"Torna-te aquilo que és." (Friedrich Nietzsche)

"Não existem más influências, existem pessoas sem personalidade própria." (Demi Lovato)

Pesquisar neste blog ou na Web

MINHAS PÉROLAS

domingo, 16 de maio de 2010

A ÉTICA DO PURGATÓRIO (Os pais são os maiores antiéticos, mentem fingindo acreditar na mentira da escola.)












Crônica

A ÉTICA DO PURGATÓRIO (Os pais são os maiores antiéticos, mentem fingindo acreditar na mentira da escola.)

domingo, 16 de maio de 2010
Por Claudeci Ferreira de Andrade
           
 Qualquer discussão sobre ética e profissionalismo deveria interessar a toda comunidade escolar (interna e externa), e em especial aos indivíduos mais esclarecidos, os que têm condições de confrontar os documentos tendenciosos vindos das instâncias maiores, porque são poderosos. Acreditar em citações infundadas é coisa de criança. Quando éramos crianças, tinha de ser dito o nosso dever, digo ao referente às boas maneiras. Havendo crescido num lar ético e educado, não é preciso que se no-lo diga novamente. O assunto em voga aqui é se nossa obediência constitui uma expressão da ética advinda do conhecimento de causa ou da mera subjugação ao poder. Pois, na educação é assim, é dito o conveniente, se é importante no momento! Vale tudo a salvação de quem tem poder, ignora-se o certo, e o desconhecimento do receptor favorece a subjugação. E por falar em conveniência, não podemos esquecer de que no atual sistema, os bons ficam ruins e os ruins nunca ficam bons. Para prevalecer me fiz ruim, acomodei-me, sim, apenas queria evitar indisposição com os que me cercavam. Eu nunca soube me importar com os orgulhosos demais, chamando-me de incompetente. Com o tempo, contaminar-se-ão também. Assim brincamos na gangorra profissional do professorado público sem a qualidade esperada. Às vezes, tenho me calado com um sufoco na garganta porque a maioria maltrata o inconveniente, ou melhor, conquista com unhas e dentes, violentamente, o favorável para si.
          Cá no corpo docente, quando alguém sai do meio dos amigos, é eleito para coordenador ou diretor, esse promove a si mesmo uma mudança de relacionamento. Circunda-se de uma nova atmosfera de recíprocas obrigações, pelo menos, em parte, deveria ser assim. Mas, a maioria dos diretores escolares eleitos torna-se corpo estranho na equipe. Alguns se tornam novas pessoas, porém desconhecidas, entram num novo tipo de vida, isto é, uma vida independente, sem preocupação com o bem-estar, com a segurança e com a integridade dos outros, outrora colegas íntimos.
          E mais para cá, no meio dos subalternos,  nossa relação com os líderes não deve ser assegurada num ambiente de desonestidade, perseguição, desordem, ódio e hostilidade. Isso não funciona nem mesmo no Purgatório!  Obediência em base legal é simplesmente a viabilização da ética...
           Agora compreendo por que algumas autoridades do meio educacional querem abolir a eleição direta para diretor escolar, pelo menos, se não for ético é coerente. Você prefere ser subjugado por um chefe, chefe imposto e indicado ou desconsiderado por um "amigo", alguém em quem votou porque confiava e depositava credibilidade? Não seria mais ético se  talvez tivéssemos diretores por formação e concursado ao cargo? Só assim, eles teriam tempo suficiente para aprender a trabalhar com mais ética. Apesar da fala do Albert Einstein: "Especialista é alguém que lhe diz uma coisa simples, de maneira confusa, de tal forma a fazer você pensar que a confusão é culpa sua". A maior tragédia de um professor comum eleito à direção contecerá depois do mandato, terá que voltar ao meio dos colegas “mortos e feridos”, no pós-guerra! Os sábios pensarão mais nesta frase do comentário de capa do filme "Detenção": "Dê a um homem um pouco de poder e ele comete coisas inesperadas. Tire de um homem seu orgulho e sua humanidade e ele acaba fazendo coisas piores!"
           A ética do purgatório é esta: Um aluno com onze anos de idade pode votar, escolhendo seu diretor escolar, mas não pode resolver sua vida estudantil na escola sozinho. E o pai vota no candidato à direção que o filho sugerir. O aluno de menor não podendo receber nem mesmo o seu próprio boletim, traz o pai desenformado,  e ele nem sabe qual é a série e a sala do filho, e também motivado por ele vota no candidato simpático a família! Os pais são os maiores antiéticos que já conheci no mundo da educação, mentem fingindo acreditar na mentira da escola. 
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 16/05/2010
Código do texto: T2259983

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Comentários



31/08/2010 21:00 - Miralva Viana
Olá!Claudeko, Penso que o diretor não deveria agir assim. Entretanto, os colegas também se afastam, o cargo se torna um castigo. Perde-se a cumplicidade, o bate papo legal, os segredos e as risadas. Precisa-se mudar as mentalidades. O diretor precisa de parceria, apoio e ter jogo de cintura. Abraços!


16/05/2010 15:48 - RONALDO JOSÉ DE ALMEIDA
Muito bom, Claudeko! Gostei muito.


16/05/2010 09:20 - Mazé Carvalho
Caro senador, Ética, para muitos, é palavra riscada do vocabulário, demodê.Para tantos outros, palavra desconhecida.Todas as pessoas "deveriam" possuir senso ético para,assim, avaliar e julgar suas ações.A ética está relacionada a postura que cada um assume diante da vida. Deveria permear as relações dentro de um grupo como indicador de limites em relação as nossas responsabilidades e as nossas limitações. Cá pra nós, senso ético é algo que, definitivamente, não faz parte do cárater de muitos.Parabéns pelo texto. Bjs recheadinhos de carinho. Mazé
Postar um comentário