"Todas as coisas complexas estão condenadas à decadência." (Buda)

"Evoluir não é melhorar. A lagarta jura que a borboleta é a sua decadência." (Fabrício Carpinejar)

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 26 de maio de 2012

VERGONHA DE MÃE (Lágrimas poderosas, as de crocodilo)



Crônica

VERGONHA DE MÃE (Lágrimas poderosas, as de crocodilo)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Que tipo de escola muda o aluno indisciplinado de sua sala, para uma turma de bom comportamento, na tentativa de conter a baderna? Qual é o foco dela, senão contaminar as outras células (os supostos bons alunos)?!
          Naquela reunião, aquela mãe confessou passar por tamanha humilhação, tendo que ir à escola reivindicar o retorno de seu filho à sala original, considerando questões didáticas-pedagógicas superiores da família, não consideradas pelos pedagogos provocadores da mudança. Quais critérios, na relação custo benefício, valeram para os poucos professores concluírem que tal aluno não pode ficar nessa ou naquela sala? Que pedagogia "OVINI" é essa que os bons alunos da outra sala, a suposta anfitriã comportada, são ignorados para opinar? Alguns deles pediram para sair de lá quando ficaram sabendo do indivíduo que iria ser seu novo colega de sala!
          Pois é, aquela mãe e seu filho saíram da sala dos professores aos pulos, valeram as lágrimas de crocodilo. Eu não queria estar na pele do coordenador e dos professores donos da causa naquele momento faustoso para ela. E posso apenas imaginar com uma certa satisfação, também, por ter votado pela não discriminação do aluno. Minha máxima é: Para resolver problemas relacionais e de indisciplina, é inútil mudar o desordeiro de lugar, sem que o mude de caráter primeiramente.
          O que passou pela mente daquele aluno, de comportamento contrário às regras, quando recebeu a ordem para mudar de sala? Desconheço, mas não foram bons pensamentos, para dar no que deu! Quais foram os motivos reais da mudança no espaço? Será que não foi apenas um teste de poder? Agora sabemos quem pode mais na escola!
         O que ainda não compreendi, foi o fato de um aluno ser indisciplinado com um professor e com outro não, e isso tornar-se motivo de um manejo para uma sala de comportamento melhor, fazendo-o de "semente de iogurte", azedando a porção maior! Assim, também, tiram a voz da minoria dos professores dele que não concordam com a mudança. Porque se o for improdutivo com todos, a escola deve expulsá-lo de vez para o bem dele e dos outros. Aqui cabe o lugar-comum: "uma fruta podre estraga outras". E o pensamento de Henry Thoreau: "A massa nunca se eleva ao padrão do seu melhor membro; pelo contrário, degrada-se ao nível do pior."
          Nós professores andamos como quem pisa em ovos! Iludidos que estamos podendo, fingimos ditar regras, mas na verdade essas regras são sempre ajustadas por baixo, quem manda mesmo são os pais e alunos, e as demais autoridades os protegem. O empregado bem sucedido diz: "o cliente sempre tem razão". E eu digo: ita fiat!
Claudeko
Enviado por Claudeko em 04/02/2012
Reeditado em 26/05/2012
Código do texto: T3479564


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sábado, 19 de maio de 2012

AOS MEUS DISCÍPULOS (Se sou um deus ou uma besta, só o tempo revelará)



Crônica

AOS MEUS DISCÍPULOS (Se sou um deus ou uma besta, só o tempo revelará)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Quem quiser saber o caminho certo,  encontre-me numa esquina qualquer desta vida; se quiser seguir meus passos não me achará. O caminhar do homem criativo é solitário e não linear. Embora dissesse Aristóteles: "O homem solitário é uma besta ou um deus." Sou criativo, sim, não só por interferir no meio, mas, muito mais, por filtrar o meio para beber do naturalismo sadio!
          No ano passado, ficaram retidos, para repetir a série, alguns pouquíssimos alunos, e um, em especial,  chamou-me muito bem a atenção, este o motivo maior desta crônica. Lembrando da maioria de meus alunos declarados evangélicos, os quais certamente nem leem ou leem pouco os Evangelhos; são arrogantes, prepotentes, subestimadores e autossuficientes, querem nos convencer que são melhores seres humanos que nós todos juntos. Mas, conseguem senão evidenciar e exaltar a mesquinhez de sua existência e de seu testemunho viciado, diminuindo o Cristo de quem eles se dizem seguidores!
          Por isso, estou cobrando mais do aluno reprovado, o objeto de minhas observações de então, pois sempre se ofereceu como modelo ideal de "Filho de Deus". Os filhos louvam o Pai todos os dias com um cântico novo, porém não se esquecem nunca de cumprir suas obrigações!
          É tão fácil ser promovido nos estudos, ainda mais nos colégios públicos por causa das estatísticas midiáticas. E, alguns crentes ainda conseguem ser reprovados, isso é inadmissível. O tal aluno, um músico da igreja, trazia o seu violão à sala de aula todos os dias e, nos intervalos, exibia seus talentos, rodeado das menininhas evangélicas, cantavam dezenas de músicas gospel. No final do ano, herdou a reprovação, provando que só o louvor a Deus não é o suficiente para se ter uma carreira acadêmica promissora, também importam as preocupações da vida material. Ou os professores que o reprovaram são do Lúcifer?! Eu não duvido sobre alguns terem pacto, com ele, suportando os algozes da profissão, cada dia mais difícil. E talvez seja o caso aqui, porque os professores geralmente avaliam apenas os conhecimentos mundanos! Ou ainda o testemunho cristão e trabalho missionário do mancebo não foram suficientes na quela etapa dos seus estudos, pois seria o mais provável, e Deus, usando os professores, o obrigou a repetir aquela série, precisando de sua influência ali novamente? Digo obrigou, porque creio de todo coração, ele queria ir adiante, apenas exerceu demais a sua fé, esta desvinculada das obras não fanáticas, isto está na epístola de Tiago, o que ele não sabia ou ignorou! "Fé sem as obras é morta" (Tg 2:26). Os cantores abandonaram seu violonista, findaram-se as rodinhas da música santificadora e sobrou apenas o batidão do receio fanquista. Alguém o advertindo de cada coisa ter o seu lugar. "É diferente, diferente eu também sou, um  pouco d'água mata a sede, e um calmante passa a dor". Se sou um deus ou uma besta, só o tempo revelará, como o fez ao nosso protagonista.
Claudeko
Enviado por Claudeko em 21/01/2012
Reeditado em 19/05/2012
Código do texto: T3453981


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sábado, 12 de maio de 2012

MODULAÇÃO SERÔDIA (Distribuição das aulas voadoras por critérios estranhos)



Crônica

MODULAÇÃO SERÔDIA (Distribuição das aulas voadoras por critérios estranhos)

Por Claudeci Ferreira de Andrade
          No início de cada ano letivo, eu imagino que os colégios estaduais se transformam em um ringue ou picadeiro, como queira. Pelo menos em meu derredor, os professores estão brigando, garantindo sua carga de aula igual ou superior a do ano passado, 28 aulas (40) ou 42, para ganhar por 60. Ah, ganhar por sessenta, nem pensar, não é obrigação da Unidade Escolar conferir! Herdam alguns, sim, se sobrar aulas! Atores profissionais e concursados lutando a fim de manter o nível de vida, pois precisam saldar os compromissos. Eita, "vida besta"! Digo isso, porque o mesmo dinheiro que entra, sai rapidamente, pagando as contas, pois sempre é pouco!
          A cada ano, os critérios, seguidos nessa distribuição de aula, são diferentes, além do mais, eles se identificam com a política do grupo gestor, baseada no apadrinhamento, nas vinganças e no medo das denúncias dos corajosos à Secretaria da Educação ou ainda ao Ministério Público. Na ciranda das aulas voadoras, os ditos "veteranos de casa", também, se sujeitam a dar aulas de matérias estranhas à sua formação. É comum vermos pedagogos no Ensino Médio, lecionando Filosofia, Artes, Ensino Religioso, Espanhol, Sociologia etc. certamente não se pode esperar agilidade de um professor desses que têm 28 diários de classe para prestar conta. Chamam isso de Pré-Modulação! Começando em janeiro e vai o ano todo, colhendo os frutos podres das primeiras decisões.
          Por que eu deveria acreditar em um apagão na educação? Não por esse motivo! Pois, tem professor de mais, e, aula de menos. Por isso, alguns sempre ficam insatisfeitos, sem a carga horária desejada e fora do turno do qual precisam; outros, no desespero, sem aula alguma em sua Unidade de lotação, choram! Em qualquer outra empresa, os funcionários saem em férias certos de que retornarão para o mesmo posto. Cada um recebendo o mesmo salário e os planos em dia: tranquilidade. O recesso do professor é tenso, perturbado com a pergunta: o que será de minha vida quando eu voltar ao trabalho? Todo recesso é assim, os professores começam ligar, bem cedo, à secretária da Unidade Escolar, mendigando suas aulinhas! Este procedimento força a uma pré-modulação, ou seja, uma distribuição de aulas fora de época, que precisa certamente ser refeita pela imprecisão. Todavia, eu a chamo de desperdiço remunerado de esforços. Fruto forçado a amadurecer, apodrece cedo!
Claudeko
Enviado por Claudeko em 19/01/2012
Reeditado em 06/05/2012
Código do texto: T3450552


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sábado, 5 de maio de 2012

POMBOS DE RUA (Crianças aprendem o que querem aprender)



Crônica

POMBOS DE RUA (Crianças aprendem o que querem aprender)

          Por Claudeci Ferreira de Andrade


         Na ferragem trançada, sustentadora da cobertura do auditório, na Praça Criativa, em Senador Canedo, os pombos se empoleiram a fim de dormir, rotina de todos os dias. Aquela noite, seria mais uma de tolerância, sobreviventes das ruas dormirão mais tarde. Fazendo coisa útil? Sim! Assistindo a uma palestra educativa, intitulada: "Alunos Que Não Aprendem". Observei-os por uma semana nas diversas palestras do Encontro Municipal de Educação, percebi neles, àquela noite especialmente, estavam mais inquietos, se empurravam, batendo asas, consequentemente acordavam alguns cochilantes cá em baixo. Estes, meio envergonhados, se consertavam na cadeira, olhavam ao alto e disfarçavam muito bem. Os pombos, eu os relacionei aos meus alunos. Por que eles nunca aprendem? É lógico; de forma alguma querem aprender, querem só diversão. Lá de cima, escolhiam o intruso de baixo com a finalidade de adubar a cabeça. Mira invejável! Quatrocentos cursistas para duas ou três dezenas de atiradores cloacais. Era como um jogo lúdico de revesamento, ou melhor, de "roleta russa". Muitas figurinhas foram carimbadas. Os vilões empenados brincavam à noite na aula, e muito cedo, pela manhã, comiam as opulentas migalhas restantes do "Coffee Break" dos figurões.
           Pombos, símbolo da paz, representação do Espírito Santo, empreendedores de Missão Divina, inocência; agora, os de rua são espertos, aprendem sim! Seria muita maldade acusar essas benfazejas criaturas de distribuírem piolhos, porém vi professores ali, coçando a cabeça. Eu também cocei a minha, mas só expressando incerteza, quando o palestrante disse sobre as crianças que escrevem: "COMUOG", querendo dizer: "como hoje". Estarreci-me com a frouxidão nos critérios do ensino acadêmico nas mãos desses pedagogos Show. Justificou ele : - aprenderam sim, do ponto de vista fonológico! Então, conclui que todos aprendem, tanto pombos, quanto crianças e fica afirmado sobre nós: só aprendermos se quisermos aprender, ou seja, o extremamente necessário para viver melhor; lição pombal. O problema do Sistema Educacional é a imposição sem razão. E por cima ainda, nos venderam os livros receituários.
         
Claudeko
Enviado por Claudeko em 11/01/2012
Reeditado em 17/01/2012
Código do texto: T3435020

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