"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 27 de março de 2010

SER GAY "DE MENOR" (PARADOXAL: Prendem-se os que pagam a conta!)

            
Crônica

SER GAY "DE MENOR" (PARADOXAL: Prendem-se os que pagam a conta!)

sábado, 27 de março de 2010
 Por Claudeci Ferreira de Andrade

             Se o homossexual não é um doente, e o homossexualismo não é uma patologia, como penalizar um adulto que “ficou" com um adolescente de 16 anos comprovadamente gay!? Quem é o contadinho da história? Houve o consentimento deles! Que paradoxo é este, o “de menor” tem autonomia respeitada pelas autoridades, até amparado por lei, para escolher ser homossexual, e ao mesmo tempo é proibido de praticar sua orientação sexual com quem consentir? Ou os conselhos de proteção ao menor de idade vai selecionar seus parceiros pelo ajuste de idade? A lei brasileira não faz qualquer distinção entre casos heterossexuais e homossexuais! A crescente adesão à prática gay favorece a pedofilia, no sentido de não se condenar a orientação sexual em qualquer idade.
            Não seria menos antitético proteger o adulto do  "de menor" sexualmente ativo,  do que os dezesseizões dos adultos? E quanto aos favores sexuais pagos com dinheiro, quem comprou o que de quem? Há uma negociação de compra e venda ou uma negociação de troca de prazeres e o dinheiro entra como "quebra gelo"?
          Penso que a violência devia ser combatida em todos os seus níveis, e a violação desrespeitosa do corpo também, mas quando dois concordam em "transar", acontece um momento de aprendizagem, experiência e descoberta, não passa de uma brincadeira compromissada com a liberdade. E um rapaz de 16 anos que tem relação sexual com uma mulher de 50, que já não é mais a primeira, e a prefere assim como um novo aprendizado, apaixona-se por ela e ambos querem se casar, tem alguma lei que proíbe esse tipo de casamento? Os pais do rapaz menor de idade o autorizaram, pois a mulher tem riqueza! O inverso não é considerável também? Veja o conto: Aos vinte anos de Aluíso Azevedo. Compare com o trecho das páginas 74–81 do livro de Pepetela, As Aventuras de Ngunga. 6, ed. Luanda: União dos Escritores Angolanos, 1988.  Essa prática existe em todos os lugares e desde os tempos dos dotes para casamento. "Por que o que outrora era considerado saudável hoje não é mais? E por que o que outrora era considerado doentio hoje já é aceito com naturalidade?" (https://detonandoamatrix.wordpress.com/2012/03/07/o-novo-dote-que-a-mulher-criou/) - acessado em 22/11/2015.
            Uma criança pede ajuda para um adulto, que vai passando, para tocar a campainha de uma residência, é uma traquinagem sórdida, sai correndo e o adulto fica condenado por participar da brincadeira premeditada do suposto inocente! Foi a maior idade, incompatível, que o condenou ou sua intenção humanitária? As leis escondem os menores, e os adultos que pagam a conta ficam condenados! O abuso sexual (estupro) ao adolescente é condenável e repugnante, bem como ao adulto  e, também, ainda a quem não pode tomar as suas próprias decisões. Deve-se penalizar o agressor severamente. Porém, como evitar a atuação do adolescente nas carreiras de modelo, de futebolista, pagodeiro, e outros trabalhos produtores de lazer ainda na infância; assim como a prostituição informal? A idade mínima para o ingresso no mercado de trabalho formal é 16 anos. E a pirataria do DVD pornográfico, distribuído por eles, começa mais cedo! A Redução da maior idade penal deve ser levada a sério para proteger mais os adultos! Porque, "este 'de menor', que na maioria das vezes só tem pouca idade, pois na verdade alguns deles têm uma constituição física avantajada: são altos, musculosos, o que não retrata a sua condição de menor de idade na prática. Eles cometem atrocidades, barbaridades e crimes monstruosos: roubam, estupram e matam, pois estes bandidos têm a certeza da impunidade que os estimulam a seguirem a carreira do crime e do mal. Será que quando um 'de menor' puxa o gatilho de uma pistola o resultado é diferente de quando um bandido de maioridade procede da mesma forma??" (Ivan Brafman).
            No Brasil, uma pessoa pode votar com 16 anos de idade, na escolha para diretor escolar, com 11 já vota; mas com essa mesma idade não pode responder por crimes cometidos! Quem consegue entender este Código Penal! Votar é um direito para os "de menor". No entanto, Transar aos 16  não é direito, apesar da maturação biológica,  mas os gays são obrigados, pelas circunstâncias a confirmar sua homossexualidade bem mais cedo na vida, para desfrutar da proteção social que a lei lhe atribui. 
          Na net vale tudo, diz a Wikipédia: "E atos sexuais consentidos, praticados com adolescentes de 14 a 17 anos, em geral, deixaram de ser crime, não sendo mais possível aos pais interpor ação penal. Nesta última faixa etária, o crime permanece apenas por exceção, nos casos de assédio praticado por superior hierárquico, prostituição, etc.  sendo sempre processado por iniciativa do Estado. No Brasil qualquer tipo de sexo (ato libidinoso) 'mediante violência ou grave ameaça' é considerado estupro (Art. 213 do Código Penal)." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_de_consentimento). - acessado em 22/11/2015.
            A denúncia e/ou o depoimento de uma adolescente de 16 anos são levados a sério e registrados com valor jurídico, condenando um adulto com fins lucrativos para ela e para terceiros, e por que o assentimento dela para o ato sexual não tem valor para proteger o convidado e explorado "coroa" que pagou certinho o "programa"? Nesse caso, é sempre denunciado por um terceiro, pois não é interessante à profissional do sexo! O que me preocupa mais ainda é quem vai denunciar, e para quem denunciar, e sob qual suspeita denunciar um desses conselheiros para menores se por ventura estiver abusando sexual e psicologicamente sob o manto da lei? O que seria o tal falso moralismo sem precedente? Responde-me Bertrand Russell: "Moralistas são pessoas que renunciam às alegrias corriqueiras para poder, sem culpa e recriminação, estragar a alegria dos outros."  Uma prostituta de menor é repugnante, mas um gay de menor é sofisticação!
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 27/03/2010
Código do texto: T2162459

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

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domingo, 21 de março de 2010

REPROVADOS NÃO RETIDOS (Os desejos de infortúnio dos alunos para o professor retornam a eles mesmos.)

       
Crônica

REPROVADOS NÃO RETIDOS (Os desejos de infortúnio dos alunos para o professor retornam a eles mesmos.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

            Sexta-feira, recebi a visita de Cristiane, uma ex-aluna do Ensino Médio, tive gosto em apresentá-la à sala, naquela manhã. Que mensagem de estímulo dirigiu ela aos alunos que ali estavam! E ela disse ainda que o sucesso não depende de professor e nem de escola, tudo depende do aluno: isso ela aprendeu comigo! Bem, disse com categoria, porque já está terminando o curso de Administração numa boa Faculdade. Meus alunos que prosperam sempre aparecem, isso é bom! Mas, cadê os diplomados fracassados, nunca mais os vi, melhor ainda, não tive culpa nas consequências deles, que se escondam quando me vir, não quero ser desrespeitado novamente, pois é assim que fazem os fracos e reprovados (não retidos), jogam sempre a culpa nos outros! Porque será que eles não aparecem mais no colégio, depois que terminaram o 3º ano do Ensino Médio? Os bons, os professores têm prazer em exaltá-los, estes também não têm vergonha de dizer o que já conseguiram na carreira proposta. Mas, os maus alunos, eu não gostaria de encontrá-los novamente, a presença deles me condena, eles me transferem uma culpa que não é minha, e derrubam minha autoestima.
            Os jovens que fazem, pelo menos, um curso superior são configurados como exemplos que animam os outros. Eles tiveram fraquezas também, mas acharam nos estudos toda suficiência. Agora são iguais a seus professores do passado, estão no mesmo nível acadêmico, mas jamais nos abandonaram. "Lastimável discípulo, que não ultrapassa o mestre." Leonardo da Vinci.
            O segredo é dedicação. Isso significa diligência, disciplina, firmeza, perseverança, resolução, inteireza, decisão de enfrentar cada provação, cada desaprovação, cada tentação antes que negar o propósito de ser alguém na vida. "Obstáculos e dificuldades fazem parte da vida. E a vida é a arte de superá-los." Mestre DeRose. No modo como eu me refiro, explico melhor, não basta começar bem, é preciso manter-se em dedicação cada dia. Alisar assentos de escola, todos fazem, frequentar só por causa do lanche escolar ou para ganhar os favores dos incentivos do governo, isso não faz a diferença. 
            Não deve haver desleixo na vida estudantil, por que a juventude é fugaz; é passageira. Se virmos qualquer pessoa trabalhando, pelo o modo como ela age, poderemos saber se o seu coração está ou não no que faz. Podemos verificar se um aluno desempenha seus trabalhos com boa vontade ou não. Se ele decididamente está disposto a alcançar riqueza e fazer um nome para si, ele vencerá todo e qualquer obstáculo. Muitas vezes, os alunos são apenas meio dedicados aos estudos; lembrem-se, não existe meio sucesso! "Quem supera, vence." Johnn Goethe.
            Uma pessoa que está morrendo nas águas de um lago fará de tudo para não perder a vida, porém se desesperar, ela afunda. Por isso, o jovem não pode perder a confiança em Deus, nem em si, nem em seus professores, nem na sua escola. Deseje seu sucesso e o terá. Os que maltratam seus professores secam sua fonte de aprendizagem. Recebam minha maldição abençoada!

Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 21/03/2010
Código do texto: T2150421

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23/03/2010 14:52 - J C Cavalcante
Cada pessoa tem a vida erguida de acordo com seus esforços e pela (boa) ajuda recebida. Uns são muito bons, outros nem tanto, existem aqueles que se projetam pelo próprio merecimento, outros que se projetam pelo merecimento alheio. Vale mesmo o esforço e a honestidade.


23/03/2010 00:29 - ZORA
zora... amigo ,parabens pelo que escreve...grata pela visita... obs:A meia idade que me refiro...(é meio século)é linguagem baianês ,quando a pessoa tem 5o anos dizem meia idade... um abraço...


domingo, 14 de março de 2010

A ESCOLA NÃO COMEMORA OU NÃO COM MEMÓRIA?


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Crônica

A ESCOLA NÃO COMEMORA OU NÃO COM MEMÓRIA?

domingo, 14 de março de 2010
Claudeci Ferreira de Andrade


         A nota alta da semana foi “Dia Nacional da Alfabetização". O Brasil todo comemorou, tratando avidamente do assunto! Será que as entidades de ensino lembraram-se? As que frequento não, e o Brasil também não, ou melhor, pelo menos não vi! Por essa e outras tantas razões, creio que realmente atravessamos um tempo de insensibilidade intencional, com relação às influências dos temas sociais no currículo das entidades públicas educacionais. E digo melhor, as datas comemorativas são devidamente sugestivas para a inserção de nossos alunos na cultura e nos conhecimentos sociais. Mas, quem é culpado dessa vacância?
         Para uma atuação correta é preciso entender a importância e o papel da escola na comunidade. Enquanto, os atores da entidade não se entenderem, o conflito permanecerá com maior prejuízo para o alunado. Não bastaria um ou outro professor lembrar e pedir simples atividades de última hora para a classe realizar, as datas comemorativas e as festividades sociais deveriam está no planejamento pedagógico da unidade escolar (coordenadora pedagógica plantada na sala de professor não é útil a escola toda!) e, levado à concretização depois de encontros reflexivos com os docentes para maior fluxo de novas ideias e ampliação, vejam que falei encontros reflexivos, não “paradas pedagógicas” que é uma expressão pejorativa!
         Talvez eu esteja enganado, pensando que tudo pode ser tão simples assim! Quem vai tomar a iniciativa? Eis a grande questão! Até porque em muitos setores, pode não haver meios, recursos humanos e materiais, isso eu compreendo, só não sei mesmo é quem poderia articular o evento, por causa dos encaixes: tema tal é pertinente a que tal e tal, quem será o tal responsável! E coisa e tal! Também, os propósitos podem tornar-se tão destorcidos que se opina melhor pela inatividade.
         É! Selecionar um tema transversal, um aqui, outro acolá, examinando sei lá o quê! Na esperança de haver feito a melhor escolha, será que vale o desgaste detetivesco! “Cada onça de impureza custa o seu preço em ouro!”
         Na tentativa de explicar melhor tudo que quero dizer: se queremos uma escola atualizada inteligentemente e útil, precisamos deixar de sermos ignorantes a respeito de como queremos atender as necessidades de nossos alunos. Se queremos que eles sejam intelectuais, precisamos incentivá-los a largar a mesmice. Se queremos fazer deles cidadãos, precisamos inseri-los corretamente nos assuntos do mundo letrado. O reverso disso significa que, se queremos que eles, nossos alunos, sejam “nada na vida”, deixemos-los como estão para vermos como é que ficam!
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 14/03/2010
Código do texto: T2138279

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sábado, 6 de março de 2010

EM CIMA DOS MUROS DA ESCOLA (No faz-de-conta, no nem: nem para lá, nem para cá...)






Crônica

EM CIMA DOS MUROS DA ESCOLA (No faz-de-conta, no nem: nem para lá, nem para cá...)


Claudeci Ferreira de Andrade

         Disse Paulo Freire, educador, pedagogista e filósofo brasileiro: "Que é mesmo a minha neutralidade senão a maneira cômoda, talvez, mas hipócrita, de esconder minha opção ou meu medo de acusar a injustiça? Lavar as mãos em face da opressão é reforçar o poder do opressor, é optar por ele."  E eu observo que quase tudo na Educação é simulacro! Simula-se prova, simula-se austeridade, simula-se letividade, simula-se legalidade, simula-se até amistosidade! Não sei por que estou incomodado, afinal, a escola é a preparação da sociedade para si mesma, isto é, um movimento reflexivo da cultura em ondas cada vez mais sofisticadas! “Como uma onda no mar” (Lulu Santos).
         Por que me recuso a ficar “em cima do muro”? É mais confortável a neutralidade! Muitos creem que não precisamos tomar posição clara ao lado dos fatos, já que se pode viver situações várias sem maiores consequência, no faz-de-conta, no nem: nem para lá, nem para cá. É verdade, esse Maneirismo implica na baixa qualidade quando nos transferimos para a vida real, mas os entendidos do sistema dizem que pode haver comprometimento amistoso com os dois lados, então, é só simularmos também a qualidade! Nota de simulado vira coisa séria. A mornidão é recomendada quando nos é ensinado que devemos tolerar as diferenças. 
           Não me lembro de nenhum mártir da educação, talvez não seja importante ser “linha dura” e dar a vida em troca de simulações! Ou a coragem altruísta foi negociada?
         Em assuntos que dizem respeito ao meu bem-estar, de meus amigos, da escola em que trabalho, não deve haver lugar para desinteligências, aí entra adequadamente a dissimulação vantajosa: santa hipocrisia!
           A respeito de tudo, uma pergunta como esta é descabida: Que mal pode haver se eu recuso envolver-me nas simulações da escola? Todo o Mal do inferno, pois como vou sobreviver sem a arte da convivência profissional. Não pode existir em minha consciência peso algum. Não sou pior do que a maioria dos colegas. A menos que eu me ponha de coração no canteiro do meio, é mera pretensão dizer que sou moderno.
         A neutralidade evita conflitos. Tudo na vida tem dois lados: direito, esquerdo; positivo, negativo; preto, branco... Contudo, simulação é equilíbrio, descobri que o caminho do meio também é uma posição a ser tomada pelos que simulam ora deste lado ora daquele: a subdivisão do equilíbrio.  
           Ninguém pode brincar com coisas sérias. Sou assim por que o muro caiu comigo em cima dele, arranhões foram inevitáveis na minha pele e a reconstrução do mesmo será por demais dispendiosa para quem tiver interesse. Será que vale a pena simular boas intensões, mais do que ficar "em cima do muro" tentando agradar todo mundo? E melhor do que ser covarde é ser hipócrita. Disse Coelho Neto: "Aquelas campinas, fertilizadas e santificadas pelo sangue dos heróis, não podiam gerar covardes." (Morto, c. 8, p. 65, ed. 1918.). É melhor ainda é ser irônico.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 06/03/2010
Código do texto: T2122928

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18/03/2010 00:22 - ZORA
amigo seu texto é uma riqueza de conteúdo ...quero ler mais o que voce escreve,pois é um acúmulo de sabedoria...coisas práticas ,do nosso cotidiano ..bjus


08/03/2010 12:53 - ANDRÉA NETO
OLÁ AMIGO, BLZ? AMEI O SEU TEXTO, EU SUMI UM POUCO FALTA DE TEMPO, MAS ESTAREI RETORNANDO PARA COLOCAR MAIS POEMAS MEUS... PARABÉNS... SEUS TEXTOS SEMPRE SÃO MTOS CRIATIVOS E COM TEMAS LEGAIS. Abraço ANDREA NETO


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A fila única (Entendi que os ditos normais também são discriminados.)


Crônica
A FILA ÚNICA (Entendi que os ditos normais também são discriminados.)
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Por Claudeci Ferreira de Andrade

         Não sei se estou na fila dos correios ou na fila para o caixa do Banco Bradesco, só sei que a fila é única para um caixa solitário; talvez seja por isso que perdi um dia inteiro e fui almoçar às 15 horas, tentando quitar um boleto pagável apenas no Banco Bradesco. Mas, foi divertido! O único caixa atendente até que trabalhava rápido! Porém, a fila... Ah! A fila não andava; eu tinha a senha 738, porque cheguei às 10h. Que segunda-feira lúdica, aquele dia 07 de maio de 2007! Chegou uma mulher grávida; logo após, chegou também uma senhora idosa e um policial. E pela ordem de prioridade, o caixa chamou primeiro o policial devidamente fardado. A idosa se acomoda logo atrás, e a gestante, a seu lado. Nascia ali um amontoado dos especiais, os que não precisam de senha. Nós outros, devidamente credenciados, com uma senha empunhada, apenas assistíamos impotentes o desenrolar do procedimento. Chega mais um idoso, outro e mais outros; uma grávida, outra e mais outras. Sem falar que todo instante se achegava ali qualquer um para pegar alguma informação aleatória; era rápido, mas interrompia. Recuso-me a reproduzir o que ouvi naquela fila discriminada, coisas que donzela, de alguns tempos atrás, não podia ouvir.            Logo um cidadão, mais exaltado, pega o aparelho celular e liga para o 0800 recomendado, fala e fala “coisa com coisa” e saiu pisando duro como quem estava muito ofendido. 
           De tão cansado desejei ardentemente que alguém desocupasse uma cadeira, daquelas ali da direita. Finalmente desocuparam duas na primeira fileira, corri para uma, e uma criança pegou a outra vizinha. Em seguida, a mãe daquela criança toma-lhe o acento e a coloca no colo. Ela insatisfeita chora e esperneia tanto que chamou a atenção de todos; eu indisposto a levar pontapés, tive que me levantar para ter um pouco de paz. O interessante é que aquela senhora tratava a malcriação do filho com muita simpatia, e, para fazer bonito na frente do povo, então resolveu ficar em pé, deixando-o sozinho espaçosamente e esparramado nas duas cadeiras acolchoadas, enquanto ela, a mãe, e uma dezena de pessoas ali, estufando as varizes. 
           De repente, zera-se o cronometro contador de senha! Os berros aumentaram! Agora, até aquela mãe perde o equilíbrio e xinga palavrões diante de seu filho, que já estava mais calmo. Eu, porém, descarregava a tensão, sorrindo daquilo tudo. Passados, mais ou menos, quinze minutos e o contador voltou marcar a sequência de onde parou. Ufa! Deram um jeito, que bom!
         Finalmente chegou minha vez, meu número apareceu ali no painel eletrônico, que felicidade! Só tinha que esperar o atendimento de mais dois pendentes que voltaram para o atendimento extraespecial: aqueles que ficaram devendo documento, pois já estiveram na fila. Foi aí, que com um ar da mais fina ironia, perguntei ao caixa atendente que acabara de chegar porque o anterior saiu para almoçar:

           — Nunca coincide de os dois estarem atendendo ao mesmo tempo?

           Nada me respondeu! Então, comparei o trabalho da dupla como em uma meia maratona de revezamento, até porque, o atendente anterior tinha percorrido aproximadamente 10 km, indo e vindo num espaço de 5m, do seu caixa à gaveta que portava as moedas para troco. É... E como sempre se precisa de troco! Este é meu troco pelas horas de passiva improdutividade. As pessoas produtivas, que mais precisam do seu tempo de vida útil para trabalhar, são as que mais perdem tempo por métodos abusivos que tolhem sua fluidez: filas únicas. Entendi que os ditos normais também são discriminados.
Claudeko

Publicado no Recanto das Letras em 27/05/2009

Código do texto: T1616957


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27/05/2009 07:53 - Amélia Aragão
Acompanhei você em toda essa trajetória. Já estive em situações iguais e sei como é. Finalmente você pagou o boleto... Parabéns pela crônica. Um forte abraço e um ótimo dia.



domingo, 21 de fevereiro de 2010

A NOVA ESCOLA É DE TEMPO INTEGRAL? (O modismo se passa por restauração.)

Crônica

A NOVA ESCOLA É DE TEMPO INTEGRAL? (o modismo se passa por restauração.

domingo, 21 de fevereiro de 2010
Por Claudeci Ferreira de Andrade

            Refletindo sobre uma tal nova escola, um pouco mais sobre a escola sonhada por toda a sociedade, aquela da moralização do ensino, penso que essa só seria possível se se fizesse novo o aluno, é tudo o que necessitamos: De quem se valorize e valorize também o que de bom ainda resta no sistema educacional. Falo de mecanismos totalmente novos, funcionando a partir dos velhos, para produzir homens devidamente educados. Então, pensando assim, concluo, na verdade, não é de uma nova escola que precisamos, mas de uma escola restaurada. E o objetivo de uma escola restaurada está no sentido de reorganizar o que já se tem, resgatando o perdido na “sofisticação” implantada por pessoas sem escrúpulos, egoístas que legislam em causa própria, uma minoria por assim dizer, mas com poder. Teorias pedagógicas contemporâneas já gritam por socorro, são incompetentes demais para o tão nobre objetivo: Racional-tecnológica; Neocognivistas; Sociocríticas; Holísticas; Pós-modernas. Mesmo essas ditas novas, elas produzem uma falsa sede de mais novidade como uma droga que requer cada vez maiores doses, para saciar a necessidade do organismo, para manter melhores graus de excitabilidade, ilusão destrutiva.
            Creio no Salomão quando disse: “A história sempre se repete. Não há nada verdadeiramente novo no mundo. Tudo já foi dito ou feito antes, você pode mostrar alguma coisa nova? (...)” ( Ec 1:9 BV). Penso que quando os ditadores de “inovações” para educação se arriscam cegamente em busca do novo, eles perdem sua capacidade intuitiva para saber o que é certo e o que é errado, perdem a consciência íntima, aquela que os fazia sentir culpados e infelizes quando erravam. Quem pretende enganar a si mesmo, também engana com muita facilidade e destreza os outros. O governo não consegue nem oferecer um turno com qualidade, pretende ocupar os alunos nos dois turnos, deveria sim está preocupado, pelo menos, em atender a demanda social que já é alguma coisa, não deixando alunos fora da escola enquanto outros ocupa a escola em tempo integral só para brincar e comer. No momento que já se fala em quatro turno... 
             Todos nós sabemos que a hostilidade ao tradicionalismo é um erro. Ainda deve ter muito sentido o que funcionou em tempos que a educação tinha respeito e credibilidade, quando a função do professor e o papel da escola eram valorizados! Mas, com um passo de mágica, a maioria dos teóricos da escola sentiu a necessidade de refazer tudo em torno de si! Aí, então, a fome e a sede do novo excomungaram o pensar tradicional.
            O urgente, agora, é a necessidade de inserção das novas tecnologias na seriedade tradicionalista, que é diferente da barbárie presenciada no “Momento Novo”, onde é proibido proibir.
               Ou será que um organismo maduro, bem vestido e assistido, não tenha mais a capacidade de produzir um novo ser ideal? Seja qual for a tarefa assumida pela escola, ainda que seja em tempo integral, se não produzir novos homens, perdeu seu objetivo e, sem norte, vira apenas depósito de aluno. Fica evidente que a qualidade do ensino em período integral depende da capacidade do governo em fornecer um bom ensino em período parcial. É necessário garantir a melhoria da educação básica antes de expandir a oferta para tempo integral. Além disso, é importante considerar outras questões, como a qualificação dos professores, o espaço físico das escolas e o fornecimento de alimentação adequada para os alunos. O modismo se passa por restauração!  E muito mais, tira-se das crianças o direito da companhia da família o dia todo e de todos os dias, ou seja, privadas do que mais amam, deterioram-se!
           Devia-se começar a reforma do Ensino Médio não pelo o desenho estrutural, mas pela a educação do aluno. Nos meus 34 anos lecionando, nunca vi um alunos agradecer o professor, no final da aula, por aquela aula, mas já vi muitos xingamentos, e repulsas: "Graças a Deus porque a aula terminou". Se a aula foi ruim. o que eles fizeram para contribuir e melhorar? Sim, tenho ouvido quase todos os dias: "são nossos impostos que pagam seu salário, por isso é obrigado nos suportar". Se é realmente dessa forma, apenas revelam que são péssimos patrões e alunos.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 21/02/2010
Código do texto: T2099369

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sábado, 13 de fevereiro de 2010

CADERNINHO DE PLANO DE AULA: O Roteiro do Naufrágio — Do Giz à Auditoria ("Controle o seu destino ou alguém controlará." — Jack Welch )





Crônica

CADERNINHO DE PLANO DE AULA: O Roteiro do Naufrágio — Do Giz à Auditoria ("Controle o seu destino ou alguém controlará." — Jack Welch )

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Sempre vislumbrei no magistério uma missão análoga à medicina: ambos educam para a saúde da vida coletiva. No entanto, o sistema parece empenhado em transformar o cirurgião do intelecto em um mero carimbador de formulários. Imagine um médico do SUS — já sufocado por metas e protocolos — sendo impedido de operar porque não entregou um plano minucioso prevendo cada batimento cardíaco do paciente. Na saúde, a sociedade ainda preserva a autonomia do especialista; na educação, o neoliberalismo impôs o "gerencialismo" (o famigerado New Public Management), convertendo a escola em uma repartição auditável onde o "planejamento" não serve ao aluno, mas ao fiscal.

A comparação é amarga: dizem que o aluno quer apenas a aprovação com o menor esforço, enquanto o paciente anseia pela cura. Mas sejamos honestos: essa apatia discente não é causa, é sintoma. O aluno é a primeira vítima dessa engrenagem que transformou a descoberta em uma linha de montagem de competências rasas. Quando coordenadores — muitas vezes reduzidos pelo sistema a auditores e vigias — exigem planos anuais, semanais e "alternativos" sob ameaça de bloqueio salarial, eles não estão zelando pelo ensino. Estão alimentando uma burocracia de controle que, ironicamente, retém o caderno de planejamento por dias, deixando o professor lecionar "sem bússola" enquanto o papel descansa em uma gaveta administrativa.

Criticar essa função de vigilância não é um ataque à Pedagogia, mas à sua deturpação burocrática. O problema não é o planejamento em si — instrumento vital para a reflexão —, mas o planejamento como fetiche, como "caderninho enfeitado" para satisfazer tutores e promover aparências. Como defende Henry Giroux, o professor deve ser um intelectual transformador, não um executor de scripts. Um bom esquema, construído no diálogo e na colaboração dos alunos, vale mais do que mil páginas de um RODA (Roteiro de Didática Aplicada) que ignora a realidade pulsante da sala de aula.

A metástase desse controle chegou com a tecnologia: o diário eletrônico prometia liberdade, mas trouxe apenas noites insones "enchendo linguiça" digital para mascarar o fato de que o aluno semianalfabeto é o resultado real desse desleixo institucionalizado. Se o objetivo é o sucesso, John Ruskin já alertava: para ser feliz, o homem não deve trabalhar demais e deve sentir o êxito do seu esforço. Hoje, sentimos apenas o peso de uma engrenagem que privatiza o sucesso e socializa o fracasso.

Edito este texto anos depois, vendo a profecia do RODA se consolidar em Goiás. Não precisamos de mais formulários; precisamos de autonomia, financiamento e dignidade. A resistência não é individual, é um coro. Pois defender a liberdade de ensinar não é corporativismo — é a última trincheira de uma sociedade que ainda ousa pensar.


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Como seu professor de Sociologia, trago hoje uma análise sobre a Sociologia das Organizações e o Mundo do Trabalho. O texto que lemos critica como a escola está sendo gerida como se fosse uma empresa, focando mais em papéis do que em pessoas. Aqui estão 5 questões para exercitarmos nosso olhar crítico sobre o sistema educacional:


1. O Conceito de Gerencialismo (New Public Management) O texto afirma que o "gerencialismo" transformou a escola em uma "repartição auditável". Questão: Na sociologia, como esse modelo de gestão empresarial (focado em metas, auditorias e resultados mensuráveis) altera a relação entre o professor e o seu trabalho? A educação deve ser tratada como um "serviço" ou como um "direito humano"?

2. Apatia Discente: Causa ou Sintoma? O autor argumenta que o desinteresse do aluno ("querer apenas a aprovação") é um sintoma de um sistema que transformou a educação em uma "linha de montagem". Questão: Explique como a padronização do ensino e a burocracia excessiva podem destruir a curiosidade natural do aluno e sua vontade de aprender.

3. Autonomia Profissional e Vigilância. O cronista compara o professor ao médico, notando que a sociedade valoriza e confia mais na autonomia do médico do que na do docente. Questão: Por que o sistema educacional prefere transformar coordenadores em "vigias de papéis" em vez de parceiros pedagógicos? Quais são as consequências da perda de autonomia para o profissional que está na ponta do sistema (a sala de aula)?

4. O Fetiche do Planejamento. O texto distingue o "planejamento como reflexão" do "planejamento como fetiche" (o caderninho enfeitado para o fiscal ver). Questão: De acordo com as ideias de Henry Giroux citadas no texto, o que significa o professor ser um "intelectual transformador" em oposição a ser um mero "executor de scripts"?

5. Tecnologia e Intensificação do Trabalho. O autor menciona que o diário eletrônico e as novas tecnologias trouxeram "noites insones" em vez de liberdade. Questão: Como o uso da tecnologia na educação pode ser usado para aumentar o controle burocrático sobre o professor (a "metástase do controle") em vez de facilitar o processo de ensino-aprendizagem?

Dica do Prof: Para responder, pensem no conceito de Alienação de Marx — quando o trabalhador perde o sentido do que está produzindo porque está focado apenas em cumprir etapas burocráticas e manuais.

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