"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 15 de novembro de 2014

AULA SHOW E PANDEMIA ("O show já terminou/Vamos voltar à realidade/Não precisamos mais/Usar aquela maquiagem/Que escondeu do nós/Uma verdade que insistimos em não ver" - Roberto Carlos)



Crônica

AULA SHOW E PANDEMIA ("O show já terminou/Vamos voltar à realidade/Não precisamos mais/Usar aquela maquiagem/Que escondeu do nós/Uma verdade que insistimos em não ver" - Roberto Carlos)

Por Claudeci Ferreira de Andrade


           Quem é o professor show? Seria o ministrante de aula show? É o sonho de todo coordenador pedagógico ter na sua unidade escolar só professores show, do tipo a fazer aulas criativas e atraentes, como aquelas dos profissionais dos cursinhos para vestibular! Uma pena, apesar dos professores quererem tanto estar na mídia, mas não é possível fazer de todas as aulas um show. A culpa é do próprio sistema engendrado pelos pedagogos administradores e técnicos atrás do seu próprio show, amassando barro e assediando os seus dependentes, subjugando-os com metodologias estranhas ao verdadeiro papel da escola, pois lhe importa o controle. A maleabilidade do pobre servidor é um forte indicador de seu sucesso: "o bife que nos alimenta, quanto mais apanha, mais macio e gostoso fica"! (não do ponto de vista do bife).
           Não é possível tornar todas as aulas de Língua Portuguesa numa peça teatral, a menos que eu de forma alguma tenha compromisso em cumprir o currículo mínimo, adotado e recomendado pela Secretaria de Educação. Pois, alguns momentos preciosos dos 50min da aula é tomado, todos os dias, fazendo chamada de aluno no jeito tradicional. Toma-se outra parte do tempo com facção e verificação das atividades em classe atribuindo nota, tarefa para casa jamais, a maioria do alunado público já está no mercado de trabalho, e a única forma de promoção é facilitada. A distribuição do lanche na sala vai além do tempo do recreio. E sequer tenha um dia sem as interrupções variadas de propagandistas de produtos incompatíveis com o ambiente escolar. Somam-se ainda as visitas da administração da unidade em sala, trazendo avisos e distribuição de bilhetes, também demandando o tempo da aula e a atenção dos alunos. Os alunos da sala vizinha vêm pedir coisas emprestadas e é permitido, pois os livros e lápis são escassos, sem falar do Grêmio Estudantil. Essa movimentação diversificada talvez seja a aula show tão esperada, e eu nem estou vendo debaixo de meu nariz, chego a pensar isso, pelos favorecimentos e naturalidade com que acontece.
           O aluno, cliente do show, gosta, porque nunca tem de fazer nada é só assistir ao espetáculo, o mestre faz seu show(zinho) e se algum estudante quiser aprender alguma coisa útil, se vire! Vejam a participação da classe  nesta aula modelo: (https://www.youtube.com/watch?v=fgjmGPO6qww) (acessado em 27/05/2020). Será ser esta "palhaçada" que o sistema educacional precisa para vencer o caos?  Nesse caso, o professor deve ser um compositor; logo então, o Estado terá de contratar só músicos, mágicos, dançarinos, palhaços e atores para dar aulas, pois sendo só professor não servirá. E assim os alunos serão tão cultos como são espirituais, os quais ouvem e cantam música gospel e usufruindo do mundo! Lembrando que pelas minhas tentativas, ainda sim, meu show é ruim, alguns se atreveram a me apelidar de professor "Girafales". E no final será como canta o Rei Roberto Carlos: 
"O show já terminou
Vamos voltar à realidade
Não precisamos mais
Usar aquela maquiagem
Que escondeu do nós 
Uma verdade que insistimos em não ver".           
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 09/11/2014
Reeditado em 15/11/2014
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sábado, 1 de novembro de 2014

"SERÃO COMO DEUS" (Uma forma de ser Deus é criar um Deus e obrigar que os outros o respeitem)



Crônica Filosófica

"SERÃO COMO DEUS" (Uma forma de ser Deus é criar um Deus e obrigar que os outros o respeitem)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

            O "penso logo existo" de Descarte, leva-me a concluir sobre meu pensar ser meu criador, porque já criara meu Deus! isso só prova que o Deus das igrejas é aplacável assim, por ter sido concebido pelo homem! Se não, por que gosta de adoração como homens? Por que precisa de meus préstimos humanos? Então, disse Ferreira Gullar: "Em face da imprevisibilidade da vida, inventamos Deus, que nos protege da bala perdida". Só Lhe criamos formas de adoração e palavras de louvor se soubermos conceituá-Lo positivamente, logo nomeamos e conceituamos coisas conhecidas E Dominadas, portanto o Deus que criamos para adorar nos representa devidamente. Nos espelhamos no ideal que queremos, saciando a nossa sede de divindade. Disse a serpente à mulher: "Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dela comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal". (Gênesis 3:4-5). Uma forma de ser Deus é criar um Deus para si, humanizado e obrigar os outros respeitá-Lo e, por tabela, as pessoas respeitar-lo-ão também. Isso é notório quando, cumprimentam-se os irmãos de uma comunidade com a expressão: "paz do senhor, irmão"! Porém, só é digno, quem comunga da mesma fé! Manipulam-se a muitos pelo o seu Deus. Por que um mundano nem mereceria tal saudação?
           Outra maneira de ser Deus é brincar de fazer leis. Todas as leis que o universo precisa já foram estabelecidas. Nascemos com elas no DNA e ´posteriormente na consciência. Mas, há quem tenciona manipular seu semelhante com normas morais, culturais e de usos e costumes, escravizando e tornando a vida penosa e dependente dos maiorais, ou melhor, essas emendas servem para fazer os grandes e poderosos mais ainda. Já dizia Sólon: "As leis são como as teias de aranha que apanham os pequenos insectos e são rasgadas pelos grandes." Esse pensamento é verdadeiro quando se trata de leis feitas por homens ambiciosos. Parece-me que foi o Pr. Caio Fábio quem disse: "...Portanto, quanto mais Lei, mais transgressão, e mais culpa." Talvez seja por isso, em todas as tardes, depois de lecionar em minhas classes, estou sempre com a consciência culpada, sentindo uma sensação de desconforto, um mal-estar mental. As regras humanas nos sobrecarregam, minando nossa disposição a cumprir as Divinas.
           Por que não? Como explicar a miséria do mundo com tanta igreja  e tantos "adoradores ideais", e dádivas, e sacrifícios dispendiosos como o fez a Igreja Universal, construindo o "Templo de Salomão"? Um monumento pomposo realmente digno de adoração, e a quaisquer coisas que ali se agreguem torna-se-ão abençoadas: adoradas e adoradoras! Feitos por mãos homanas altares para honrar os  vinculados, contudo jamais é capaz de fazer cair os índices de violência nos seus arredores. Nessa casa, Deus é um luxo! Em outra casa, Jesus se disse Deus, sendo homem sem luxo algum; eu também sou Deus em minha esfera ou Demônio de mim mesmo, consoante aos meus ideais, os mesmos transferíveis aos meus adorados ídolos, construídos por mim, depois de condensados em uma Divindade cristalizada, também posso lhe vendê-los, se eu quiser.
            Seu Deus, fanático, é exatamente a sua representação. Por que os meus piores alunos se dizem Evangélicos, sem consequência alguma? Então me arrisco dizer, há sim um verdadeiro Deus o qual talvez seja uma força geradora que existiu antes do nada, Aquela que estava em lugar nenhum antes do "Big-Bang" e o fez acontecer. Porque é impossível está ausente dEle, e ninguém O conhece e nem O conhecerá, por isso não sei absolutamente nada dEle, apena sei de mim, como uma célula sem mesmo a noção das dimensões fruitivas do corpo o qual pertence. E, como eu, saudáveis células recebem seu alimento (físico, mental e espiritual) do meio sensível e sensorial, por contatos conhecidos e desconhecidos. Assim, procede meu Deus. Oxalá meu comportamento condiga com Ele, pois a minha coincidência sempre foi providencial! Portanto, minha religião é viver e seguir, por determinação, as evidências naturais, ou seja, seguir as leis naturais, ainda que não me dê o céu, dar-me-á o inferno, por um julgamento justo e autônomo, e o meu louvor nada Lhe serve, minhas orações são meras repetições do que Ele já sabe, apenas me confortam com ilusões de mim para mim mesmo. Sei também que os donos do Deus Igrejeiro criam leis e normas e põem seu Deus para vigiá-las e atribuir consequências a quem quer que transgredi-las. Ao contrário, Cumpro leis essenciais. Por isso, digo como Napoleão Bonaparte: "A religião é aquilo que impede os pobres de matarem os ricos". Inegável mesmo é a comprovação cristã que os pobres matam os pobres, e os ricos matam os ricos e pobres! 
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 26/10/2014
Reeditado em 31/10/2014
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sábado, 25 de outubro de 2014

COORDENADAS ADITIVAS (SE NINGUÉM NÃO TE ESCOLHEU PARA NADA, É PORQUE NÃO TENS TALENTO ALGUM! )



Crônica

COORDENADAS ADITIVAS (SE NINGUÉM NÃO TE ESCOLHEU PARA NADA, É PORQUE NÃO TENS TALENTO ALGUM! )

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Nem sempre ensina quem sabe mais, mas também os que nem sabem estão ensinando!!! Sempre mesmo, é o tolo lutando com suas tolices, pois nem sabe que não sabe. Todavia, nunca se admite aprender por orgulho e se esquiva por medo, ele jamais quer responsabilidade.
           Eu queria entender a voz das igrejas: "de quem sabe mais, mais lhe será cobrado". Penso não ser justo que um mesmo objeto necessário a todos seja vendido caro para quem tem muito dinheiro e barato a quem tem pouco dinheiro. Como se aplica a ideologia da injustiça: "dois pesos e duas medidas", tão condenada pela Bíblia?
           Talvez seja assim como dita o provérbio chinês: "Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com um pão, e, ao se encontrarem, trocarem os pães, cada um vai embora com um. Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com uma ideia, e, ao se encontrarem, trocarem as ideias, cada um vai embora com duas." Ensinar é um somar de conhecimentos, nunca eu mando, e você aprende o que eu quero. Eu apenas lhe apresento minhas ideias sem anular as suas. 
           Se você é de nada, não lhe convidam a ensinar nada! Talvez o chame com a finalidade apenas de ser aluno! SE NINGUÉM LHE ESCOLHEU PARA NADA, É PORQUE Nunca Teve TALENTO ALGUM! POIS, TALENTO ENTERRADO É TALENTO MINADO!!!! Fingir-se talentoso, e ainda, sem ninguém o chamar, oferece-se, será pois somente desprezado ou escravizado, por prestar uma laboriosidade sem qualidade. Qualifique-se, faça a diferença; leia os livros lidos pelos seus heróis! Se não descobriu ainda o que eles leram, então procure outros heróis, esses estão sendo mau exemplo, pois todos os famosos foram convidados a subir à escada do sucesso e jamais apagaram seus rastros. E esses rastros o convida a subir também. Confirmamos usando as palavras de Salomão:" Viste o homem diligente na sua obra? Perante reis será posto; não permanecerá entre os de posição inferior." (Pv 22:29). Também concordo com Michel de Montaigne: "O lucro do nosso estudo é tornarmo-nos melhores e mais sábios".
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 29/09/2014
Reeditado em 25/10/2014
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sábado, 18 de outubro de 2014

O Espelho Partido: Entre o Jaleco e a Burocracia ("A primeira fase do saber, é amar os nossos professores." – Erasmo de Rotterdam, teólogo.)



Crônica

O Espelho Partido: Entre o Jaleco e a Burocracia ("A primeira fase do saber, é amar os nossos professores." – Erasmo de Rotterdam, teólogo.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Há um fenômeno intrigante na sala dos professores: o aluno que é silêncio em uma aula e caos em outra. Nessa coreografia de tensões, colega, o que nos fere não é apenas a indisciplina em si, mas a maneira como o sistema nos lança em um jogo perverso de “quem educa melhor”, fragmentando a solidariedade docente. Muitas vezes, o desespero discente — que se manifesta em agressões morais ou denúncias vazias — é o grito de quem foi moldado por uma estrutura que valoriza a nota acima do saber e a disciplina externa acima da ética interior. Ao final, o jaleco branco, símbolo da autoridade intelectual, termina manchado por uma lama que não é dos alunos, mas de uma engrenagem que nos desautoriza.

O sistema educacional padece de uma profunda miopia institucional. Enquanto a Educação trata a “disciplina” como conteúdo formativo, a gestão frequentemente a reduz a mero comportamento dócil. Vive-se, assim, um falso conforto: métodos são sacrificados em nome da manutenção de uma ordem aparente. O professor de Língua Portuguesa, ao constatar o abismo entre ensino e aprendizagem nas redações, encontra-se isolado; se expõe o erro em busca de um caminho comum, é julgado; se silencia, torna-se cúmplice. Como advertia Victor Hugo: "Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha". Nesse cenário, a meritocracia converte-se em ficção, pois não há justiça estrutural que ampare quem atua na linha de frente.

É preciso, com urgência, nomear os responsáveis por esse naufrágio. O problema não é o “diabo” em sala de aula, mas um desígnio sistêmico que se expressa em três frentes principais:

A gestão de fachada, que privilegia o cumprimento de metas burocráticas em detrimento do apoio real diante da violência escolar.

O isolamento docente, no qual a ausência de colaboração entre pares permite que sejamos colocados uns contra os outros.

A instrumentalização do aluno, que aprende precocemente a utilizar o sistema de denúncias para ocultar a lacuna do conhecimento.

Reconstruir o que restou exige mais do que resistência: exige práxis. São necessárias políticas efetivas de saúde mental, uma gestão que compartilhe riscos — e não apenas cobranças — e um currículo que dispense iscas vazias, permitindo que o conhecimento seja desejado por sua própria potência de vida. Goethe estava certo: aprende-se com quem se gosta. Mas, para que o amor retorne à educação, é indispensável que a escola deixe de ser um campo de batalha e volte a ser o espaço onde o humano se reconhece no outro.


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Como seu professor de Sociologia, convido vocês a analisarem este texto que toca em um ponto sensível: a crise de identidade das nossas escolas. O autor nos propõe olhar para além da bagunça em sala de aula e enxergar os problemas de estrutura e gestão que afetam tanto quem ensina quanto quem aprende. Para nossa aula, preparei 5 questões que conectam esse texto aos conceitos de instituições sociais, solidariedade e poder.


1. A Fragmentação da Solidariedade Docente O texto menciona que o sistema coloca professores uns contra os outros em um jogo de "quem educa melhor". Questão: Utilizando o conceito de Solidariedade Orgânica de Émile Durkheim, explique como o isolamento dos professores e a falta de colaboração entre colegas prejudicam o funcionamento da "engrenagem" escolar.

2. Disciplina: Comportamento ou Conhecimento? O autor diferencia a disciplina como "conteúdo formativo" da disciplina como "comportamento dócil". Questão: Quando uma escola foca apenas em manter os alunos quietos (ordem aparente) em vez de focar no aprendizado real, que tipo de cidadão ela está ajudando a formar? Relacione sua resposta à ideia de "gestão de fachada" citada no texto.

3. A Instrumentalização do Aluno. O texto afirma que o aluno aprende a usar "denúncias vazias" para esconder lacunas de aprendizado. Questão: De que forma a troca do esforço pelo saber pelo uso de estratégias de manipulação do sistema reflete uma falha na função social da escola? Por que o autor diz que o aluno é a "primeira vítima" dessa engrenagem?

4. A Crítica à Meritocracia no Sistema Atual. Segundo o texto, a meritocracia na escola atual é uma "ficção" porque não há justiça estrutural para quem está na linha de frente. Questão: Por que não podemos falar em mérito (sucesso por esforço próprio) quando o sistema ignora as dificuldades reais de professores e alunos, priorizando apenas metas burocráticas?

5. Educação como Práxis e Humanização. O encerramento do texto sugere que a escola deve ser um espaço onde "o humano se reconhece no outro". Questão: Baseado na ideia de Educação Libertadora (ou Práxis), como o diálogo e o afeto ("aprende-se com quem se gosta") podem transformar a escola de um "campo de batalha" em um espaço de construção do conhecimento?

Dica do Prof: Ao responder, tente não focar apenas na sua opinião pessoal, mas em como as regras da "engrenagem" (o sistema) influenciam o comportamento das pessoas dentro da escola.

Olá! Boa tarde!.....dizem que é melhor apartar para melhor reinar... pode ser que façam isso para que a discórdia apareça... bom é estar preparado para ela... que cada um se una a seus pares e não deixe que o Mal prevaleça... texto sincero... e dolorido.. ...... e hoje eu também tenho - Posse - ..... Um beijo azul com saudades

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O OSSO DURO DE ROER ("Por mais que o osso esteja duro de Roer... Tem sempre alguém querendo tomar ele de você!— Matheus Carreiro)



Crônica

O OSSO DURO DE ROER ("Por mais que o osso esteja duro de Roer... Tem sempre alguém querendo tomar ele de você!— Matheus Carreiro)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           O sistema educacional brasileiro público, sobretudo em Goiás com seu IDEB  campeão no país, é, na verdade, um defunto. Vamos confirmar isso, agora, depois da pandemias. E o futuro é previsível, imagine um defunto, o qual os seus familiares relutam em enterrar. Apenas embalsamam e usam maquiagem, Apesar do tudo o mais, o mau cheiro já denuncia a deterioração. Todavia, só acreditarei em ressurreição, se os filhos dos professores começarem a estudar nas escolas onde eles lecionam! É difícil achar um professor que rejeitou outras opções, priorizando o magistério, quase todos o são por falta delas. Depois se encontram em um ambiente tão morno, ficando difícil sair do caldeirão da bruxa. Uma vez cozido, vira comida preciosa de políticos! É como já disse Luigi Pirandello: "A educação é inimiga da sabedoria, porque a educação torna necessárias muitas coisas das quais, para sermos sábios, nos deveríamos ver livres."
           Depositei a gota d'água, quando tentei me mostrar zeloso pela língua, então escrevi lá: " Quero votar em um candidato a presidente, pois nunca suportei a palavra "PRESIDENTA". Devem ter me achado machista demais, mas eu de forma alguma defendi a palavra "DENTISTO", só não queria mais transtornos linguísticos.
           Sou um semelhante a muitos outros da educação, eu nunca quis sair do Grupo: "Mobilização dos professores de Goiás" (Facebook). Pelo contrário, sempre pensei que tínhamos algo em comum. Mas, de tanto postar perguntas reflexivas e receber afrontas de professores como respostas, fui, cada vez mais, provocando e provocado, e eles, dessa vez, reagiram radicalmente, banindo-me do seu meio virtual, então não posso postar mais nada e nem comentar nada aos seus 20.000 membros, supus ser meus colegas de profissão, os tais que só pensam em salário, talvez, todos bem intencionados. Lembrando que, nem sempre, colega é amigo, o sistema se fez assim, por dentro e por fora, de perto e de longe. Antigamente, os incomodados se retiravam, porém hoje são os incomodadores retirados. Será se a verdade incomoda os da zona de conforto? Ainda nem sei o que poderia ser confortável ao derredor do cadáver, evitando a hora de sepultamento! Já fede! Então, continuarei procurando uma razão suprema para a frase: "Os iguais se protegem".   
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 18/09/2014
Reeditado em 10/10/2014
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sábado, 4 de outubro de 2014

A VULGARIDADE DE UMA SALA DE AULA ("Um pai vale mais do que uma centena de mestres-escola". — George Herbert)



Crônica

A VULGARIDADE DE UMA SALA DE AULA ("Um pai vale mais do que uma centena de mestres-escola". — George Herbert)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Ao adentrar a sala 6, sou recebido por uma sinfonia dissonante de cadeiras arrastadas e burburinho incessante. O ar está denso de expectativas não correspondidas, e eu, como maestro relutante, tento reger este caos.

Respiro fundo, ajusto meus óculos e inicio a aula, minha voz competindo com o ruído ambiente. É como tentar acender um fósforo em meio a um furacão. João, com seu eterno "posso ir ao banheiro?", inicia o desfile de desculpas. Maria chega atrasada, sua mochila arrastando no chão como um troféu de guerra. No fundo, Pedro e Ana cochicham, seus olhos brilhando com a empolgação de quem compartilha segredos universais.

Os astutos sabem bem o jogo que jogam. Esperam que o tumulto inicial me faça adiar o começo da aula, mas não cedo. Começo mesmo assim, ignorando a balbúrdia. Quando percebem o andamento, alguns tentam atrapalhar de forma mais sutil. Carla pede que eu repita a explicação, claro, porque estava ocupada demais com mensagens sob a carteira.

O problema, percebo, está na base que nunca construíram. Cada aula se torna um ciclo infindável de dúvidas e retrocessos. Os poucos responsáveis logo se veem desestimulados pelos colegas que preferem se esconder em desculpas: "Num truce o livro, sinhô!" Como se o peso do material fosse o verdadeiro inimigo da aprendizagem.

Mais intrigantes são os que se fingem de bons alunos. Cobram disciplina, reclamam da bagunça, mas alimentam o vício dos indisciplinados, emprestando cadernos para cópia. Solidariedade ou conivência? Para mim, é a segunda opção. E se ouso corrigir essa injustiça, o rótulo de discriminador recai e homofobia sobre mim.

O verdadeiro golpe, no entanto, vem do sistema. Pressionado por estatísticas, sou coagido a aprovar todos, independentemente do desempenho real. A escola se torna uma fábrica de mediocridade, onde o conhecimento é secundário e as aparências, primordiais.

Mas então, no meio do caos, vejo os olhos atentos de Luísa, absorvendo cada palavra. Ela me lembra por que estou aqui. A aula continua, uma dança entre o desejo de ensinar e a resistência em aprender. Alguns transformam a sala em circo, outros silenciosamente absorvem o conhecimento como esponjas sedentas.

Ao final, exausto mas não derrotado, reflito. A educação é como plantar sementes em solo às vezes árido. Algumas brotarão imediatamente, outras levarão tempo, algumas talvez nunca germinem. Mas continuamos plantando, dia após dia, na esperança de um futuro mais brilhante.

Saio da sala com um sorriso cansado. Amanhã será outro dia, outra chance de fazer a diferença. Porque é isso que nós, professores, fazemos: acreditamos no potencial de cada aluno, mesmo quando eles ainda não conseguem ver.

Nesta sociedade onde a superficialidade reina, a sala de aula me ensina mais sobre as pessoas do que qualquer livro. Entre atalhos e desculpas, questiono: ainda há espaço para o verdadeiro aprendizado? Mas persisto, porque talvez um dia, quando menos esperarmos, aquela semente plantada em meio ao caos finalmente floresça, transformando não apenas uma vida, mas o mundo ao seu redor.

Com base no relato do professor, proponho as seguintes questões para reflexão e discussão:

O texto apresenta um retrato desafiador da sala de aula. Quais os principais obstáculos enfrentados pelo professor no seu dia a dia?

A questão da disciplina é central no relato. Como o professor pode lidar com a falta de disciplina dos alunos, sem comprometer a relação professor-aluno?

O autor menciona a pressão por resultados e a necessidade de aprovar todos os alunos. Quais as consequências dessa prática para a qualidade do ensino e para o aprendizado dos alunos?

O texto destaca a importância da motivação dos alunos. Como o professor pode despertar o interesse dos alunos pelo conteúdo e estimular a aprendizagem autônoma?

A figura do aluno que "se finge de bom" é interessante. Por que alguns alunos adotam esse comportamento e quais as implicações para o ambiente escolar?

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sábado, 27 de setembro de 2014

A PANDEMIA PERGUNTA: POR QUE ELES FREQUENTAM A ESCOLA? ("Entre as diversas formas de mendicância, a mais humilhante é a do amor implorado." — Carlos Drummond de Andrade)



crônica

A PANDEMIA PERGUNTA: POR QUE ELES FREQUENTAM A ESCOLA? ("Entre as diversas formas de mendicância, a mais humilhante é a do amor implorado." — Carlos Drummond de Andrade)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

            Hoje me preocupou mais uma vez a constatação, a qual eu chegara há muito tempo atrás. Desta vez, quando reclamava do barulho desrespeitoso e todo tipo de perturbação à minha aula no matutino, uma aluna, daquelas avessa à filosofia, disse: "é que você não tem autoridade". Bem, minha autoridade vem do Satanás – expliquei ironizando – então os endeusados OPÕEM-SE, e com razão, às minhas ordens, só para se mostrarem diferentes, ACHANDO QUE SÃO GRANDES. Mas... e se o Demônio nunca existiu? Eles estão fazendo revoltas contra o nada novamente, fortalecendo suas ilusões, mais uma evidência de ignorância. E nessa situação desejei ardentemente ir morar o inferno, TALVEZ EXISTA, porque para lá, vou por méritos próprios, pelo menos serei digno, e ao céu só se vai pelos méritos de Jesus, como dizem esses "crentes". Por isso, jamais quero me sentir indigno na "carona" de alguém de outra cultura e rodeado de aproveitadores. Por certo, salvo no paraíso, eu nunca saberia viver em paz juntos a esse tanto de gente sem amor e egoísta ("Escola de Deus em tempo integral").
           À tarde, aconteceu o mesmo neste dia desfavorável, eu tentava impor respeito naquela sala de 8º ano irreverente, aplicando a experiência aprendida no matutino, foi quando uma aluna, daquelas corpulentas e intimidadoras, em distorção série/idade, diz-me com todas as letras: "Você não é de nada, só tem conversa".  Então, só me restou concordar, pois se eu fosse melhor, nem estaria aguentado tanta humilhação de pessoas daquele jeito. Pelo menos, ouvi dela que só tenho conversa, ou seja, sou mentiroso: qualidade dos infernais. Enquadrou-me no lugar certo: filho do satanás. 
          É sempre assim, na entrega dos boletins, final de bimestre, todo aluno é bom, educado e cumpridor de seus deveres, as notas baixas que por ventura pintam seu boletim é porque o professor é ruim, mal educado e não cumpridor de seu dever. Dizem eles aos pais. A desgraça nossa, é eles acreditarem sempre nos filhos e de forma alguma nos professores. Afinal, a culpa da maior parte do fracasso da educação dos jovens de hoje é inteiramente dos pais. Como estão sofrendo para tolerar seus filhos em quarentena por causa da pandemia, FELIZES os que recebem cestas básicas da merenda escolar. 
           No dia anterior, eu assistia a muitos alunos colando no simulado, sendo mais direto, na prova diagnóstica do governo. Isso deveria ser um treino para fixar as matérias na mente, porém, está sendo, sim, um treino para desenvolver técnica de colar. Bons tempos quando eu, no primeiro dia de aula, apresentava-me à classe, dizendo: Sou professor de Língua Portuguesa e quero que façam isso ou aquilo, não permito isso ou aquilo e temos um currículo extensivo a ser  cumprido, imperava o imperativo! Hoje, meu discurso mudou, apenas digo: Sou Claudeci e como vocês querem minhas aulas? O como querem aprender? Vamos conversar, não precisam me denunciar por pouca coisa! O imperativo mesmo é o medo e a frouxidão obrigatória.
           Por esses casos, eu sou obrigado a concordar com Immanuel Kant, considerando minha falta de perspectiva: "É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias."
           A escola nunca cumpriu nem este e nem aquele objetivo!!!! Frustrações renitentes! E sem mais palavras, fico por aqui.
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 19/08/2014
Reeditado em 27/09/2014
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