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MINHAS PÉROLAS

sábado, 15 de novembro de 2014

AULA SHOW (Quem é o professor show, seria o que ministra aula show?)



Crônica

AULA SHOW (Quem é o professor show, seria o que ministra aula show?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Quem é o professor show, seria o que ministra aula show? É o sonho de todo coordenador pedagógico ter na sua unidade escolar só professores show, do tipo que suas aulas sejam criativas e atraentes, como aquelas dos profissionais dos cursinhos de vestibular! Que pena, apesar dos professores quererem tanto estar na mídia, mas não é possível que todas as aulas sejam um show. A culpa é do próprio sistema engendrado pelos pedagogos administradores e técnicos que forçam para o trabalho deles também ser um show, amassando os que deles dependem para subjugá-los com metodologias estranhas ao verdadeiro papel da escola, pois a maleabilidade é um forte indicador de seu sucesso: "o bife que nos alimenta quanto mais apanha mais macio e gostoso fica"!
           Não é possível que todas as aulas de Língua Portuguesa seja uma peça teatral, a menos que eu não tenha compromisso com o currículo mínimo adotado e recomendado pela Secretaria de Educação. Pois, alguns momentos preciosos dos 50min da aula é tomado todos os dias com chamada de aluno no jeito tradicional. Toma-se outra parte do tempo para a facção e verificação das atividades em classe para aquisição de nota, tarefa para casa nem pensar, o aluno público já está no mercado de trabalho, e a única forma de promoção é facilitada. A distribuição do lanche vai além do recreio, distribuído na sala. E não tem um dia sequer sem as interrupções variadas de propagandistas de produtos  não compatíveis com o ambiente escolar. Somam-se ainda as visitas da administração da unidade em sala, com avisos e distribuição de bilhetes,  também demandando o tempo da aula e a atenção dos alunos. Os alunos da sala vizinha vêm pedir coisas emprestadas e é permitido, pois os livros e lápis são escassos, sem falar do Grêmio Estudantil. Essa movimentação diversificada talvez seja a aula show tão esperada que eu não estou vendo debaixo de meu nariz, chego a pensar isso, pelos favorecimentos e naturalidade com que acontece.
           O aluno, cliente do show, gosta porque não tem que fazer nada é só assistir, o mestre faz seu show(zinho) e se algum estudante quiser fazer alguma atividade que seja em casa. Vejam a participação da classe  nesta aula modelo: (https://www.youtube.com/watch?v=fgjmGPO6qww) (acessado em 15/11/2015). Será que é dessa "palhaçada" que o sistema educacional precisa para sair do caos?  Nesse caso, o professor é um compositor; logo então, o Estado terá que contratar só músicos, mágicos, dançarinos, palhaços e atores para dar aulas, pois sendo só professor não servirá. E assim os alunos serão tão cultos como são espirituais os que ouvem e cantam música gospel, o milagre das versões: adaptam apenas uma letra sacra na melodia de uma outra canção mundana e louvam seus ídolos, ou melhor, seus deuses! Lembrando que pelas minhas tentativas, alguns se atreveram a me apelidar de professor "Girafales". E no final será como canta o Rei Roberto Carlos: 
"O show já terminou
Vamos voltar à realidade
Não precisamos mais
Usar aquela maquiagem
Que escondeu do nós 
Uma verdade que insistimos em não ver".           
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 09/11/2014
Reeditado em 15/11/2014
Código do texto: T5028657
Classificação de conteúdo: seguro

sábado, 1 de novembro de 2014

SERÃO COMO DEUS (Uma forma de ser Deus é criar um Deus e obrigar que os outros o respeitem)



Crônica Filosófica

SERÃO COMO DEUS (Uma forma de ser Deus é criar um Deus e obrigar que os outros o respeitem)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

            O "penso logo existo" de Descarte, leva-me concluir que meu pensar me cria porque já criara meu Deus! O Deus das igrejas é aplacável assim, por que foi concebido pelo homem! Se não, por que gosta de adoração como homem? Por que precisa de meus préstimos que sou homem? Então, disse Ferreira Gullar: "Em face da imprevisibilidade da vida, inventamos Deus, que nos protege da bala perdida". Só Lhe criamos formas de adoração e palavras de louvor se sabemos conceituá-Lo, logo nomeamos e conceituamos coisas que conhecemos E DOMINAMOS, portanto o Deus que criamos para adorar nos representa devidamente. Nos espelhamos no ideal que queremos para saciar a nossa sede de divindade. Disse a serpente à mulher: "Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal". (Gênesis 3:4-5). Uma forma de ser Deus é criar um Deus humanizado e obrigar que os outros O respeitem e, por tabela, respeitem-me também por eu respeitar seu Deus de atributos comuns aos meus! Isso é notório quando, cumprimentam-se os irmãos de uma comunidade com a expressão: "paz do senhor, irmão"! Porém, só é digno, quem comunga da mesma fé! Manipulam-se a muitos pelo o seu Deus. Por que um mundano não mereceria tal saudação?
           Outra maneira de ser Deus é brincar da fazer leis. Todas as leis que o universo precisa já foram estabelecidas. Nascemos com elas na consciência. Mas, há quem tenciona manipular seu semelhante com normas morais, culturais e de usos e costumes para escravizar e tornar a vida penosa e dependente dos maiorais, ou melhor, essas emendas servem para fazer os grandes e poderosos mais ainda. Já dizia Sólon: "As leis são como as teias de aranha que apanham os pequenos insectos e são rasgadas pelos grandes." Esse pensamento é verdadeiro quando se trata de leis feitas por homens ambiciosos. Parece-me que foi o Pr. Caio Fábio que disse: "...Portanto, quanto mais Lei, mais transgressão, e mais culpa." Talvez seja por isso que todas as tardes, depois de lecionar em minhas classes, estou sempre com a consciência culpada, sentindo uma sensação de desconforto, um mal-estar mental. As regras humanas nos sobrecarregam, minando nossa disposição para cumprir as Divinas.
           Por que não? Como explicar a miséria do mundo com tanta igreja  e tantos "adoradores ideais", e dádivas, e sacrifícios dispendiosos como o fez a Igreja Universal, construindo o "Templo de Salomão"? Um monumento pomposo realmente digno de adoração, e a quaisquer coisas que ali se agreguem torna-se-ão abençoadas: adoradas e adoradoras! Feitos por mãos homanas altares para honrar os que ali se vinculam, contudo não é capaz de fazer cair os índices de violência nos seus arredores. Nessa casa, Deus é um luxo! Em outra casa, Jesus se disse Deus, sendo homem sem luxo algum; eu também sou Deus em minha esfera ou Demônio de mim mesmo, consoante aos meus ideais, os mesmos que posso transferir aos meus adorados ídolos, construídos por mim, depois de condensados em uma Divindade cristalizada, também posso lhe vendê-los, se eu quiser.
            Seu Deus, fanático, é exatamente o que você representa. Por que os meus piores alunos se dizem Evangélicos, sem consequência alguma? Então me arrisco dizer que há sim um verdadeiro Deus que talvez seja uma força geradora que existiu antes do nada, Aquela que estava em lugar nenhum antes do "Big-Bang", mas o fez acontecer. Porque é impossível está ausente dela, e ninguém A conhece e nem A conhecerá, por isso não sei absolutamente nada dEla, apena sei de mim, como uma célula sem mesmo a noção das dimensões fruitivas do corpo a que pertence. E, como eu, saudáveis células recebem seu alimento (físico, mental e espiritual) do meio sensível e sensorial por contatos conhecidos e desconhecidos. Assim, procede meu Deus. Oxalá meu comportamento condiga com Ele, pois a minha coincidência sempre foi providência! Portanto, minha religião é viver e seguir, por determinação, as evidências naturais, ou seja, seguir as leis naturais, ainda que não me dê o céu, dar-me-á o inferno, por um julgamento justo e autônomo, e o meu louvor nada Lhe serve, minhas orações são meras repetições do que Ele já sabe, apenas me confortam com ilusões de mim para mim mesmo. Sei também que os donos do Deus Igrejeiro criam leis e normas e põem seu Deus para vigiá-las e atribuir consequências para ameaçar a quem quer que transgredi-las. Cumpro leis essenciais. Por isso, digo como Napoleão Bonaparte: "A religião é aquilo que impede os pobres de matarem os ricos". A única e cabal felicidade que vejo, só não sei se é suficiente, porque seus líderes quase sempre são ricos! Inegável mesmo é a comprovação cristã que os pobres matam os pobres, e os ricos matam os ricos! 
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 26/10/2014
Reeditado em 31/10/2014
Código do texto: T5012380
Classificação de conteúdo: seguro