"A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero." (Victor Hugo)

"Uma falsificação é impossível quando não se tem o modelo a falsificar." (Helena Blavatski)

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MINHAS PÉROLAS

domingo, 28 de dezembro de 2008

O OUTRO LADO DO PORTFÓLIO AVALIATIVO (Você é o que é seu portfólio!?)



Crônica

O OUTRO LADO DO PORTFÓLIO AVALIATIVO (Você é o que é seu portfólio!?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade



                Uma mulher idosa, professora experiente, que já gozava de uma avantajada dose de discriminação, pois andava sem muita criatividade profissional, aceitou o desafio de fazer o portfólio como seu “salvador da pátria”, e encontrou grande alegria em juntar fotos, projetinhos, trabalhos, folders, diplomas e papeladas mil! Alguns dias depois de avaliada pela comissão, um colega interrogou-a sobre sua nova experiência.

            — Deve ter abandonado muitos afazeres importantes para reservar tempo para a confecção desse portfólio. A senhora comprometeu a dedicação ao lar, a família e até “desenterrou defunto” – tudo. Não é sacrifício demasiado para fazer uma coisa ridícula e inútil como é o tal portfólio?

            A velha professora meditou um momento:

            — Colega –  disse ela com sinceridade – constantemente me perguntam a respeito do que eu deixei de fazer por isso ou aquilo que faço na escola. É estranho, mas jamais alguém me perguntou sobre os benefícios disso ou aquilo que faço na escola. Na verdade eu deixei de fazer muito pouco, comparando com o lucro social e na relação com meus superiores. “O meu copo transborda”.  Agora que tenho um portfólio em mãos, tenho tudo o que preciso para dizer quem sou eu. Sendo assim, tudo que o coração de uma professora como eu pode desejar é o reconhecimento profissional. Nas páginas abarrotadas de boas informações maquiadas ou não, compradas ou não, encontra-se tudo que uma comissão amiga pode desejar. A comissão não apenas pode ver o meu alvo de perfeição, mas pode também fornecer-me orientações para que possa alcançá-lo. Ao aceitarmos essas orientações nos tornamos melhores profissionais. Mediante horas a fio em contato com a matéria a ser portfoliada, a consciência se aguça, tornando-se realidade dentro da minha alma que ainda está sedenta. Nada há para o presente ou para o futuro de um profissional que uma comissão avaliadora não possa perceber mediante a sistemática análise do seu portfólio. Podemos nos tornar completos nele.

            Também consigo ver esse lado que a velha professora viu. Tudo pode ser nosso, o que ainda não foi conquistado, quando apresentamos um excelente portfólio. Ele é fonte de um bom trabalho, de conhecimento e de realizações. Dele flui luz, esperança, capricho, esforço e conforto. Ele é o transformador de situação. É o manancial das revelações. Nenhuma segurança profissional maior pode alguém possuir do que a promessa de promoção, asseverada ali. É uma gostosa "verdade": você é o que é seu portfólio!? Só suspeito que a professora estava sendo tão irônico como eu estou sendo agora!

            O portfólio é uma espécie de Curriculum Vitae, pedi-lo como requisito para contratar é bastante coerente, mas para já empregados eis a questão.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 02/06/2009
Código do texto: T1628062

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

EDUCAÇÃO EM CRISE (A ausência dos pais faz aumentar consideravelmente os casos de indisciplina no ambiente escolar.)

EDUCAÇÃO EM CRISE
Por Gedeon Campos

                Os gráficos até podem dizer o contrário, mas a realidade da educação, na prática, não é nada boa. Não é de agora que a formação educacional por aqui vive a cargo exclusivamente das escolas que funcionam com parcos recursos. A família gradativamente vai saindo de cena, afinal, a maioria dos pais vem se limitando à singular responsabilidade de matricular as crianças menores, ainda assim por temer repressão do estado e por causa das ajudas assistenciais do tipo Bolsa Escola, PETI e outras tantas, por sua vez, atreladas à matrícula e à freqüência do aluno. Isso terá agravantes, porque a ausência dos pais faz aumentar consideravelmente os casos de indisciplina no ambiente escolar.
                Mas, se por um lado a formação educacional esbarra na indisposição dos pais em colaborar para a educação dos filhos, por outro, não dispomos de um projeto de educação que seja programa exclusivo do Estado. Por essa razão, o sistema sofre mutações constantes. A falta de propostas consistentes faz o sistema curvar-se diante da (má) vontade política e das organizações que ditam como deve ser a educação brasileira, introduzindo programas absurdos que tendem a desonerar o Estado, dando respostas quantitativas por meio da eliminação de etapas e da aceleração indiscriminada de alunos. O resultado da banalização desses programas é uma coisa insossa, já que o professor normalmente se Vê obrigado a ensinar o que ele não acredita que deve ensinar, limitando-se a disseminar crenças que possam ser consideradas úteis pelo sistema e a jogar para fora do ambiente escolar um sem tanto de homens que, embora “formados”, mal conseguem ler e desenhar o próprio nome. E o pior de tudo é que o professor converte-se, cédula por célula, num servidor cortês passando a executar as ordens de homens que não têm a sua cultura, aliás, de gente que não dispõe da menor experiência com o ofício e que leva o assunto “Educação” na base da propaganda. Talvez seja por isso que os profissionais vivam em constante depressão, já que o princípio geral da educação, como o qual muitos sonharam ao sair da academia, que era o de levar a criança a ler e a escrever contribuindo para sua experiência de mundo, mostra-se completamente distorcido. E o professor, agora um desconhecido a si mesmo, surpreende-se, inculcando a insensatez e o entusiasmo coletivo.
                E, por fim, como se não bastasse, resta um outro agravante relacionado à produção midiática. A indústria cultural brasileira vem se limitando à produção de bordões que são reproduzidos em cadeia de rádio e TV. Essa talvez seja a razão da gente não mais se assustar ao ouvir ou ver um professor no meio de alunos, na hora do recreio, dançando ao som de ritmos do tipo “só as cachorras, as preparadas” e assim por diante, já que a onda do memento parece ser contemporizar, ser light. Mesmo que, para isso, a gente venda nossa disposição de divulgar opiniões e prefira trazer essas besteiras para o contexto escolar. Afinal, está muito dissipada da nossa memória a imagem daquele professor que, em outros tempos, incomodava - ninguém se lembra que Sócrates foi condenado à morte e Platão, trancafiado, em decorrência daquilo que ensinavam – uma vez que o professor de agora não consegue ir além do burocrata que é, envolvido com diários e programas que se apóiam em números e controle das informações contidas nos conteúdos programáticos.
                (FARO, Circulação de idéias, ano I, edição nº 4, maio de 2006).

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS (Professores amedrontados, humilhados, tentam agradar alunos malcriados.)

Crônica 

O ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS (Professores amedrontados, humilhados, tentam agradar alunos malcriados.)

Por Bariani Ortencio


                Não há aprendizagem sem disciplina nem disciplina sem autoridade. A escola é o canteiro onde nascem as boas e as más sementes.Quem perdoa as pessoas são os castigos. Sem punição não pode haver disciplina e obediência: Educação sem amor, fofa.
                Faço palestras em escolas públicas e particulares, e fico pesaroso em ver a situação da maioria, as públicas, não os colégios militares, que são exemplares, estou denunciando, porém, não censurando quem quer que seja: as denúncias pela imprensa mostram que  o mal está generalizado em todo o País: “48.000 crianças em escolas goianas são analfabetas. 87% estão na rede pública. Faltam 250 mil professores na rede pública, mas e o salário?
                O projeto do cidadão está na escola e, no lar, o ambiente afetivo da criança, onde aprende educação, e como a educação vem de cassa, uma parcela de culpa  é dos pais. Permitem a criança no computador pela noite adentro e o professor acordando o aluno debruçado na carteira. Uns falando ao celular e outros assistindo aulas com o aparelho de som aos ouvidos, alguns prometendo, com palavrões, pegar o professor fora da escola.
                Professores amedrontados, humilhados, tentam agradar alunos malcriados. Pais omissos, diretores e coordenadores sem pulso forte e professores fazendo BO na polícia. Colocam o filho na escola “pra professora dar um jeito”, achando que o professor (maioria professoras) é obrigado a domar a fera mal educada. E vai por aí, alunos drogados, sem uniformes, alguns vestidos até com deboche. O pior é não ter reprovação, não haver exigência de porcentagem de freqüência: “Lá na escola não pode repetir de ano. Então eu vou passando... João, 16 anos, com graves dificuldades para ler, escrever e fazer contas simples, mas cursa a nona série. Nesse sistema onde números são mais importantes que o ensino, alguém já parou para pensar no futuro destes jovens?” (O POPULAR, 18.8.2008).
                “De todos os assuntos de interesse da sociedade brasileira, o mais urgente é, sem dúvida, o problema da educação básica, primária ou fundamental... Os péssimos resultados colhidos estão aí, constatados e divulgados por organismos nacionais e internacionais especializados em avaliação escolar: os alunos brasileiros do ensino fundamental estão entre os piores do mundo, em matemática, língua portuguesa e ciências. Piores do que nós há somente dois ou três insignificantes países do Caribe e da África... E a escola fundamental continua de mal a pior, com seus concluintes incapazes de redigir um simples bilhete e mal sabendo as quatro operações...” (Lena Castelo Branco – DM, 30.9.2008).

                Nos colégios dirigidos por militares graduados (ambos os sexos) predominam a disciplina e a eficiência. Todos os alunos são uniformizados e se levantam quando o professor entra na sala de aula. No final da palestra a maioria faz perguntas interessantes.

                “A terceira edição do Prêmio Ciências no Ensino Médio, do MEC, premiou duas escolas goianas da rede estadual: uma foi o Colégio da Policia Militar Hugo de Carvalho Ramos, de Goiânia.” (DM, 6.6.2008).
                Não é da nossa intenção ensinar o Pai Nosso ao vigário a ninguém, mas apenas um palpite que julgamos feliz: para todos os males há remédios, e o remédio eficaz, o “santo remédio” para o mal da Educação em nosso País, o caminho certo para colocar a escola pública nos trilhos, é, além da reprovação, o modelo da Escola Militar. Assim teremos aprendizagem com disciplina e disciplina com autoridade. Macktub!
( O POPULAR, Crônicas e Outras histórias, 19.12.2008).
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 16/01/2011
Código do texto: T2732919

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sábado, 20 de dezembro de 2008

SOU MAIS UMA 'PEDRA NO CAMINHO'! (o professor não pode ficar no centro do caminho parado, impunemente)



CRÔNICA

SOU MAIS UMA 'PEDRA NO CAMINHO'! (o professor não pode ficar no centro do caminho parado, impunemente)

Por Claudeci Ferreira de Andrade


            “O poema, publicado no livro ‘Alguma Poesia’ (1930), causou um verdadeiro escândalo na imprensa da época, provocando ataques ferrenhos ao autor por críticos que se negavam sequer a considerar poesia aquele texto ousadamente estruturado na repetição e numa construção lingüística simples, coloquial, que afirma a fala popular: ‘tinha uma pedra’ em detrimento da forma culta ‘havia uma pedra’”.(http://lazer.hsw.uol.com.br/drummond1.htm)(15/02/2016)

"No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra."
(Carlos Drummond de Andrade)

           É certo que na maioria dos caminhos é bom evitar os extremos e permanecer “no meio do caminho”, como nos é dito por pensadores que defendem o equilíbrio. Normalmente, eu estou do lado desses bons conselheiros. Mas, há ocasiões em que o professor não pode ficar no centro do caminho parado, impunemente. Ocasiões há em que o homem no centro do caminho, no meio da estrada, está totalmente errado. No caso da educação, isso acontece quando os princípios pedagógicos estão mal aplicados, indefiníveis.
           Fui advertido por está conduzindo minha moto no meio da estrada, em cima da faixa central. Foi-me recordado o que eu sabia havia anos — que através do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), o governo gasta milhares de Reais cada ano, pintando a linha divisória para mostrar aos motoristas o centro da estrada, de modo que eles possam permanecer em sua mão, e não no centro, como aconteceu comigo.
           Professores dedicados e disciplinados sentirão que a linha de demarcação entre a má e a boa educação devia ser mantida perfeitamente distinta. Eles se recusam a se familiarizar com o modismo do mundo educacional, mas não querem ser tradicionalistas, e assim, viram-se pedras no meio do caminho. Quem ainda não se sentiu obrigado a parar no meio do caminho por não saber o que fazer exatamente. São tantas injustiças, tantos favorecimentos! E os alunos diante daquela pedra no meio do caminho sem expressar seu posicionamento com relação às mudanças pré-moldadas pelos homens dos escritórios e já não mais em seu estado tradicional, transformam-se em pedras também. Ou os mestres se comportarão entusiasticamente favoráveis do lado certo, ou a pedra drummondiana permanece representada por mestres que usam metodologias que não apontam caminho algum.
           E mais: a LDBEN (Lei de diretrizes e bases da Educação Nacional) e os Parâmetros Curriculares não deixam lugar para compromisso com a “lambança”. Entende-se que os grandes professores não podem aceitar transigências. Em nossas opiniões não deve haver a menor aparência de incerteza, a comunidade tem o direito de saber o que deve esperar de nós.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 01/06/2009
Código do texto: T1625938

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sábado, 13 de dezembro de 2008

AMIGO SECRETO SEM SEGREDO (Há outra "brincadeira", porém, em que ninguém pode revelar segredos )




CRÔNICA

AMIGO SECRETO SEM SEGREDO (Há outra "brincadeira", porém, em que ninguém pode revelar segredos: a vida. )

Por Claudeci Ferreira de Andrade


           Nos últimos dias do ano letivo, faz-se o famigerado "amigo secreto", parente da "vaquinha", entre os professores e servidores da unidade escolar em geral. São pessoas profissionais, éticas e discretas, pelo menos teoricamente, se não, a brincadeira não terá graça. Contudo, observei que as características dessa brincadeira se parecem muito com a vida real; serei incapaz de afirmar se a brincadeira inspira a vida real ou a vida real inspira a brincadeira!
          A palavra “secreto” significa: 1.Que não se pode, ou só a custo se pode descobrir, encontrar ou localizar; escondido, ignorado, oculto; 5.Ant. Segredo. (Dic. Aurélio). Revelar segredos pode em tempo de “amigo secreto”. Há outra "brincadeira", porém, em que ninguém pode revelar segredos, é a vida real. O que mostramos que sabemos do outro parece nos fazer maior, mas é engano. Você domina seu adversário por ameaçá-lo a contar os seus segredos quando na verdade já os revelou aos “melhores amigos” e, estes por sua vez, aos seus melhores amigos também, que não somos nós, mas outros que terão outros nas mãos.
          Hoje, as linhas da guerra fria, num ambiente de trabalho, estão sendo traçadas no terreno da noticialização maldosa. Quase ninguém guarda confidências, mas as usa sempre que elas falem a seu favor. Há no mundo, ao nosso redor, um movimento no sentido da fabricação de fofoqueiros. Então, quando um mexeriqueiro diz ao outro que eu fiz isso ou aquilo, sou isso ou aquilo, penso que o mexeriqueiro está ainda tentando me rebaixar, então, fica confirmado que estou um pouco à sua frente ou é como escreveu William Shakespeare: "Quem me rouba a honra priva-me daquilo que não o enriquece e faz-me verdadeiramente pobre". Porém digo, ainda que haja uma contradição, uma confusão ou um inferno nessa situação, o fofoqueiro tem uma visão obtusa e só vê quem está à sua frente, e não deseja superar ninguém, se não perderia o objeto de observação, e ele não teria mais nada para falar da vida, pois desconhece a beleza dos verdadeiros segredos da vida. Dissemina picuinhas apenas, pois sua “burrice” (enviseirado) o impede de reter conhecimentos maiores.
          O Dr. Taylor parafraseando II Cr 10:12 diz: “Oh, não se aflija, eu não ousaria dizer que sou tão maravilhoso como esses outros homens que dizem quão bons são eles! O seu problema é que eles se estão comparando uns com os outros, e medindo-se a si mesmos por suas próprias ideias insignificantes. Que estupidez!”
          Os pobres de ideias e desafortunados de espírito têm sido arruinados cada vez mais por haver perdido de vista os verdadeiros pontos de crescimento. Eles se têm medido entre si, e se comparado consigo mesmos. Sua ansiosa busca de honra e recompensa tem resultado em diminuída espiritualidade. As pessoas devem ter assuntos melhores para conversarem entre si, engrandecedores, sem saborearem as “fezes” do colega. 
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 31/05/2009
Código do texto: T1624293

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um Conselho a Mais (Na multidão dos conselhos há sabedoria.)

CRÔNICA

Um Conselho a Mais (Na multidão dos conselhos há sabedoria.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade



          Prudêncio era um gestor escolar que encorajava  os seus liderados ao estudo dos mais requintados compêndios e tratados da educação. Dava gosto, para professores e servidores gerais, participar daquelas reuniões pedagógicas. Ele trazia as ideias dos escritores dos mais recentes livros publicados que acabara de ler. A comunidade se punha a investigar as suas sugestões diariamente. Prudêncio louvava seu dedicado corpo docente porque colocava à prova as novas ideias no campo pedagógico.
          Se um professor necessitava estudar um livro de relações humanas a fim de harmonizar seu relacionamento com o colega que divergiu ou desafinou com a comunidade, o Prudêncio sempre tinha uma excelente indicação literária, ao invés de ameaçar a mudá-lo de unidade escolar ou a diminuir a carga horária dele.
          Coisa que eu não estou mais vendo em nosso meio, são aqueles cursos de capacitação para reciclagem de conhecimento dos professores. Eventos  estes que as "paradas pedagógicas" não substituem.
          Como nunca dantes, necessitam os professores da escola pública voltar-se para os livros e estudá-los com cuidado e reflexão! O gestor escolar que não dá ênfase nesse aspecto merece liderar um povo pobre. Já li num livro sério no qual o autor me dizia: é muito infeliz o líder de um povo pobre.
         Precisamos estudar o que há de novo para nossa profissão, fazer cursos e comprar menos diplomas, ter mais reuniões pedagógicas para a leitura de temas que nos diz respeito. Pedir a Deus que guie nossa mente para os canais da verdade que Ele gostaria que explorássemos. E também precisamos ler, ou seja, fazer leituras dirigidas de bons textos, não me refiro àqueles tirados na internet de autor desconhecido, mas àqueles que nos diz de quem é a experiência, de quem é o conhecimento. Se não será um blá-blá-blá a mais. Perda de tempo! Chega de irresponsabilidade social e "pirataria".
          Que se reúna o corpo docente em grupos na hora do recreio, na sala dos professores ou onde quer que seja apropriado, para discutirmos os temas de relevância, experimentados nas aulas já ministradas naquele dia, ao invés de gastarmos esse tempo, que deveria ser maior, ouvindo informes urgentes por falta de planejamento da equipe gestora, ou discussão sobre batom e esmalte, ou vestimentas.
          Que abençoada experiência seria a nossa se os sábios aconselhassem-nos mais! E em vez de nos reunirmos para tagarelice e conversação ociosa e tola, o tempo deveria ser proveitosamente utilizado. Por que não começar o estudo de um livro escolhido pelo grupo, para socialização, já esta semana? Já que a culpa de todos os problemas da educação é do professor, então que ele se capacite para resolvê-los. A renovação educacional segue-se ao conhecimento, como já disseram os sábios: só o conhecimento dá poder. E o sábio Salomão nos reforça, dizendo: na multidão dos conselhos há sabedoria.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 30/05/2009

Código do texto: T1623437


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QUANDO FRACO, FORTE (Se lhe tomarem a camisa, dê também a eles o casaco)



CRÕNICA


QUANDO FRACO, FORTE (Se lhe tomarem a camisa, dê também a eles o casaco)

Por Claudeci Ferreira de Andrade


          Os seus vinte anos de sala de aula não lhe impediram que aprendesse mais uma lição. Numa semana de avaliação, sofreu duas abordagens significativas e outros gracejos corriqueiros sem muita importância. Foi quando o professor Claudeko elaborou uma prova de alto nível, estilo aquelas de vestibular contendo duas páginas, objetiva, e solicitou aos alunos que pagassem a xérox, mas cobrou vinte e cinco centavos de real, enquanto ele pagou por cada página dez centavos, então lhe sobraria cinco centavos de cada prova para cobrir a Xérox de um ou outro que não pudesse  pagar, contudo, formulou uma ameaça: quem não pagasse os vinte e cinco centavos, copiaria a prova à mão. Na verdade a ameaça era mais um blefe do professor, ninguém teria tempo para copiar uma prova daquele tamanho e depois respondê-la em duas aulas: só pressão, para não ter que pagar para trabalhar. Quando menos esperava, uma aluna “educada” lhe procurou em particular:

          — Professor se os alunos, que não pagarem a prova, vão copiar, que acho injusto, só vou pagar os vinte centavos.
          — Não, ninguém vai copiar, disse aquilo só por medo de que a maioria não pague e teria que arcar sozinho, o que não acho justo também, uma vez que a escola não tem equipamento – se justifica o professor com voz gentil.
          No segundo ano “D”, para uma experiência em busca de melhor aproveitamento, o sábio professor decide, com a Turma, que a prova fosse em dupla. E assim se fez.
          Janaína uma aluna do “C” quando ficou sabendo correu ao professor o abordou com aspereza:
          — Olha aqui, o senhor devolveu os vinte e cinco centavos para cada dupla dos alunos do “D”, sendo que cada dupla só utilizou uma prova?
          —Não, não devolvi, porque utilizaram a outra xérox para fazer rascunho, cada um recebeu sua cópia, apenas permiti que se unissem em duplas.
          — Ah, mas o senhor não nos permitiu que fizéssemos em dupla!
          Hoje me pus a pensar no que o professor Claudeko me perguntou após ter me contado sua experiência com aquelas provas:
          — Por que os alunos se importam tanto que me sobrem algumas moedas, mas não se preocupam que eu leve prejuízo? Seria isso o espírito de cidadania, tão pregado pela escola, que já se incorporou neles?
          Entretanto, só agora me senti apto para lhe responder; agora que passei pela mesma prática de vida. E lhe falo, se é que posso ainda lhe ser útil, citando a Bíblia!
          “Porém Eu digo: não resista à violência! Se lhe baterem numa face, apresente a outra também. Se você for levado ao tribunal, e lhe tomarem a camisa, dê também a eles o casaco. Se um soldado exigir que você carregue a mochila dele por um quilômetro, carregue dois. Dê àqueles que lhe pedem, e não fuja daqueles que lhe querem tomar emprestado” ( Mt 5:39-42 BV ). “Uma resposta branda aplaca a ira, palavra ferina atiça a cólera” (Pv 15:1 BJ).
          É um bom conselho para nós hoje, não é, Claudeko?
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 29/05/2009
Código do texto: T1621770

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A FORCA CIRCUNSTANCIAL (Uma coisa leva à outra até o fim)



Crônica

A FORCA CIRCUNSTANCIAL (Uma coisa leva à outra até o fim)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Claudeci Ferreira de Andrade

           Hoje é dia dos finados, dois de novembro, pus-me a pensar nos mortos; cheguei a meu metafórico estado de “morto”, mas, estou vivo, visitando aos túmulos novos. Os últimos! E, na circunstância, visitei mentalmente o meu próprio túmulo novo, devaneando.
          O Professor Ruquinho tinha trinta e nove anos. Numa terça-feira, às 17h, e isto não faz muito tempo, li seu epitáfio, comentei com alguém, por ali, que me explicou como tudo aconteceu: Ele pegou um fio elétrico, trabalhou com um alicate e elaborou uma forca e na sala da nova casa, na qual moraria em breve com sua enfeitiçadora namorada, enfocou-se. Ruquinho era viciado nela.
          Com trinta e nove anos, Ruquinho já estava com o seu futuro assegurado. Era jovial, inteligente, atleta, estudante de elevado nível de aproveitamento, e gostava de esportes, tinha causado inveja em muitos por sua capacidade de fazer e manter as amizades. No entanto, sua melhor amiga atribuiu como causa do seu declínio o novo namoro, com uma aluna de dezessete anos apenas. Daí é que ele partiu. Penso que a escola não mata ninguém, mas coage os seus a se matarem. Assim, se enterra mais um mártir da educação.
          Quando conheci minha então ex-esposa, ela com dezessete eu com trinta e nove anos. A família de Vânia procurou dissuadi-la de todos os modos. O que tem um professor a oferecer como garantia de futuro? Ela gostava da família, e não queria magoar a ninguém. Mesmo assim, decidiu casar-se comigo, ou como dizem os humoristas “enforcar-se”. e eu a incentivei a ser professora, também, semelhantemente ao Adão que comeu o fruto proibido, forçado por uma circunstância, sabendo das conseqüências, vali-me da “forca” também, assim, numa espécie de Romeu e Julieta; fomos por amor. No meu caso, o processo de “enforcamento” durou seis anos, tempo suficiente para falar que uma diferença de vinte e dois anos na idade causou uma distância, no tempo e no espaço, que o grito por socorro não atingiu o coração de ninguém, ou melhor, chegou muito atrasado. Penso que o problema maior era porque trabalhávamos na mesma escola. Na "Jerusalém que mata seus profetas".
          Agora sou uma prova incontestável de que existe vida após a morte, porque estou vivo, mas não no céu; só no inferno. À noite, parece-me um cemitério, logo pela manhã um purgatório e à tarde  um inferno. Não tenho como esquecer dos meus três turnos de trabalho.  Enforcamento denotativo e/ou conotativo depende do ponto de vista de quem sente na pele a desvalorização. A escolha entre a vida e a morte é posta diante de nós de modo tão real como o foi para Jailton Joaquim Graciliano, Paulo Henrique Lesbão, e tantos outros, e nós escolhemos a morte! Ou ela nos escolherá?
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 28/05/2009
Código do texto: T1619366

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