"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

Pesquisar neste blog ou na Web

MINHAS PÉROLAS

domingo, 30 de abril de 2017

SEM SUPERAÇÃO ("Aposentadoria: um dia você chega lá. Ou por bem ou por mal." — Rutra Larama)

SEM SUPERAÇÃO ("Aposentadoria: um dia você chega lá. Ou por bem ou por mal." — Rutra Larama)

Eu já nas vésperas da aposentadoria, ainda não aprendi o suficiente sobre burocracia. Já tentei algumas vezes, mas sempre me é apresentado um empecilho (idade, tempo de serviço, documentos ...). Parece-me que estou à mercê do escrutinador bipolar.

O incoerente mesmo são as pessoas me perguntarem por que eu não me aposentei ainda; ora, mas estas não querem realmente me ver aposentado. Os embaraços são tantos que, às vezes, penso que é melhor morrer trabalhando, com os "carniceiros" cobrando qualidade de um solo que eles queimaram, do que a tarefa demasiadamente dispendiosa, de correr atrás de documentos, do que é óbvio, para o idoso que já deu o que tinha de dar. Pois:

"Ando devagar, porque já tive pressa

E levo esse sorriso, porque já chorei demais,

Cada um de nós compõe a sua história,

Cada ser em si carrega o dom de ser capaz,

de ser feliz." — (Almir Sater).

sexta-feira, 21 de abril de 2017

TODO HOMEM JÁ FOI MULHER ("Ser um homem feminino/Não fere o meu lado masculino/Se Deus é menina e menino/Sou Masculino e Feminino..."- Pepeu Gomes.)

   
     

Crônica

TODO HOMEM JÁ FOI MULHER ("Ser um homem feminino/Não fere o meu lado masculino/Se Deus é menina e menino/Sou Masculino e Feminino..."- Pepeu Gomes.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

            Quem tem o coração carregado de sofrimento e dor? Quem vive se metendo em brigas e confusões? Quem está sempre machucado? Quem está sempre com os olhos inchados? Não são só os bêbados, mas também os embriagados de paixão carnal, dançando na chuva se machucam! Cambaleantes no meio das trevas, em busca dos vaga-lumes de bunda colorida e lampejos demorados, também se machucam. Quando se bate em um bêbado desses, é deprimente e pior, quando se apanha de um deles! O mais confuso dos homens bate em homossexuais e apanha de mulher. Eu sempre quis ser um homem forte, e agora que me encontro encorajado, o amadurecimento vem me ensinando a ter mais e mais força espiritual. Nesse momento, descobri através de Friedrich Nietzsche que: "É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela." Por isso, digo como o apóstolo Paulo: "...quando estou fraco, então sou forte..." (2Cor 12:10 BV). Nessa situação, uma voz assexuada me disse: "Você não tem mais idade para brincar de esconde-esconde, mas eu vou lhe 'pegar'", como assim? Em tal caso, infelizmente tenho que me defender com as palavras de Augusto Branco: "Receio estar vivendo num tempo em que para amar uma alma feminina terei de namorar um homem e que para demonstrar masculinidade terei de agir como mulher... Pepeu Gomes que o diga: "Ser um homem feminino/Não fere o meu lado masculino/Se Deus é menina e menino/Sou Masculino e Feminino..."
             Bem ... Não basta que o mundo vá de cabeça para baixo, e termine no avesso: Se os homens estão liberando seu lado feminino, as mulheres hoje em dia bebem quase o mesmo que o homem! Não se pode ignorar que a luta evangélica está sendo em vão. Pelo menos, eu possa, no final, cantar o refrão com o Chico César de sua canção: Mulher Eu Sei — "Eu sei como pisar/No coração de uma mulher/Já fui mulher eu sei/Já fui mulher eu sei..." Na gestação todo mundo foi sua própria mãe.        
Kllawdessy Ferreira

Comentários

Enviado por Kllawdessy Ferreira em 20/10/2016
Reeditado em 21/04/2017
Código do texto: T5797454
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

A CRIANÇA INTERIOR TAMBÉM ENVELHECEU ("O que é um adulto? Uma criança de idade." — (Simone de Beauvoir)


         

Crônica

A CRIANÇA INTERIOR TAMBÉM ENVELHECEU ("O que é um adulto? Uma criança de idade." — (Simone de Beauvoir)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Hoje, Dia das Crianças, vou buscar a minha bem  profundo no interior do meu ser; é um dia de sensibilidade e encanto, podemos até mesmo receber alguma experiência de fé pela comunhão cósmica. Porém, não gosto dessas aparições; lutei muito para abandonar as características de criança, não gosto delas: Desistem facilmente; total Inteligência emocional, cem por cento emotivas; Choram diante das decepções, atitude negativa; Muito medo; Curiosas demais; Dependentes; Amorais; Egoístas; Ingratas... Agora me alimento de coisas sólidas liquefeitas. Quem dera fosse mais um Dia dos Idosos! Sobre minha pele grossa está traçado o mapa das vitórias alcançadas, porém eu teria muitas coisas novas para lhe dizer, porque ser criança é fácil para todos, ser jovem é fácil para muitos, mas, idoso é fácil somente para os escolhidos: É uma missão ajudada. Comemore a sua ilusão por carregar a interpretação do senso comum, repetindo, e repetindo que quem não se tornar como uma criança não entrará no reino dos céus (Mt 18:2-10). Eu parafraseio o versículo dizendo que quem não se tornar um idoso não pode entrar no reino dos céus; pois quem morre cedo pecou gravemente, não merecia a vida, quem não merece a vida não merece o céu. Afirmo veemente que viver muitos anos já considero o desfrutar das bençãos do céu.
           Quero aproveitar muito bem cada momento deste resto de vida com os amigos de infância. Embora alguns sejam fantasmas apenas, sei que neste dia o convívio com as lembranças deles será muito agradável e será ótimo fazer durar pouco este encontro relâmpago! Porque já não importa mais os festejos, pois a vida e os sabores já estão desbotados! Detesto também bar e feiras, são lugares tumultuados. E também não sou de briga. Até porque, eu já aprendi a lidar com as imperfeições e fraquezas dos outros. 
           O mundo anda muito violento! Afinal, sou sempre muito sensível ao que minhas companhias acham, pensam e falam. Com riscos de, sem querer, acabar fazendo o que não quero e também nem o que acredito, apenas para agradar outras pessoas. Tudo isso me custará caro, mas se a oportunidade não valer a pena comigo, que vão todos ao seu próprio interior e se se visite, pois é muito importante! "De vez em quando você tem que fazer uma pausa e visitar a si mesmo." (Audrey Giorgi).

_____________________

Kllawdessy Ferreira

Comentários

Enviado por Kllawdessy Ferreira em 30/10/2016
Reeditado em 14/04/2017
Código do texto: T5807548 
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

sábado, 8 de abril de 2017

Quando o Sol Retoma o Trono: BOLSONARO por Trás do Fim do Horário de Verão. ("Que adiantou o horário de verão? Verão o tamanho do aumento da conta da luz..."— DMarry)



Crônica


Quando o Sol Retoma o Trono: BOLSONARO por Trás do Fim do Horário de Verão.
("Que adiantou o horário de verão? Verão o tamanho do aumento da conta da luz..."— DMarry)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Nas primeiras horas desta segunda-feira — ao menos no calendário oficial — meu corpo insiste em dizer que ainda é domingo. Não se trata de preguiça: é descompasso. Uma fratura íntima entre o relógio e o sangue. A sensação é a de ter sido lançado, sem aviso, num território estrangeiro: reconheço as ruas, mas não pertenço a elas. Há um estranhamento profundo, quase existencial, que não se resolve com café forte nem com força de vontade. Resta esperar que a poeira baixe, esse burburinho dos avessos, enquanto vibra em mim uma alegria clandestina, quase culpada — a última alegria que não quer reconhecer seu lugar: ontem, acordei tarde. Um pequeno triunfo contra a engrenagem.

Hoje, porém, a realidade cobra seu preço. A luz do dia me encontra já no trabalho; à tarde, ainda há claridade suficiente para uma caminhada ao ar livre, mas quando percebo, são 19h. O tempo escorreu. Perdi-me nele. Sou então obrigado a invocar organização, bom senso, prioridades — essas palavras disciplinadoras que prometem ordem, mas raramente entregam sentido. Busco um uso qualitativo do tempo, dizem os manuais, enquanto carrego a sensação persistente de atraso, como se a vida estivesse sempre um passo à frente, marcando o ritmo com um relógio que não foi feito para corpos humanos.

E tudo isso para quê? Para a farsa da economia de energia. Sacrifica-se o corpo em nome de uma eficiência abstrata, enquanto a luz elétrica falta quase toda semana, interrompida por reparos intermináveis na rede pública. Repito, com exatidão desconcertante, o que disse Norma Aparecida Silveira Moraes: “Odeio horário de verão, as manhãs voam, a gente não consegue fazer nada. Tudo muda, muitas vezes, fico perdida até com o horário da alimentação. Não consigo mais almoçar como deveria, e nem jantar, como pouco e vou passando com frutas ou café com leite.” Eis o cotidiano politizado: o almoço desregulado, o jantar improvisado, a fome domesticada. O que os políticos parecem não saber — ou fingem não saber — é que estão indo na contramão até do velho “pão e circo”: retiram o pão, bagunçam o corpo e ainda exigem gratidão.

Alguém, por acaso, pensa na saúde e no bem-estar do cidadão contribuinte? As imagens são conhecidas: sonolência, irritabilidade, mau humor, sobretudo nas manhãs roubadas. Os hormônios obedecem ao ritmo do dia, ao brilho do sol, à escuridão da noite. Mas algo mudou de soberano. Não mais os astros nos regem, mas unicamente o relógio. O tempo calculado usurpa o lugar do tempo vivido. Como diria a filosofia, trocamos a temporalidade autêntica — enraizada na experiência — por uma contabilidade de minutos que ignora o existir.

O sonolento não raciocina bem. E talvez resida aí o truque mais perverso: corpos cansados produzem consciências dóceis. Lesados dorminhocos são mais fáceis de governar. Por isso, ironicamente, agradeço ao governo Bolsonaro por ter feito a manhã do mesmo tamanho da tarde. Ao abolir o horário de verão, devolveu-se ao sol seu trono. O astro-rei reassumiu o comando do dia inteiro. Não foi apenas uma decisão administrativa; foi um gesto simbólico. Entre o artifício do relógio e a autoridade da natureza, escolheu-se, ainda que por acaso, o lado certo da história. Organizou-se o caos — não para domesticá-lo, mas para que ele, finalmente, detonasse com precisão.


-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/


Como seu professor de Sociologia, o texto é um excelente ponto de partida para discutir como o tempo social e o tempo biológico entram em conflito na sociedade moderna. Ele usa a experiência pessoal do Horário de Verão para criticar a disciplina do trabalho, a eficiência abstrata e a relação entre corpos cansados e docilidade política. Preparei cinco questões discursivas simples para analisarmos a cronopolítica, a disciplina do tempo e a crítica ao tempo "calculado".


1. Descompasso e Estranhamento Existencial

O autor inicia o texto descrevendo um "descompasso" entre o relógio e o corpo, uma "fratura íntima" que gera um "estranhamento profundo, quase existencial" ao enfrentar a segunda-feira. Com base na Sociologia da Vida Cotidiana, analise o significado desse "estranhamento". De que forma a imposição do tempo social rígido e disciplinado (o relógio) entra em conflito com o tempo biológico e vivido (o sangue), gerando uma sensação de não pertencimento ao próprio cotidiano?

2. Tempo Qualitativo e a Disciplina da Produtividade

O narrador busca um "uso qualitativo do tempo", mas se sente em "atraso persistente" ao invocar "organização, bom senso, prioridades" — palavras que "prometem ordem, mas raramente entregam sentido". Discuta a Disciplina do Tempo e da Produtividade na sociedade contemporânea. De que maneira as exigências por "uso qualitativo" e "organização" se tornam ferramentas de disciplina que visam à eficiência abstrata (do capital) e não ao sentido da experiência humana, gerando no indivíduo uma sensação crônica de falha ou atraso?

3. O Horário de Verão como Política do Corpo

O texto critica o Horário de Verão por sacrificar o corpo em nome de uma "eficiência abstrata", citando a desregulação dos horários de alimentação e o "cotidiano politizado" . Analise o Horário de Verão sob a ótica da Cronopolítica (política do tempo). De que forma a decisão administrativa de alterar o relógio afeta diretamente os ritmos biológicos (hormônios, sono, alimentação), transformando o corpo do cidadão em um recurso a ser "sacrificado" em nome de um cálculo econômico de "economia de energia"?

4. Tempo Calculado versus Temporalidade Autêntica

O autor diferencia o "tempo calculado" — que nos rege — do "tempo vivido" ou "temporalidade autêntica" — enraizada na experiência e regida pela natureza (Sol). Explique, sociologicamente, essa troca. Como a sociedade moderna substituiu a "autoridade da natureza" (o ritmo biológico e solar) pela "autoridade do relógio" (o tempo abstrato e industrial)? Por que essa contabilidade de minutos, ao "ignorar o existir", torna o tempo uma ferramenta de controle social e não de autoconstrução?

5. Corpos Cansados e Consciências Dóceis

O texto sugere que "corpos cansados produzem consciências dóceis" e que "lesados dorminhocos são mais fáceis de governar", enxergando aí um "truque mais perverso" da manipulação política. Discuta a relação entre Exaustão Crônica e Docilidade Política. De que modo a desregulação intencional (ou negligente) do tempo e do bem-estar do cidadão (sonolência, mau humor) pode impactar sua capacidade de raciocínio crítico e de ação política, favorecendo a passividade e facilitando o exercício do poder governamental?

Comentários