"Todas as coisas complexas estão condenadas à decadência." (Buda)

"Evoluir não é melhorar. A lagarta jura que a borboleta é a sua decadência." (Fabrício Carpinejar)

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MINHAS PÉROLAS

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

IMPORTA VIVER



PENSAMENTO

IMPORTA VIVER

"Deus me deu o dom da fala para eu defender minha vida, mas sempre tenho que permanecer calado para sobreviver."
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 27/01/2010
Código do texto: T2054943


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13/02/2010 13:17 - Luena dos Reis
Namastê! E que Deus Perfeito é esse que me dá a fala para depois me "obrigar" a escolher entre ficar calada ou ter de morrer para ser livre? Acredito na Liberdade do Espirito e no meu Eu Divino como parcela microscópia do Universo em todas as suas dimensões. Não acredito no Deus dos homens cristãos e afins. Acredito na Divindade do Homem mas não acredito em deuses perfeitos apenas em deuses. Obrigada pelo seu recanto me dar espaço para este alívio. Bem haja

30/01/2010 14:15 - Graci
Pois não é que eu também faço isso!...rsrsrs

28/01/2010 00:03 - Míriam Diniz
Alô, Claudeko... Como tens passado, nobre professor? Saudade... Já se começa tudo outra vez e o salário óóóóóóó...(risos) Pois é, o silencio as vezes responde bem. Mas... Grande abraço, garoto. Pouco temos nos visitado. Vamos corrigir? Beijos...

27/01/2010 22:06 - yepsy
É sempre assim... Enfim viver ainda é o melhor remédio. Abraço

27/01/2010 21:58 - Peixinha
As vezes é melhor se manter em silêncio pois assim ficamos protegidos... Abraço e uma boa noite !


domingo, 24 de janeiro de 2010

O QUE SE PROCURA NO SISTEMA...(Abuso de Poder ou Inteligência múltipla?)




Crônica

O QUE SE PROCURA NO SISTEMA...(Abuso de Poder ou Inteligência múltipla?)

Claudeci Ferreira de Andrade


         Eu gostaria de acreditar perfeitamente, a partir de minhas experiências dentro do sistema educacional, num destes pensadores, e se possível, nos dois: Salomão disse: “Infeliz o líder de um povo pobre”; do outro lado disse Luís de Camões: “O fraco rei faz fraca a forte gente”. E me pergunto cruelmente que critério é comumente utilizado para remanejar o funcionalismo da educação! 
O povo atrapalha o líder ou o líder atrapalha o povo?
         Quando eu exercia uma função na dupla pedagógica (inspeção e orientação escolar) para a região de Senador Canedo, eu vivia confortavelmente, não queria largar o "osso"; mas, fui arbitrariamente (re)movido para a sala de aula, depois de quatro anos de trabalho e aprendizagem, com a alegação que não era pedagogo e o trabalho estava deixando a desejar. Até aí, estava conformado; para mim, Salomão estava com a razão (o povo atrapalha o líder). Mas, não custou muito, tomei conhecimento do currículo da colega que foi convocada para me substituir, e também, dos critérios de seleção, então, que, diga-se de passagem, é meramente politicagem (o líder atrapalha o povo)! Debati-me nisso, porém estou endoidecido na certeza de que Luís de Camões leu a radiografia pedagógica do presente sistema educacional brasileiro. Porém, agora já não pergunto mais se o povo atrapalha os líderes ou os líderes atrapalham o povo! Melhorei minha pergunta: Será que é o povo que atrapalha o povo ou os líderes atrapalham os líderes? Isso é, no caso de ter "muito cacique para pouco índio".
         Então, Justamente destituído de "aconchavação" política, também não fui convidado pelo município para exercer a tutoria do curso: “Progestão”, uma vez que fiz um bom trabalho no Programa de Capacitação a Distância e Continuada para os Grupos Gestores das Unidades Escolares Estaduais de Goiás, no município, primeira etapa; quero dizer: uma experiência sem saldo considerado, pois não me serviu por garantia de permanência.
         Ao contrário, recebi, assim meio de urgência, um convite para ser modulado este ano no Laboratório de Informática da Unidade em que já trabalho, mas temi as anuências políticas. Aturdido pelas muitas vozes de cemitério, fico, por enquanto, com o lugar comum do povo: “gato escaldado tem medo de água fria”.
                Quantas vezes, eu quis entender por que vários mestres e doutores academicamente credenciados e concursados são chefiados, no meio educacional, por pessoas apenas graduadas ou não.  Ruy Barbosa analisando esse fenômeno, no mundo político, disse: "Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência". Cito também, oportunamente, o desabafo bem direcionado de Giggio: “Quem sabe faz, quem não sabe vira chefe”. 

http://discussao.giggio.net/2007/11/burrice-e-uma-ciencia/ (acessado em 13/09/2015).
                Todavia, mesmo acontecendo tudo isso, o sistema tem uma desconcertante maneira de se tronar incompreensível, jogando a culpa em nós, os liderados. E paradoxalmente, assim, ele não deixa de se mostrar sempre preocupado conosco. Afinal, é através dele que ganhamos nossa sobrevivência.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 24/01/2010
Código do texto: T2047888


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sábado, 16 de janeiro de 2010

O LIVRO DIDÁTICO (A leitura expande a vida, o orgulho nos amarra.)














Folha de São Paulo, Ilustrada, 26.05.10









Crônica

O LIVRO DIDÁTICO (A leitura expande a vida, o orgulho nos amarra.)

sábado, 16 de janeiro de 2010
Claudeci Ferreira de Andrade

         Escolhi o livro didático, um dos personagens principais da escola, sem consciência pesada, para falar bem dele. "O livro didático exerce mais influência sobre os professores do que qualquer outro material desse campo semântico. Claro que há alguns professores que lecionam sem segurar um livro didático, mas esses profissionais são raros. É também questionável se esses profissionais ministram aulas melhores. Um livro didático moderno é o resultado de muita cooperação e experiência profissional de autores, editores, ilustradores, entre outros profissionais" - Maria Augusta Rocha Porto (UFS). Ele é fiel. Depois de portar um conteúdo submetido ao crivo de oficiais, não tem como mudar, vai para a mão dos alunos e professores, dizendo sempre as mesmas coisas. Se professores e alunos fugirem dos temas, afinal, não será porque o livro nos haja cortado de sua relação de amor, separando-nos de sua misericórdia; será porque nós nos afastamos dele, de suas páginas repletas de ilustrações bem relacionadas com os conteúdos. O livro é sempre afirmativo em suas informações. A certeza de um livro sempre presente e fiel pode nos separar de nós mesmos, levando-nos aos saberes extras!
         O livro é verídico, tudo é comprovado numa vasta bibliografia. Por isso mesmo, nos conformamos que reproduzindo seus saberes também somos verdadeiros. O livro é permanente e sempre útil, portanto nós também o guardamos para mais tarde, visto que não irá sair dali, estará sempre a nossa disposição. O livro é justo em dar a todos igualmente que recorrerem o mesmo tanto: o máximo de si.
         Não devemos crer nas mentiras de invejosos que não sabem fazer do livro didático uma boa ferramenta de trabalho em classe. Dizem que o livro engessa o professor, tornando-o preguiçoso; desmotiva o aluno. Eu me alegraria saber de onde tiraram as “Xeroxes” que levaram para a classe no dia daquela aula especial e inovadora! Não podemos suportar o famoso irresponsável: “o autor desconhecido" ou “o sem autor”. Se o livro pensasse, não só pensaria o pior a nosso respeito por causa de nossos erros de relacionamento, mas se entristecia quando nos degradássemos intelectualmente. Não podemos encontrar forças para sermos melhores se não irmos aos livros resolver todas as nossas dúvidas e falhas. Não vamos enganar a nós mesmo dizendo: Eu não uso o livro didático, eu sou o melhor, e pirateando!
         É o amor ao livro que nos dá poder, a hipocrisia nos destrói. A leitura expande a vida, o orgulho nos amarra. O meu apego ao livro didático é baseado na fé de que seus conteúdos são exatamente os que a escola quer que eu ensine. Afinal foram entregues à sociedade para esse fim!
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 16/01/2010
Código do texto: T2032821


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17/01/2010 19:26 - ALEXANDRE MOHOR
Um livro deveria ser a ligação da escola com a casa, o trabalho, o parque. Uma conexão.


17/01/2010 12:31 - Antonia Zilma
Fico feliz cada vez que encontro, quem externa gosto pelos livros didáticos.O livro ilumina a vida, ajuda a ver mais amplamente o mundo.Parabéns, pelo texto...Inteligentíssimo!Abraços.

sábado, 9 de janeiro de 2010

FORTE NA MULTIDÃO, DISSIMULADO NA SOLIDÃO



CRÔNICA

FORTE NA MULTIDÃO, DISSIMULADO NA SOLIDÃO

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Não existe professor bom para aluno ruim, descobri essa verdade muito tarde na vida. No final do quarto bimestre deste ano, obediente como sempre ao regimento escolar que dá aos alunos o direito de receber suas notas e trabalhos devidamente corrigidos, inclusive apontando o critério de correção, então sentei à mesa de professor e comecei a chamar de um a um para informar-lhes de sua média. Ali, eu apenas estava senão reforçando o que eles já sabiam, pois controlavam, o tempo todo, o que mais lhes interessavam naquele momento eram as bravatas e agradecimentos à moda de sua educação familiar.
          Naquele ritual macabro, eram crescentes as agressões verbais à figura impassível do professor e abundantes as comparações humilhantes entre eles ("bullying" total). Os que não fizeram nada para merecer a nota que precisavam, eram os agressores mais acirrados que motivavam os outros, até mesmo os que tinham o suficiente para ser promovido praguejavam-me por notas melhores.  A cena arremetia à situação de um animalzinho indefeso, acuado por muitos cães ferozes, dependurado em um galho seco de uma pequena árvore, a vítima prestes a cair nas garras das feras transtornadas, treme.
                Depois do “conselho de classe”, muitos daqueles desrespeitadores de nota insuficiente, também, em outras disciplinas e que para ter o direito de participar da recuperação especial, foram ajudados por voto de professor sensível demais ou medroso demais, alguém teria que ajudá-los. Mas, que ovelhas dóceis, pós conselho, quando me abordavam em particular ao pedir um trabalho extra para se livrarem da reprovação definitiva! O interessante é que vinham de um a um, disfarçando-se de estudante, como se houvesse uma amizade respeitosa e confidencial. (O fraco tem força na multidão, o dissimulado na solidão – Claudeko)!
                Como diz a Bíblia: “Quem ajuda o tolo terá que ajudá-lo novamente", eu acrescentaria: em meio as mesmas circunstâncias. É assim em todo o final dos anos, mas ainda não me acostumei com tantas ameaças, agressões, denúncias e acusações de pais e alunos reprovados. Que castiguem o conselho pelo menos, diluindo a minha culpa, e não guarde tudo para a entrega de boletins.
           Será se o Conselho de Classe só serviria para empurrar alunos incompetentes sem condições de avançar nos estudos com suas próprias "pernas"? Um professor, que dá aula em escolas estaduais há oito anos e não quis se identificar, confessou-me que sempre recebe as mesmas orientações.
— "Tem que dar nota para o aluno, tem que empurrar o aluno, porque se segurar, não vai adiantar nada. Alguns diretores disseram que a vida ensina" - disse-me desatinado.
           Então eu pergunto: um pai bem intencionado não poderia assistir a um conselho de classe colaborativamente? 
                Por que a escola mascara tanto a vontade exagerada de promover o aluno, e finge que o elevado número de aprovação é espontâneo? Fui obrigado a facilitar demais para derrubar o índice de reprovação naquela classe, para zero por cento, afinal minha disciplina é filosofia: “não reprova”.
                O animalzinho indefeso caiu na boca das feras, "quebraram meu galho". Entrei em férias mais cedo. Ironicamente confortante! ""Perigo e prazer dão no mesmo galho."
(Provérbio Escocês). A força do alunado é aprovada,derrubando o professor.Promissora didática dos que exploram vantagens!A fonte de felicidade de uns,a desgraça de outros.

Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 06/12/2009
Código do texto: T1963059

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QUEM LUCRA MAIS? (E as greves na educação são reincidentes)




Crônica

QUEM LUCRA MAIS? (E as greves na educação são reincidentes)

Claudeci Ferreira de Andrade

                Deixei de receber minhas diárias, no direito de cursista/tutor, no curso “Profuncionário”, realizado no IFG, último encontro/2009. Anexei algumas notas e preenchi todo o formulário, especialmente no espaço apropriado que dizia: “Assine por extenso”. A princípio, tive dificuldade para entender a orientação, pois minha assinatura da carteira de identidade é uma rubrica. Mas, desta vez, num novo formulário, resolvi escrever meu nome com letras cursivas, falsificando, dessa forma, minha própria assinatura! Ficou assim: Claudeci F. de Andrade. Fiz esta abreviatura do sobrenome “Ferreira”, considerando que o espaço era reduzido. A "responsável" da Secretaria de Educação recusou meu formulário, outra vez, legivelmente preenchido, e com um gesto ríspido, deu-me, pela terceira vez, mais um formulário em branco, recomendando que eu passasse a limpo. Por isso, maltratou-me com palavras diminuidoras, porque já tinha feito isso três vezes, por ter rubricado a primeira folha. Agora, envergonhado resolvi me retirar com meus “cuponzinhos fiscais” de baixo valor, só para credenciar mérito para receber as tais diárias. Assim, abri mão de um direito que não sei de onde veio e nem sei para onde foi!
                Por que tenho que lutar ferrenhamente por um direito que já me pertence? Pagar novamente para usufruir de um benefício já adquirido! Ainda hoje, somos conduzidos a legalizar posse de nossos direitos, atendendo a burocracia insana da educação pública, não como heróis conquistadores para recebê-los honradamente do sistema, mas como penitentes e pedintes. O sistema nos carrega de um sentimento de incompetente, desmerecedor demais. E não encontramos o caminho da prosperidade a não ser o da fuga mediante as imposições a nós mesmos conferidas. Quisera eu ir e vir sem nenhuma exigência dessa natureza. Ah, se tivesse alguém justo que viabilizasse meus direitos no sistema, uma vez que cumpro meus deveres para com o mesmo! Se não o faço por merecê-los que me diga com profissionalismo e competência, serei educado o suficiente para receber instruções. 
                 A requisição do usufruto de direitos sempre foi um sacrifício de sindicato. O caminho dessa categoria (Professorado) sempre foi penoso, especialmente quando seu sindicato se considera autossuficiente e de reputação considerável. Já cheguei a pensar que não deveriam existir sindicatos, bastando-nos apenas cumprir bem os nossos deveres, e nossos direitos advinham automaticamente. Mas, não, eu não compreendia o quão perigosa pode ser a confiança própria nessa questão. Só podemos desfrutar de nossos direitos quando os saqueamos com muitas brigas, só trabalhar honestamente não é o suficiente para ter qualidade de vida nessa educação. Assim, somos ensinados a fugir da independência pessoal; todos “mamam” um pouquinho. E as greves são reincidentes. 
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 09/01/2010
Código do texto: T2019649


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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

TODOS OS HOMENS SÃO IGUAIS? (Tartaruga de duas cabeças)




Crônica

TODOS OS HOMENS SÃO IGUAIS? (Tartaruga de duas cabeças)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Os úteis e os inúteis são das mesmas substâncias que vieram à existência! Quem faz do homem o que ele é, são as iniciais dosagens de orientação. "A sociedade não é mais do que o desenvolvimento da família se o homem sai da família corrupto, corrupto estará para a sociedade." (Henri Lacordaire). Então, quando a Bíblia diz que Deus cobra a maldade dos pais nos filhos até a quarta geração (êxodo 20:5) está senão afirmando uma grande verdade que a ciência tem dificuldade para entender. Então, a chama de injustiça! Mas, é que não se foge totalmente das raízes antes das três gerações. 
          O caráter de uma criança estará formatado até seus mais ou menos sete anos de idade. Disse Dwight Moody: “As lições que a criança aprende durante os primeiros sete anos de vida têm mais que ver com a formação do seu caráter que tudo que ela aprenda em anos posteriores”. A partir daí, todos os conhecimentos vão se acomodar nos trilhos estabelecidos e evidenciar os traços da herança genética. Eu me pergunto como os pais têm a coragem de colocar seus filhos na escola pública desde os 3 anos de idade!  E os psicopedagogos apontam que antecipar a entrada da criança na escola amplia suas chances de sucesso. Será? O que ensina a coletividade da escola que alguém queira em seu caráter? E isso acontece mesmo, ainda que os professores não tenham a credibilidade dos pais da clientela, que só aparecem na escola para brigar, xingar, condenar, discordar e reivindicar: Então favorecem as panelinhas de amigos selecionados de classe aceitável!
           O homem possui dois caracteres: um individual e o outro social. Alguém que tem o gênio da infidelidade e da desonestidade, este vendo algo de valor que caiu de uma pessoa descuidada, no entanto outros também viram, e o ladrão por natureza percebe que os outros viram, então ele corre atrás da pessoa e devolve, não por que tinha a vontade de fazê-lo, mas para fingir de bom, mentido à sociedade. Assim é o comportamento do caráter social e coletivo. De nada vale para o portador do mesmo, por que ninguém engana a si mesmo. Talvez, os olhares celestiais que nos julgam, a todo instante, ache isso digno de pena e amenize as consequências pela a felicidade de quem reouve o objeto perdido. Por isso os hipócritas acham guarida na igreja, e todos os que procuram parecer bom gostam de ser observados em sua atuação teatral. É falso também, quando o caráter formado de bons princípios se veste com uma capa de mau, também numa atuação cênica, para se mostrar forte e amedrontador, é claro, quando isso lhe for conveniente. Os hipócritas servem a sociedade e fazem felizes os de boa faixada. 
           Quando eu era pastor evangélico, eu me comprazia em pessoas que não comprometiam a ética do grupo, eu queria meus dados ativados em cada um deles, como um aplicativo, regulando seu comportamento ao meu, mesmo que eu soubesse que o coração das pessoas ninguém mudava.  Porém, é possível parecer ser o que os outros querem e comportar-se a lhes agradar e ser realmente infeliz, fingindo de satisfeito a vida toda. pouco me importava. Era assim que escondia também a minha identidade original, à frente.  Hoje eu sei e admito que sou o que sempre fui. Mudança nenhuma aconteceu em meu caráter, no formatado de minha vida. Toda a minha conversão não passou de uma farsa, ou melhor, uma sessão de estupro de meu caráter individual. ainda agora estou interpretando um papel, treinado pelo que aprendi no meio dos que querem ir para o céu, todavia não querem morrer. É perceptível meu medo de ofender meu leitor. O novo nascimento é impossível, há apenas o banhar de brilho. Todos nascem uma só vez e morre somente uma vez (Heb 9:27). Ninguém pode formatar seu consciente e inconsciente, apenas podendo criar camadas. Nos cursos, simplesmente adéquam-se novas aprendizagens aos traços já existentes.  Cada um reage diferente perante ao mesmo evento, porque interpreta os estímulos de forma particular, conforme o caráter já estabelecido. Como havemos de julgar qualquer comportamento sem caráter original, pois este é a medida de todo o ser. "(...) Soa maravilhosamente. Um admirável novo mundo. Não há nada disso realmente, há?
- Você não acredita nele?
- O senhor acredita?
- Há sempre um admirável novo mundo - disse Poirot - mas, sabe, só para algumas categorias especiais de pessoas. As felizes. Aquelas que trazem dentro de si mesmas a criação desse mundo."-
Noite das Bruxas - (Agatha Christie).
            O verdadeiro caráter é o que é, não muda e não há conversão. se houvesse significaria a perda da verdadeira identidade, as digitais do espírito. A essência é o princípio mestre do que se é realmente.  Batismo é mais uma brincadeira da igreja, como se fosse mudança de caráter. Jesus precisava mudar de caráter? Por isso se deixou batizar por João!? Por que eles sentem muito prazer em contar como eram extravagantes antes da "conversão"? Certamente o estado inicial e essencial está determinado a aflorar-se como uma manifestação de seu maior prazer. 
        Todos os homens são tartarugas de duas cabeças, quando uma quer procurar comidas a outra quer descansar. Uma essencial e outra social, aquela visa o interior e esta o exterior. A natureza essencial nunca se cala e a social mascara-se para manter as aparências, assim grita frequentemente para os outros. Até que ponto as aparências são válidas? Acabando a família acaba-se a igreja e a escola. A lamentar apenas, com as palavras de Jeremias: "Pode o etíope mudar a sua pele? Pode o leopardo alterar as suas pintas? Assim também podereis vós fazer o bem, estando tão habituados à prática do mal?" (Jr. 13:23). E com as do Sábio Salomão:"Mesmo que você espanque o perverso, como grãos num pilão, a sua insensatez não se separa dele!" (Pv 27:22). Desconheço a palavra: "REEDUCANDO". Uma vez educado o caráter, educado para sempre estará.

Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 05/01/2010
Código do texto: T2012128

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sábado, 2 de janeiro de 2010

Salário Gordo, Professor Magro (Demagogos prometem o 14º salário para o trabalhador da educação, mas qual professor não prever o sabor da sobrecarga de trabalho! )


Crônica

SALÁRIO GORDO, PROFESSOR MAGRO (Décimo quarto salário para Professor ?)

sábado, 2 de janeiro de 2010
Claudeci Ferreira de Andrade

          "O piso salarial do magistério foi reajustado em 13,01%  em janeiro de 2015, conforme determina o artigo 5º da Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008. O valor do piso para  2015 é de R$ 1.917,78."  http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&id=21042&Itemid=382 (acessado em 08/08/2015).

        Esta notícia me assustou muito, o que deveria ser mais um motivo de gratidão pode ser pesaroso, porque toda vez que dão um aumento salarial para a categoria, aumentam-nos o trabalho, os encargos de previdência e plano de saúde e os dias letivos (209). Se pedissem para fazermos, como hora extra, qualquer coisa significativa que de fato melhorasse a educação pública brasileira, vá lá! Mas, não me tragam mais portfólio para fazer, caderninho de planejamento, diário de classe enfeitado e mais relatórios de aluno, fichas cadastrais, atas das reuniões e das festividades, sábados considerados letivos, futilidades mil para embeber meu precioso tempo de estudo. Sei lá mais o que poderão inventar como se já não bastasse que: “A jornada de trabalho do professor não se restringe ao âmbito da sala de aula, ela extrapola o sistema escolar e se estende para o reduto doméstico; muitas vezes, invadindo o silêncio das madrugadas e também, ocupando o tempo dos finais de semana, reservado para o repouso.” O entre aspas não é nenhuma novidade, pelo contrário é a “via crucis” do professor, mas não são palavras de qualquer um, servem para dar credibilidade a esta crônica, são palavras de Ricardo Jorge Silveira Gomes. (Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Especialista em Metodologia do Ensino (UFPE) e Mestre em Formação de Educadores pela Universidade Independente de Lisboa).
        Então,  aumentam-nos o salário, aumentam-nos o estresse e aumentam nossa fama de que professor não lê, é lógico, em que circunstâncias arranjaremos tempo para ler? Na hora de dormir, para reduzir mais ainda nossas  5 horas choradas de sono por noite?  Outros mais demagogos prometem o 14º salário para o trabalhador da educação, mas qual professor não prever o  sabor da sobrecarga de trabalho! Deviam, sim, fazer uma mágica para aumentar nossa qualidade de vida.
        O labirinto é desconhecido. Desculpem-me se lhes faço parar para perguntar, no papel de colega, se conseguem ver alguma saída! E não me digam o que disse o outro que sabia a saída, deu-me as coordenadas, mas depois de seguir suas instruções, eu descubro que ainda estou perdido.
        Nesta educação, a multidão de conselheiro é grande e o caminho pela vida continua incerto.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 02/01/2010
Código do texto: T2006907


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