"Todas as coisas complexas estão condenadas à decadência." (Buda)

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MINHAS PÉROLAS

domingo, 24 de outubro de 2010

FELIZES OS QUE REPRESENTAM (O que significa dançar conforme a música?)

CRÔNICA

FELIZES OS QUE REPRESENTAM (O que significa dançar conforme a música?)

 Por Claudeci Ferreira de Andrade
          A diferença entre um professor sábio e um tolo, ambos alvo de todas as acusações de igual forma, não é muito notória. Considere um profissional que sempre está em atrito com os colegas por não ter o tal jogo de cintura, porém já tem algumas cartas marcadas nas mangas. Ambos os tipos são de professores formados, têm conteúdo, dominam seus conhecimentos, todavia terminam aí, simplesmente aí! Contudo, não lhes Faltam a vadiagem. Eles se sentem bem em fazer tudo certinho à vista de todos, para terem a consciência limpa. Mas, isso não basta. Eles precisam também de esperteza. Na sua mente, há de ter sempre uma saída, ou seja, o plano “B”. É assim o politicamente correto para quem ensina. 
          Um professor é como político, pode ser moralmente correto, pode amar a justiça e a decência, mas ao ser bom mesmo, não pode lhe faltar a “manha”, esta a qual só os dotados de senso de oportunista adquirem. No Brasil, sem dissimulação não se prospera. É como disse Mônica de Castro: "Toda trama requer uma boa dose de frieza e dissimulação". De todos atuantes na educação, os mais astuciosos, refiro-me, são os que galgam os postos melhores. São os conquistadores da confiança. Estes prometem e não cumprem, e só estes têm o direito de ditar o velho lugar comum: “faça o que eu digo e não faça o que eu faço” e por aí vai: Ô, vida falsificada, por aqui! Para que servem os diplomas bem merecidos, senão para dissimular o saber?!
          Dizem os fingidos: "amanhã só teremos três aulas, mas não devemos dizer para os alunos, senão eles não virão". A coisa funciona assim, porém os alunos não podem saber disso"! Por último, os alunos espertalhões também têm suas técnicas e descobrem os enigmas, confeccionados com a embromação de índices e estatísticas bonitas. "Não dá nada".
           Quando um professor é notificado, denunciado, acusado, faltou-lhe a sagacidade suficiente que o faz invisível aos olhos vagueantes dos mais maliciosos, sedentos pela novidade.  Ou seja, cansou-se de viver a vida cênica. Seu problema foi a perda da perspicácia. É assim o fazer bem feito?
          A verdade jamais se considera completa sem um pouco de malandragem, aqui faço minha a oração de Cássia Eller: “Eu só peço a Deus um pouco de malandragem...” Para eu ser um "bom profissional".
          Os ludibriões do sistema educacional estadual têm comportamento diferenciado quando atuam também no municipal. Um sistema largo favorece mais oportunidade para lambança. Parecem até ser duas pessoas, mas são dois empregos de 40 horas aula. Fazer 80 horas aula de efetivo trabalho por semana, têm que ser muito ardilosos!
          Nossa preocupação de conveniência não tem sido as consequências a longo prazo, mas as soluções imediatas e momentâneas, que o amanhã cuide de si mesmo, portanto não podemos esconder dores do ontem. Na escola, funciona a técnica Ricuperuna (Rubens Ricupero*), como regra geral: “Eu não tenho escrúpulos, o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. Salve-se quem puder com toda "lábia"! O que significa dançar conforme a música?
—*Atualmente é diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado, e presidente do Instituto Fernand Braudel, que promove pesquisas, debates e publicações sobre problemas institucionais como educação e segurança, política econômica, política energética, desenvolvimento econômico e relações internacionais.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 24/10/2010
Código do texto: T2576517

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

QUEM SE IMPORTA COM OS PROFESSORES? (REFLEXÃO PARA O DIA DO PROFESSOR)

CRÔNICA

QUEM SE IMPORTA COM OS PROFESSORES? (REFLEXÃO PARA O DIA DO PROFESSOR)

Por Claudeci Ferreira de Andrade
         Vida de professor dignifica o homem e o promove a um grande ser humano. É o ser que abre mão de todas as oportunidades de projetar-se socialmente, pois todas as outras profissões têm o prestígio que merecem, mas o professorado não! Ao escolher ser professor, alimento ainda o grande desejo de servir melhor a sociedade. Mas, só vejo impossibilidades mil! Quem teria a capacidade de aferir a largura e a profundidade do valor da atuação de um educador para que o dignifique justamente?
          É difícil para eu dizer isso, especialmente porque sou um deles, mas o professor competente já influenciou os mais nobres cérebros, os que estão nas culminâncias da sociedade. Porém, são estes mesmos que deveriam ver a utilidade e a importância daqueles que os ajudaram a formar as bases do conhecimento que usarão o resto de sua vida. As autoridades políticas do país não adotam uma política de reconhecimento ao professor assim como prestigiam as outras profissões financiadoras  das grande campanhas eleitorais. Não é ciúmes, é coerência! Não reivindico méritos aos que querem exaltar-se a sim mesmos como pessoa somente; aos que buscam alcançar os aplausos e o favor da sociedade; aos que são regidos pela ambição, aos que têm por alvo principal serem grandes, aos que amam a fama; aos que cobiçam honras. Não. Mas, sim, aos que só desejam exaltar o magistério; aos humildes que procuram refletir o bom exemplo; aos que preferem ser usados pelo saber; aos que têm por objetivo supremo ser o mestre ideal; aos que amam os seus bons alunos; aos que não prejudicam a honra geral.
          Quando meu amigo, Professor Murilo, em tom de brincadeira, nomeia-me de "Sacerdote da Educação", então ele me ensina que a grandeza desse ofício está no viver desprendido ao servir. E devo crer que fui escolhido por Deus para fazer o que estou fazendo. Mas, se esse trabalho não atrai honrarias a mim, pelo menos tenho a certeza que me dar capacidade de ser cada dia melhor no serviço de formar cidadãos e a mim mesmo.
          Uma das coisas essenciais nas quais se deve pensar nesses dias: é a necessidade de aprender cada vez mais para servir aos necessitados com o prazer à altura que nenhuma ambição pessoal pode jamais alcançar.  O educador nunca será um verdadeiro educador, a menos que leve muito a sério o significado de ensinar.
          Porém, o que vemos é que nem os próprios professores se importam com eles mesmos! Onde estão as assembleias de reivindicações?
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 15/10/2010
Código do texto: T2558128

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

DOUTORES, MESTRES, GRADUADOS X SEMIANALFABETOS (Seleção para Garis Atrai Doutores e Promove Concorrência desleal!)



CRÔNICA

DOUTORES, MESTRES, GRADUADOS X SEMIANALFABETOS (Seleção para Garis Atrai Doutores e Promove Concorrência desleal!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

         Quando pensamos em um concurso público para gari, no nível de primeira fase do Ensino Fundamental, oferecendo um salário de R$ 486,10 (salário mínimo da época) e outras pequenas vantagens, geralmente pensamos primeiro nos semianalfabetos fabricados pela a escola pública como candidatos ideais. Nunca pensaríamos em alguém intitulado de Doutor, ou de Mestre, ou de Graduado como concorrente num concurso desses. Com menos probabilidade ainda, podemos pensar em que esses indivíduos estudados no mais alto grau de escolaridade sejam reprovados.
         “Com inscrições abertas desde o dia 7, o concurso público para a seleção de 1.400 garis para a cidade do Rio já atraiu 45 candidatos com doutorado, 22 com mestrado, 1.026 com nível superior completo e 3.180 com superior incompleto, segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana). Para participar do concurso, basta ter concluído a quarta série do ensino fundamental. As inscrições terminam amanhã.” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2210200915.htm) - acessado em 10/07/2016.
         Infelizmente, nosso "criativo" sistema educacional não traça patamares valorizadores de títulos acadêmicos como um requisito de ética. Bem pudera, mas a escola inclusiva aceita de tudo até paga ao indivíduo matriculado com dinheiro público, é claro, e uma boa parte, vai fazer lambança na escola! Assim desvaloriza mesmo! Mostrando dessa forma interesse maior no aluno, mais do que ele por ela, parece-me uma auto-vulgarização. Será se ninguém percebe que nem todos nasceram para estudar? Ser mestre e/ou doutor não pode ser habilitação de qualquer um, ter diploma, sim, daqueles sem merecimentos.
         Mestres e doutores podem se inscrever num concurso no nível da primeira fase do Ensino Fundamental, mas os semianalfabetos não diplomados não podem se inscrever num concurso para graduados! O que está acontecendo com a educação no Brasil? São tantas Recuperações, tantas "Ressignificações", tantas EJAs, tantas Aceleras e Pedaladas, tantas Progressões Automáticas, tantos Cursos a Distância (tão a distância, vendo-se só o vulto), tantas Fraudes e tantas... e tantas... que percebo, de vez em quanto, o porquinho lavado e perfumado voltando instintivamente ao lamaçal fétido de seu chiqueiro. (2 Pd 2:22).
         Há muitos bons profissionais sem sequer requererem a si a primeira fase do Ensino Fundamental, quanto mais portanto, nunca frequentaram faculdade alguma e ganham uma boa renda mensal, e nem por isso são menos cidadãos, mas abandonaram desestimulados a estudar por maus exemplos formados na escola: será se aqueles doutores, mestres e graduados não sabem que o são ou não reconhecem o seu lugar? Ou têm sérios problemas de autoestima? Ou simplesmente a crise do desemprego é grande mesmo?
         Se nós acadêmicos não nos valorizarmos, não podemos compor as estatísticas promissoras da Educação Brasileira. Por que, no caso citado, os doutores não usaram seu diploma de Ensino Fundamental para se inscrever no concurso e confiaram somente nas habilidades? Assim sendo, se por acaso um ou outro não passando, pelo menos não foram aparentemente tão opressores! No entanto, não posso cometer a injustiça da generalização. Há Doutores e doutores, Mestres e mestres, Graduados e graduados! Oxalá que, de agora em diante, os semianalfabetos registrados ganhe dos doutores, pelo menos, nos testes de aptidão física!
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 24/10/2009
Código do texto: T1884232

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sábado, 9 de outubro de 2010

CANSAÇO NÃO É PREGUIÇA (Para incentivo ao professorado, cota para analfabeto nas licenciaturas)


CRÔNICA

CANSAÇO NÃO É PREGUIÇA (Para incentivo ao professorado, cota para analfabeto nas licenciaturas)

Por Claudeci Ferreira de Andrade



          O veterano professor estatutário jamais entendeu o atento neófito forçando-se, em um comportamento forjado, para ganhar admiração: acompanha o chefe aonde quer que vá, sorri imitando-o mesmo sem graça, torna-se o eco dos movimentos de quem tem poder sobre ele. Mas, se esquece da observação dos colegas de língua afiada, pois eles podem destruir tudo, mostrando reprovação, pois o chefe também de modo algum quer parecer mal diante de toda a equipe. Liderando espertamente, tenta captar como está sua aceitação, e se rege pelas dicas da maioria. Um bom líder se envergonha pelos lambe-esporas ao seu derredor. Ele almeja por relações mais nobres, mais altas e mais puras com seus liderados.
          Não aconteceu assim também conosco quando éramos "pró-labore"? Lancemos um olhar retrospectivo sobre nosso período “probatório”, avaliados por uma comissão de cuja até aluno fazia parte (estranhos analistas), foi opressor mesmo! Não tinha como fugir da humilhação. Agora depois de tantas aprovações, já não somos tão santos assim, nem tão fiéis e nem tão bons. Tampouco valorizamos nossos avaliadores como amávamos então. Para que serve a avaliação no período probatório com tantos ainda inadequados!
          Mas, isso de forma nenhuma é necessariamente errado. A torrente emocional e o prazer dos primeiros dias deram lugar a uma consideração mais real: O sistema educacional é decepcionante. Agora, sentimos mais insegurança, e desconfiamos mais dos nossos lideres, colegas e alunos, de modo que tudo nos perturba. Jamais temos uma reunião e sequer na qual os professores não se mostrem insatisfeitos com o salário e as condições precárias de trabalho (o pagamento saiu?), todo ano tem greve de professores. Embora infrutíferas, diga-se de passagem.
          Todos sabemos o porquê de tudo que não temos feito, devíamos ter feito mais por nós mesmos. Já que sendo possível fazer mais para o bem do sistema educacional público brasileiro, pois de jeito nenhum temos sido o que podíamos ter sido, deixemos o cansaço de lado. Embora, nossa consciência de incompetência seja mais vívida hoje. Nunca compreendemos melhor a loucura de ser professor público do que quando libertados das fantasias academicistas. Não é a prior profissão social, mas precisamos nos achegarmos mais ao ideal promissor. Podemos está crescendo profissionalmente e rastejando ao passo que, no mesmo tempo, sentindo-nos preocupados com os desandos, e mais alertados sobre os falsos exemplos: os explorados mercenários.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 09/10/2010

Código do texto: T2546357


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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

MINHA FUNÇÃO UNIVERSAL CONTINUARÁ (Se não sou insubstituível, a responsabilidade é sua.)


Crônica

MINHA FUNÇÃO UNIVERSAL CONTINUARÁ (Se não sou insubstituível, a responsabilidade é sua.)


           Por Claudeci Ferreira de Andrade

       Já sofri três acidentes de moto! Aconteceram para Inimigos e amigos ficarem felizes ou infelizes respectivamente: A união faz a força ou a unânime tristeza, pois ainda não morri! Deus faz de mim o que Ele bem quer: cuida! Afinal, não pedi meu nascimento e nem estou pedindo minha morte! E Vai ser sempre assim até ao limite máximo. O outro acidente mais grave e anterior a esses, foi quando fui aprovado no concurso ao professorado do Estado de Goiás, 1998, o primeiro colocado em Língua Portuguesa para a região de Aparecida e Senador Canedo, foi reincidente, aprovado novamente no concurso municipal para professor de Senador Canedo, 2002. 
           Enquanto isso, a minha oração é: Deus me RESGUARDE dos meus amigos e admiradores. ("As coisas mais desagradáveis que os nossos piores inimigos nos dizem pela frente, não se comparam com as que os nossos amigos dizem de nós pelas costas" - Alfred de Musset).  E me dê força, luz, resistência, coragem, inteligência e sabedoria para eu  também ter a salvífica felicidade de cuidar dos meus inimigos, ou melhor fugir deles ileso. Não posso deixar este mundo sem sentir experimentalmente todas as sensações degradantes e não degradantes possíveis. Desculpem-me por eu ainda existir (Obrigado Descartes - Penso logo existo)! Meu poder se encerra unicamente no desejar profundo! Então, mova-me antes do tempo e será removido injustamente!
            Mas, chegará a vez, quando perceberá o tamanho do vazio que terá o Sistema Educacional sem mim, com toda segurança, a minha morte unirá o mundo em busca do equilíbrio no organismo até se revelar meu substituto. Quando morre uma célula, nasce outra no lugar dela automaticamente, é só uma questão de tempo, se assim não fora, fica apenas uma cicatriz feia, formada por células tronchas. Meu orgulho só lamenta porque ninguém é insubstituível. Tudo é vaidade!
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 07/10/2010
Código do texto: T2543103

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17/10/2010 12:48 - Graci
51 como eu, uma boa idéia! olha, seu pensamento tá valendo... Um abraço, Graci



12/10/2010 20:32 - Miralva Viana
Olá!Claudeko, Penso que é por aí. Nada acontece por acaso, tudo tem uma razão, uma finalidade. Abraços!



07/10/2010 15:03 - Renato Dieckson
Belo. Parabéns, Aplausos de pé deste humilde autor que vos escreve



07/10/2010 14:59 - Lucineide dos Reis
Provavelmente Deus tem um plano em sua vida?!



07/10/2010 14:40 - Su Lucena
ta aí uma verdade.




segunda-feira, 4 de outubro de 2010

RELAÇÕES SUBORDINADAS E A SÍNDROME DE BURNOUT NA ESCOLA (Doença gera doença!)


Crônica

 RELAÇÕES SUBORDINADAS E A SÍNDROME DE BURNOUT NA ESCOLA (Doença gera doença!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          O Coordenador pedagógico inspeciona os professores para dar um ar de seriedade ao sistema, vendo se eles estão favorecendo descaradamente os alunos. Será se os alunos acreditam mesmo nos favores dos professores? Por que quando o professor reprova o aluno, torna-se inimigo do coordenador e inimigo do aluno? E a maior loucura está no fato de que o professor não pode aprovar facilmente o aluno e nem pode reprovar facilmente o aluno! Quem entende isso facilmente? Podemos responsabilizar o coordenador pelo sucesso ou insucesso dos alunos? Indiretamente, sim, pois vivem dizendo dos professores: — "Vocês não têm moral com os alunos; Não tem domínio de classe, devem ser mais 'duros', instituindo a disciplina na classe". Na minha graduação, não estudei para dominar classe, porém sim dominar o conteúdo! Então, eu entro em desespero quando a coordenadora me aconselha a aplicar todo rigor das normas, mas, assim, os alunos frequentemente se sentem prejudicados e trazem seus pais enraivecidos a fim de pressionarem-na, que esta, por sua vez, contraditoriamente, defende os alunos, afinal os clientes não podem evadir-se, e, mais uma vez, repreende-me, ali mesmo na frente, aos olhos e nos olhos, entre todo mundo. Pois bem, fico humilhado por razão, quase sempre, fútil. Vai entender! É Burnout com certeza.
          A presente geração docente é a mais qualificada já visto e também a mais criticada. É fácil tachar todos os professores de revoltados, rebeldes e dignos das pressões de quem os lidera. Disse o Dwight Eisenhower, 4º presidente dos Estados Unidos: "Não se é líder batendo na cabeça das pessoas - isso é ataque, não é liderança." Por isso, os problemas da educação não se resolvem atribuindo culpa e massacrando os professores. O poder do líder precisa ser tornado eficaz na direção certa. Ser um bom professor envolve a clara convicção que está fazendo o certo. Obedecer a coordenadores orgulhosos e ditadores significa conflito com o mundo do crescimento e da prosperidade. Não vejo como conciliar as ideias de um professor que possui  boa formação e bem intencionado na aplicação de seu conhecimento, com o jogo de coordenador politiqueiro para manter-se no poder dentro do estabelecimento trabalhista. A pressão psicológica mata o professor, e, por tabela também, o opressor...!
          Talvez aliviasse um pouco, dando segurança a os coordenadores, se fossem escolhidos por critérios democráticos e não espúrios: amizade com o diretor, indicação de político apadrinhada e impossibilidades à sala de aula (doença). Se houvesse uma licenciatura na faculdade específica para formar coordenadores pedagógicos, talvez eles nos ensinassem como "dominar classe". Ou ainda, se houvesse eleição direta para coordenadores nas unidades escolares, eles não precisassem recorrer a comportamentos injustamente repressores, mantendo-se no cargo, pois seriam escolhidos pela maioria. Então se sentiriam à vontade em meio aos amigos. Doença gera doença! "Chefes ruins são geralmente verbalmente agressivos, narcisistas e podem até se tornar violentos. Frases típicas dos chefes ruins são: 'Aqui nada funciona se eu não estiver por perto!', 'Nós sempre fizemos assim!' ou 'Agradeça que você tem um emprego.' Claro que não é fácil para ninguém largar o emprego e começar tudo de novo, mas a motivação para trabalhar de quem se encontra em uma situação dessas desaparece totalmente." (https://www.linkedin.com/pulse/artigo-revela-que-um-chefe-ruim-pode-adoecer-os-ana-colombia)
           O que esperamos de um coordenador pedagógico não é que ele saiba profundamente todas as matérias para dizer como os professores devem ensiná-las, mas que nos conforte com a segurança de que estamos fazendo um bom trabalho. E se não que, pelo menos, seja-nos oferecido o modelo correto da forma mais convincente. Parceiros não são inimigos. "Sucesso é saber a diferença entre perseguir as pessoas e fazer com que as pessoas fiquem do seu lado."


Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 04/10/2010
Código do texto: T2536936

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sábado, 2 de outubro de 2010

(RE)PERDENDO O PROFESSOR (O que mais causa o Síndrome de Burnout em Professores?)




CRÔNICA

(RE)PERDENDO O PROFESSOR (O que mais causa o Síndrome de Burnout em Professores?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

         Fechou-se a porta da sala dos professores, era o momento reservado ao nosso recreio, mas de forma alguma foi pensando em desfrutar melhor, simplesmente aconteceria mais uma reunião daquelas... Foi a coordenadora que a fechou, como os alemães fechavam as câmaras de gás cheias com judeus a serem exterminados. Ali, ela nos acusava de matar aula dentro da sala de aula, e ainda ordenava aos professores passassem uma atividade paralela a fim de manter os alunos ocupados, enquanto os "lentes" vistassem os cadernos deles (Eles poderiam está lendo outras coisas, mas preferem ficar fora da sala sem fazer nada, mas nem eles e nem a coordenadora tem como alvo o bom emprego do tempo, visto que ela nunca quer mesmo é o aluno fora da sala, mesmo que estivessem ali lendo, fora da bagunça dos desocupados). Na pauta, constavam só dois itens apenas, isso parece pouco, porém foi gás suficiente para me deixar engasgado de forma a sentir necessidade de me desengasgar nesta crônica terapêutica (por isso ainda não morri de estresse). No momento, tampouco pude dizer algo, apesar dos estímulos e dos ânimos carregados, todos estavam cabisbaixos, eu também permaneci assim: cúmplices.
          Nem sei se falei ou só pensei com muita força, mas em uma unidade escolar que leva muito a sério o planejamento (anual, semanal e alternativo) dos professores, “marcando em cima”, jamais podia acontecer tal “lambança”. Como pode um professor esbaldar-se em planejar para depois nunca executar? Coerente seria se o professor matasse aula dentro da sala de aula quando ele não tivesse planejado nada! Talvez ela esteja insinuando isso! Ou o mestre está só fazendo pirraça? Será compensador investir num planejamento "desfuncional"? Pois, o exemplo que nos deu foi, como se estivesse vistando os nossos caderninhos de plano, e nos forçando uma atividade paralela em nosso recreio (reunião desnecessária)!
          “De acordo com a pesquisadora do Laboratório de Psicologia do Trabalho da UnB (Universidade de Brasília), Iône Vasques-Menezes, no caso do professor, a razão para a incidência da síndrome está ligada, sobretudo, à falta de reconhecimento. ‘A desvalorização do professor, seja ela por parte do sistema, dos alunos e da própria sociedade, é um dos maiores agentes para a ocorrência do Burnout’, explica. O Burnout em professores pode ser caracterizado por um estresse crônico produzido pelo contato com as demandas do ambiente acadêmico e suas problemáticas. Para a pesquisadora, especialmente aquelas que não dependem apenas da ação dos docentes para serem resolvidas. ‘Existem problemas que estão muito além da ação direta dos professores, principalmente onde há uma situação de degradação do sistema. Nestes casos, a sensação de impotência é mais acentuada’, revela.”  ( apud http://letrabydani.blogspot.com/2010/10/estresse-do-professor.html ). (11/06/2016).
          Copiei o trecho a seguir, isolado com aspas, do blog do Prof. Pedro: “Por que tantos professores escrevem sobre seus fracassos no trabalho docente e não comentam nada sobre seus sucessos? Por que as piores condutas viram notícia e as conquistas ficam escondidas? Por que tantas pessoas passam a vida criticando a educação em nosso país, e tão poucas procuram discutir alternativas para melhorá-la?
Talvez se deixarmos de ficar olhando o problema e nos concentrarmos em achar uma solução, o estresse diário diminua. É necessário analisar os erros, mas também é necessário comemorar os acertos do cotidiano, para que a vida possa ter sabor!”
          Será se esse professor Pedro (grego Pétros=pedra) está nos sugerindo o comportamento da ema, segundo a lenda: diante de qualquer dificuldade, ela corre e enterrar a cabeça em um buraco. Será se o professor acha que por fechar os olhos, não vendo o perigo, está isento dele! Assim, seriamos apenas "Emas" a morrer do "Síndrome de Burnout", por que ninguém nasceu para virar pedra!
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 02/10/2010
Código do texto: T2533312

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