"Não é o significado da vida, mas o sentido dela." (May Iakulo)

"Que eu não aprenda o significado da vida, no ultimo minuto do segundo tempo." (Day Anne)

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MINHAS PÉROLAS

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

COMO SALVAR O SISTEMA EDUCACIONAL PÚBLICO (O que você não quer mesmo é ser sacrificado sozinho!)

Crônica

COMO SALVAR O SISTEMA EDUCACIONAL PÚBLICO (O que você não quer mesmo é ser sacrificado sozinho!)

Claudeci Ferreira de Andrade


          Em verdade, se tem afirmado que para a educação não tem remédio. A melhora do sistema educacional deve ser o desafio de toda a sociedade. Mas, essa batalha se torna difícil porque muitos alimentam o sutil desejo de que tudo continue assim como estar para garantir o emprego. Existem funções que poderiam ser extintas sem prejuízo algum ao sistema, mas contamos com um conflito interior no momento da decisão: Se contribuímos com uma ação transformadora, sacrificamos nosso cargo, então opinamos por dar continuidade, esperando o fracasso coletivo. Essa é uma dimensão muito mais sutil que tem demonstrado ser a queda de muitos. Porém, não lhe incomoda se for todo mundo junto para o buraco? Já sei, o que você não quer mesmo é ser sacrificado sozinho!

          Fazer como deveria ser feito fere o próprio egoísmo. Mas, nessa luta, devemos procurar por nós mesmos deixar de praticar atos egoístas ou mesmo parar de condescender com pensamentos egoístas. E quando não conseguirmos atingir o que sabemos que deveria, que a consciência não nos deixe em paz.

          Sua preocupação com o que os seus colegas pensam de você tem sido o sabor de sua vida profissional? Esta variação da luta contra o ego é tão sutil porque parece tão piedosa. Podemos até mesmo relatar nosso progresso nas reuniões pedagógicas e fazer disto o centro de infindável angústia particular. Mas isto apenas obscurecerá o fato de que o “eu” ainda é a motivação reinante em nossa vida.
          O único remédio para a educação é aceitar inteiramente o risco de perder o bom cargo e fazer o que deve ser feito na intenção de melhorar o todo, enquanto alguns tiverem olhando só para seu “umbigo” melhora só para ele. O dom das regalias não é uma recompensa por minhas realizações, mas uma efusão de meu próprio caráter. Tenho lutado por aquilo que eu anelo mais profundamente: a restauração do sistema educacional. Em minhas críticas há sempre muitas sugestões, talvez privadas somente ao analfabeto funcional.
          Tenho recebido como uma dádiva o que eu previamente ansiava obter, ser liberto do egoísmo. Deste modo, o egoísmo é destruído, ao enxergar a inabalável constatação, esta me diz que não mais preciso viver para mim mesmo, mas posso viver para aqueles que precisam de um lugar ao sol. Enquanto eu estiver zelando por meu cargo inútil, não faço o que tem de ser feito em prol da educação, então, assim, não prenuncio a melhora.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 06/06/2009
Código do texto: T1634556

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

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07/06/2009 12:15 - Maria José
Estou encantada com sua capacidade de escrita, quero ler todos os seus textos, me manda, tá.

sábado, 10 de janeiro de 2009

MAIS VANTAGENS AINDA (Suborno admirável)



Crônica

MAIS VANTAGENS AINDA (Suborno admirável)

Claudeci Ferreira de Andrade


           Certo homem tinha um filho na escola pública, e vindo pegar seu boletim, descobriu de novo que seu amado filho estava reprovado. Pelo que disse à diretora:

          —Há três anos venho tentando fazer desse menino gente, mas ele não quer; pode cortá-lo da escola. Para que está ele ainda ocupando inutilmente a escola?

          — Esse, é uma criança saudável e não é violento, deixe-o, não está causando dano algum! – Disse a gestora hipocritamente.

          Mas, de acordo com a Secretaria da Educação, esta criança está causando dano sim, por está ocupando a vaga de outro que precisa ascender no sistema educacional. E custa cem dólares por dia ao Estado. Ele representa mal a sua família e não somente é improdutivo, mas constitui um estorvo para os que querem ascender na carreira estudantil.
           No ponto culminante desse relato, quando a situação parece estar muito tensa e desejamos saber se um aluno deve ou não ser expulso da escola quando reprovado na mesma série por mais de duas vezes; há o argumento apresentado por essa gestora escolar. Ela até admite que a declaração do pai é correta, porém, replica:
          — Deixe-o ainda este ano. Vamos conceder-lhe uma recuperação especial. Vamos inscrevê-lo no programa bolsa escola, dar-lhe os livros, esse ano não vai faltar o lanche das crianças e se tiver boa frequência, a família será beneficiada com o salário escola.
          Agora, o pai e a diretora estão juntos aí, em unidade de propósito, então perguntemos: “Tiramos o menino da escola?” E eles dizem:
          — Não; não o tiremos. Deixá-lo-emos este ano. Procuraremos fazer outra coisa. Dar-lhe-emos mais vantagens.
          Ouça, amigo leitor: você acha que está passado o limite, e um aluno, que vai à escola só para fazer número, merece ser cortado; sim ou não? Eis aqui a evidência da opinião contraditória do sistema educacional a respeito do caso nesse tempo de misericórdia e graça, dizendo: “Deixe-o. A essa criança do fundamental, a esse jovem do Ensino Médio, àquela pessoa idosa da EJA, que ficou fora da graça muitos anos, concede-lhes mais um ano. E mais um depois disso, e então mais um ainda.”
          O mercado de trabalho corta mais depressa do que o sistema educacional. Quão admirável é o sistema educacional que servimos! Ele não nos trata como os empresários tratam seus funcionários e colegas de trabalho, mas continua oferecendo sua misericórdia e seus favorecimentos sem referência no mundo no qual pretende inserir seus "formados". RsRsRs.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 05/06/2009
Código do texto: T1633765

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10/06/2009 12:49 - dimitriguimaraes
DESISTIR DO SER HUMANO SERIA O FIM DE TODOS NÓS. TODO SACRIFICIO ENPENHADO DEVE SER LOUVADO.



07/06/2009 12:17 - Joana
Foi bom ler sobre os subornos da escola, mas como eliminar essa tal nota para tudo?

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A CONSCIÊNCIA DE SI (Aquele que não se encontra dentro de si mesmo decompõe-se.)


Crônica

A CONSCIÊNCIA DE SI (Aquele que não se encontra dentro de si mesmo decompõe-se.)

Por Claudeci ferreira de Andrade


            Ouço constantemente de meus alunos: — "Ela está se achando!" Dizem daquela pessoa oferecida, desinibida, autoconfiante e a “puxa saco” do professor etc! 
           Aquele que não se encontra dentro de si mesmo decompõe-se. Se você descobre que está com uma enfermidade e não procura um médico. Se, em vez disto, conclui que não necessita de um, deixa o tempo correr e não mais precisará de um médico. Muitas viúvas aflitas têm exclamado pesarosamente que o esposo não quis admitir que necessitava de auxílio médico — para a sua própria destruição. Compreendo que “se achar” é se valorizar, é se querer, é buscar o melhor para si.
           Nossa alienação de nós mesmos resulta no esvaziamento de boas opiniões próprias, este, por sua vez, nos causa incalculável sofrimento. Porém, os inimigos fracassados, entretanto, mentem convincentemente, a nossos ouvidos, têm nos levado a desconfiar do nosso maravilhoso potencial, fazendo afirmações ilusórias e completamente equivocadas sobre nosso caráter. Dizem que quando cometemos uma transgressão, a consciência é queimada parcialmente e que se repetirmos o erro por várias vezes, somos “burros”, talvez querem dizer: — ela não sinaliza mais. (está quase morta). O “si” do homem é sua consciência. Se a consciência abandonasse o homem, ele perderia toda a sua cultura, seria uma falsidade ambulante, teria um viver mentiroso. Em vez disso, quando a consciência age com suma integridade, nenhum opróbrio artificial é alcançado sobre esse fanal de comando do homem. Nenhuma disciplina arbitrária é extorquida. Considerando, podemos até mesmos descobrir uma definida cortesia para com aqual tratarmos a nós mesmo.
          Nosso caráter, adjetivador da  consciência, nunca muda, uma vez formado pode até mudar de cor, como os cabelos na velhice, mas tudo já previsto no DNA:  “Pode o leopardo mudar suas manchas”? Pelo contrário, descobrimos ter nascido com tais e tais inclinações quando falamos (“a boca fala do que o coração está cheio”), palavras que moldam nossas reações conscienciosas frente às circunstâncias advindas. Mas, com ternura infinita e cuidadosa linguagem, fala-nos a consciência. Fala-nos se erramos, se houve maus relacionamentos, ela fala para se impor como alicerce da vida cultural do homem. É minha consciência que sabe quem sou eu verdadeiramente. Portanto, ela me diz a verdade acerca de minha real condição. O juízo Divino acontece no tribunal da consciência de cada indivíduo e na consciência universal a todo instante, se assim não fora, não teríamos consequências justas para cada ato e procedimento de nosso ser. Nossa separação dela nos prejudica com a ausência de Deus. Ela não nos pune infligindo ferimento, somos prejudicados sim naturalmente com as consequências de nossa separação de nós mesmos, ou seja, daquela que é a mais amável, cuidadora veraz, leal, estimulante do eu, renovadora, encorajadora e fonte de energia em nossa vida: consciência. Isto faz apenas bom sentido concordar que ela é absolutamente correta em confessar nossa condição. Voltando ao relacionamento correto com ela, e a partir daí, começamos a experimentar a cura completa para a infelicidade de que tanto fugimos.
          Gostaria de apelar para quem ainda há que tenha consciência que ornamente meu túmulo com o seguinte epitáfio: "Encontre-me, se puder, fora de mim mesmo, nos meus textos, para seu consolo."
        Hoje, ainda, estou me achando! A morte para mim será a perda de mim para mim mesmo, por isso escrevo sobre minhas experiências terráqueas, descrevendo-me objetivo e subjetivamente, para que sempre me tenham com vocês. E assim, por tabela, eu viva eternamente em corpos emprestados, permeando, com energias conscienciais, à sua consciência.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 03/06/2009
Código do texto: T1629423

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