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MINHAS PÉROLAS

sábado, 26 de setembro de 2015

ESTRATÉGIA DE ALUNO (É cômoda a postura de robô, mas custa caro ao programador)


Crônica

ESTRATÉGIA DE ALUNO (É cômoda a postura de robô, mas custa caro ao programador)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Hoje, descobri que os alunos, nas brechas que o professor dá, como os advogados "espertos" que usam as brechas das leis para se beneficiarem, saem para fora da sala, na hora da aula, tumultuando a porta, afim de que a coordenadora veja e brigue com o pobre professor que desejava ser bom com eles! Foi isso que aquele aluno indisciplinado de oitavo ano passou-me na cara.
           Frustrado com minha proposta de ministrar aulas mesmo para quem não dá valor no que tenho para lhe ensinar, e sabendo que a maioria está ali para não sei o quê; justifico o meu trabalho e a dignidade de meu salário, com o que é possível fazer aos comportados que ainda querem aprender: minoria. Outros poucos, tipos preocupados com o auê, querem somente a atenção, ou querem apenas um expectador refinado, são carentes de prestígio. Eu não os ignoro, sou apenas um professor de Língua Portuguesa sem as credenciais de psicólogo, e quase sempre não faço as vezes!
          Por que tenho que falar aos indisciplinados, pedindo-lhes bom comportamento a cada minuto: a grande maioria? É um psiu para cá, um oba oba para lá e um óhhh para acolá! Porém, os do sétimo anos continuam jogando papel uns nos outros e passeando na sala. Parece-me que tudo que eles querem é mostrar que são os mais agressivos da sala e quem repete mais do lanche.  Querem mesmo é ser o centro dos olhares e minha fragilidade moral para abusarem dela. Perturbados, sofrem os professores de alto domínio de classe, que não é meu caso, diga-se de passagem, segundo os coordenadores exigentes, bons são os pautados pelos os "nãos" constantes, mantedores na rédia curta. São esses os que carregam os alunos perniciosos e irreverentes nas costas, tirando-lhes a oportunidade de aprender andar na direção e da forma correta: "com as próprias pernas". Mas, reconsiderando, o que é "domínio de classe"? Penso que tem tanto poder quem diz não a tudo como quem, por tantas vezes, também diz sim, aos gostos desenfreados deles. Na verdade, o limite deles não termina quando começa o meu, invadem-me a paciência. Ora lhes digo não e ora lhes digo sim. Sou o comedidamente, fazendo o papel de palhaço, ora falando às cadeiras vazias. Contanto que não lhes corrija em público para não enfrentar o abaixo assinado de exclusão, afinal o representante de sala é para isso! Nem falo mais que sua caligrafia é ilegível, pois, aconteceu-me outro dia, queriam me bater por isso. Eles são os que não querem usar sua autonomia para viabilizar sua aprendizagem e procuram os atalhos, até porque, o professor dominador está sempre disposto a assumir a responsabilidade por aqueles que aceitaram os seus muitos "nãos", é cômoda a postura de robô, mas custa caro ao programador. "Todos os opressores... atribuem a frustração dos seus desejos à falta de rigor suficiente. Por isso eles redobram os esforços da sua impotente crueldade."(Edmund Burke).
           Quem assume o controle dos outros paga o preço de sua escravidão, porém quem liberta os outros paga o preço da sua liberdade: Qual destas atitudes é a mais cara? Quem nos escraviza assume o controle das nossas consequências, e, se as administrar erradamente, pagará também por isso. E, não quero essa conta. Para mim, quem age irresponsavelmente, fazendo mau uso de sua liberdade, deve saborear sozinho suas consequências. Muitos por não se submeterem ao poder do mestre, controlam-no ao invés de ser controlado por ele, sendo que o mal sobrevirá repentinamente, como resultado disso, passando primeiro pelo controlador. Apagam-me e se fazem testas de ferro à minha frente. Que o coordenador brigue com eles e não comigo.
            No vespertino, fiz a seguinte reflexão sobre os alunos do fundamental: eles almoçam correndo, para chegar às 13h na escola e depois sair sem saber dizer, para sua mãe, o que se passou lá, conversando, bagunçando e concorrendo com o professor no maior esforço de aparecer, é tolice. Ainda, por cima, jogam a culpa no professor e acham quem os defenda! O que eles não sabem é que nunca se ensina adversário, mas parceiros. Ensinar é um ato de amor e aprender só é possível com respeito. A fala de Alice Walker, escritora estudo-unidense e ativista feminista, serve aqui para os dois lados: "Não pode ser seu amigo quem exige seu silêncio". Eu diria: Não é meu amigo quem abafa minha voz ou me obriga a calar. Paradoxal é o que faço, porém é o que devo fazer; aos adversários dou-lhes notas boas, também calando-lhes a boca, uma vez iludidos de bons, tornar-se-ão heróis sem caráter: (Macunaíma)! Também a instituição me exige altos índices de aprovação! É como dar-lhes uma arma sem balas e uma missão sem fim: vencer "moinhos de vento"! Mas, como? Se as medalhas de honra ao mérito eram apenas cerimoniais. Disse George Orwell: "A história é escrita pelos vencedores." Mas, hoje existem notícias de Heróis que, na verdadeira história, só aparecem quando matam seus professores. E a estratégia dos pais? Processar, e ganhar indenização da escola. Temos inúmeros casos como o desta notícia: http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI130206,101048-TJRJ+Colegio+tera+que+indenizar+familia+por+bullying+praticado+contra (acessado em 13/10/2016).
           Todo mundo finge está a favor da escola, até quando ela vai resistir!?
Kllawdessy Ferreira

Comentários

Enviado por Kllawdessy Ferreira em 17/09/2015
Reeditado em 26/09/2015
Código do texto: T5385825
Classificação de conteúdo: seguro

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