"O tempo é um ponto de vista. Velho é quem é um dia mais velho que a gente..." (Mario Quintana)

"Todos desejam viver muito tempo, mas ninguém quer ser velho." (Jonathan Swift)

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 25 de janeiro de 2014

SEQUESTRO MORAL (Patrocinar lazer de aluno não é papel de professor que se preza.)

Crônica

SEQUESTRO MORAL (Patrocinar lazer de aluno não é papel de professor que se preza.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Por esta época (último bimestre escolar do ano letivo), amiúdam-se as campanhas para formatura dos terceiros e nonos anos. Formados em quê? (pergunte-se de passagem). Que um político esbanjador de dinheiro público, que tem muito a ganhar com isso, seja o patrocinador ou ainda que os pais arquem com esse lazer para seus filhos. Estou cansado de contribuir para festas da escola: ora é o retorno de alguém ao trabalho, ora aniversário de todo mundo, ora o "chá de berço" de alunas e funcionárias,  ora a despedida dos que vão para sei lá aonde,  é o ano todo! E ainda comemorações do dia disso ou dia daquilo. Agora o simbólico padrinho de turma ser pressionado mais uma vez até o sumo de sua moral e dignidade é uma aberração, pagar para trabalhar nunca me agradou, apesar de já ter feito isso algumas vezes, por que não deu para fugir mesmo (pressão demasiada).
           Alunos correndo atrás de seus professores para pedir dinheiro não é mais deprimente que seria se fosse para pedir nota? Devo admitir, pois nesse último caso, o professor pode negociar com o aluno um trabalho escolar no intuito de fazê-lo merecer a nota que precisa sem configurar corrupção, desenvolvendo assim sua intelectualidade. Mas, no primeiro, é descarado demais dar o que eles pedem para fazê-los assistir bem as suas aulas! Suborná-los para ter uma boa relação, visto que se não der, eles bagunçam mais ainda para se vingar do professor que não ajudou financeiramente e olha que não faltará incentivos do mal, dos "aneticonizadores". Ajudar com dinheiro o aluno menor de idade sem a interferência de seus pais é pré-dispô-lo à marginalidade. Dinheiro fácil nunca fez bem a ninguém!

           O trabalho, por mais simples que seja, dignifica o laborioso e, longe de ser um castigo, é uma benção, serve para desenvolver o ser humano tridimensionalmente (mente, corpo e espírito). Ah! Mas, ao "de menor" é proibido trabalhar, tinha me esquecido disso!!!!

           Neste mês de outubro, comemoram-se o dia da criança e o dia do professor logo em seguida! Se temos que patrocinar a festa das criança, elas também pedem para os professores patrocinarem a comemoração dos mestres e se não acontecer uma, não acontecerá a outra respectivamente. E ai do professor que se atrever dizer piadinhas cobrando o reconhecimento gratuito, leva uma resposta das que ouvir de uma aluna, daquelas que se acham melhor que todo mundo por ser crente: — professor que não colabora não merece festa. Justiça à flor da pele!!!

            Patrocinar lazer de aluno não é papel de professor que se preza. É como disse Eliete: "Estudar é um trabalho que dá trabalho". E eu a parafraseio, dizendo que Ensinar é um trabalho que dá trabalho. Todavia, sinto-me como um sequestrado por muitas vozes que para as quais não quero pagar o resgaste, porém todas se atentam contra minha sobrevivência.
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 02/10/2013
Reeditado em 25/01/2014
Código do texto: T4508127
Classificação de conteúdo: seguro

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sábado, 18 de janeiro de 2014

HONRA SEM MÉRITO (Quem pretende apenas a glória não a merece – Mario Quintana)


Crônica

HONRA SEM MÉRITO (Quem pretende apenas a glória não a merece – Mario Quintana)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Final de bimestre, é hora de fechar as notas dos alunos. Uma única preocupação ronda por ali. Os professores se justificam, implorando para a coordenadora endossar algumas notas abaixo da média, e por algumas raras permissões, a coordenadora se justifica para os alunos, como se a autoridade viesse de baixo: — Eu já avisei turma, muitos aqui vão ficar com nota vermelha, a culpa é de vocês mesmos, depois não reclamem – é sempre bom evitar as denúncias.
           Parece-me que temos que pedir permissão ao aluno incompetente para reprová-lo. No conselho de classe, ali, estão eles representados pelos menos ruim da turma, afiado para condenar e encurralar os professores que não satisfizeram seus desejos. São por vezes, ainda, os representantes os porta-vozes da coordenadora que não sabe de que lado ficar. Quando eles determinam maneiras pedagógicas frouxas com as quais gostariam de ser tratados, estão usando a lógica do sistema. Mas, a coordenação por sua vez, está apta a continuar dizendo para os professores que recuperem as notas dos seus alunos cabalmente. Fica claro para todos nós que dar nota boa para os alunos, isso nos poupa muitos do sofrimento no conselho, eles são gratos aos que lhes favorecem e nos reservam alguns tímidos elogios, depois, quando não precisar mais de nossa ajuda, não nos faltam os escárnios. Eu profetizo que em breve, muitos pais inteligentes, descobrindo a incompetência do filho e defasagem em sua formação acadêmica, pedirão à escola para não promovê-lo. Aí será o fim desse sistema!

           No último conselho que participei, apelava veemente a coordenadora protetora aos professores com palavras fortes, que dessem outra chance para a aluna faltosa, com trabalhos extras, pois ela agora iria "deslanchar". Essa palavra, de acordo nosso contexto, é muito parecida com "desleixar"  com a sonoridade semelhante e significado consequente, se não for, talvez significasse: "vomitar o lanche" – disse um engraçadinho, de humor emprestado, do meio dos professores, para descontrair.

           — Você pagará por esse golpe baixo — retrucou ela.

           Eu gosto de corrigir meus maus alunos, dando-lhes notas boas, foi lição do meu professor de inglês que me tratava assim na faculdade, hoje sei que funciona, sofro a dor da incompetência, estudei a vida toda o inglês, nunca reprovei, porém não sei falar e/ou escrever uma palavra sequer da tal língua.
           Assim explicamos, o porquê de se ver muitas notas boas nos boletins dos alunos, e eles não conseguem tirar notas boas nas provas diagnósticas do governo. Então reformulo a profecia: logo chegará o tempo da colheita, no qual os alunos bem "notados" apedrejarão seus professores mãos-abertas. Tudo em nome da boa e justa convivência!
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 29/09/2013
Reeditado em 18/01/2014
Código do texto: T4504043
Classificação de conteúdo: seguro
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sábado, 11 de janeiro de 2014

FURTO DE PRESTÍGIO (Puxar o tapete é isso: desbancar um na presença dos outros para se rirem dele.)


Crônica

FURTO DE PRESTÍGIO (Puxar o tapete é isso: desbancar um na presença dos outros para se rirem dele.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Como os alunos são criativos no preparar de uma apresentação em classe!!! Valendo-me disso, anunciei-lhes, no primeiro dia de aula, depois das férias, que tinham quarenta dias para todos mostrarem os seus trabalhos do terceiro bimestre, pois era o tempo que eu precisava para fechar as notas de Língua Portuguesa e entregá-las à secretaria do colégio. Este desfecho não foi um dos piores, já sofri coisa pior; vou contar-lhes: O tempo passou, e o prazo se encerrou, sem que muitos fizessem seu trabalho! Restava-lhes agora formular um ótimo argumento para forçar o professor estender a data. Tive que fazer isto, forçado em meio a desonra, porém o fiz diminuindo o valor do trabalho deles pela metade da nota. Como medida disciplinar, dei-lhes mais três dias nessa condição. É incrível como os alunos de hoje deixam sempre tudo para o último dia! Eles não conseguindo mais, insatisfeitos, uns foram falar com a coordenadora e era impressionante como voltavam felizes para me mostrar que eu estava derrotado, sem palavras. A coordenadora garantiu a apresentação deles para a segunda-feira, três dias a mais sem minha permissão! Como assim? Nem falou comigo! Ela quis elevar seu prestígio sem nem mesmo pensar no mal que estava me causando: pisando na minha moral. Porém, esse comportamento de autoridade defasada é comum nesse meio educacional. Na mesma ocasião, um pouco antes, os colegas do mesmo nível de funcionalidade que o meu, enciumados, não suportaram me ver feliz por estar movimentando a unidade escolar, então foram eficientemente motivadores desse quadro, quase pressionando à coordenadora a zelar pela sua reputação, fazenda-a retomar as rédeas, e que ela exigisse de mim não permitir os meus alunos apresentarem fora do horário, isto é, saírem de suas aulas para formarem os grupos de apresentação em minha aula (Não tenho culpa se eles valorizaram mais uma avaliação que a aula comum deles). Agora farão o quê? Como me apagarão, se daqui por diante, vou dar só prova escrita, individual e sem consulta, para me encaixar na tal semana de prova que eles gostam tanto? Mas, por que ninguém vem me pedir autorização para deixar meus alunos se ausentarem de minhas aulas e irem ao passeio promovido pela professora de matemática? Quando percebo, minha classe de sexta-feira está com pouquíssimos alunos, foram a um passeio. Passeios dão prestígios a quem? E a professora de Educação Física passa o bimestre todo tirando alundo de minhas aulas para jogar, forçando-me a aplicar prova depois dos outros, só nota boa, pois já pescaram as respostas. 
               Quando um funcionário de cargo superior, em busca de mais prestígio, contradiz as ordens de um inferior para se mostrar a terceiros é concorrência desleal.  Pior ainda, é a coordenadora pedagógica exigir que os professores executem o combinado e depois se comportar como político que compra voto, suplantando e dificultando a autoridade do professor que é quebrada, com concessões no cronograma para mostrar ao aluno que ela pode mais.
           Entretanto, por que eu quero sair da rotina e inovar minhas aulas? O prestígio me interessa também! Agora compreendo que o melhor da escola está na acirrada luta por prestígio. Os alunos nos põem para brigar porque também se favorecem no vácuo da sanidade que se foi no "vale-tudo" em busca da tal confirmação. Eu preciso me autoafirmar; a coordenadora também. No entanto precisamos mais, e ainda mais quem é menos competente e tem consciência disso. Uns quando não podem conquistar com lealdade, furtam o tal valor social. Puxar o tapete é isso: desbancar um na presença dos outros para se rirem dele.
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 12/09/2013
Reeditado em 11/01/2014
Código do texto: T4479242
Classificação de conteúdo: seguro

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sábado, 4 de janeiro de 2014

"VAI COMENDO RAIMUNDO" (e “o salário óhhh”!)


Crônica

"VAI COMENDO RAIMUNDO" (e “o salário óhhh”!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Dos exageros da escola paternalista, um aluno chama-me de pai e insiste em me tomar a benção, todos os dias. Seus verdadeiros pais não se incomodam e nem a mim, a escola é seu segundo lar. Fazer o quê? Então serei seu segundo pai! No entanto, o professor de matemática é um dos seus tios, não porque é meu irmão, mas porque é professor dele também e o chama assim. Em alguns momentos, sinto-me honrado, creio que o aluno também. Agora, fica a professora de geografia, por quem ele não tem predileção alguma, porém outros alunos já a acham a mais bela de todas trabalhadoras ali: linda, pequeninha e delicada; brava, às vezes, com quem merece e aos gritos, faz-se grande perante sua classe. Certamente ela não possui inimigos ali, todavia os acidentes têm sido motivos constantes para fazer valer a crueza da profissão. Sem querer, um aluno deu-lhe uma pancada no rosto causando-lhe inchaço em um olho. Em outra ocasião, nas brincadeiras de recreio, jogaram-lhe uma borracha com tanta força e atingiu, em cheio, a sua perna direita a ponto de fazê-la encerrar sua tarde letiva, naquele momento.
           Porquanto eu gostaria de saber quem é o santo padroeiro dos professores! Santo desequilibrado e descuidado! Igual a mim, com a turma da qual me constituíram padrinho, por isso O compreendo: assim seguimos desleixadamente com aquele nono ano "B". Ainda podem se vigar deles mesmos, por tabela, penalizando seus professores como se fossem um esporte, e assim, fazendo os seus professores sofrerem em suas "abençoadas" garras para servirem de exemplos de dor e sofrimento, ou melhor, forçadamente ensinamos a eles, sobre suportar a dor e o sofrimento, também. Até os momentos bons dos professores são frutos da vacância por cansaço dos que nunca lhes dão trégua. Estamos tão desacostumados de boas e sadias relações, pois elogios da parte deles, vemos como tentativas de nos enganar! Então, no trabalho, andamos e falamos do jeito de “quem pisa em ovos”; é impossível não quebrá-los.
           Dos intermediadores do conhecimento, querem ensinamento através de métodos que eles mesmos escolheram! E assim vai: “vai comendo Raimundo”, como dizia o personagem do finado Chico Anysio, na Escolinha do professor Raimundo, e “o salário óhhh”!  E “vai comendo...” só no sentido figurado, pois o lanche da escola é só para os alunos, os professores, se tocarem, são considerados transgressores. Nesse particular, os alunos não precisam de exemplo.
Claudeko Ferreira

Enviado por Claudeko Ferreira em 29/08/2013
Reeditado em 04/01/2014
Código do texto: T4457463
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