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MINHAS PÉROLAS

sábado, 19 de dezembro de 2015

CRITÉRIO DE APROVAÇÃO ESCOLAR ("Dominam-se mais facilmente os povos excitando as suas paixões do que cuidando dos seus interesses." - Gustave Le Bon)



Crônica

CRITÉRIO DE APROVAÇÃO ESCOLAR ("Dominam-se mais facilmente os povos excitando as suas paixões do que cuidando dos seus interesses." - Gustave Le Bon)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           O aluno que ameaça o professor, denuncia-o ao diretor, coloca todo mundo em confusão e esculacha o sistema, brigando por nota, sua reputação vale apenas a nota conseguida no grito. É como o marido traído postando as provas da traição nas redes sociais, trocando sua reputação cidadã pela a fama libertina! A nota devia ser o troféu merecido, resultado justo, de quem trabalhou e não, despojo de brigas! Quem não quer cumprir suas obrigações deposita-as em alguém, dobrando a carga dos outros. Então a pessoa sobrecarregada abre mão de um dos fardos e foge da guerra: perseguido pela sua invejada nota dez.
          Eu nunca vi aluno algum pedir ao professor para baixar sua nota, por se achar indigno da tamanha vantagem, porém já vi muitos chamar o professor de injusto por que tentou ser correto ao atribuir-lhe suas miseráveis notas!
          Já vi também alunos injustamente favorecido com boa nota e se sentido perturbado intimamente, então brigam para o professor aumentar a nota dos demais de sua sala aliviando seu peso de consciência, mas jamais pede uma avaliação realmente justa, diminuindo a sua referência. Estranha solidariedade.
          Já vi aluno receber uma nota ajustada a seu mérito; mas por não ser tão boa, tendo comparado com as dos colegas de quem colou, brigou e brigou, falou com as autoridades e conseguiu aumentar sua "credibilidade"(nota), extrapolando em uma avaliação, todavia, com o professor refém, o aluno ganha, negociando os defeitos dele, visto isso, comprova mais uma vez: "fezes quanto mais se mexe mais fede". Ao aluno interessado somente em nota, dá-se-lhe dez, porquanto nota é a moeda do "inferno".
           No outro caso, a aluna não veio no dia marcado para fazer sua prova de Língua Portuguesa, por isso pediu-me outra oportunidade, como a justificativa era fraca: — "pelo menos foi sincera" — disse a coordenadora — "não acordou na hora". No início, eu neguei lhe dar a avaliação, porém orientei a aluna a ir procurar convencer a coordenadora, pois com o aval da superior, seria lhe outorgada a prova. Ninguém quer errar sozinho! No dia seguinte, ela estava autorizada, sendo assim, abri a oportunidade a todos os outros, os quais não fizeram aquela prova. A aluna ficou muito brava comigo por que foi ela sozinha a conquistadora do direito e me formulou uma cobrança.
            — "Professor, o senhor ontem não queria me dar a prova, e hoje o senhor fala para todos, que havia perdido, fazê-la agora. Isso é injustiça! Fui eu quem foi pedir autorização à coordenação. Não eles!"
           A nota adoece o aluno e as possibilidades da nota também, e o professor herda a maldição! No final de bimestre, o professor se isola, não fazendo mais nada, senão fechando nota sob aviso de se não digitar no diário eletrônico até o dia marcado ele se fecha, então o mestre ajeita um ponto para cá, dar outros lá, mesmo não tendo corrigido todas as provas, não pode reprovar aluno, nem dificultar a vida dele. No município, deixei uns quinze de recuperação, já a coordenadora me chamou a atenção, dizendo que não podia. Também não pode passar todo mundo, senão é taxado de frouxo, né! E a plataforma fica congestionada e sobrecarregada, professor fica louco, virando noites em claro com os olhos grudados no computador. Pois se não der conta, vai assinar uma advertência administrativa por ser ineficiente. A notas salvam e condenam!
          Depois de tudo, detesto anunciar as médias à classe, é responsabilidade da secretaria da escola, ninguém fica satisfeito com sua nota, o pior é a maioria jogar a culpa no professor pela tal nota baixa. Quando entrego as provas para o aluno corrigidas, acontece outro fenômeno degradante sempre aparece alguém, dizendo ter feito a prova e não a recebeu, logo o professor é acusado de ter perdido a prova do aluno. E ai do professor se propor para ele fazer outra prova! Termina sempre, doando nota de graça a ele. Outro truque é fazer a prova a lápis, então, quando recebem, remarcam a questão e dizem que o professor errou na correção, eles mereciam mais. Ok, eles venceram.

Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 16/12/2015
Reeditado em 19/12/2015
Código do texto: T5482325
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