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MINHAS PÉROLAS

sábado, 2 de maio de 2015

DESCULPE-ME O DESABAFO (Digo tudo isso para ser fiel aos relatos de minha vida escolar. )



Crônica da vida escolar

DESCULPE-ME O DESABAFO (Digo tudo isso para ser fiel aos relatos de minha vida escolar. )

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Depois de ler a obra de Reinaldo di Lucia — (Sócrates e Platão: precursores do espiritismo?) — "Segundo Kardec, de tempos em tempos, Deus manda um enviado com a missão de reunir estes conhecimentos esparsos em um corpo de doutrina consistente. É assim que Kardec afirma que Sócrates e Platão possuíam as mesmas ideias cristãs, ainda que de uma forma menos estruturada." Baseando-me nessa ideia, disse para meus alunos, em um momento de reflexão, que Jesus reproduzia os pensamentos de Sócrates, e uma menina, daquelas indisciplinadas, ainda no oitavo ano e vespertino, disse que eu estava mentido e não sabia de nada. Incomodou-me muito sua contestação desrespeitosa. E acho que doeu mais, porque eu já vinha "baleado" do turno matutino daquele mesmo dia, pois outro aluno dissera que não confiava em mim, do segundo "C". Um fato leva a outro, lembrei-me que na semana passada, uma aluna, do segundo "D", mostrou-se ofensivamente, dizendo que também não confiava em mim pela a seguinte atitude: Quando a classe foi convidada para lanchar e todos saíram, então ela disse, em voz alta, que não pretendia pegar o lanche, mas ia sair, pois não podia ficar sozinha comigo na sala por 3 minutos que sejam. Não sei exatamente o que queria dizer, porém ela me fez sentir, naquele momento, um estuprador relâmpago.
           Enquanto que aqui na internet, eu me sinto o sábio, inteligente e tudo o mais, na sala de aula sempre têm aqueles que me fazem sentir um lixo, dirigindo-me estes "elogios": desinformado, estuprador, perigoso, esquisito e velho caduco. Talvez lhes dei motivo para tais julgamentos, com o que escrevo, também,  em minhas crônicas fieis à minha realidade profissional: "bola de neve". Então faço minhas a palavras de Alessandra Espínola:  "Eu gostaria de saber passar por esse circo dando gargalhadas o tempo todo, mas às vezes, meu palhaço é triste."
           E estou certo que não posso pisar em falso, pois no trabalho muitos estão me filmando literalmente, e até uma das mães de plantão disse para a sua filha, que é minha aluna do nono ano: "fica longe daquele velho que ele é doido". Agora me pergunto o que tenho a ensinar para essa jovem que tem resistência a seu professor?  Todo meu esforço de aproximação a eles tem objetivos didáticos,  os técnicos da educação disseram-me que a identificação com os jovens facilita a relação e o ensino-aprendizado, estou nessa. Mas, eles e elas falam o que querem, de tanto escutarem o que não querem, essa é minha culpa imposta, pois ensino o que o sistema manda! Não quero nem imaginar se os meus colegas professores passam por isso também. Todavia, pelo o silêncio deles, sou forçado a acreditar no pior... Ou o quanto se envergonham de mim, pela a sua falta de prestatividade e ou, ainda por acreditarem como a coordenadora, quando me tacham de faltoso do companheirismo por sonegar à "vaquinha" que os alimenta. Mas, até chego a pensar que sofram menos. E ainda bem que ensinam mais! Resta-me tentar compensar a mancha que desenhei na categoria, por isso  sempre me uno ao grupo nas ocasiões da greve, apesar de ser contra qualquer movimento que força o reconhecimento de minhas competências, porque grevistas se mostram geralmente a quem não precisa vê-los, e/ou prejudicando as pessoas erradas, e/ou ainda, especificamente greve de professor está desacreditada por resultar sempre em nada. E prova que ainda carrego a esfinge da boa intenção, paro guando o sindicato manda, além do mais, pago minha taxa sindical para ele me representar! Digo tudo isso para ser fiel aos relatos de minha vida escolar. "Os poetas são impúdicos para com as suas vivências: exploram-nas" (Friedrich Nietzsche). Peço-lhes desculpas se exagerei, eu compreendo seu olhar torcido, pois não confiamos naqueles que assustam e nos metem medo. Apenas aconselho que não se esqueçam: "as aparências enganam"; não é prudente julgar o livro pela capa; eu sou um pouquinho pior!
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 29/04/2015
Reeditado em 02/05/2015
Código do texto: T5225095
Classificação de conteúdo: seguro

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