"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

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MINHAS PÉROLAS

quarta-feira, 27 de julho de 2011

SEGREDO DO VIVER PLENO: viver com a morte à mesa, não no volante (Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. Oscar Wilde).





 Crônica Filosófica










SEGREDO DO VIVER PLENO: viver com a morte à mesa, não no volante (Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. Oscar Wilde).

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Há uma diferença decisiva entre viver consciente da morte e dirigir em alta velocidade rumo a ela. A primeira amadurece; a segunda apenas encurta. A vida ganha densidade quando reconhece sua finitude, não quando a reduz a um brinquedo perigoso. O risco que humaniza não é a temeridade narcísica, mas o risco ético e calculado: aquele que amplia o sujeito sem esmagar o outro no impacto; ou seja, risco que humaniza não é a ousadia excessiva do ego, mas a audácia consciente que expande o ser sem ferir o outro, pois só há maturidade quando a coragem se submete à ética dos vínculos.


Viver no limiar não é buscar o abismo, mas saber que ele existe. Heidegger não nos convocou a morrer, e sim a viver como seres-para-a-morte: sujeitos que, ao saberem que o tempo é curto, recusam a vida automática. A consciência da finitude não pede adrenalina, pede verdade. Não exige flertar com a destruição, mas abandonar a covardia moral de quem adia tudo como se fosse eterno.

Também é preciso rigor ontológico. A morte não é atributo de Deus, mas ausência de vida; não é plenitude eterna, é ruptura. Se algo pode aspirar à permanência, talvez seja o ciclo — como lembram tradições orientais — ou o retorno simbólico daquilo que deixamos nos outros. A morte não se absolutiza: ela delimita. É fronteira, não essência.

Por isso, “guardar a morte para a sobremesa” não significa prová-la antes do prato principal, mas honrá-la adiando-a com responsabilidade. Minha morte não é apenas minha: ela produz vazios, lutos, desamparos. Uma ética do limiar precisa ser também uma ética do vínculo. Não há autenticidade onde há abandono.

Viver como se fosse o último dia não autoriza “fazer tudo o que quero”, mas fazer o que importa: amar sem cálculo, corrigir erros, escolher o essencial. Kant já advertia que liberdade sem universalidade degenera em violência elegante.

Há ainda um recorte social incontornável. Flertar com o abismo é privilégio de quem não nasce à beira dele. Para muitos, o risco não é escolha existencial, mas opressão cotidiana. Romantizá-lo é crueldade estética.

O verdadeiro banquete não está no perigo, mas na lucidez. A morte, sentada à mesa, não pede espetáculo; pede urgência ética. Quem vive assim não corre atrás do fim — apenas não desperdiça o meio.



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Como seu professor de Sociologia, fiz com muito entusiasmo esse texto. Ele nos convida a pensar a Existência não como algo que simplesmente acontece, mas como um projeto de responsabilidade. Para a Sociologia, entender como o indivíduo lida com a própria finitude e com o "outro" é essencial para compreender a construção da ética e da liberdade. Aqui estão 5 questões discursivas, elaboradas de forma simples para o Ensino Médio, focadas em extrair a essência sociológica e filosófica desse pensamento:


1. Viver vs. Apenas Existir: O texto inicia com uma citação de Oscar Wilde: "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe". Com base no texto, qual a diferença entre uma "vida automática" e uma vida vivida com "consciência da finitude"?

2. O Risco Ético e o Vínculo Social: O autor afirma que a morte produz "vazios, lutos e desamparos" nos outros. Por que, segundo o texto, a nossa liberdade individual e a nossa busca por autenticidade não podem ignorar os vínculos que temos com as outras pessoas?

3. Liberdade e Responsabilidade (Kant): Ao citar Kant, o texto adverte que "liberdade sem universalidade degenera em violência elegante". Como essa ideia critica aquele comportamento de "fazer tudo o que eu quero" sem pensar nas consequências para a sociedade?

4. A Desigualdade do Risco: O texto traz um alerta social importante: "Flertar com o abismo é privilégio de quem não nasce à beira dele". Explique, com suas palavras, por que não podemos romantizar o risco de morte em uma sociedade onde muitas pessoas enfrentam o perigo diariamente por falta de condições básicas de vida.

5. A Morte como Limite, não como Guia: O autor propõe viver com a morte "à mesa, não no volante". O que essa metáfora sugere sobre a maneira como devemos planejar nossas ações e escolhas éticas no dia a dia?

Dica do Prof: Para responder à questão 4, pense em como a classe social ou o lugar onde uma pessoa mora mudam a percepção dela sobre o que é "arriscar-se". Para alguns, o risco é um esporte; para outros, é a luta pela sobrevivência.

Comentários

terça-feira, 26 de julho de 2011

Haja Paz (Poema Cordelino)

Texto

HAJA PAZ

HAJA PAZ
Claudeci Ferreira de Andrade

Paz que o mundo precisa!
Qual será a paz deste mundo tão vil?
A transgressão a desfaz como jamais se viu!
Professores fazendo sermões, ensinando a escutar
E atrás dos canhões também, ficam a se ocultar.
Paz que o mundo precisa!
A paz que o homem constrói, num tratado que assina,
Na data se destrói, a violência predomina!
Mas, a verdadeira paz em suma não mudou,
Ela existe nas lições que JESUS nos ensinou.
Paz que o mundo precisa!
Claudeko
Enviado por Claudeko em 02/05/2009
Alterado em 29/06/2009
Código do texto: T1571158

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Comentários
20/07/2011 15:19 - Gedeon Campos
Eis me aqui nesta passagem, nesta leitura que fiz nem pensei escrever nada, mas pra meter meu nariz, deixo mi'a pergunta fria desde quando a poesia, seu cronista (in)feliz.(KKKK,... HÁ-BRAÇOS!)
29/07/2010 22:33 - Neusa Storti Guerra Jacintho
A Paz de Jesus a você, Claudeko, que a merece porque é um filho de Deus!! Haja a Paz!! abç gde


24/01/2010 16:14 - Alcione Pereira
É verdade amigo poeta! A paz verdadeira só mesmo vindo de Deus! Jesus Cristo deixou bem claro no seu Sermão do Monte (Mateus dos capítulos 5 ao 7). O apóstolo Paulo disse que a paz vinda dos governos humanos seria falsa, basta ler em 1-Tessalonicences 5:3.


02/07/2009 21:32 - Angeluar
PAZ ...PALAVRA TAO PEQUENA E DIFICIL DE CONQUISTAR E NAO TEM PREÇO QUE PAGUE SEU VALOR...



quinta-feira, 7 de julho de 2011

A Marcha das Vadias e o Jogo das Aparências ("Não somos o que nos aconteceu, mas o que escolhemos nos tornar." - Carl Jung)



Crônica




A Marcha das Vadias e o Jogo das Aparências ("Não somos o que nos aconteceu, mas o que escolhemos nos tornar." - Carl Jung)


Por Claudeci Ferreira de Andrade

Assustei-me, confesso, quando ouvi falar pela primeira vez da "marcha das vadias" chegando ao Brasil. Como uma tempestade silenciosa, o próprio nome carregava uma promessa de confronto: um rastro de polêmicas que ecoaria por meses, talvez anos, nas discussões sobre gênero, sexualidade e poder. Em tempos onde a igualdade de gênero se tornou um lema, qualquer palavra, qualquer gesto que um homem faça em direção a uma feminista é julgado como machismo ou, no melhor dos casos, como uma cantada indesejada. E ai dele se ousar contrariar! O contraponto, muitas vezes, o destrói. Essa tensão, esse medo, me fez questionar: será que isso é justo? Ou, pior ainda, será que é humano?


Entretanto, como em qualquer movimento social, a linha entre o certo e o errado, entre o rebelde e o repressor, torna-se tênue. A revolução dos conceitos, que às vezes promete libertação, pode gerar um ciclo vicioso, um jogo de aparências que nos impede de enxergar além da superfície. Observo, por exemplo, o fascínio por aquelas que se intitulam "vadias", mulheres que parecem quebrar todas as regras e limites estabelecidos pela sociedade. Para alguns, são símbolos de liberdade; para outros, um mero reflexo de depravação disfarçada de empoderamento. Mas quem sou eu para julgar? Afinal, a escolha é delas, e a liberdade é o que buscamos. Ou não?


No fundo, o que realmente me choca é perceber que, muitas vezes, essa liberdade vem acompanhada de uma contradição dolorosa: a das que se escondem atrás de um falso moralismo, aquelas que, ao negarem a própria essência, acabam aprisionadas em uma casca de hipocrisia. Esses seres, embora com aparência recatada, são igualmente propensos à decepção e ao engano, mascarando uma depravação escondida sob o véu da moralidade socialmente aceitável.


Já as mulheres do meio, as que buscam o equilíbrio, parecem ser as mais desejadas. Elas não são nem totalmente rebeldes, nem completamente conformistas. Agradam a todos, com um charme natural que, embora não se imponha de forma arrojada, revela-se como a verdadeira força da feminilidade. Não se perdem em manifestações de rebeldia nem se deixam consumir pela mediocridade da apatia. Sabem como caminhar entre os extremos sem se perder no jogo de contradições que todos, invariavelmente, jogamos.


Os garanhões da vida, os sedutores incansáveis, não se atêm a uma única escolha. Buscam a variedade, como beija-flores que se alimentam de diversas flores, mas que nunca permanecem muito tempo em nenhuma delas. São, de certa forma, escravos de seus próprios desejos fugazes. Tolstoi, com sua sabedoria, disse certa vez: "O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só." Talvez seja esse o ciclo que os sedutores alimentam, sem perceber que a busca por afeto, em última análise, é sempre uma busca pela própria paz interior.


Quando penso nas mulheres que se tornam viciantes aos olhos dos homens, vejo-as como a personificação de um desejo que não pode ser facilmente saciado. Penso naquelas que também são viciadas, que buscam algo além do físico, algo que transcende a carne e toca a alma. Porque, no fim, a atração verdadeira nunca é apenas pela aparência ou pela facilidade das conquistas. A convivência, o toque constante do tempo, as trocas de olhares e palavras, são os elementos que fazem as mulheres — e os homens — se tornarem não apenas atraentes, mas fascinantes. E, se algo separa mulheres de "vadias", como bem disse Bia Bandeira, é justamente a atitude com que elas lidam com as suas escolhas e com as consequências delas.


Há uma grande verdade que os homens, em sua maioria, escondem: o medo das mulheres. Mas não de qualquer mulher. Temem aquelas que têm poder, que exalam confiança, que se recusam a se submeter aos padrões de uma sociedade que insiste em rotulá-las. Quanto mais bonita, imponente e decidida, mais essas mulheres assustam os homens inseguros. E eu me incluo nessa categoria: a insegurança é uma condição humana universal. E, mesmo que pareça estranho, nós, homens e mulheres, somos feitos da mesma essência. A diferença está no que fazemos do que a vida fez de nós.


Hoje, olhando para essa realidade que se impõe, vejo que o que importa não é quem estamos tentando ser ou o que os outros pensam de nós, mas sim como nos tornamos nós mesmos. Talvez a liberdade verdadeira seja a coragem de não precisar agradar a todos, mas a honestidade de sermos, no fundo, quem somos. E, para isso, é preciso coragem. Coragem para viver a própria verdade. Coragem para não ter medo da marcha das vadias, das morais quebradas, ou dos padrões impostos. Porque, no final das contas, o que nos salva é a verdade que nos permite ser humanos, e não as máscaras que nos forçam a usar. "Conhece-te a ti mesmo." – Sócrates.


Como um bom professor de sociologia do Ensino Médio, apresento 5 questões discursivas sobre o texto fornecido:

1. O texto inicia com uma reação à "Marcha das Vadias". De que forma o autor descreve essa reação inicial e quais questões sociais esse movimento levanta?

2. O autor menciona um "jogo de aparências" e diferentes rótulos atribuídos às mulheres ("vadias", "moralistas", "equilibradas"). Como essa classificação contribui para a discussão sobre estereótipos de gênero e a busca por liberdade?

3. A citação de Tolstoi ("O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só.") é utilizada no texto. Qual a relação estabelecida entre essa citação e a reflexão sobre os "garanhões" e a busca por afeto?

4. O autor afirma que "há uma grande verdade que os homens, em sua maioria, escondem: o medo das mulheres". Que tipo de mulheres, segundo o texto, despertam esse medo e por quê?

5. Na conclusão, o autor defende que "o que nos salva é a verdade que nos permite ser humanos, e não as máscaras que nos forçam a usar". Como essa afirmação se relaciona com a discussão sobre autenticidade, padrões sociais e a "Marcha das Vadias" apresentada ao longo do texto?