"Torna-te aquilo que és." (Friedrich Nietzsche)

"Não existem más influências, existem pessoas sem personalidade própria." (Demi Lovato)

Pesquisar neste blog ou na Web

MINHAS PÉROLAS

sábado, 30 de junho de 2012

UM ERRO NÃO JUSTIFICA OUTRO (— "Você já foi preso"?)



Crônica

UM ERRO NÃO JUSTIFICA OUTRO (— "Você já foi preso"?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Sempre me disseram que os atalhos são perigosos, mas fiz pouco caso do precioso conselho, até que fui achado na economia do caminho e envergonhado. Saindo da escola, lá no Conjunto Valéria Perillo, Senador Canedo, depois do trabalho, no final do dia, porém ainda, não tinham acabado as minhas desgraças daquela quinta-feira. Desci a rampa do postinho de saúde, com a moto, dali do pé da cerca ensombreada onde estacionava sempre, e cruzei a pracinha da frente pela calçada, já demonstrando meu cansaço de sala de aula, para pegar a estrada de volta para casa. Precavi-me, olhei para todos os lados, não tinha ninguém em perigo, então me atrevi, até porque não tinha visto a viatura da policia militar vindo à minha frente. Que surpresa desagradável!!!  Abordaram-me aos gritos de comando e mão na arma, parei meio desatinado pela falta de experiência nessas situações; pediram-me meus documentos, estavam todos em ordem, como sempre os mantenho, anotaram em um bloco muitas coisas, inclusive meu endereço, e constrangeu-me deveras a pergunta: — "você já foi preso"? Mas, um fio de felicidade acendeu-me o coração, por poder contradizer-lhes com a resposta destemida, com a força da verdade: Ainda não, graças a Deus! Bem, mas, depois de eu prometer piamente que aquilo não iria mais acontecer, eles, vendo minha intranquilidade ingênua, liberaram-me, dizendo para eu esquecer aquilo tudo.
          Os que aplicam as leis devem ser iluminados por Deus para terem polidez, destreza, talento e jeito para, no final, darem ao punido a mesma sensação de justiça que Lúcifer terá no final de seu julgamento Divino, motivando-lhe a expressão: — Minha condenação é um ato de amor! E aqui foi o caso!
          Porém, como posso esquecer este terrível trauma moral? Embora merecido, diga-se de passagem! No outro dia, após o ocorrido, Sexta-feira de desforra, agora foi a vez dos alunos, quando pisei na entrada do portão, um, o Gabrielzinho, veio logo correndo em minha direção a peguntar, com aquele sorriso debochado: — "É bom ser pego pela polícia, fessor"?  Outros mais, e discretos, abordaram-me diferentemente, contudo sem conseguir esconder a caçoada implícita:— "Os policiais queriam dinheiro, professor"? — "O senhor está importante, né professor, dando autógrafo para a polícia"!
         Transgressões leves com penalidades máximas, isso fere mais do que cura. Aprendi essa lição, e meus alunos serão duplamente beneficiados.
Claudeko
Enviado por Claudeko em 04/03/2012
Reeditado em 26/06/2012
Código do texto: T3534178


Comentários



Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

sábado, 23 de junho de 2012

PEDAGOGIA POR TERRA (Uma inchação sem remédio!!!)



Crônica

PEDAGOGIA POR TERRA (Uma inchação sem remédio!!!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          No calor das reivindicações dos professores do estado de Goiás pelo plano de carreira, fui coagido a refletir no valor do profissional da educação, mais especificamente sobre o pedagogo. Então, perguntei-me qual a ferrugem que corrói esse título e trava essa função? Um formado em pedagogia do Movimento dos sem-terra, no programa deles,  respondeu-me: “Seria interessante que os cursos superiores dedicados à formação dos assentados não se limitassem à qualificação de educadores e sim fossem estendidos às diferentes áreas do conhecimento humano e necessidades dos assentamentos. Pensamos que são necessários cursos também na área de agricultura, de saúde, de economia, de direito...” (Aluno da Primeira Turma), (http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt08/t084.pdf).
          Agora a UFG, também, adotou a "Pedagogia da terra"! Ter um diploma de pedagogia da UFG era um privilégio sem medidas. Só os campeões de uma concorrência exacerbada gozava dele. Hoje, não, com o advento dos Cursos a distância, cota para negros, para alunos do colégio público e para analfabetos funcionais, ENEMs da vida e o descaso do governo desvirtuaram as licenciaturas de lá. Todos os sem-terra, sem-teto e sem-...(qualquer coisa) vão ter curso superior em pedagogia; aptos para concorrer nos concursos públicos da educação, então teremos uma avalanche de pedagogo na escola pública, logo nós vamos ter mais coordenadores que professores. É algo parecido com um desequilíbrio na cadeia alimentar, se matássemos todos as cobras super povoariam os ratos! Sem esquecermos da "pedagogia parcelada" da UEG e seus efeitos catastróficos para a autoestima de muitos. Tudo isso causará uma inchação sem remédio!!
          Ironizando ou não, um amigo professor, um excelente professor de geografia, diga se de passagem, com boa formação, ainda no estágio probatório pela educação estadual, disse-me: —"Claudeko, já pensei até em fazer um curso de pedreiro... De tanto que estou insastifeito com a profissão. No último sábado, o rapaz colocou 22 metros de cerâmica na minha casa e levou R$ 212,00...Enquanto que no colégio, num dia inteiro de serviço, não me rende 70% desse valor.Tem base?"
          Eu diria que não tem base, mas não me assusta, apenas me indigna, pois sempre tivemos alunos que ganham mais do que nós! Mas, preocupa-me a questão: Com que status podemos ser os professores deles!? Além dessa humilhação e do desrespeito social à função, acaçapam-nos ainda mais em um lugar de segregação e também derrubam nossa autoestima, apesar de portarmos um diploma de licenciatura da UFG.            
Claudeko
Enviado por Claudeko em 25/02/2012
Reeditado em 23/06/2012
Código do texto: T3518769


Comentários



Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

sábado, 16 de junho de 2012

SISTEMA SOFISTA ( Como conduzir por vias bloqueadas?)



Crônica

SISTEMA SOFISTA ( Como conduzir por vias bloqueadas?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          O sistema educacional público predispõe o aluno a sentir raiva do professor e tê-lo como adversário. Como? Desde a disposição das cardeiras em sala de aula superlotada e reverbero do quadro, por má iluminação, até critérios de avaliação mascarados de justiça, no caso, dar-se pontinho para tudo: subornos mil. O aluno esvaziado do conhecimento útil, funcional, não respeita o professor porque o toma por metonímia como parte do sistema.
          Então, onde tem prova tem fraude, e se tem fraude tem desconfiança, o aluno se fecha e sem abertura, qualquer método aplicado pelo mestre, embora ditado por quem está longe das salas de aula (pedagogos burocratas),  não acha guarida. Pois, como se dar a construção de conhecimento com um muro de proteção interpondo a via de transmissão? Ou a barreira seria física também, considerando a carência de professores bonitos? Pois, o sistema conserva a velharada até adoecer na ativa. Já que ganhamos tão mal, deveriam  nos aposentar mais cedo.
          Do que estamos impregnados, somos motivados a oferecer descaradamente! "A boca fala do que o coração está cheio", crendo sempre que o vazio do outro serve para isso. Do que o professor está impregnado? E o aluno? Quais os vazios deles? Então, o mensageiro força com um exemplo característico, pós-modernista: idiotices, talvez sendo engraçado para quebrar a resistência do aliciando e na esperança de construir algum conhecimento útil.
          Todos os dias, lá estão eles, as peças do sistema no qual não se ajustam, cometendo os mesmos erros de sempre. Se não for assim, a máquina para de funcionar; é melhor rodar pulando um dente aqui e outro acolá das catracas do que travar completamente. Tipo assim: enquanto o horário de aulas não fica pronto, quem sabe, talvez em março ficará, por deficiências tantas, todos se beneficiam e têm uma boa desculpa. O professor falta ao trabalho e não tem bônus que o segure. O aluno, por sua vez, não leva os livros para sala de aula, e a desculpa é a mesma. Dessa forma, a desordem prossegue sem o endereço do culpado: o Sistema Sofista.
Claudeko
Enviado por Claudeko em 18/02/2012
Reeditado em 16/06/2012
Código do texto: T3506269

Comentários


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

sábado, 9 de junho de 2012

AVALIAÇÃO DE GREVE (Professor grevista é aquele que não aprende)



Crônica

AVALIAÇÃO DE GREVE (Professor grevista é aquele que não aprende)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Os Professores não se respeitam, estão fragilizados por não se unirem, querem ensinar e por isso reclamam quando as crianças não aprendem. Porém eles mesmo não aprenderam a lição, fazem greve e voltam de mãos vazias. O ponto, dos dias em que não compareceram no trabalho, foi cortado e, por cima, terão que repôr, nas férias de julho, estas aulas não ministradas. A ira de pais e alunos é atiçada contra os mestres "abusados", visto que a sociedade é a mais prejudicada. Professor não é sociedade? Até a Polícia faz greve (Bahia, Rio etc) e não podia! As esposas faziam por eles, será essa mais uma conquista das mulheres? Epa! Agora me deu um nó no cérebro, a educação não está cheia de mulheres cultas? Greve de professor também não faz sentido, ninguém tem prejuízo, depois repõe. O imbecil sou eu perseguindo a coerência. Como diz o Oscar Wilde:  "A coerência é a virtude dos imbecis".
          O governo gosta, em época de greve na escola, diminui a folha de pagamento, economiza também nas contas de água, luz e material de limpeza, mas finge está demais preocupado com a quantidade de aulas que o aluno deve ter durante o ano letivo. Epa! Sofro outro nó no cérebro, se o ensino público não tem qualidade onde o governo está pecando? "Ainda segundo a Procuradoria-Geral do Estado, a reposição de aulas por parte dos professores que faltaram ao serviço na semana passada ocorrerá no mês de julho, e não mais aos sábados, conforme orientação expedida pelo Conselho Estadual da Educação e Ministério Público." (Professor em greve pode ter ponto cortado, diz PGE- DM Pág.12 de 12/02/2012). Epa! Outro nó! Nessa citação do Diário da Manhã, temos algum problema com a pontuação?! Se considerarmos o aposto entre virgulas como deveria ser, apenas uma nota explicativa, fica entendido que o CEE e MP aprovaram a reposição em julho. Eita, vida ambígua! Ou será que greve na educação tornou-se "vale-férias"? Socorra-me CLT!!! Fechamos com as palavras de José Saramago: "Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro."
Claudeko
Enviado por Claudeko em 12/02/2012
Reeditado em 06/06/2012
Código do texto: T3494454

Comentários
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

sábado, 2 de junho de 2012

O CARNAVAL DOS PROMOVIDOS (Quem me dera ser uma loba de verdade, ter coragem para isso, e roubar seu filé)



Crônica

O CARNAVAL DOS PROMOVIDOS (Quem me dera ser uma loba de verdade, ter coragem para isso, e roubar seu filé)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Não sei o que é mais ridículo nesse "carnaval": uma loba vestida de ovelha ou uma ovelha vestida de loba! Só sei que é mais difícil lidar com os intrujados por uma qualquer das fantasias do que se divertir com isso tudo. Eles brigam entre si, defendendo seus ídolos travestidos, e eu morro de medo por ser apenas a grama ou a carniça. Se não reconheço o meu chefe ou o chefe do meu chefe, o que realmente vai fazer a diferença, faz-lo na hora do lanche ou na reunião do instante do recreio. Lembrei-me de que os urubus vestidos de luto também se alimentam de carniça! Ah, mais nunca vi urubu travestido de ovelha ou de loba. Será que sou um dos intrujados! Se não me devoraram ainda é porque não fedo e nem cheiro, ou por ter, ao meu derredor, muitas ovelhas mansas vestidas de loba! Meu medo me protege. Mas, o mais ridículo ainda é se proteger de ovelhas essenciais.
          Fui cogitado a ser coordenador! Mas quem vai me uniformizar com uma capa de loba ou uma de ovelha, e me ensinar uivar como tal ou balir simplismente? Não quero ser a ovelha doente do final de rebanho que as lobas preferem e também não quero ser o antropofágico com indigestão por ser forçado circunstancialmente a comer capim. Que Deus me livre desses pecados, que minha natureza bem me defina, e eu não venha sofrer as consequências da falsidade ideológica num ambiente de educação no qual se ensina com exemplos.
          Se alguém tem que descarregar nos outros sua vingança, por as injustiças que se achou a sofrer, que o faça a si mesmo. Pois, esse alguém que sofreu tanto para desempenhar a sua sobrecarga imposta, aprendeu bem, com suas tarefas, como martirizar, do lado que mais dói, os outros, seus subalternos de então, aproveitando a inversão de papéis. Por aqui, na ciranda das pastas, a eficiência transborda! Cadê minha capa de loba? Não para martirizar alguém, mas para me proteger, o medo é meu amigo.
Claudeko
Enviado por Claudeko em 10/02/2012
Reeditado em 01/06/2012
Código do texto: T3491663

Comentários


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.