"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

segunda-feira, 29 de maio de 2023

NÃO É BULLYING, É VELHO GAGÁ: "Sinto-me culpado por existir, mas existo e, portanto, penso." ("Não se chama uma pessoa gagá de gagá na frente da pessoa gagá. A pessoa gagá pode ficar magoada e até ficar meio gagá". — Tudo Bem no Natal que Vem (filme))

 


domingo, 28 de maio de 2023

A EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE CONCESSÕES ("Não existem concessões: o tempo é implacável. Tic-Tac." — Helena Rodrigues)

 


A EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE CONCESSÕES ("Não existem concessões: o tempo é implacável. Tic-Tac." — Helena Rodrigues)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Era mais uma manhã de segunda-feira quando entrei na sala dos professores, o aroma de café fresco misturando-se com o cheiro de giz e livros velhos. Observei meus colegas chegarem, cada um carregando não apenas suas pastas, mas também o peso invisível de suas responsabilidades. Como professor há mais de duas décadas, confesso que os últimos anos têm sido um desafio crescente.

Ajeitei minha gravata, um pequeno ato de resistência contra a casualidade que invade nossa profissão, e refleti sobre o caminho que me trouxe até aqui. Lembro-me de quando comecei, cheio de ideais e sonhos, acreditando que poderia mudar o mundo, uma aula de cada vez. E ainda acredito, na verdade, embora o mundo ao meu redor pareça estar mudando mais rápido do que minha capacidade de adaptação.

"Bom dia, professor!", ouvi Mariana, uma aluna brilhante do terceiro ano, me cumprimentar no corredor. Seu sorriso genuíno me lembrou porque escolhi esta profissão em primeiro lugar. Entrei na sala de aula, sentindo o peso dos olhares dos alunos, alguns atentos, outros dispersos, todos compõem parte de um sistema que, às vezes, parece trabalhar contra nós, educadores.

Iniciei a aula falando sobre responsabilidade, não apenas a dos alunos, mas a minha como professor e a nossa como sociedade. Enquanto falava, lembrei-me das inúmeras vezes em que me senti impotente diante de situações de indisciplina. O medo de represálias, a pressão por aprovações sem critério, tudo isso pesa sobre nós, professores, como uma nuvem escura em um dia que deveria ser ensolarado.

Usando o giz como metáfora, expliquei como cada traço no quadro é como uma decisão que tomamos na vida, algumas fáceis de apagar, outras permanentes. Desenhei uma linha tortuosa representando o caminho da educação, nem sempre reto, nem sempre fácil, mas um caminho que percorremos juntos.

Infelizmente, nos tempos atuais, a concessão de aprovações sem critérios tornou-se uma prática comum. O professor, temeroso de sofrer represálias administrativas, muitas vezes se abstém de aplicar medidas disciplinares necessárias. Sem a pedagogia da punição, os alunos podem perder o senso de responsabilidade e consequências.

Olhei para os rostos à minha frente e compartilhei minha crença no potencial de cada um deles. Naquele momento, senti uma conexão que há muito não experimentava, vendo em seus olhos um brilho de compreensão e talvez até gratidão.

Ao final da aula, as palavras de Mariana - "Obrigada por não desistir de nós" - ficaram comigo, ecoando em minha mente enquanto eu corrigia provas e preparava as aulas seguintes. Percebi que, apesar dos desafios, cada pequeno momento de conexão torna tudo isso válido.

Saí da escola naquele dia com um novo vigor. O caminho pode ser difícil, as batalhas podem ser silenciosas, mas a guerra pela educação é uma que vale a pena lutar. Como um simples professor, estou na linha de frente todos os dias, armado não apenas com diplomas, mas com paixão, conhecimento e a crença inabalável no potencial de cada aluno.

Enquanto caminhava para casa sob o céu alaranjado do pôr do sol, refleti sobre minha jornada como educador. Cada desafio superado, cada aluno que alcança seus objetivos, são motivos de orgulho e satisfação. A verdadeira essência da educação está em transformar vidas e deixar um legado duradouro.

Amanhã seria outro dia, outra chance de fazer a diferença. E eu estaria lá, pronto para enfrentar qualquer desafio, porque no fim das contas, não há arma mais poderosa do que um professor dedicado em uma sala de aula cheia de possibilidades. Sigo em frente, plantando sementes de conhecimento e esperança, na expectativa de um futuro melhor para todos nós.

Questões Discursivas:

1. O texto apresenta reflexões sobre os desafios e as recompensas da profissão docente na sociedade atual. A partir dessa perspectiva, quais são os principais obstáculos que os professores enfrentam no exercício de sua função e como esses desafios impactam o processo de ensino e aprendizagem?

2. O autor destaca a importância da responsabilidade individual e social na educação. Explique como o conceito de responsabilidade, aplicado tanto aos alunos quanto aos professores, pode contribuir para a construção de um ambiente escolar mais positivo e propício ao aprendizado.

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sábado, 27 de maio de 2023

ESCOLARIZADO PÓS-PANDÊMICO: Entre o Discurso Digital e a Tomada de 220v ("Cara, se essa parada de 'aprenda com os seus erros' funcionasse. Eu já tinha pós-doutorado em relacionamentos, faz tempo". — Soulstripper)

 


sexta-feira, 26 de maio de 2023

A Água, o Gado e o Domo: O DOCE ENGODO DA ÁGUA EM EXTINÇÃO ("Quem bebe água pela mão alheia acaba morrendo de sede." — Célio Devanat)

 


quinta-feira, 25 de maio de 2023

Aula de Medo, Aluno de Vidro: MÃE, PROFESSORA E A CONFUSÃO ACADÊMICA ("A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano". — Voltaire)

 


quarta-feira, 24 de maio de 2023

DESAFIANDO A ARROGÂNCIA: O vício da arrogância e o silêncio confortável ("Finja estar fraco e seu inimigo se tornará arrogante e negligente". — Sun Tzu)

 


DESAFIANDO A ARROGÂNCIA: O vício da arrogância e o silêncio confortável ("Finja estar fraco e seu inimigo se tornará arrogante e negligente". — Sun Tzu)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Sempre que alguém se julga completo, algo começa a faltar. A arrogância tem esse efeito paradoxal: infla o ego e esvazia o mundo. Age como uma lente defeituosa — amplia certezas, mas distorce a realidade. Quem se acredita suficiente já não escuta; quem se julga acima não aprende. Assim, o diálogo morre antes mesmo de nascer.

Na escola, esse vício costuma vestir um uniforme aparentemente inofensivo. Surge disfarçado de bordão, repetido com a tranquilidade de quem encontrou uma saída confortável para o próprio desconforto: “política e religião não se discutem”. Ouço isso com frequência — às vezes como escudo, outras como fuga. Nem sempre se trata de arrogância pura; muitas vezes é medo, despreparo ou o reflexo cansado de uma cultura que ensina a zombar do pensamento antes de enfrentá-lo. Ainda assim, o resultado é o mesmo: interrompe-se o debate, interditam-se as perguntas, preserva-se apenas a superfície.

Quando alguns estudantes recorrem a gracejos, apelidos ou risos estratégicos diante de temas complexos, não estão apenas me desgastando como professor. Estão, sobretudo, desistindo de si mesmos. Recusar o debate ético não é neutralidade; é abdicação. É aceitar que outros pensem, decidam e governem em seu lugar. O silêncio confortável sempre favorece quem grita mais alto — ou quem governa pior.

Falar de política e religião em sala de aula não é doutrinação; é responsabilidade. São esses temas que moldam leis, valores, conflitos e afetos. Evitá-los em nome de uma falsa paz é formar cidadãos incompletos, treinados para a obediência ou para o sarcasmo, mas não para a reflexão. Questionar o mundo é um gesto de cidadania; sustentar uma opinião com argumentos é exercício de maturidade.

Já vi estudantes se incomodarem com o fato de o professor pensar em voz alta, como se ensinar exigisse neutralidade absoluta e silêncio moral. Ignora-se, assim, que o papel docente não é o de um espelho vazio, mas o de um mediador crítico — alguém que provoca, contextualiza, tensiona e, sobretudo, ensina a discordar com método. O problema não é o confronto de ideias, mas o choque de egos.

Talvez o caminho esteja menos em vencer debates e mais em reaprender a escutar. Criar espaços seguros de fala, valorizar o erro como parte do processo, ensinar a argumentar antes de opinar — são práticas simples, mas eficazes, para romper o ciclo da arrogância travestida de desinteresse. Humildade não é submissão: é o reconhecimento de que ninguém pensa sozinho.

Sem ela, o saber apodrece. Como já se advertia há séculos, “o orgulho precede a destruição; a arrogância precede a queda”. Quando o respeito mútuo desaparece, a educação deixa de emancipar e passa a apenas administrar hostilidades. Ainda assim, sigo acreditando — talvez teimosamente — que a sala de aula pode ser o lugar onde o pensamento vence o riso fácil e o silêncio deixa de ser refúgio.


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Olá! Como seu professor de Sociologia, fico feliz em construir esse texto. Ele toca em um ponto nevrálgico da nossa disciplina: a Educação para a Cidadania. No Ensino Médio, nosso objetivo não é apenas decorar conceitos, mas entender como o diálogo e a política constroem a sociedade em que vivemos. Aqui estão 5 questões discursivas, simples e diretas, para pensarmos juntos:


1. O Perigo do Bordão "Política não se discute". O texto afirma que frases como "política e religião não se discutem" podem servir como um "escudo" para evitar o pensamento. Do ponto de vista sociológico, por que evitar esses temas na escola pode prejudicar a formação de um cidadão consciente?

2. Arrogância vs. Aprendizado. O autor diz que "quem se acredita suficiente já não escuta". Como o excesso de certezas e a recusa em ouvir opiniões diferentes impedem o processo de socialização, que é a nossa capacidade de aprender e conviver com o outro?

3. O Silêncio como Escolha Política. De acordo com o texto, o silêncio diante de injustiças ou temas sociais "sempre favorece quem grita mais alto". Por que a neutralidade absoluta ou o silêncio em temas importantes pode ser considerado, na verdade, um posicionamento que ajuda a manter as coisas como estão (o status quo)?

4. O Papel do Professor: Espelho ou Mediador? Muitas pessoas acham que o professor deve ser "neutro" e não ter opiniões. O texto defende que o professor deve ser um "mediador crítico". Explique a diferença entre "doutrinar" um aluno e "ensinar a discordar com método", como sugere o autor.

5. A Humildade como Ferramenta de Sabedoria. O texto termina citando que "ninguém pensa sozinho". Como a prática da humildade intelectual e do respeito mútuo pode transformar a sala de aula em um espaço de emancipação (liberdade), em vez de apenas um lugar de conflitos e "hostilidades"?

Dica do Professor:

Reparem que a política não acontece apenas no dia da eleição. Ela acontece agora, na nossa capacidade de argumentar sem ofender e de entender que o mundo é feito de escolhas coletivas. O saber é uma construção de muitas mãos!

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