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MINHAS PÉROLAS

sábado, 19 de outubro de 2013

RECONHECIMENTO FORÇADO (Não é verdade que sempre o feitiço vai contra o feiticeiro?)



Crônica

RECONHECIMENTO FORÇADO (Não é verdade que sempre o feitiço vai contra o feiticeiro?) 

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Eu já tinha falado desta realidade; quando o professor repreende o aluno, isso será usado contra ele mesmo. Mas, eu me esqueci de dizer que o "vírus" é mutante. Nesta semana, pensando que estava fazendo bonito e contribuindo com o sistema, apresentei, em segredo, alguns nomes de alunos descuidados com seus estudos, pelo
menos em minha matéria, à coordenadora. No dia seguinte, outros alunos mais dedicados, da mesma sala, com ciúmes e ofendidos por não ter mostrado seus vistos à coordenadora e desconhecedores das intenções da mesma, ainda queriam reconhecimento. Então a mim delataram que a coordenadora havia pegado os cadernos só das fulanas de tal, na minha ausência, para conferir a matéria de língua portuguesa. Como os alunos delatores queriam mostrar serviço (só teme quem deve) e eram os melhores, que faziam tudo em seus cadernos, usaram-me maldosamente para ir contra a coordenadora, e nem sabiam que me mostravam a ponta dum "iceberg" abstrato. As alunas escolhidas para inspeção foram exatamente as que eu tinha reclamado delas, por não ter conteúdo algum nos seus cadernos.
          O mais interessante desta luta por um restrito reconhecimento, é que baseada nos cadernos, a coordenadora fez maquiavélicos relatórios para a tutora (inspetora escolar), provando assim que quem não entrega plano de aula ministra uma aula sem conteúdo, ou seja, na linguagem delas: "não passa nada para o aluno". Assim, todos ficaram sabendo que eu não entreguei meus planos de aula. E deixo claro que não os fiz, não por irresponsabilidade, justifico, mas por convicção profissional (Não preciso de caderninho de plano modelado e desenhado para apresentar uma boa aula e enriquecedora, se elas precisam, que façam!). Porém, não será que os planos de aula beneficiam mais a coordenadora que professores e alunos? Pois quem é a parte mais interessada neles? Além do mais, será que consta nos planos de aula de um professor planejador a "frutífera" ocupação e interrupção do tempo de sua aula por colega "sem planejamento"? Pois, constantemente tenho cedido parte de minhas aulas, quando não uma e outra integralmente, para outro professor (combinado ou não), atrasando minha matéria (a todo instante uma pessoa está à porta da minha sala pedindo licença para interromper)!
           Qual professor não é calejado de tantas frustrações nesse sentido? Faz o plano e nada se cumpre, a sala de aula é viva, então impera a improvisação! Lembrando que o improviso de um professor formado e bem preparado significa um plano adaptado. Apesar das cobranças de registros, o que faz de mim professor não é caderninho de plano e tento me convencer que eu não sou plano de aula.
           Quando fui fechar o círculo de meu raciocínio, a lógica me fez descobri que minha atitude de falar mal de meus alunos (entregá-los) foi contra mim mesmo, pois esses se vingaram consciente ou inconscientemente de minha maldade. "O feitiço foi contra o feiticeiro." Mas quando o veneno delas far-lhes-á mal? No entanto, para mim já o fez muito mal.
           O verdadeiro plano de aula é volátil, ele existe pré-moldado na mente de todo professor, é saber administrar os conhecimentos prévios, aplicando-os na demanda surgida e emergente na aula, que requer tratamento imediato, a partir do currículo minimo determinado, não tem segredo, qualquer professor faz isso o tempo todo. Agora a pior pergunta de um aluno para seu professor: "é pra copiar, professor?"
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 13/04/2013
Reeditado em 19/10/2013
Código do texto: T4238697
Classificação de conteúdo: seguro

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