"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sexta-feira, 8 de julho de 2016

SENTINDO-ME AGRADECIDO: Entre o Calor dos Vínculos e o Peso das Palavras ("Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus" (NVI)-1 Tesalonicenses 5:18).



Crônica


SENTINDO-ME AGRADECIDO: Entre o Calor dos Vínculos e o Peso das Palavras ("Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus" (NVI)-1 Tesalonicenses 5:18).

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Embora o dia amanheça sempre com a promessa do novo, há dias que se recusam a ficar para trás. Ontem foi um deles. Ainda carrego suas cores, seus ruídos, suas pequenas alegrias. Houve riso, houve encontro, houve informação que alimenta a esperança — dessas que não gritam, mas aquietam. Fui atravessado por boas notícias e, como quem retribui um dom recebido, procurei manter acesa a chama do aprendizado, gesto silencioso de fidelidade ao que me constitui.

O dia 7 de julho — meu aniversário — continua a reverberar. Ele expôs uma verdade recorrente da experiência humana: somos cercados por presenças que se manifestam de formas diversas, intensas e, por vezes, contraditórias. No vasto palco da internet, palavras brotaram aos montes. Muitas traziam afeto genuíno; outras pareciam apenas reflexos automáticos do hábito digital. Frutos virtuais, penso, que saciam por instantes, mas nem sempre sustentam.

A tela, é verdade, concede coragem. Atrás dela, as pessoas ousam dizer mais, sentir mais, aparentar mais. É justamente aí que sinto falta de maior responsabilidade com as palavras. Quando o afeto se reduz à performance, produz uma felicidade inflada — vistosa, porém oca. Não tenho como medir a sinceridade de cada gesto recebido. Ainda assim, escolho a gratidão. Foram mais de duzentas felicitações, e respondi a cada uma como quem honra o vínculo possível. Até hoje, esse gesto me basta. "Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus" (NVI) (1 Tessalonicenses 5:18).

Então emerge o paradoxo — esse velho conhecido da condição humana. Entre tantas vozes de afeto, duas dissonâncias insistiram em ecoar. Duas pessoas me chamaram de “arrogante”. Não ignoro a dor do rótulo, mas recuso sua superficialidade. Fui à raiz da palavra: arrogante vem do latim adrogare, exigir, reivindicar para si aquilo que não lhe foi concedido. Nesse sentido, arrogante não é quem se reconhece, mas quem se apropria indevidamente do reconhecimento.

A pergunta, então, retorna a mim: ao nomeá-los como tóxicos, torno-me também portador do veneno? Talvez. A autocrítica é inevitável quando se escreve com honestidade. O que sei é que não exijo aplausos; exijo coerência. Peço apenas que cada um se reconheça no exemplo que oferece. Estou, confesso, “grávido” das atitudes alheias — elas me atravessam, me afetam, me formam.

Aqui toco outra palavra essencial: importância. Importante é aquilo que foi importado para dentro de nós, aquilo que permitimos atravessar nossas defesas e nos transformar. Talvez eu não seja importante para alguns porque não fui acolhido nesse espaço interior. E tudo bem. A honra mútua não nasce da unanimidade, mas do reconhecimento dos limites.

Assim sigo: grato pelo muito, atento ao pouco, consciente de que, entre o calor dos vínculos e o peso das palavras, viver é aprender a escolher o que permanece.


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Olá! Como seu professor de sociologia, elaborei cinco questões que conectam o seu relato pessoal a conceitos fundamentais da disciplina, como a construção da identidade, a interação mediada pela tecnologia e a ética nas relações sociais.

Aqui estão as questões para reflexão:


1. Espetáculo e Performance Digital: O texto menciona que, na internet, as pessoas "ousam dizer mais, sentir mais, aparentar mais". Do ponto de vista sociológico, como essa necessidade de "performance" nas redes sociais pode afetar a sinceridade e a profundidade dos vínculos entre os indivíduos?

2. Responsabilidade Afetiva e Ética: O autor expressa preocupação com o uso irresponsável das palavras, que podem gerar uma "felicidade inflada". Como a falta de presença física (o "corpo a corpo") no ambiente virtual pode facilitar o descompromisso ético com o que dizemos aos outros?

3. Identidade e Rótulos Sociais: Diante da acusação de "arrogância", o texto busca a etimologia da palavra para refletir sobre o seu significado. Na sociologia, como os rótulos atribuídos por terceiros influenciam a percepção que temos de nós mesmos e a nossa posição dentro de um grupo social?

4. A Importância como Acolhimento: O autor define "importante" como aquilo que é "importado para dentro". Utilizando essa lógica, como você explicaria a diferença entre ter muitos "contatos" em uma rede social e estabelecer relações de "importância" real na vida cotidiana?

5. Gratidão e Coesão Social: O texto termina com um apelo à gratidão e ao reconhecimento dos limites. De que maneira a prática da gratidão e do respeito mútuo contribui para a coesão social e para a diminuição da "toxicidade" nas interações humanas?

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sábado, 2 de julho de 2016

DOMÍNIO DE CLASSE X DOMÍNIO DE CONTEÚDO ("Tome um rumo diferente do de costume, e quase sempre estará certo." Jean-Jacques Rousseau)



Texto

DOMÍNIO DE CLASSE X DOMÍNIO DE CONTEÚDO ("Tome um rumo diferente do de costume, e quase sempre estará certo." Jean-Jacques Rousseau)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Naquela tarde de segunda-feira, "Sol a pino", quando entrei na sala dos professores. O ar estava carregado de expectativas para a semana letiva que se iniciava. Enquanto folheava distraidamente meu planejamento, ouvi cochichos vindos do canto esquerdo da sala. "Ele não tem domínio de classe", sussurrou uma voz que reconheci como a da coordenadora pedagógica.

Aquelas palavras me atingiram como um soco no estômago. Eu, que sempre me orgulhara de minha vocação, agora me via rotulado como inadequado, diferente, quase um pária entre meus pares. O peso daquele julgamento me acompanhou pelos corredores barulhentos até minha primeira aula daquela tarde.

O termo "domínio" tem sido frequentemente usado para definir a capacidade de manter a ordem em sala. No entanto, essa palavra, quando analisada sob a luz da pedagogia, revela-se inadequada. Ela coisifica os alunos, reduzindo-os a meros objetos de controle. Quando penso no "domínio" que muitos administradores escolares valorizam, não posso deixar de refletir sobre a sua conexão com a imposição e a dominação.

Ao entrar na sala do 6º ano, fui recebido por um mar de rostos inquietos e vozes exaltadas. Respirei fundo, lembrando-me das palavras de Platão: "Não eduques as crianças nas várias disciplinas recorrendo à força, mas como se fosse um jogo". Com esse pensamento em mente, decidi tentar uma abordagem diferente.

"Hoje", anunciei com um sorriso, "vamos fazer uma viagem no tempo". Os olhares curiosos se voltaram para mim. Por um momento, o caos deu lugar à atenção. Comecei a narrar a história da Grécia Antiga, pintando imagens de filósofos em togas brancas e jovens discutindo ideias sob oliveiras centenárias.

À medida que a aula avançava, percebi que alguns alunos começavam a se envolver, fazendo perguntas e compartilhando suas próprias ideias. Outros, no entanto, permaneciam distantes, presos em seus próprios mundos de conversas paralelas e mensagens de celular. Esta realidade reflete um sistema educacional que muitas vezes valoriza mais o controle do que a criatividade.

Ao final da aula, fiquei refletindo sobre o significado de "domínio". Não era sobre controle ou submissão, concluí. Era sobre despertar a curiosidade, cultivar o desejo de aprender. Como Clarice Lispector disse, "A palavra é meu domínio sobre o mundo". E ali estava minha missão: não dominar alunos, mas ajudá-los a dominar o conhecimento.

A pressão sobre os educadores é imensa. Reprovar alunos como forma de punição, ou mesmo tentar controlar comportamentos através de notas, é visto não como uma estratégia pedagógica, mas como um ataque ao sucesso da escola. Quando as salas de aula são superlotadas e a indisciplina predomina, a transmissão de conhecimento se torna um desafio quase impossível.

Nos dias que se seguiram, enfrentei os desafios com uma nova perspectiva. Cada aula era uma oportunidade de criar conexões, de transformar a matéria em algo vivo e pulsante. Nem sempre era fácil. Havia dias em que o cansaço e a frustração ameaçavam me dominar.

A realidade do ensino nas escolas públicas é muitas vezes um retrato de desilusão. O "lanche gostoso" da escola muitas vezes serve apenas para preencher estômagos vazios, enquanto as mentes dos alunos são deixadas de lado. O maior reflexo desse fracasso está na presença de alunos analfabetos no sexto ano, um sinal evidente de que algo está profundamente errado.

Mas então, numa tarde de quinta-feira, aconteceu algo que mudou tudo. João, um aluno que sempre parecera desinteressado, me procurou após a aula. "Professor", ele disse, os olhos brilhando, "nunca pensei que história pudesse ser tão legal". Naquele momento, entendi que meu verdadeiro domínio não estava no silêncio forçado ou na obediência cega, mas no poder de inspirar.

Ao final daquele ano letivo, olhei para minha turma e vi não apenas alunos, mas jovens pensadores, questionadores, sonhadores. Talvez eu nunca fosse o professor com o "domínio de classe" que a coordenação desejava. Mas havia conquistado algo muito mais valioso: o respeito e o interesse genuíno dos meus alunos.

A filosofia de Platão, que defende um ensino que respeite a liberdade e a disposição natural dos alunos, parece ter se perdido no turbilhão da burocracia escolar. No entanto, minha experiência mostrou que é possível recuperá-la, mesmo em meio às adversidades do sistema educacional atual.

E assim, querido leitor, deixo com você esta reflexão: o verdadeiro domínio na educação não está em silenciar vozes, mas em amplificá-las. Não está em controlar corpos, mas em libertar mentes. Está em acender a chama da curiosidade e deixá-la queimar livremente, iluminando caminhos que vão muito além das paredes da sala de aula. A escola deve ser um lugar onde o aprendizado é valorizado e a criatividade é incentivada. E, assim como o cachorro que volta ao que vomitou, a educação não deve se revolver na lama da conformidade, mas sim alçar voo, como os pássaros guiados pelo vento da sabedoria.

Com base no texto apresentado, elabore respostas completas e detalhadas para as seguintes questões:

O texto critica a concepção tradicional de "domínio de classe". Qual a principal crítica apresentada pelo autor e quais as alternativas propostas por ele?

Como as citações de Platão e Clarice Lispector contribuem para a construção da argumentação do autor sobre a educação?

De que forma a experiência pessoal do autor em sala de aula ilustra os desafios e as possibilidades da educação contemporânea?

O texto estabelece uma relação entre o conceito de "domínio" e o sistema educacional como um todo. Quais as implicações dessa relação para a qualidade do ensino?

Qual a importância da criatividade e da autonomia dos alunos no processo de ensino-aprendizagem, segundo o autor?

Estas questões abordam os seguintes aspectos do texto:

Crítica à concepção tradicional de educação: A primeira questão explora a crítica central do texto à ideia de "domínio" como sinônimo de controle e submissão.

Uso de referências teóricas: A segunda questão analisa como as citações de filósofos e escritores servem para fundamentar a argumentação do autor.

Experiência pessoal: A terceira questão explora a importância da experiência pessoal do autor como base para suas reflexões sobre a educação.

Sistema educacional: A quarta questão amplia a discussão para o sistema educacional como um todo, analisando as implicações da concepção de "domínio" para a qualidade do ensino.

Criatividade e autonomia: A quinta questão destaca a importância da criatividade e da autonomia dos alunos como elementos fundamentais para uma educação de qualidade.

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sábado, 18 de junho de 2016

COMO ENSINAR INIMIGOS ("Nunca interrompas o teu inimigo enquanto estiver a cometer um erro". Napoleão Bonaparte)


Crônica da vida escolar

COMO ENSINAR INIMIGOS  ("Nunca interrompas o teu inimigo enquanto estiver a cometer um erro". Napoleão Bonaparte)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Na verdade, eu não ensino inimigo algum, ou melhor, não revelo meus melhores truques a quem se protege de mim, ou me tem em pouca estima. Porque ele é um destruidor de minha imagem. E como o mal é de igual poder de contaminação do bem, não posso alimentar de esperança um inimigo destruidor de meus projetos de vida. Mesmo assim, senti-me receoso e relutante ao chamar de inimigo, os meus alunos militantes e ativistas, denunciadores gratuitos, afrontadores para me derrubar, ameaçadores violentos. Esses são somente as vozes do cemitério que me oferecem desânimo. Afinal, quem é o inimigo de quem? Eu que eles me fizeram ou eles que os fiz? Confesso que cheguei, por um instante, a pensar que lhes promovo motivos. Mas, conformei-me nos conceitos do dicionário Aurélio: Inimigo - "adj. e s.m. Que ou o que odeia alguém, que procura prejudicá-lo. Que ou o que tem aversão a certas coisas: inimigo do ruído. Nação, país com que estamos em guerra: vencer o inimigo; exército inimigo. Adversário, contrário." Eu não sou assim...Gosto dos meus alunos humildes. Inimigos são orgulhosos e "mimizeiros"!
           O estado deveria processar os maus alunos e seus pais para fazê-los devolver o dinheiro público investido neles, mantendo outros mais dedicados na escola pública com melhor qualidade. Li aqui na net que um aluno da escola pública custa para os cofres públicos R$ 2300,00 por ano, menos do que se investe em um preso, mas é dinheiro também mal empregado. Então, prendem os políticos corruptos e continuaremos sustentando-os na cadeia! Todavia, em nosso caso, o nosso dinheiro, também, continua patrocinando a violência na escola e reprovação, ou melhor, aprovação sem mérito. Porque a escola tem mascarado isso, passando o aluno, para a série seguinte, sem mérito, para as estatísticas altas justificarem o dinheiro desperdiçado, porém alguém tem de restituí-lo para beneficiar os que devolverão com serviço de qualidade, o que ganhou nos estudos, à sociedade. Já que não posso me recusar a dar aulas a estes incautos, pois estão misturados, queria me recusar a pagar meu imposto de renda e outros impostos para mantê-los. Mas, se eu sonegar, então serei o inimigo do rei, indigno, também, de meu salário.
          Atribuir nota aos filhos da escola, por qualquer isopor pintado que trazem, ou por articulações de festa "culturais", levando feijão cozido, ou por assistirem aos jogos interclasses e torcerem freneticamente,  não é dar-lhes poder, o poder estar no conhecimento, aliás só o conhecimento dá poder, disse Leonardo da Vinci: "Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe."
            Um dia eu me recusei a ministrar aulas particulares de redação, apesar da proposta de um bom pagamento, para um ex-aluno dos atrapalhadores da sala, desrespeitadores do direito de aprender dos demais estudantes e disse a ele: Não preciso de seu dinheiro, todos os dias estive em sua sala e nunca prestou atenção em mim. Ensiná-lo agora seria anular as consequências, as quais tanto esperei vê-lo sofrer. O que eu pensava de meus professores me fez a diferença, eles não foram maiores por que eu os respeitei, mas eu sou maior por que os obedeci. 
           Depois dizem que professor não marca aluno!  E fui contra o que disse Arthur Schopenhauer: "Não devemos mostrar a nossa cólera ou o nosso ódio senão por meio de atos. Os animais de sangue frio são os únicos que têm veneno". Que Deus tenha misericórdia de mim, pequei por pensamentos!
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 11/06/2016
Reeditado em 18/06/2016
Código do texto: T5664541
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

domingo, 29 de maio de 2016

PROTAGONISTA DA ESCOLA SEM PARTIDO ("Liberdade de expressão para todo mundo dizer a mesma coisa é ditadura de opinião." — Silas Malafaia)



Crônica

           Nunca uma celebridade foi tão comentada nas redes sociais e jornais do que o invejável, polivalente, Alexandre Frota: Com seu currículo de ator, diretor, ex-modelo, comediante, ex-jogador de futebol americano, apresentador, empresário e ex-autor pornográfico brasileiro (tendo 20 filmes dessa categoria). Sem falarmos das participações em programas e reality shows dentro e fora do país. Bem pudera, segundo tanta bagagem intelectual e conhecimento universal, ousou levar ao ministro da Educação, Mendonça Filho, no MEC, uma proposta com melhorias para a educação brasileira. O "grande pensador", tal qual Valesca Poposuda, também divulgou ter visitado o ministro da Cultura, Marcelo Calero. E aproveitado essa tacada só, o ator e seus amigos do "Revoltados On Line", apresentaram a defesa do projeto "Escola sem Partido"; proposta ultra reacionária, sob o pretexto em combater a “doutrinação ideológica” e o “comunismo” nas escolas e universidades.
             Li tantos comentários na internet, sobre o caso, vindo-me ocorrer a seguinte constatação: O sistema educacional anda mesmo tão "capenga" que qualquer um pode meter seu bedelho! Eu já havia dito sobre a educação ser semelhante ao futebol, todo mundo acha-se entendido demais e dá "pitacos" empiristas, só na "boa" fé. Bem, mas, Alexandre Frota e outras celebridades em diversas áreas nem são de pouca monta. Pelo menos, chamaram a atenção do mundo para uma suposta causa nobre, isso se faz necessária. Críticas, ironias, inadequações e incoerências ideológicas a parte, firmo aqui consoante  a pedagogia da escola sem partido, que estou conhecendo agora, mas já posso ver seu lado positivo, pois os mesmos aspectos desta proposta em questão já foram considerados em um passado não muito distante, apesar de  barrados por outras autoridades, porém quem sabe dessa vez, dará certo! O adágio popular reza: "água mole em pedra dura tanto bate até que fura".  Eu jamais nego os benefícios  das cartilhas de orientações sexuais, reforçando o combate a homofobia e reprovando todas as anomalias sociais e preconceitos; sobretudo, promovendo o amor nas escolas, se não fosse a tendência modista: Orientação Sexual é um dos temas transversais proposto nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, do MEC, visando a compreensão saudável e reflexão da realidade social, construindo assim a cidadania.
           E quando dizem sobre o ator ex-pornô nem saber o que seria o melhor para a educação brasileira, estão equivocados, pois na situação atual, qualquer um sabe melhorar o sistema educacional brasileiro. O mais assustador para mim é a liberdade do alunado em detrimento da liberdade do professor em sala de aula. E quando o professor não faz o que os pais querem apanha. Então, minha maior preocupação no momento é com o futuro da escola (O Coronavírus escutou).
           E se caso essas "inovações" nem vierem a ser aprovadas, fica aqui a alta divulgação dos trabalhos artísticos do "educador" Frota e dos outros de mesma natureza pelas mídias: Ninguém nunca assistiu a tanta pornografia "educativa" como nesse momento de internet para todos. Até uma professora confessou em um comentário no Facebook: "Quando me lembro que vi um trecho do pornô dele. ECA! Que nojo." Na verdade, seus filmes nunca foram tão divulgados e assistidos sob o pretexto da curiosidade, volto ao risco de dizer: Mesmo se sua proposta para o MEC não sendo aprovada já lhe valeu ao sucesso de seu outros trabalhos anteriores.
             A escola sempre foi um palanque de fácil acesso, pois é um público cativo.  Sinto-me destroçado, no papel de professor, por dois motivos: de um lado ameaçam minha liberdade para filosofar na sala de aula e, do outro, estimulam-me a assistir mais a pornografia promovendo os protagonistas.
           E falando nisso, uma coisa puxa outra, antecipam-se as torturas aos professores descuidados segundo suas expressões fortes em sala de aula. Li isto também sobre a aluna universitária que processou seu professor: “Ele utiliza do meu nome com expressões de cunho racista quando ele diz, por exemplo, 'pretinha e desclassificada fazendo macaquices'. Então, todas essas expressões que ele utiliza são claramente de teor racial e pejorativas”. http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2016/05/estudante-denuncia-professor-da-ufmt-por-racismo-pretinha.html - (acessado em 21/08/2021).
           "Pretinha" é uma expressão, na maioria das vezes, usada carinhosamente. Só configura racismo aos maldosos (Tito 1:15). "Desclassificada" não tirou nota suficiente ou por está fazendo "macaquice", perturbando a aula do professor. É isso, quaisquer palavras usadas para repreender alunos em sala de aula, doravante fará do professor marginal, digno de processo. As palavras referidas podem ser ofensivas, sim, se foram pronunciadas com a intenção de ofender e forem recebidas como ofensivas, mas quem pode julgar as intenções? Estão brincando de ser o Deus cruel do velho testamento. Assim, ao invés de corrigir, enfraquecem, mais ainda, o professorado. Parece-me vingança! De forma nenhuma, estou querendo justificar ninguém, só queria entender porque eles me chamam de velho caduco, cabeça-branca etc?! Nesse teor, não seria discriminação também? De lá para cá não dá nada!!!

Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 27/05/2016
Reeditado em 29/05/2016
Código do texto: T5648548 
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sábado, 21 de maio de 2016

A INTEMPERANÇA ALIMENTAR E A INDISCIPLINA ESCOLAR ("O meio ambiente apropriado, ações corretas e uma dieta adequada proporcionam saúde mental". — Ellen G. White)


A INTEMPERANÇA ALIMENTAR E A INDISCIPLINA ESCOLAR ("O meio ambiente apropriado, ações corretas e uma dieta adequada proporcionam saúde mental". — Ellen G. White)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Eu nunca imaginei que um simples lanche na escola pudesse me fazer questionar tantas coisas sobre a educação, a família e a sociedade. Mas foi o que aconteceu em uma manhã comum, quando me deparei com uma cena que me intrigou: alunos comendo arroz, carne e macarrão na sala de aula, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Eu, que sou professor há muitos anos, fiquei curioso para saber o que levava aqueles jovens a preferirem se alimentar na hora da aula, em vez de aproveitarem o intervalo ou o recreio. Será que eles não tinham fome em casa? Será que eles não se importavam com o aprendizado? Será que eles não percebiam que estavam prejudicando sua saúde física e mental?

Resolvi conversar com alguns deles, para tentar entender melhor a situação. Uma aluna do segundo ano do Ensino Médio me disse que estava ali pelos dois motivos: para comer e aprender. Mas ela colocou o comer em primeiro lugar, como se fosse mais importante do que o aprender. Outra aluna, que ouvia nossa conversa, me interpelou: “O senhor não é a favor do lanche na escola, porque quando estudou não tinha isso”. Eu respondi que eu era do tempo em que não se dava lanche na hora da aula, e a “educação” era melhor. Argumentei ainda que quando comemos, sentimos uma sonolência terrível, indispondo-nos às atividades intelectuais. Então, lembrei-me das palavras de Jesus, que recomendou o jejum temporário para melhorar a clareza mental. O estômago vazio intencionalmente não atrapalha estudar. O que atrapalha é a fome, mais precisamente, a certeza das impossibilidades de adquirir a alimentação.

Foi então que eu percebi que a escola que oferece conhecimento atrai intelectos, mas a que oferece comida atrai estômagos. E que muitos daqueles alunos estavam ali não por amor ao saber, mas por necessidade de sobreviver. E que a escola, ao oferecer comida, também assumia o papel das famílias: educar e alimentar suas crianças. Isso permitia que os pais fugissem de suas obrigações, depositando seus filhos na escola. Mas, a escola não pode substituir o lar. As famílias devem educar e alimentar suas crianças, e a escola, por sua vez, deve intelectualizá-las com conhecimentos técnicos e seculares.

No final daquele periodo, percebi que a escola é um microcosmo da sociedade. Vi exemplos de ações intemperantes na escola. Um exemplo de meio ambiente intemperante, repito: na sala de aula, comem todos os dias na hora da aula, porque na escola tem “lanche”. Ali, os parceiros comensalistas têm uma relação interespecífica, com benefício para um deles (alunado), mas sem prejuízo para a outro (escola); inquilinismo. Se todos por aqui dão seu “Jeitinho brasileiro”, eu também sou “Macunaíma”. Pois, ninguém pretende o “Triste Fim de Policarpo Quaresma”. Agora os alunos e seus pais ameaçam tratar de quaisquer assuntos mínimos com a direção, porque de cima para baixo flui melhor. No terreno de “nervosinhos”, o equilíbrio mental é prejudicado com a falta de clareza. Ellen G. White defendeu que o meio ambiente apropriado, ações corretas e uma ‘dieta adequada’ proporcionam saúde mental. "Quando ela usou o termo ‘saúde mental’, associou-o à ‘clareza mental, nervos calmos, sossego, espírito pacífico como de Jesus’”. Poderíamos até pensar positivamente que achamos a solução para a indisciplina nas escolas, se não, pelo menos, uma aliada que ajudará bastante a combatê-la.

Mas eu não me iludo. Sei que o problema é mais profundo e complexo do que parece. Sei que o lanche na escola é apenas um sintoma de uma sociedade desigual, injusta e deseducada. Sei que o que falta mesmo é amor. Amor pela vida, pelo próximo, pelo conhecimento, pela verdade. Amor que se traduz em ação, em compromisso, em responsabilidade, em respeito. Amor que se alimenta de valores, de princípios, de ideais, de sonhos. Amor que se nutre de esperança, de fé, de coragem, de paz.

Eu ainda sonho com uma escola que ofereça mais do que comida. Que ofereça sentido, propósito, dignidade, felicidade. Que ofereça amor. E que esse amor seja o alimento mais saboroso e nutritivo para os nossos alunos. E para nós, professores. E para o mundo.

A INTEMPERANÇA ALIMENTAR E A INDISCIPLINA ESCOLAR ("O meio ambiente apropriado, ações corretas e uma dieta adequada proporcionam saúde mental". — Ellen G. White)

Eu nunca imaginei que um simples lanche na escola pudesse me fazer questionar tantas coisas sobre a educação, a família e a sociedade. Mas foi o que aconteceu em uma manhã comum, quando me deparei com uma cena que me intrigou: alunos comendo arroz, carne e macarrão na sala de aula, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Eu, que sou professor há muitos anos, fiquei curioso para saber o que levava aqueles jovens a preferirem se alimentar na hora da aula, em vez de aproveitarem o intervalo ou o recreio. Será que eles não tinham fome em casa? Será que eles não se importavam com o aprendizado? Será que eles não percebiam que estavam prejudicando sua saúde física e mental?

Resolvi conversar com alguns deles, para tentar entender melhor a situação. Uma aluna do segundo ano do Ensino Médio me disse que estava ali pelos dois motivos: para comer e aprender. Mas ela colocou o comer em primeiro lugar, como se fosse mais importante do que o aprender. Outra aluna, que ouvia nossa conversa, me interpelou: “O senhor não é a favor do lanche na escola, porque quando estudou não tinha isso”. Eu respondi que eu era do tempo em que não se dava lanche na hora da aula, e a “educação” era melhor. Argumentei ainda que quando comemos, sentimos uma sonolência terrível, indispondo-nos às atividades intelectuais. Então, lembrei-me das palavras de Jesus, que recomendou o jejum temporário para melhorar a clareza mental. O estômago vazio intencionalmente não atrapalha estudar. O que atrapalha é a fome, mais precisamente, a certeza das impossibilidades de adquirir a alimentação.

Foi então que eu percebi que a escola que oferece conhecimento atrai intelectos, mas a que oferece comida atrai estômagos. E que muitos daqueles alunos estavam ali não por amor ao saber, mas por necessidade de sobreviver. E que a escola, ao oferecer comida, também assumia o papel das famílias: educar e alimentar suas crianças. Isso permitia que os pais fugissem de suas obrigações, depositando seus filhos na escola. Mas, a escola não pode substituir o lar. As famílias devem educar e alimentar suas crianças, e a escola, por sua vez, deve intelectualizá-las com conhecimentos técnicos e seculares.

No final daquele periodo, percebi que a escola é um microcosmo da sociedade. Vi exemplos de ações intemperantes na escola. Um exemplo de meio ambiente intemperante, repito: na sala de aula, comem todos os dias na hora da aula, porque na escola tem “lanche”. Ali, os parceiros comensalistas têm uma relação interespecífica, com benefício para um deles (alunado), mas sem prejuízo para a outro (escola); inquilinismo. Se todos por aqui dão seu “Jeitinho brasileiro”, eu também sou “Macunaíma”. Pois, ninguém pretende o “Triste Fim de Policarpo Quaresma”. Agora os alunos e seus pais ameaçam tratar de quaisquer assuntos mínimos com a direção, porque de cima para baixo flui melhor. No terreno de “nervosinhos”, o equilíbrio mental é prejudicado com a falta de clareza. Ellen G. White defendeu que o meio ambiente apropriado, ações corretas e uma ‘dieta adequada’ proporcionam saúde mental. "Quando ela usou o termo ‘saúde mental’, associou-o à ‘clareza mental, nervos calmos, sossego, espírito pacífico como de Jesus’”. Poderíamos até pensar positivamente que achamos a solução para a indisciplina nas escolas, se não, pelo menos, uma aliada que ajudará bastante a combatê-la.

Mas eu não me iludo. Sei que o problema é mais profundo e complexo do que parece. Sei que o lanche na escola é apenas um sintoma de uma sociedade desigual, injusta e deseducada. Sei que o que falta mesmo é amor. Amor pela vida, pelo próximo, pelo conhecimento, pela verdade. Amor que se traduz em ação, em compromisso, em responsabilidade, em respeito. Amor que se alimenta de valores, de princípios, de ideais, de sonhos. Amor que se nutre de esperança, de fé, de coragem, de paz.

Eu ainda sonho com uma escola que ofereça mais do que comida. Que ofereça sentido, propósito, dignidade, felicidade. Que ofereça amor. E que esse amor seja o alimento mais saboroso e nutritivo para os nossos alunos. E para nós, professores. E para o mundo.