"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 1 de dezembro de 2012

ANJOS ENDEMONINHADOS ("Se meus demônios me abandonarem, temo que meus anjos desapareçam também." — Rainer Maria Rilke)



CrÔnica

ANJOS ENDEMONINHADOS ( Nós somos nossos próprios deuses ou demônios!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Deixe-me levá-lo numa jornada, uma jornada que começa com uma pergunta: onde está Deus? Eu me encontro no meio do universo, olhando para as estrelas, e me pergunto: Deus está aqui dentro ou lá fora? Mas então, uma epifania: se o universo é infinito, Deus não pode estar fora dele. Ele deve estar aqui, conosco, em cada partícula do cosmos. Como Pitágoras disse uma vez, "Deus é uno. Ele não está jamais, como pensam alguns, fora do mundo, mas sim totalmente no mundo inteiro. Deus está no Universo e o Universo está em Deus. O Mundo e Deus não são mais que uma unidade."

Essa revelação me leva a uma nova pergunta: o universo se criou? A resposta parece clara. Deus, a energia vitalizadora de tudo, é o universo. Ele não pode agir sem obedecer às suas próprias leis, as leis universais. Ele as criou para representá-lo, e teme violá-las. Nós, também, pensamos e agimos sob essas leis. Somos escravos das nossas próprias leis, que criamos e colocamos Deus para vigiá-las. E assim, também somos o universo. Somos nossos próprios deuses ou demônios.

Agora, olhe para a humanidade. Veja as contradições, as incoerências. Não podemos desejar nossa irmã, não podemos desejar a mulher de nosso pai, mas podemos desejar a mãe de nosso próprio filho! E o casamento, tão sagrado, tão instruído pela Bíblia, por que dois homens ou duas mulheres podem se casar, uma relação proibida por Deus? A Bíblia condena a homossexualidade como um pecado imoral e antinatural. Quem ousa curar um gay de sua afetação? Quão divino são os Deuses do sexo!

E então, a maior das inversões: um homem que se torna mulher! Charles Darwin, explique-nos essa evolução, essa seleção natural, essa inversão. O que será de nós, homens e mulheres de gêneros puros, quando a "Marcha das Vadias" dominar o mundo? Elas se unirão à "Parada Gay", tornando-se um só movimento? E quem não quer casar, não pode dizer por que não quer casa com uma mulher- trans. Não há maior imposição que essa!

No final, mesmo que a religião seja vista como má por alguns, muitos dos LGBTs a usam para santificar seus comportamentos pseudo-modernos. E assim, eu me pergunto: somos todos deuses ou demônios de nossos próprios universos? A resposta, acredito, está dentro de cada um de nós. E com essa reflexão, deixo você com uma mensagem: seja o deus de seu próprio universo, não o demônio. Seja a luz, não a escuridão. E acima de tudo, seja verdadeiro consigo mesmo. Pois, no final, é isso que realmente importa.

Com base no texto apresentado, proponho as seguintes questões discursivas:

1. Analise a visão apresentada no texto sobre a relação entre Deus, o universo e as leis naturais. Discuta como o autor explora a ideia de que Deus está presente no universo e está sujeito às leis universais que Ele mesmo criou. Reflita sobre as implicações filosóficas e existenciais dessa perspectiva.

2. Explore as contradições e incoerências destacadas pelo autor em relação aos valores humanos e às práticas sociais, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a condenação da homossexualidade por algumas religiões. Discuta como essas contradições desafiam noções tradicionais de moralidade e ética, e como elas se relacionam com a ideia de sermos "nossos próprios deuses ou demônios".

oi claudeko pensar forte esse seu, mas tem razão em muitas coisas, por dois homens casarem ou duas mulheres, coisas estão acontecendo, será o fim dos tempos, felicidade, até breve.

sábado, 24 de novembro de 2012

PARASITAS NO DESTINO DE QUALQUER UM ("Os alunos comem o que os professores digerem". Karl Kraus.)



Crônica

PARASITAS NO DESTINO DE QUALQUER UM ("Os alunos comem o que os professores digerem". Karl Kraus.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Nem todo doente é marginal, mas todo marginal vive doente! O transgressor herda igualmente a recompensa, a justa dor e o sofrimento por causar a dor e o sofrimento em outrem. Confirmo minhas palavras em Gl 6:7 "...pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará". Quando eu amaldiçoo alguém, eu desejo profundamente o cumprimento de minhas palavras, consciente como perdedor dum pouco do bem existente em mim, mas  as pronuncio com a força e a certeza de que nem um mal vai ficar impune. Então ordeno a punição já predeterminada na lei do universo, então é certo o resultado ou consequência para quem quebrar essas leis. Sou visionário do mal, também o sou do bem.
          Todos os parasitas, ou os de comportamento parasitário, incluindo os do governo, mais metaforicamente, têm que pagar pelo alimento tomado sem escrúpulo. A relação parasitária não é mutualista. Um parasita come os outros na disputa por hospedeiro escasso. E por último, "o cachorro se sacode quando as pulgas o incomodam" (Raul Seixas).
          O único hospedeiro que não perde substância vital quando é sugado é o professor. "Os alunos comem o que os professores digerem" (pensamento de Karl Kraus). Mas, para não deixar os professores impunes, pela sua esperteza, alunos maltratam-nos, defecando em nós os restos apodrecidos ou (re)digeridos de nosso próprio alimento. Assim constroem seus argumentos, ou melhor, enfeitam suas reclamações! Agora fujo dos extremistas, abusadores e exploradores, porque querem fazer de mim racista, homofóbico e discriminador. forçando-me aceitar suas acusações, mas tornei-me minorias, pois elas são muitas. "Já fui mulher eu sei"... Eu queria ser como Luis Fernando Verissimo pensa: "Não viro a cara para meus acusadores, embora eles só mereçam desprezo, mas os enfrento com um olhar límpido como minha consciência e um leve sorriso no canto da boca." 
          Eu ainda não sei qualificar essa relação: Professor/aluno. Ficaria bem: "emulação"? Enquanto isso, lá no pátio, parasitas destroem os bens materiais dos hospedeiros! Estragaram o botão de partida de minha moto, furaram o pneu do carro da velha professora de história, Lucivânia, riscaram o carro do professor Flávio, isso é constante nas escolas públicas. Minha última maldição é: tomara que o destino faça a justiça, da qual  eles são merecedores, antes mesmo de suas vítimas morrem sem motivo para louvar a vingança intercessora de Deus. Às vezes, chego a pensar se merecemos mesmo esses maus-tratos e prejuízos! Onde aprenderam tanta maldade e ingratidão? Eu não entendo o porquê da maioria dos alunos ter tanta inveja dos professores, pois não suporta vê-los bem: Estraga seu carro, rouba seus pertences, cobiça sua superioridade mental, porém não quer aprender deles! Se fazem rivais confiando na sua juventude, mas nem o tempo está a seu favor, por isso não reduz as consequência das maldades deles. Disse George Bernard Shaw: "A juventude é uma coisa maravilhosa. Que pena desperdiçá-la em jovens".

Claudeko
Enviado por Claudeko em 23/06/2012
Reeditado em 26/06/2012
Código do texto: T3739546
Classificação de conteúdo: seguro


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sábado, 17 de novembro de 2012

A EDUCAÇÃO TINHA JEITO ("As coisas mudam no devagar depressa dos tempos." — Guimarães Rosa)



Crônica

A EDUCAÇÃO TINHA JEITO ("As coisas mudam no devagar depressa dos tempos." — Guimarães Rosa)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

A Mostra Pedagógica/2012 na Praça Criativa, com seus valiosos trabalhos manuais e pesquisas, proporcionou uma tarde de profunda reflexão. Contudo, pairava a sensação de que certas ações, pomposas e ensaiadas para um único dia, foram programadas apenas para atender ao convite da Secretaria. Coisas de profissionais!

Outras, no entanto, eram dignas de elogios pela simplicidade e originalidade: a verdadeira cara dos nossos bons alunos!

No geral, sob a heterogeneidade e a pompa, percebia-se uma disputa silenciosa — uma espécie de guerra santa pelo título de “melhor estande”. Por onde eu passava, cada grupo tentava cativar, explicando com sorrisos e buscando ser mais convincente que os vizinhos. Era divertido, sim, mas profundamente revelador do espírito competitivo que se infiltra até nas boas intenções.

Cada estande na Praça representava uma escola, mas, cá no Colégio João Carneiro dos Santos, no dia seguinte, revivi as mesmas emoções. Uma experiência inspirou a outra, oferecendo nova oportunidade de reflexão.

Não contávamos com os patrocinadores generosos daquele grande evento, mas nossa modesta quadra de esportes abrigava, em fileiras de mesinhas, pequenas ilhas de saber com projetos vibrantes e sinceros. A I Feira de Ciência, Meio Ambiente e Tecnologia do JC, sob o comando enérgico do professor de Geografia, Janailson Machado, mostrou o poder da vontade e da competência. Ele, que parecia duvidar de si, revelou uma liderança admirável.

Fiquei impressionado com o comprometimento dos alunos, que dominaram seus temas com segurança e brilho. O sucesso foi tamanho que se tornaria constrangedor se algum colega tivesse recusado colaborar. Por fim, todos — até a direção — sentiram a necessidade de se infiltrar entre os projetos para compartilhar dos méritos.

Sim, cá com meus botões, agora creio: a Educação tem jeito. Com iniciativas como a da Secretaria Municipal e a bravura criativa de colegas como Janailson, é possível reacender a esperança. Quando a ação é autêntica, mesmo uma centelha ilumina o breu. Se há eventos para mostrar, é porque há o que mostrar. E se ainda não há, que se faça e se mostre!

Endosso as palavras do professor Clodoaldo Ferreira: “Pensar educação é compreender a dinâmica social como algo mutável, em intensa transformação, sempre em movimento. As identidades são híbridas, cambiantes, negociáveis, múltiplas e contraditórias.” (DM, 15/06/2012, OP, pág. 6).

Essa hibridez não é apenas teoria — vi-a materializada nas feiras. Lembro-me do estande em que alunos do 8º ano uniram Biologia, Arte e Religião num projeto sobre o ciclo da água: pintaram painéis com mandalas feitas de garrafas recicladas e citaram versos de São Francisco para explicar o equilíbrio ambiental. Noutra barraca, Matemática e História se cruzaram num jogo sobre as civilizações que criaram sistemas numéricos. Era ciência, poesia e memória se misturando num mesmo tabuleiro. Aqueles jovens, sem saber, faziam transdisciplinaridade com a naturalidade dos que não temem fronteiras.

Vendo tudo isso, percebi que a educação que dá certo é aquela que deixa de ser compartimento e se torna travessia — onde o saber não se empilha, mas se entrelaça.

As pessoas só aprendem o que querem aprender, e cabe à escola acompanhar o ritmo dos tempos, canalizando o desejo dos que buscam crescer à sua maneira.

Mas, como quem desperta de um sonho, percebo que paramos na primeira, hesitantes, pertinho da marcha ré — como se temêssemos avançar demais e perder o conforto das velhas fórmulas. No entanto, talvez seja hora de trocar a embreagem do sistema e deixar o motor da esperança rugir outra vez.


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Sou seu professor de Sociologia. O texto que apresento nos provoca a refletir sobre a cultura escolar, o papel das feiras de conhecimento e a dinâmica social das identidades na educação. Com base nos principais conceitos sociológicos e educacionais abordados no texto, preparei 5 questões discursivas simples para nosso Alinhamento Construtivo. Lembrem-se de usar as ideias do texto como ponto de partida para suas respostas.

1. Cultura do Espetáculo vs. Autenticidade

O texto critica a diferença entre as ações "pomposas e ensaiadas" da Mostra Pedagógica na Praça Criativa e os projetos que demonstram a "simplicidade e originalidade" dos alunos. Em termos sociológicos, qual é o risco para a qualidade do aprendizado e para a cultura escolar quando as ações educativas são realizadas apenas para "atender ao convite da Secretaria" (o espetáculo), em vez de serem fruto de um processo autêntico?

2. Competição e Disputa Silenciosa

O autor observa uma "disputa silenciosa" ou "guerra santa" entre os estandes pelo título de "melhor". Como essa observação revela a influência do espírito competitivo (uma característica marcante da sociedade capitalista) dentro de um ambiente que, teoricamente, deveria priorizar a cooperação e a troca de saberes?

3. O Conceito Sociológico de Identidades Híbridas

O professor Clodoaldo Ferreira afirma: "As identidades são híbridas, cambiantes, negociáveis, múltiplas e contraditórias.” Explique o que significa o conceito de identidades híbridas no contexto da Sociologia da Educação e como essa ideia se materializa no exemplo dos alunos do 8º ano que uniram Biologia, Arte e Religião em um único projeto.

4. Transdisciplinaridade como "Travessia"

O texto conclui que a educação de sucesso é aquela que se torna "travessia", onde "o saber não se empilha, mas se entrelaça". Diferencie, com base no texto e nas suas próprias palavras, a ideia de educação como "compartimento" (compartimentalizada) e a educação como "travessia" (transdisciplinaridade).

5. Inércia e Resistência à Mudança

No final, o autor utiliza a metáfora de "pararmos na primeira, hesitantes, pertinho da marcha ré" e a necessidade de "trocar a embreagem do sistema". O que esta metáfora representa em relação à resistência da escola (o "sistema") em "acompanhar o ritmo dos tempos" e aceitar as novas formas de aprendizado e as "identidades híbridas" dos alunos?

Gostei do seu texto Claudeko, devemos criticar mas também temos de reconhecer a dedicação e a determinação, quando se mostram evidentes é sinal de que ainda há esperanças para um futuro melhor.


sábado, 10 de novembro de 2012

TARADOS POR GIZ: O Giz, a Disputa e a Simbologia da Desordem Escolar ("Não escreva a sua história com Giz." — Bruno Noblet)




Crônica da vida escolar



TARADOS POR GIZ: O Giz, a Disputa e a Simbologia da Desordem Escolar ("Não escreva a sua história com Giz." — Bruno Noblet)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

O giz, um dos poucos instrumentos pedagógicos ainda de uso abundantes na escola pública, transformou-se num objeto quase mítico. Mantido trancado na coordenação, como se fosse um recurso raro, é distribuído com parcimônia no início do ano letivo. Cada professor recebe uma caixinha que, antes mesmo do fim de fevereiro, já está coberta por rabiscos e brincadeiras dos alunos, tornando-a irreconhecível.

No cotidiano, o giz é alvo de uma disputa curiosa. Basta eu abastecer minha caixa para que os pedaços desapareçam antes de eu chegar à porta da sala. Os alunos correm e empurram-se, disputando quem apagará o quadro e transformando o corredor num improvisado parque de diversões. Ao entrar, encontro o quadro tomado por garatujas, enquanto outros tentam apagá-las, num caos estridente que exige sermões até que a turma retorne às carteiras.

Mesmo após o difícil processo de organização, recomeça a conhecida chuva de pedacinhos de giz, lançados por vingança, molecagem ou tédio. Seguem-se as queixas melodramáticas, sempre com a entonação arrastada: “prossor, ur mininu tá me tacanu giz…” Essa rotina exaustiva se repete, como se a sala de aula fosse uma arena lúdica onde o giz assume poderes insuspeitos de rebeldia.

Diante disso, criei um sistema de penalidades que funciona apenas como farsa educativa: a cada três advertências oral, tiro um ponto da nota. Contudo, os mais indisciplinados quase nunca têm nota a perder, o que torna a punição inócua. Eles já perceberam a inutilidade desse faz-de-conta institucionalizado.

Certa vez, surpreendeu-me uma aluna ao pedir, de forma tímida, alguns pedaços de giz para brincar de escolinha em casa. A cena, aparentemente inocente, levantou a dúvida: será que, na brincadeira, eles repetem a mesma confusão da vida real? Ironia das ironias, imitam o professor, mas rejeitam a própria ideia de um dia assumir esse papel.

Grande parte de minhas repreensões consiste em impedir que se aproximem da mesa para capturar novos pedaços. Parece haver, na ânsia de gastar o giz, uma tentativa simbólica de desgastar também a figura do professor, utilizando o objeto como extensão de suas rebeldias e frustrações. Em um daqueles dias de desordem, um colega de trabalho apareceu com um galo na testa após ser atingido por um projétil de giz lançado por um aluno entusiasmado demais.

Esse episódio, embora quase cômico, reforça o quanto esse objeto banal se converteu num instrumento de hostilidade velada. As garatujas no quadro, feitas com tanta pressa e insistência, talvez sejam uma forma de pedido de atenção — um eco das ausências familiares que a escola, injustamente, precisa suprir. Como os pichadores que buscam muros recém-pintados, esses alunos encontram no giz a oportunidade de desafiar a autoridade, afirmar sua presença e demonstrar, ainda que de modo distorcido, o quanto desejam ser vistos.


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Sou o professor de Sociologia. A crônica que acabamos de ler sobre o giz na sala de aula é um microcosmo riquíssimo das tensões sociais e simbólicas na escola pública. O giz, um objeto banal, transforma-se no centro da desordem, da hostilidade velada e, principalmente, do pedido de atenção. Preparei 5 questões discursivas simples para analisarmos a fundo o significado social e institucional dessa dinâmica.


Questão 1: A Banalidade Transformada em Símbolo

O texto descreve o giz, um instrumento pedagógico comum, sendo tratado como um "recurso raro" e distribuído com parcimônia pela coordenação. Em Sociologia, o que representa a escassez artificial de um recurso tão básico no ambiente escolar? Discuta como essa atitude da gestão pode simbolizar, para os alunos, a desvalorização da própria educação ou do professor.

Questão 2: A Crise da Punição e a "Farsa Educativa"

O professor relata que seu sistema de penalidades ("tiro um ponto da nota") funciona apenas como "farsa educativa", pois os alunos já perceberam a inutilidade da punição. Analise essa situação à luz da Sociologia da Educação, especificamente sobre a crise da autoridade institucional. Por que a ineficácia das punições padronizadas reflete o esgotamento do modelo disciplinar tradicional na escola contemporânea?

Questão 3: O Giz como Instrumento de Rebeldia Simbólica

O autor sugere que a "ânsia de gastar o giz" e a hostilidade (como lançar projéteis) podem ser uma tentativa simbólica de "desgastar também a figura do professor". Explique o que é ação simbólica no contexto escolar. De que forma a agressão a um objeto que representa o conhecimento e a autoridade (o giz) pode ser interpretada como uma forma de resistência ou desafio à figura do educador?

Questão 4: A Dinâmica da Desordem e o Pedido de Atenção

O texto associa as garatujas no quadro e a desordem ao "pedido de atenção" e a um "eco das ausências familiares" que a escola precisa suprir. Discuta a escola como instituição social. Como a falta de atenção no ambiente familiar pode ser transferida e manifestada na sala de aula através de comportamentos de indisciplina, transformando o professor em um substituto forçado de referências afetivas?

Questão 5: Reprodução e Rejeição na Brincadeira

Uma aluna pede giz para "brincar de escolinha em casa", levantando a ironia: "imitam o professor, mas rejeitam a própria ideia de um dia assumir esse papel". Analise essa contradição a partir da Sociologia da Cultura. O que essa dupla atitude — imitar o papel do professor (reprodução social) e, ao mesmo tempo, rejeitar a profissão — revela sobre a percepção de prestígio e o futuro profissional da carreira docente na sociedade brasileira contemporânea, na visão dos próprios estudantes?

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sábado, 3 de novembro de 2012

FILHO QUER PÃO, PAI DÁ PEDRA (Minicrônica - 140 caracteres)



Minicrônica

FILHO QUER PÃO, PAI DÁ PEDRA (Minicrônica - 140 caracteres)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Aluno: desprovido da luz! Embora nas trevas, armado demais, contra mim se impõe: Mestre. A modéstia do aprender não paga o pão e circo do politiqueiro. Pena do ajudado.
Claudeko
Enviado por Claudeko em 07/06/2012
Código do texto: T3710275
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sábado, 27 de outubro de 2012

APARTHEID EDUCADO ("Quem deseja ver o arco-íris, precisa aprender a gostar da chuva." — Paulo Coelho)



Crônica

APARTHEID EDUCADO ("Quem deseja ver o arco-íris, precisa aprender a gostar da chuva." — Paulo Coelho)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Aluno não gosta de professor, normalmente, ele quer média boa! Mas, como não se consegue agradar todo mundo, também não se consegue desagradar a todo mundo, por isso, um ou outro termina por divulgar uma simpatia maior pelo o seu professor sem suborno algum. Porém, diga-se de passagem, que Jesus o homem perfeito não conseguiu agradar a maioria! Sou sempre vítima disso, e, nesse caso específico, eu constituo logo meu admirador como secretário na sala de aula, retribuindo assim os elogios, e valorizando a rara e perseguida amizade. Porém, essa preferência vai logo despertar o ciúme doentio e desprovido de boas intenções nos outros professores e colegas deles. 
           Então, para me desbancar,  acusaram-me, em reunião oficial, de afrouxador das normas para agradar e ser simpático! — "Temos que falar a mesma língua" – dizem os "puxadores de tapete", sem se importar com o senso inativo de justiça, propriedade de alguns alunos, mesmo em formação. Sempre esteve certo, Paolo Mantegazza, desde quando disse: "Mestre que não é amado pelos seus discípulos é um mau mestre." E quem dera, tivéssemos os maus mestres de quando a educação era respeitada! 
          Qual é a maior ameaça de um aluno ao seu professor, senão: — "Eu vou desistir". De quem é a culpa se o aluno desistir de estudar? E a essa altura, já há muitos desistentes, só ainda não abandonaram a sala por causa dos programas beneficiantes do governo (bolsa família, transporte escolar, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), Brasil Carinhoso – Apoio às creches, Carta Social, Pro Jovem Adolescente, etc.), pois exigem frequência, mesmo improdutiva.
          Se tivermos muitos alunos que ainda gostem dos seus professores seria o ideal. Mas, infelizmente, eles nos detestam, e não fazem cerimônia para demonstrar isso, com apelidos, e gritarias desrespeitosos, e violências mil. Por que devo aplicar esses sentimentos copiados de alunos ao me vingar de meus colegas de trabalho devedores de um carisma diferenciado?
          Se ao menos um aluno, mais ordeiro e disciplinado, sobreviventes aos incentivos negativos do meio, possuindo a força de seus alicerces familiares, e finalmente vier a gostar de um professor sequer, ao menos um apenas, já é deveras uma conquista que deve ser retribuída com elogios e não acusá-lo indiretamente de "puxa saco" do senhor  professor fulano, por que o deixa fazer bagunça. Eu já ouvi isso de "bons" coordenadores! Só há uma conclusão: Os Aladins da vida real puxam o meu tapete para voarem sozinhos.  
Claudeko
Enviado por Claudeko em 03/06/2012
Reeditado em 28/06/2012
Código do texto: T3702915
Classificação de conteúdo: seguro


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