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MINHAS PÉROLAS

sábado, 4 de outubro de 2014

A VULGARIDADE DE UMA SALA DE AULA (Assim incentivam minha criatividade e eu a deles.)



Crônica

A VULGARIDADE DE UMA SALA DE AULA (Assim incentivam minha criatividade e eu a deles.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Refugiados no direito que obriga o professor a explicar o conteúdo tantas vezes os alunos quiserem, é que desperdiçam o melhor de um novo conteúdo: a introdução. Todo começo de aula é tumultuado, parece que eles pensam que se o clima não for propício ao professor, ele não iniciará, mas o forte e determinado mestre começa mesmo assim, quando percebem que a aula está andando, e uns poucos fazendo atividade valendo "visto", então, tomados pela curiosidade,  alguns dos atrasadores do progresso começam formalizar as interrupções infrutíferas para quebrar o andamento. Porque já não conseguem  entender perfeitamente, perderam a base de tudo, por isso pedem repetições, forçando o "amassar barro". Os que ainda se mancam interrompem com modéstia: — "Prossô, posso ir no banheiro beber água?" – Que seque toda água por lá, mas que demore voltar. Outros insistem na aula particular e na atenção individualizada, chamando o professor insistentemente à sua carteira. Como se fosse o dono do professor! Mas, a maioria continuam fazendo barulho, conversando bobagens para atrapalhar o empenho dos ainda responsáveis. Eu chamo isso de socialização de baixo nível. Tenho visto o sucesso de aluno, provando que a escola não vale nada, esses precisaram dela só para atrapalhar as aulas dos outros. Cifa "Os tolos são muitas vezes promovidos a grandes empregos em utilidade e proveito dos velhacos, que melhor os sabem desfrutar".(Marquês de Maricá).
           Outro comportamento banalizador, enfeitado com uma boa desculpa, é o comportamento dos que chegam atrasados todos os dias  e arrastam cadeiras por dez minutos até se convencerem que foram vistos e se impuseram.
           Há uns que depravam com o "Num vim", nunca fazem nada por que não vieram ontem. Será que querem atribuir a culpa ao professor? Por que eles não fizeram as atividades atrasadas? Estes buscam a ajuda da coordenação, pressionam o professor por novos favores, também estão sempre bem amparados com atestados de dentistas e bilhetes assinados pelos pais para lograr atividades posteriores e facilitadas.
           O mais ridículo e aviltante comportamento é o dos alunos que cobram do professor a ordem na sala, por que eles se acham merecedores de uma boa aula, pelo fato de serem alunos dedicados, e o professor gosta é assim! Mas, estes aparentes justos fazem as atividades e emprestam o caderno para queles bagunceiros copiarem, alimentando seu vício. Os irreverentes plagiam conseguindo a mesma nota e ai do professor se não der, será taxado de discriminador: A solidariedade do suicídio. Por que os bons não se unem ao professor na discriminação do mal comportamento?
            Enfim, o sistema ( ou sei lá quem) dá sua maior parcela de trivialidade, quando pressiona a escola, e esta por sua vez, na pessoa da diretora, com pudor nenhum, coage o professor a aprovar todos os seus alunos, em nome das bonitas estatísticas para assegurar o emprego de muitos. O que é de graça não tem valor. Talvez por isso que o alunado não valoriza o sistema paternalista como está. E o termômetro do descaso é o quanto eles se importam com o livro didático que ganharam do governo! Este também é um comportamento mediocrizador da aula: O professor propõe uma atividade da página tal, evitando o gasto com a xérox, que fica caro, eles dizem: — "num truce o livro, pesa". Isto é, quando não jogam a culpa no professor, dizendo: — "o sinhô não avisô que era para trazer o livro!" Cortar palavras das revistas e jornais, como uma didática fácil e barata, para formar poemas visuais e concretos, também não querem fazer porque não cai em vestibular, é assim que incentivam minha criatividade e eu a deles: Pelos atalhos.
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 04/09/2014
Reeditado em 03/10/2014
Código do texto: T4949811
Classificação de conteúdo: seguro

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