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MINHAS PÉROLAS

sábado, 4 de janeiro de 2014

"VAI COMENDO RAIMUNDO" (e “o salário óhhh”!)


Crônica

"VAI COMENDO RAIMUNDO" (e “o salário óhhh”!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Dos exageros da escola paternalista, um aluno chama-me de pai e insiste em me tomar a benção, todos os dias. Seus verdadeiros pais não se incomodam e nem a mim, a escola é seu segundo lar. Fazer o quê? Então serei seu segundo pai! No entanto, o professor de matemática é um dos seus tios, não porque é meu irmão, mas porque é professor dele também e o chama assim. Em alguns momentos, sinto-me honrado, creio que o aluno também. Agora, fica a professora de geografia, por quem ele não tem predileção alguma, porém outros alunos já a acham a mais bela de todas trabalhadoras ali: linda, pequeninha e delicada; brava, às vezes, com quem merece e aos gritos, faz-se grande perante sua classe. Certamente ela não possui inimigos ali, todavia os acidentes têm sido motivos constantes para fazer valer a crueza da profissão. Sem querer, um aluno deu-lhe uma pancada no rosto causando-lhe inchaço em um olho. Em outra ocasião, nas brincadeiras de recreio, jogaram-lhe uma borracha com tanta força e atingiu, em cheio, a sua perna direita a ponto de fazê-la encerrar sua tarde letiva, naquele momento.
           Porquanto eu gostaria de saber quem é o santo padroeiro dos professores! Santo desequilibrado e descuidado! Igual a mim, com a turma da qual me constituíram padrinho, por isso O compreendo: assim seguimos desleixadamente com aquele nono ano "B". Ainda podem se vigar deles mesmos, por tabela, penalizando seus professores como se fossem um esporte, e assim, fazendo os seus professores sofrerem em suas "abençoadas" garras para servirem de exemplos de dor e sofrimento, ou melhor, forçadamente ensinamos a eles, sobre suportar a dor e o sofrimento, também. Até os momentos bons dos professores são frutos da vacância por cansaço dos que nunca lhes dão trégua. Estamos tão desacostumados de boas e sadias relações, pois elogios da parte deles, vemos como tentativas de nos enganar! Então, no trabalho, andamos e falamos do jeito de “quem pisa em ovos”; é impossível não quebrá-los.
           Dos intermediadores do conhecimento, querem ensinamento através de métodos que eles mesmos escolheram! E assim vai: “vai comendo Raimundo”, como dizia o personagem do finado Chico Anysio, na Escolinha do professor Raimundo, e “o salário óhhh”!  E “vai comendo...” só no sentido figurado, pois o lanche da escola é só para os alunos, os professores, se tocarem, são considerados transgressores. Nesse particular, os alunos não precisam de exemplo.
Claudeko Ferreira

Enviado por Claudeko Ferreira em 29/08/2013
Reeditado em 04/01/2014
Código do texto: T4457463
Classificação de conteúdo: seguro
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