim do Éden, fui assaltado pelo "meme" viral: "Já acabou, Jéssica?". O contraste entre a pureza bíblica e a impaciência digital me colocou num ponto intermediário — onde vive a minha própria Jéssica. Ela é uma figura mitológica do conforto, aquela que nunca termina o que começa e que refrigera o coração cansado. Para mim, ela talvez seja o que Lilith foi para Adão: uma força irresistível, autônoma e indomável. Quem se envolve com uma Jéssica deseja que o tempo pare; quanto mais demorar, melhor, pois o "espancamento da vida" já não significa mais nada.

Todos nós temos uma Jéssica que nos conduz a um otimismo perigoso. A de Sansão chamava-se Dalila; a de Davi, Bate-Seba. É preciso estar vigilante, atento aos rivais e aos "donos das Jéssicas" — aqueles que, frustrados, tentam interromper a diversão alheia, ignorando que todo sucesso cobra um preço alto.

Essa dualidade inevitável entre o prazer desejado e o risco iminente transforma a existência num jogo de submissão e dominação, em que se aprende a valorizar o obstáculo. O envolvimento com a "Jéssica" revela o lado masoquista de quem a ama, pois aceita o sofrimento e a perseguição como parte intrínseca do deleite — um prazer que só se completa na iminência do perigo. Já o rival, que tenta interromper essa felicidade, encarna o lado sádico da inveja, buscando controlar o tempo e o desejo alheios.

A vida, então, torna-se mais feliz para os masoquistas — aqueles que escolhem viver perigosamente. Nada mais importa, desde que a jornada seja intensa, repleta de obstáculos e contratempos, diferentes formas de prazer disfarçadas em dor. Ainda assim, para nossos propósitos mais sensatos, vale a pena resistir às intempéries e lutar pela vida edênica de outrora.

Que os proprietários das Jéssicas as eduquem para não nos ferirem tanto. E que nós, ao definirmos novas prioridades — talvez as prioridades dos sádicos — saibamos comunicá-las com clareza. Não podemos permitir que nossas emoções desequilibradas sequestren nossos objetivos, pois a mente desocupada é a oficina da Tentação.

A Jéssica é, no fundo, um anjo caído — aquele que, ao cair, arrasta os outros consigo. Minha Lilith.


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Como professor de Sociologia, vejo neste texto uma análise fascinante sobre o desejo, o controle social e a construção dos papéis de gênero e poder. O autor usa figuras mitológicas e bíblicas para falar sobre a dinâmica da sedução, da inveja e da satisfação pessoal em contraste com a norma. Para estimularmos a discussão sobre como essas relações se manifestam na sociedade, preparei 5 questões discursivas simples.


Questão 1: Contraste Cultural e Apropriação de Mitos

O autor mistura o mito bíblico do Jardim do Éden e Lilith com o "meme" digital "Já acabou, Jéssica?".

Explique como a Sociologia da Cultura enxerga essa apropriação e contraste entre o mito religioso tradicional e a cultura de internet. Qual é o efeito social de usar a "Jéssica" como um símbolo moderno do prazer irresistível e proibido, como foi Lilith?

Questão 2: Controle Social e Inveja

O texto menciona os "donos das Jéssicas" que, frustrados, tentam "interromper a diversão alheia".

Analise o papel desses "donos" sob a ótica do Controle Social. De que forma a tentativa de interromper o prazer e o sucesso de terceiros (o "rival") manifesta um esforço para manter a ordem moral ou o status quo?

Questão 3: Poder e Subversão de Gênero

O autor descreve a Jéssica como uma força "irresistível, autônoma e indomável" e a compara a Dalila e Bate-Seba, figuras femininas que detinham um poder de sedução e destruição.

Discuta como o texto subverte a noção de que essas figuras femininas (as "Jéssicas") são meramente objetos de desejo masculino. Identifique qual é o tipo de poder (social ou simbólico) que essas mulheres exercem sobre os homens e sobre as narrativas.

Questão 4: Sadismo, Masoquismo e Relações Sociais

O texto utiliza os conceitos de masoquismo (aceitar o sofrimento pelo prazer) e sadismo (controlar o desejo alheio) para descrever as relações em torno da "Jéssica".

Explique como essa dualidade de submissão e dominação (masoquismo/sadismo) pode ser transposta das relações interpessoais para as relações de classe ou de poder político, onde o risco e o sofrimento são aceitos como parte do jogo social.

Questão 5: A Mente Desocupada e a Tentação

A frase "A mente desocupada é a oficina da Tentação" sugere uma necessidade de disciplina para manter os objetivos e resistir ao desequilíbrio emocional.

Relacione essa afirmação com a ética protestante e o espírito do capitalismo (abordados por Max Weber). De que forma a disciplina e a dedicação ao trabalho (e não à "Tentação" ou ao prazer da "Jéssica") são vistas como mecanismos para alcançar uma vida "edênica" ou de sucesso na sociedade moderna?

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quinta-feira, 23 de março de 2023

PROVA DE RECUPERAÇÃO: O Teatro do Acomodamento ("Na escola da vida sempre tem prova surpresa, e quem não está preparado acaba sendo reprovado pela dura realidade!" — Anahyas Lopes)

 


QUANTO CUSTA UM CHEFE: O Peso da Coroa e a Leveza do Exemplo ("Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar." — Friedrich Nietzsche)

 


quarta-feira, 22 de março de 2023

REPESCANDO ALUNOS DISPERSOS PELA PANDEMIA: quando a Educação encena e a verdade insiste em permanecer ("Não existe mau aluno, só mau professor. Professor diz, aluno faz." — Senhor Miyagi)

 


REPESCANDO ALUNOS DISPERSOS PELA PANDEMIA: quando a Educação encena e a verdade insiste em permanecer ("Não existe mau aluno, só mau professor. Professor diz, aluno faz." — Senhor Miyagi)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Olha, vou te falar — sem rodeio, mas ainda com aquele resto de esperança que teima em não morrer: tem algo de profundamente cênico na Educação de hoje. E não é no bom sentido, não. É um teatro cansado, desses em que os atores já nem lembram por que subiram ao palco. Simula-se quase tudo: a prova, a disciplina, a legalidade… e até essa tal “proximidade”, que muitas vezes não passa de maquiagem social. Até as greves, que deveriam ecoar como grito, às vezes soam como cena ensaiada. E assim, a escola — que já foi chão firme — vai virando cenário móvel: bonito de longe, oco por dentro.

Agora, também não dá pra parar só no diagnóstico, né? Porque, apesar de tudo, ainda pulsa alguma coisa viva por baixo dessa encenação. O nó da questão é que, no meio desse enredo, a gente passou a confundir movimento com sentido. Faz-se de tudo um pouco, mas quase nada com profundidade. Enfeitam-se crianças de “índio”, de coelho que põe ovo, e pronto: tá feito o espetáculo. Aí vêm os nomes pomposos — “trilhas de aprofundamento” — como se batizar bonito resolvesse o vazio. Quando, na real, mal se arranha a superfície.

E as reuniões pedagógicas? Viraram verdadeiros quartéis-generais de estratégia. Só que estratégia, quando vira vício, deixa de ser ferramenta e passa a ser muleta. Planeja-se a próxima reunião pra justificar a anterior… e assim vai, num giro infinito que não sai do lugar. Um samba torto, repetido, que cansa até quem ainda tenta acompanhar o compasso.

E, no meio dessa coreografia toda, falta o mais básico: parar e perguntar — com honestidade mesmo — o que, afinal, vale a pena ensinar… e pra quê.

Quando alguém resolve “agir”, a solução aparece quase no susto: “vamos buscar o aluno em casa”. Olha, intenção boa até tem — e isso precisa ser reconhecido. Mas também tem um desconforto aí que não dá pra varrer pra debaixo do tapete. A linha entre cuidado e invasão é fina, delicada. Professor não é cobrador de presença, nem pode virar agente de resgate social improvisado. Educação não se impõe na porta de ninguém. Ela nasce — ou não nasce — no vínculo. E vínculo, convenhamos, não brota de pressão; brota de sentido, de encontro, de verdade.

Ainda assim, tem uma pergunta que insiste — e ela é incômoda, mas necessária: se o aluno foi embora, o que foi que se quebrou antes? Talvez o ponto não seja “como trazê-lo de volta?”, mas “por que ele não quis ficar?”.

A pandemia… ah, essa bagunçou mais do que a gente gosta de admitir. Não levou só a saúde, não — levou um pedaço do nosso eixo. Escancarou fragilidades que já estavam ali, só que disfarçadas pela rotina. A escola sentiu — e sentiu fundo. Teve hora em que parecia que tudo tinha murchado: o ânimo, o propósito, a clareza do caminho.

Mas — e isso importa — nem tudo se perdeu. Porque, mesmo nesse cenário meio esgarçado, ainda tem professor que resiste. E não é com pirotecnia, não — é com presença. Daquelas que não se mede em relatório. Ainda existem salas em que o silêncio não é abandono, é atenção. Ainda acontecem encontros em que algo verdadeiro atravessa — às vezes pequeno, quase invisível, mas real.

Talvez seja aí, nesse quase, que mora a fresta. Não em soluções grandiosas, nem em discursos inflados, mas num retorno ao essencial. Um movimento mais honesto: reconhecer o que não funciona, largar o que é só encenação e reconstruir, aos poucos, o que faz sentido. Menos espetáculo, mais substância. Menos técnica pra convencer, mais verdade pra sustentar.

Porque, no fim das contas, quem vive só de estratégia até pode parecer competente. Mas é a honestidade com a realidade — nua, crua, sem maquiagem — que devolve à Educação aquilo que ela nunca deveria ter perdido: a capacidade de formar gente de verdade, e não plateia. E, apesar de tudo… ainda dá tempo.

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Olá! Como professor de sociologia, fico muito feliz em entregar um texto que provoca uma reflexão tão profunda sobre as instituições sociais, especialmente a Escola. O texto que trago toca em conceitos fundamentais como a Sociedade do Espetáculo (Guy Debord), o Simulacro (Jean Baudrillard) e a crise das instituições na modernidade. Para ajudar meus alunos a mergulharem nessas ideias de forma crítica, elaborei também estas 5 questões discursivas que conectam o texto aos conceitos sociológicos:

1. O Conceito de Simulacro:

No início do texto, afirma-se que "quase tudo na Educação de hoje é simulacro". Explique, com base na leitura, o que o autor quer dizer com "simular a prova, a disciplina e a legalidade" e como isso afeta a função real da escola na formação do indivíduo.

2. A Escola como Espetáculo:

O autor menciona o uso de "nomes pomposos" para atividades superficiais, como enfeitar crianças e chamar de "trilhas de aprofundamento". Relacione esse trecho à ideia de que a aparência se tornou mais importante que a essência. Por que o texto afirma que isso "mal arranha a superfície"?

3. Burocratização e Estratégia:

O texto critica as reuniões pedagógicas que viraram "quartéis-generais de estratégia", onde se planeja a próxima reunião para justificar a anterior. Do ponto de vista sociológico, como essa "burocracia do vazio" pode impedir que o professor se concentre no que o autor chama de "o mais básico: o que vale a pena ensinar"?

4. O Vínculo versus a Coerção:

Ao discutir a busca ativa de alunos em casa, o texto afirma que "Educação não se impõe na porta de ninguém. Ela nasce no vínculo". Discuta a diferença entre o papel do professor como "agente de resgate" e o papel do professor como mediador de um conhecimento que faça sentido para a vida do aluno.

5. Crise Institucional Pós-Pandemia:

Segundo o autor, a pandemia "escancarou fragilidades que já estavam ali". Quais seriam essas fragilidades da escola moderna que o distanciamento social apenas evidenciou? Use trechos do texto para sustentar sua resposta sobre o "murchar do propósito" educativo.

Dica para o professor: Ao corrigir, valorize a capacidade do aluno de identificar que a "encenação" citada no texto é uma crítica à perda de sentido das relações humanas dentro das instituições. Essas questões buscam tirar o aluno da passividade e fazê-lo pensar sobre a própria realidade escolar.

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O Contágio da Alma e o Peso das Escolhas: O "CÂNCER" É CONTAGIOSO! ("Engraçado! Ninguém quer ficar gripado da gripe alheia, mas poucos se cuidam para evitar o contágio da estupidez coletiva." — Luiz Carlos Prates psicólogo)