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MINHAS PÉROLAS

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O professor e o futuro das crianças


28/05/2013 às 20h39

O professor e o futuro das crianças

Diário da Manhã
José Ariosvaldo Alixandrino
Já não sei mais se posso dizer que atualmente existem professores ou educadores. Professor não mais ensina, professor agora é um resolvedor múltiplo. Dentro de uma sala de aula ele faz tudo e mais um pouco, menos o principal que é ensinar conteúdos!

_Fessooor ele robô meu lápis! _ É mentira fessor não foi eu não!

E aí, os palavrões começam, aqueles que nós sabemos quais são, né?! Estão por todos os lugares, principalmente nas músicas funk. Isso, quando não agridem fisicamente um ao outro. E se o professor for separar a briga, ainda é o culpado. _Foi o fessor que bateu no meu braço!

O professor tem que resolver o problema não se sabe como! Se ele separar a briga, foi ele quem bateu, se não separar, foi negligente! Aí, alguém questiona, cadê esse professor não viu isso e não fez nada? É meu caro, é um espeto e uma brasa! Para onde você vai?

Quando o professor tenta, e às vezes consegue disciplinar uma sala de aula, ensinar valores, mostrar o que é respeitar o próximo, e é rígido! Mais um grande problema ele tem. Vem o pai ou a mãe e reclama! Não aceitam que o filho seja corrigido. E muito menos entende que os professores mostram os caminhos para o mundo, a importância de aprender os conteúdos. E o que eles cobram e mostram é para que o aluno seja melhor amanhã.

Outro grande problema para o resolvedor múltiplo é a imperatividade! O aluno não quer fazer as tarefas, não para quieto, anda a sala inteira, corre, grita,xinga os colegas e o professor. Tudo isso ele pode fazer porque é imperativo. Acredito que existem sim crianças imperativas, mas a maioria na verdade, não recebeu foi educação da família que é a primeira escola da vida. Essa escola não precisa ensinar a ler e a escrever. Mas precisa ensinar valores, e principalmente, ensinar a importância em aprender. E de fato, ir para a escola para aprender a ler e a escrever.

Funk, esse é cruel!  E o mais grave talvez de todos os problemas! Se não existisse e não tocasse nas rádios e nem fosse mostrado na televisão, as crianças não aprendiam tanta besteira. A maioria das letras falam só palavrão, denigre a imagem da mulher! E tem pai e mãe que acham bonito sua filhinha descer até o chão.  _ Que gracinha! Aprender a ler, escrever e resolver oito ao quadrado elas não querem. Mas dançar o quadradinho de oito aprendem rapidinho. Só posso dizer, ah leklek, o que vai ser do futuro das crianças?

São tantos outros problemas para o resolvedor múltiplo, que eu escreveria páginas e mais páginas, falando sobre as infinitas funções do professor moderno. Não está fácil ser educador no Brasil, e acho que tende a piorar. Paulo Freire disse que "Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo". Como vai ser difícil ter pessoas para realmente mudar o mundo!

(José Ariosvaldo Alixandrino, formado em Letras e Pedagogia, cronista, professor nas prefeituras de Goiânia e Aparecida de Goiânia)

sábado, 25 de maio de 2013

FALTA (RE)CONHECIMENTO? (Média do IDEB 3,1 — "Aqui tem trabalho do governo de Goiás")


Crônica da vida escolar

FALTA (RE)CONHECIMENTO? (Média do IDEB 3,1 — "Aqui tem trabalho do governo de Goiás")

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Naquele intervalo, a professora de educação física escrevia os cartazes para divulgar os jogos interclasses, registrava: "VEM AÍ!!! OS JOGOS INTERNOS DA ESCOLA..." Então, eu percebendo que faltava um acento gráfico no verbo,  orientei-a que colocasse o circunflexo, pois o verbo vir na terceira pessoa do plural é acentuado, nesse caso o sujeito é "os jogos", portanto plural. Ela me agradeceu e terminou o trabalho. Às 17h, na saída, vi os ditos cartazes afixados nas paredes e um na entrada da escola, cada um com uma plastrada de corretivo branca encima do acento. Falta respeito ou (re)conhecimento? (rima às avessas intencional).
          Na manhã desse mesmo dia, anterior a isso, no intervalo, agora no colégio, ouvira da gestora uma pequena preocupação: Se os alunos do nono ano têm média excelente em português e matemática, em seu boletim, como é que a escola tem Média 3,1 na prova do "IDEB"? E a comédia mesmo, é que esse resultado está bem exposto numa placa na frente do colégio, junto aos dizeres: "Aqui tem trabalho do governo de Goiás" E vejam que essa prova externa é preparada para elevar os índices de aprovação, por sinal muito aquém do ideário conteudista!!! Todos os mecanismos didáticos e avaliativos do sistema educacional público é no sentido de passar o aluno de série, para justificar anúncios como estes: "Informe especial-Avança Goiás: A educação cresce e Goiás aparece. A evolução do "IDEB" mostra que o Governo conseguiu alavancar a qualidade de ensino no estado." A culpa é sempre do professor, escuto isso todos os dias através de atos e falas, isso se agrava quando se confere a competência do alunado, por que o fracasso deles também é culpa do professor. E quando alguém acerta, os méritos são de quem? Mas, poucos acertam, será por que os alunos não levam a sério as provas do governo, a ponto de boicotarem-na? Não são parceiros?
          Saiu agora, um tal "Programa de Intensificação da Aprendizagem" (PIA). Mas, como assim, se o aprendiz não está a fim de intensificar nada? Deveria, sim, ser uma intensificação do ensino já que, em nós professores, coagidos para isso, recai toda culpa do fracasso deles, e o resultado será sempre o mesmo: recuperação de nota!
          Para completar, aquele dia, final de tarde, já depois que tinha trancado minhas coisas no armário da escola, uma mãe acompanhada de uma aluna daquelas indisciplinadas, desrespeitadoras, sua filha, pressiona-me para dar um trabalho extra para a tal acomodada que estava correndo riscos de reprovação e só lembrou disso no último bimestre do ano. Eu garanti para ela que sua filha iria para recuperação, ou melhor, para o PIA (abreviação de piada). O resultado você já sabe...
          A banalização de meu papel, por toda a comunidade, não me ajuda impor-me. Só me resta tomar "analgésicos"! Porém, o que ainda me conforta é comparar a vida com um jogo de damas: o adversário tem que mover suas pedras para perder a partida, não o avise se o vir errar. Apenas "assopre" as pedras dele e tire proveito das vantagens. Eu pelo contrário, estou avisando, provavelmente esta partida não será minha. Será que não tem professor de Língua Portuguesa na escola dos cartazes...?!
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 28/11/2012
Reeditado em 08/12/2012
Código do texto: T4010066
Classificação de conteúdo: seguro
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domingo, 19 de maio de 2013

O educador emocionalmente na escola

O educador emocionalmente na escola

Diário da Manhã
Emídio Silva Falcão Brasileiro
  1. Por que nas escolas, tanto entre professores quanto entre alunos, ocorrem o desrespeito aos deveres e direitos humanos?
Devido a ignorância, ao egoísmo, ao descontrole emocional, causas primeiras de todo o desrespeito aos direitos e deveres destinados aos seres humanos. O desenvolvimento intelectual escolar deve estar sempre associado ao desenvolvimento moral de todos docentes e discentes para que o processo educativo seja prazeroso, pacífico, dinâmico e eficaz.
  1. De que modo o educador deve ensinar a educar as emoções na sala de aula?
Inicialmente, com o próprio exemplo, evitando as explosões emocionais, não raras vezes, proveniente do cansaço, de alguma insatisfação e da ausência de tolerância. As atitudes de compreensão e de companheirismo fazem do educador um profissional respeitado entre os alunos. Conscientizar o educando a respeito da necessidade e da importância da prática da meditação, do cultivo de pensamentos elevados, do equilíbrio mental, da disciplina, da respiração natural e da educação alimentar é o princípio da educação emocional.
  1. Certas dinâmicas de grupo podem ser feitas com os alunos para que eles aprendam a desenvolver a empatia?
Sim, por meio da interação que possibilite aos alunos os conhecimentos das opiniões e das características pessoais dos seus colegas e amigos.
  1. Quais as principais funções do professor no processo disciplinar?
O professor deve orientar sem agredir, ensinar sem humilhar, ouvir com tolerância, perceber as limitações e potencialidades dos alunos, adequando a linguagem e o conhecimento conforme o grau de assimilação de cada um deles. A família também deve participar do trabalho educativo, auxiliando no processo ensino-aprendizagem. Escola e família sempre identificarão nas falhas morais dos alunos algum vínculo com a falta de objetivo profissional ou de identidade em torno do curso profissional escolhido.
  1. É certo afirmar que o estudante é o principal agente facilitador da disciplina? 
Professores e alunos fazem parte do processo da aprendizagem, mas necessitam de motivações para ensinar e estudar. Educadores e alunos, identificados com as suas escolas, profissões e disciplinas e que trabalham integrados, contribuem com a ordem e o progresso do sistema educacional.
  1. Os ambientes físico e psíquico influenciam na disciplina escolar?
Sim, e tais influências resultam dos pensamentos, das ações e dos hábitos de todos que integram o ambiente educacional. A higiene e o bem-estar físico para o aprendizado são fundamentais para a harmonia física. O respeito, a fraternidade e o cumprimento do dever com amor são igualmente necessários para a formação de um ambiente psíquico-emocional salutar.
  1. De que maneira o professor pode angariar simpatia dos alunos e atraí-los para as suas aulas?
O professor deve ter domínio do conteúdo de sua disciplina, saber agradar e motivar os seus alunos para ensinar com segurança, humildade e otimismo.
  1. De que modo o professor pode transformar um conteúdo teórico numa aula atraente?
O professor deve demonstrar a utilidade do conteúdo para vida prática, incentivando o estudante a participar da aula com as suas ideias, conhecimentos e experiências. É sempre recomendável que as aulas tenham seus aspectos teóricos e práticos para o aluno fixar a lição e medir o grau de seu conhecimento da matéria.
  1. Geralmente o professor bem humorado atrai os alunos e o sério é mais respeitado. Como é possível conseguir a simpatia e o respeito do aluno concomitantemente?
É possível adquirir o respeito e a simpatia dos alunos por meio do otimismo, do sentimento de amizade, do conhecimento, da capacidade didática e de avaliações adequadas, continuadas, motivadoras do aprendizado. O educador deve evitar a ironia, a sisudez e o humor depreciativo.
  1. Existe alguma forma de melhorar as avaliações escolares?
Os critérios de avaliações do sistema educacional não devem ser meramente quantitativos e repressores, e sim em mais uma oportunidade para a promoção do aprendizado. Notas e conceitos não representam o saber, nem tampouco o potencial de trabalho do estudante em sua atividade profissional futura. Avaliações da memória não devem ser confundidas com o profundo conhecimento acerca do tema lecionado. Avaliações qualitativas representam um exame criterioso do desempenho do aluno ao longo do período das aulas. Avaliar é verificar o grau de interesse do estudante em participar, dando de si mesmo, das resoluções de exercícios, dos comentários em sala, da elaboração de trabalhos, da integração com o curso e da identificação com a profissão que almeja.
  1. A cada período letivo, os estudantes mudam, mas o professor prossegue  com o mesmo conteúdo. Nesse caso, como é possível tornar a aula mais atraente?
É necessário acrescentar ao conteúdo mais informações que ampliem o conhecimento e renovem o método do ensino. Sempre é possível tornar as aulas mais produtivas e agradáveis por meio da versatilidade e do entusiasmo em promover o conhecimento.
  1. Quais são os aspectos do comportamento que revelam ao professor a necessidade de avaliar sua vida profissional?
Alguns fatores determinam uma reflexão acerca das atividades profissionais: a satisfação e a competência ao realizar o trabalho, a resposta do meio à atividade concretizada, a disposição do autoaperfeiçoamento e o desejo de contornar ou de superar obstáculos. A atividade do magistério requer disciplina e constante motivação porque o professor está em constante contato com a ignorância e inúmeros fatores que se opõem  ao processo educativo. Por isto deve o professor estar alerta aos sinais de energias devastadoras que possam minar suas energias de boa vontade na senda da educação. Alguns procedimentos devem ser adotados para o devido realinhamento na atividade do magistério, tais como: Observar a assiduidade e a pontualidade, evitado faltas e atrasos frequentes e injustificáveis; ser versátil nas explicações para atender aos diversos níveis de alunos; evitar o estresse, o mau humor, perseguições pessoais, críticas deprimentes,  porque é necessário manter sempre um padrão de estabilidade emocional.
  1. É certo afirmar que há uma tendência geral e constante, quanto a melhoria do processo educativo? 
Sim, mas nas sociedades atrasadas intelectual e moralmente a evolução do processo educativo é lenta. Toda mudança para melhor encontra resistência da forma mental coletiva que se acomodou, não aceitando qualquer melhoria em seus modos de pensar e de agir. A família e a escola devem cumprir os seus deveres quanto a orientação do aluno, sem que uma transfira para a outra a sua responsabilidade.

(Emídio Silva Falcão Brasileiro, escritor, advogado, professor universitário, orador e conferencista brasileiro. Membro da Academia Goianiense de Letras e da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás. E-mail: emidio@cultura.trd.br)

sábado, 18 de maio de 2013

QUAL É O OBJETIVO PRIMORDIAL DA ESCOLA? (Os coitados aprenderam muito bem a lição do "pão e circo")



Crônica

QUAL É O OBJETIVO PRIMORDIAL DA ESCOLA? (Os coitados aprenderam muito bem a lição do "pão e circo")

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Havia terminado uma correção de atividade do livro didático; interpretação do texto:"Hora de Brincar!" (Cathia Abreu). E eu tinha pedido aos meus alunos que fizessem um texto, o enunciado estava detalhado no quadro, bem exposto, dizia para entregarem-no na aula seguinte, na verdade, pedia para eles contarem suas experiências de criança, seus envolvimentos com os brinquedos antigos e modernos. Então restavam dez minutos para terminar aquela aula, por isso aproveitei para ouvir umas piadas que o "comediante" da classe a tempo queria me contar, juntaram-se alguns outros ao derredor de minha mesa, enquanto isso, dois indisciplinados se pegavam em luta corporal na sala, que perturbavam o pedaço da "não aula". Chamei a atenção dos desavisados e o mais afoito deles me respondeu com um tom atrevido: — "você devia estar explicando matéria e não conversando com os alunos". Desse mesmo aluno senti repugnância, nos minutos anteriores, quando eu explicava sobre os benefícios e malefícios dos brinquedos eletrônicos, ele me perturbava com um comportamento muito comum de quem carece de atenção. Ele não queria explicação alguma! Queria uma vítima! Como aquele 7º ano "A" era muito barulhento, eu focava, para direcionar minhas explicações, perguntas e observações, sempre naquele que estava prestando atenção, como se eu estivesse dando aula só para esse, assim não perdia minha concentração, então quando o agressivo ("o perturbador de Israel") percebia, corria lá e incomodava o aluno que se esforçava para me ouvir. Então eu me dirigia para outro, e ele vinha para esse outro e pedia uma borracha emprestado só para incluí-lo em seu raio de atuação maligna.
          Os coitados aprenderam muito bem a lição do "pão e circo", agora só comem e zombam do sistema. Ah! E aproveitam ao retornar do lanche, e trazem uma cigarra à classe para assustar as meninas, o corre-corre é tremendo, pobre inseto professor que implora a ouvidos surdos e corações insensíveis, certamento dará a vida para o prazer de alguns. O ZiZiZiZiZiZá ZiZiZáZáZáZá aqui não é para anunciar a chegada do verão, e nunca mais o fará, mas de dor e vergonha.  Assim, mantêm a fama de assustadores, o pior é que conseguem, eu também tenho medo deles, porém todo mundo os defende, e eles percebem; sempre me ameaçam em trazer a mãe e fazer abaixo-assinado para me tirar da escola, e por isso fazem graça, palhaçada livremente, eles têm sede de um público cativo e conivente que substitua  seus familiares, aqueles que deviam aplaudi-los, e incentivá-los, e cuidar deles como devem. Ninguém sabe mais qual é o objetivo primordial da escola.
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 23/11/2012
Reeditado em 18/05/2013
Código do texto: T4000491
Classificação de conteúdo: seguro


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sábado, 11 de maio de 2013

A PROVA PARA O ALUNO AVALIA O PROFESSOR. (Convenção declara que toda pessoa tem “direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada”.)



CrÔnica

A PROVA PARA O ALUNO AVALIA O PROFESSOR. (Convenção declara que toda pessoa tem “direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada”.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Pus a seguinte questão na prova de Língua Portuguesa do quarto bimestre do ano letivo de 2012, para a 3ª série do Ensino Médio: (você já pensou alguma vez nos problemas de sua comunidade? Identifique um problema que vem afligindo diretamente a você, o qual deveria receber maior atenção das autoridades. Produza uma carta argumentativa de reclamação ou de solicitação). Uma aluna, que duvido estava sendo sincera, solicita ao governador professores qualificados. Quando li sua prova, senti-me avaliado. A prova para o aluno servem também para avaliar o professor? Pensei por um momento naquela coordenadora gabola, quando me pedia as provas para me inspecionar, e depois eu ficava sabendo que ela se ria de minha organização.
          Por que uma aluna já terminando o 3º ano faria tal solicitação? E o desempenho dela, o ano todo, não foi lá essas coisas! Mas, a dobrez foi lançada! E me fez refletir em minha atuação em sala de aula. Ela me atingiu; prova serve, sim, para avaliar quem a elaborou. Aliás, só serve para isso. À aluna mencionada, se eu lhe der uma nota baixa, terei que lhe dar um trabalho para recuperação de sua nota, eu me castigando como se fosse minha a reprovação. Sendo os alunos quem mais nos avaliam, eles não fazem nada para recuperar o professor, mas faz tudo para desmoralizá-lo, é o que assistimos nos conselhos de classe com a presença de representantes, sem escrúpulo, escolhidos pela sua própria classe. 
           Num julgamento, ninguém é obrigado oferecer prova contra a si mesmo, porém nesse caso o professor o é. Ele elabora provas contra si mesmo; embora na boa intenção, boas questões avaliativas, porém os alunos respondem-nas de qualquer jeito, aferindo os baixos índices de escárnio do professor. Diz Ticiano Figueiredo: "O constituinte originário, no Capítulo sobre os direitos e deveres individuais, elencou como garantias fundamentais de todo cidadão o princípio da presunção de inocência e o direito do preso de permanecer calado sem que isso pese contra si, ambos previstos, respectivamente, no artigo 5º, incisos LVII e LXII, da Constituição Federal. Desses princípios constitucionais deriva outra importante garantia fundamental de todo cidadão brasileiro, o direito de “não produzir provas contra si”, que encontra respaldo também na Convenção de Direitos Humanos de 1969, conhecida como Pacto de San José da Costa Rica. Em seu artigo 8º, das Garantias Judiciais, a Convenção declara que toda pessoa tem “direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada”.
          Analisando mais profundamente, entendi que se o professor trabalhasse para uma administração séria e rígida, com os processos requeridos por uma educação de qualidade, seria melhor do que a vivenciada hoje, mas nós trabalhamos para os clientes, e eles na maioria, alunos que querem cada vez menos responsabilidades, compromissos de aluno; só as facilidades, então nós nos capacitamos na "lambança" para agradar "gregos e troianos" e conseguir pelo menos sobreviver.
          A folha de prova é injusta para com quem a elaborou. Na qual, alunos que não mostram empenho de bons estudantes, indisciplinados e desatentos, se atrevem solicitar melhoria na educação (Comédia)! Eles querem professores competentes para quê? Assim, adotam o comportamento do vira-lata que corre insistentemente latindo feroz atrás do carro, quando o carro pára, ele não sabe o que fazer (comédia novamente). O que esses alunos fariam se tivessem bons professores? Pois eles os têm e nem sabem.   
            
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 16/11/2012
Reeditado em 11/05/2013
Código do texto: T3988554
Classificação de conteúdo: seguro


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sábado, 4 de maio de 2013

PERGUNTAR NÃO OFENDE (— por que o senhor veio hoje, professor?)




Crônica da vida escolar

PERGUNTAR NÃO OFENDE (— por que o senhor veio hoje, professor?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Alunos preguiçosos vão para a escola, obrigados pelas leis e ora seduzidos pelos favores politiqueiros do governo, mas não querem aulas!!! Ah, aula ... Única coisa que tenho para oferecer-lhes!!!
          Estou chegando em cima da hora, para meu turno de trabalho, na correria, vou para a última sala do corredor. À medida que vou passando nas portas tumultuadas por alunos, eles me perguntam: — por que o senhor veio hoje, professor?
          Então respondo com outra pergunta: — quem está no lugar errado?
         A escola pública está apodrecida! Os alunos não querem ficar na sala de aula. Como o professor pode encaminhar os trabalhos com eles passeando nos corredores, se "agarrando" e se escondendo das coordenadoras nos banheiros e nas outras salas desapercebidos pelo professor? Esses, os piores estudantes, são os que mais reclamam por facilidades e notas boas, eles denunciam, praguejam, brigam e xingam; nunca foram avisados de nada, eles não sabem de nada e jogam sempre a culpa no professor, enfim, no sistema. Entretanto, são para esses que os políticos movem suas ações de "sucesso". Não há ninguém bom. Eu culpo o sistema, também. Se banharmos um porco e perfumá-lo, vesti-lo com finas roupas, ele vai voltar para o chiqueiro. Têm pessoas que não nasceram para estudar, e o sistema ainda não entendeu isso. Estas tornam-se restolho na educação, quando forçadas a fazer o que não querem, fazem exatamente o que não devem, e existem somente para atrapalhar os outros. Eu não ganho para separar brigas, sou especialista em Língua Portuguesa e eles não me deixam fazer o que mais sei fazer. A lama do chiqueiro também respingou em mim. Ou melhor, quando estou no chiqueiro, os porcos pensam que sou porco. Até aí, não me incomoda, pois eu, baseado em mim, também fico pensando que eles são gente.
          Isso é muito evidente e não engana ninguém, assim como o Filho pródigo não se tornou porco com os porcos, os porcos não se tornaram humanos com a sua  convivência no chiqueiro. Porém, eles não só me sujam, mas também mordem. Por isso, ou eu saiu do espaço deles, seguindo atitude do rapaz arrependido, ou eles saem do meu redunto. Sou judeu por convicção, não me alimento de porco! Mas, não sei onde banquetear, se onde vivo a maioria come porco.
          Cientistas com espírito de porco descobriram semelhanças notáveis entre humanos e suínos. — "Eu vejo o porco como um grande modelo animal para os males do modo de vida humano. Os porcos gostam de ficar vagando por aí, eles gostam de beber e, se tiverem chance, provavelmente vão sentar e ver TV – diz Lawrence Schook, da Universidade de Illinois, um dos mentores da pesquisa: http://noticias.r7.com/esquisitices/noticias/somos-iguais-aos-porcos-20091120.html (link visitado em 04/05/2013).
          Uns poucos são iguais aos porcos, outros a águias, e aquela maioria é apenas gente comum, e a escola não serve para nenhum deles, ela não tem chance.
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 09/11/2012
Reeditado em 04/05/2013
Código do texto: T3977725
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