"Não é o significado da vida, mas o sentido dela." (May Iakulo)

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 19 de janeiro de 2013

PROFESSOR RUIM, COORDENADOR BOM, ALUNO ESPERTO (Gradação fatal)



Crônica

PROFESSOR RUIM, COORDENADOR BOM, ALUNO ESPERTO (Gradação fatal)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          O professor ruim, sem imposição, deixa o aluno fora da sala na hora de sua aula. O coordenador bom é aquele que passeia o tempo todo nos corredores do colégio, tangendo alunos para dentro da sala de cada um. E o aluno esperto é aquele que sabe driblar o sistema com o comportamento mais bizarro possível, e ainda justificando com desculpas esfarrapadas.
          Quando o professor fala dessa situação, ora joga o aluno contra a coordenadora, ora esta contra o aluno. Então se une ao adversário alternativo para ir contra a ameaça comum e iminente. Argumentos compatíveis (Professor ao aluno): — "Muitos coordenadores estão nesta função porque não dão conta mais da sala de aula, agora querem ensinar-nos a dar aulas". Responde o aluno ao professor: — "essa coordenadora é chata, não tem mais nada o que fazer, a não ser correr atrás de aluno"!
          Quando o aluno fala dessa situação, ora joga o professor contra a coordenadora, ora esta contra o professor. Então se une ao adversário alternativo para ir contra a ameaça comum e iminente. Argumentos compatíveis (Aluno à coordenadora):  — "Já fiz minhas tarefas, esse professor não está passando nada, é melhor aqui fora que assistir a aula desse velho caduco que não sabe nada"! Responde a coordenadora ao Aluno: — "É triste, saber que o professor não tem planejamento algum. Até os alunos percebem! Eu fico com vergonha. E pergunto por que vocês estão fora da sala, e o professor não sabe"!!!
          Quando a Coordenadora fala dessa situação, ora joga o professor contra o aluno, ora este contra o professor. Então se une ao adversário alternativo para ir contra a ameaça comum e iminente. Argumentos compatíveis (Coordenadora ao professor): — "O professor tem que passar outra atividade enquanto dá visto nos cadernos, e tem que ir à carteira do aluno, para não ficar aquele monte de urubus em cima da carniça. A gente chega na porta e nem ver o professor sentado". Responde o professor à coordenadora: — "Esses alunos que não vêm para estudar saem sem controle algum, são os alunos muriçoca, lancham e voam". 
          Recentemente aconteceu em uma das minhas aulas no segundo ano "D", quando a vice-diretora mandou o aluno, que havia pulado o portão para dentro da unidade e correu para sala, sair, e ele cismou em não sair, então para não ficar tão sem autoridade, a "autoridade" resmungou, deu uma voltinha e teve que pedir desculpas e deixar o aluno quieto. O vencedor sem mérito prevaleceu. Assim ensinamos a eles que façam o que quiserem, o Cliente sempre tem razão. Entrem e saiam quando bem entenderem. Tudo faz parte do drama. Assim, alunos ficam mais fora que dentro da sala para se vingarem dos seus professores chatos, sabendo que a coordenadora dá bronca no "teacher". Que sentimento é esse que eles se submetem a serem tocados para a sala como animais ao curral, duas e até três vezes em um torno só?
          Eu já devia ter me acostumado com essas comédias tragicômicas, mas, ouvir chacotas de coordenador pedagógico na reunião emergencial no momento do recreio é muita cumplicidade, ninguém merece!!! Nós precisamos mesmo é de uma educação da consciência.
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 19/08/2012
Reeditado em 19/01/2013
Código do texto: T3837872
Classificação de conteúdo: seguro

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sábado, 12 de janeiro de 2013

O MENEAR DA GANGORRA! (Na escola em que trabalho, os alunos gritam comigo, xingam e mando eu tomar no c...)



Crônica

O MENEAR DA GANGORRA EDUCACIONAL! (Na escola em que trabalho, os alunos gritam comigo, xingam e mando eu tomar no c...)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          No atual sistema educacional público, os bons ficam ruins e os ruins raramente ficam bons, isso na esfera discente. Agora na esfera docente, só sei de uma coisa: sou ruim sim, apenas o suficiente para não me importar com os que se acham bons demais e fazem exatamente o mesmo que nos é permitido fazer, e ousam ainda me chamar de ruim! Tecnicamente, o sistema nos obriga a sermos semelhantes demais. Não há quem possa fazer a diferença. Assim brincamos de trabalhar sério na gangorra profissional do professorado sem a qualidade devida. O aluno vira professor, e o professor vira aluno. O que será do nosso "senhor" futuro?! Essa troca de papel é a justa vingança do destino, tanto para um, como para o outro. Às vezes, tenho me calado, com um sufoco na garganta, para alunos desrespeitosos: Na escola em que trabalho, os alunos gritam comigo, xingam e mando eu tomar no c... Hoje uma aluna do sétimo ano "B" até falou que ia bater na minha cara. Você está rindo? Que tipo de aluno leva baralho para escola e pede o professor para jogar truco na hora da aula? É desse tipo que a escola pública está cheia. Então, você ri porque nunca esteve na situação de ouvir quieto tamanhos desaforos, como eu os enfrento todos os dias, esperando que Deus se vingue por mim, crente que estou dentro do plano dEle, cumprindo bem intencionado minha missão social. Depois, já em casa, ligo o computador, leio o comentário de mais um "Zoilo" , analfabeto funcional, difamando-me na net, por que leu mal a minha crônica, minha única medida para não morrer sufocado: escrever. Eta, vida de professor... (autêntico)!
          Tentei, para meu prejuízo moral, encaminhar alguns desses desrespeitosos para a Coordenação, na esperança que fossem advertidos de alguma forma, mas , lá, eles se defenderam com tantos argumentos acusatórios verdadeiros, falsos e retorcidos que o errado ficou sendo eu. Em quem os inspetores de professor acreditam mais? "O cliente sempre tem razão"! Será?!
          Meu posto alto da gangorra é quando encontro um ex-aluno meu que prosperou, então finjo que participei de sua conquista, e agradeço seus elogios. É o que ele deve fazer, mesmo! Alguma coisa fiz a seu favor, contribui sim, pelo menos, não fui barreira, aplicando as inúteis regras da escola, quebrando sua resistência para os embates com o "senhor" futuro. Porém, por outro lado, sofrerei a mesma dor que senti hoje, sendo chamado à atenção pela diretora pressionada por mães sem brio, reclamando de mim para ganhar o direito de deixar seu filho fazer o que bem entender na escola.  "Ninguém merece"!!!
          Quando revejo um ex-aluno, desses irresponsáveis desrespeitadores, fracassado, que ainda me chama de professor, então entendo que Deus se importa comigo, conferindo-me esse insólito prazer em ver a colheita maligna do vizinho que plantou abrolhos.
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 17/08/2012
Reeditado em 12/01/2013
Código do texto: T3835460
Classificação de conteúdo: seguro


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sábado, 5 de janeiro de 2013

SÁBADO LETIVO COM OS BONS PAIS (E foi em um sábado, que não é contado entre os dias úteis.)


Crônica

SÁBADO LETIVO COM OS BONS PAIS (E foi em um sábado, que não é contado entre os dias úteis.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

         É de praxe, a escola promover uma comemoração do dia dos pais. Segundo domingo de Agosto. Mas, era sábado, sábado letivo, tentando matar dois coelhos com uma cajadada só; visto que letivo é relativo a lições. Bem, era um dia de lições para os pais, ou melhor, de brincadeiras educativas. Vieram alguns, porque no sábado pela manhã, muitos trabalham, todavia os que vieram, foram solícitos e ativos, agradecemo-lhes profundamente por contribuir. Não sei se atraídos pelas lembrancinhas de participação ou algo mais subjetivo, quem sabe, tentando garantir sua imagem de heróis, pois os filhos estavam ali, aplaudindo-os com fervor. Mas, como eram desbotados os sorrisos dos filhos dos perdedores dos jogos propostos ali. Em compensação, era larga a felicidade da família dos vencedores. Assim é a vida, para uns ganharem, outros têm que perder!!!
          Eu e os demais professores assistíamos à programação dirigida pela professora de educação física, escolhida por se tratar de competições recreativas, atentamente, sentindo uma sensação de dever cumprido. Não sei exatamente o que se passava na cabeça deles, porém na minha, era visível pelo brilho do meus olhos. E esta luz me fazia vislumbrar a importância de uma programação bem pensada na escola. E como se precisa de pouca coisa para motivar alguém à felicidade! Eu chorei ao ver vertendo as lágrimas dos olhinhos atentos de uma aluna que lia um texto que ela mesma preparou, falando da profissão de seu pai, assim aquele anjinho com uma colher de pedreiro na mão, vestindo a camisa de seu pai, fazia referência ao seu sustento vindo dos braços fortes do bom pedreiro: papai. Foi muito gratificante para mim, por tê-la incentivado à participação, pois estava sendo avaliada em Língua Portuguesa, prometi que lhe daria 2 pontos. Foi a nota mais justa que já concedi. E foi em um sábado, que não é contado entre os dias úteis.
          Que pena! Os maus estudantes até nisso nos tiram a felicidade! Nesse sábado, no final da programação também era a entrega dos boletins dos que estavam abaixo da média. Quase nenhum dos responsáveis por eles compareceu. Como sempre, tivemos que nos congratular com a participação dos pais dos aplicados alunos que só merecem elogios. Eu estava à mesa que atendia ao nono ano, só três boletins foram requisitados. Os outros vinte e sete foram envelopados de retorno à secretaria.
          Minha grande questão aqui, nesta crônica, é: será que a culpa é minha por classificar essa classe(9º ano-2012) como o pior nono ano que já lecionei? E sempre vou levar a mentalidade de que sou um escritor medíocre por tentar descrever aquela turma e não consegui, eu quis falar do comportamento deles, do que vejo lá e ouço e de como me tratam por ali e não tenho palavras adequadas. Talvez a culpa seja deles se esta crônica saiu tão ruim. A lembrança deles me tira a inspiração.            
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 12/08/2012
Reeditado em 05/01/2013
Código do texto: T3826869
Classificação de conteúdo: seguro

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