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MINHAS PÉROLAS

sábado, 11 de janeiro de 2014

FURTO DE PRESTÍGIO (Puxar o tapete é isso: desbancar um na presença dos outros para se rirem dele.)


Crônica

FURTO DE PRESTÍGIO (Puxar o tapete é isso: desbancar um na presença dos outros para se rirem dele.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Como os alunos são criativos no preparar de uma apresentação em classe!!! Valendo-me disso, anunciei-lhes, no primeiro dia de aula, depois das férias, que tinham quarenta dias para todos mostrarem os seus trabalhos do terceiro bimestre, pois era o tempo que eu precisava para fechar as notas de Língua Portuguesa e entregá-las à secretaria do colégio. Este desfecho não foi um dos piores, já sofri coisa pior; vou contar-lhes: O tempo passou, e o prazo se encerrou, sem que muitos fizessem seu trabalho! Restava-lhes agora formular um ótimo argumento para forçar o professor estender a data. Tive que fazer isto, forçado em meio a desonra, porém o fiz diminuindo o valor do trabalho deles pela metade da nota. Como medida disciplinar, dei-lhes mais três dias nessa condição. É incrível como os alunos de hoje deixam sempre tudo para o último dia! Eles não conseguindo mais, insatisfeitos, uns foram falar com a coordenadora e era impressionante como voltavam felizes para me mostrar que eu estava derrotado, sem palavras. A coordenadora garantiu a apresentação deles para a segunda-feira, três dias a mais sem minha permissão! Como assim? Nem falou comigo! Ela quis elevar seu prestígio sem nem mesmo pensar no mal que estava me causando: pisando na minha moral. Porém, esse comportamento de autoridade defasada é comum nesse meio educacional. Na mesma ocasião, um pouco antes, os colegas do mesmo nível de funcionalidade que o meu, enciumados, não suportaram me ver feliz por estar movimentando a unidade escolar, então foram eficientemente motivadores desse quadro, quase pressionando à coordenadora a zelar pela sua reputação, fazenda-a retomar as rédeas, e que ela exigisse de mim não permitir os meus alunos apresentarem fora do horário, isto é, saírem de suas aulas para formarem os grupos de apresentação em minha aula (Não tenho culpa se eles valorizaram mais uma avaliação que a aula comum deles). Agora farão o quê? Como me apagarão, se daqui por diante, vou dar só prova escrita, individual e sem consulta, para me encaixar na tal semana de prova que eles gostam tanto? Mas, por que ninguém vem me pedir autorização para deixar meus alunos se ausentarem de minhas aulas e irem ao passeio promovido pela professora de matemática? Quando percebo, minha classe de sexta-feira está com pouquíssimos alunos, foram a um passeio. Passeios dão prestígios a quem? E a professora de Educação Física passa o bimestre todo tirando alundo de minhas aulas para jogar, forçando-me a aplicar prova depois dos outros, só nota boa, pois já pescaram as respostas. 
               Quando um funcionário de cargo superior, em busca de mais prestígio, contradiz as ordens de um inferior para se mostrar a terceiros é concorrência desleal.  Pior ainda, é a coordenadora pedagógica exigir que os professores executem o combinado e depois se comportar como político que compra voto, suplantando e dificultando a autoridade do professor que é quebrada, com concessões no cronograma para mostrar ao aluno que ela pode mais.
           Entretanto, por que eu quero sair da rotina e inovar minhas aulas? O prestígio me interessa também! Agora compreendo que o melhor da escola está na acirrada luta por prestígio. Os alunos nos põem para brigar porque também se favorecem no vácuo da sanidade que se foi no "vale-tudo" em busca da tal confirmação. Eu preciso me autoafirmar; a coordenadora também. No entanto precisamos mais, e ainda mais quem é menos competente e tem consciência disso. Uns quando não podem conquistar com lealdade, furtam o tal valor social. Puxar o tapete é isso: desbancar um na presença dos outros para se rirem dele.
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 12/09/2013
Reeditado em 11/01/2014
Código do texto: T4479242
Classificação de conteúdo: seguro

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