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MINHAS PÉROLAS

sábado, 5 de março de 2016

OUTRO NEPOTISMO: O ESCOLAR! (Eu assinei para não comprometer as relações amistosas)



Crônica

OUTRO NEPOTISMO: O ESCOLAR! (Eu assinei para não comprometer as relações amistosas) 

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Eu não sabia o tamanho do mal recorrente em um filho de professor, da rede pública, estudar na escola e no turno de trabalho dele, eu não entendia o porquê. Pensei que tivesse a ver com a baixa qualidade do ensino, apesar do esforço do pai e/ou da mãe para serem bons professores, mas não! Tudo tem implicações de ordem ética e moral ou a falta destas.
            Aconteceu na unidade escolar na qual leciono de um menino pegar de mau jeito no braço da filha de um professor da mesma unidade de ensino, de forma desrespeitosa ao olhos do pai, e ele não gostou, portanto quase virou caso de polícia se o pai do aluno não fosse humilde. Os adolescentes filhos de qualquer pessoa se tocam de qualquer jeito e não se agrava tanto. Mas, o professor sendo uma autoridade na escola recorreu a todas as instâncias, e tinha por que tinha de se respeitar a filha dele.  Agora vi um dos males desse tipo de nepotismo: a proteção desleal.
           Em outra ocasião, fui vítima de uma das doença desse nepotismo esculachado: autorrepressão! Pois o filho de um colega me maltratou na sala de aula e eu temi encaminhar quaisquer medidas repressivas para evitar problema com o colega de característica profissional e pessoal,  já conhecida muito bem, através de suas opiniões sobre os filhos dos outros e bravatas preconizando violência se se achar prejudicado. Meteu-me medo, pois andou me insultando!
           No ano passado, o que me ocorreu é comum, voltou a repetir: tinha dois filhos de professor como aluno, e apenas elogiei um e merecidamente, bastou isso para o outro pai se sentir discriminado e reclamou. Tudo nessa direção torna-se caso pessoal. E a maioria dos filhos de professor continua fazendo os piores exemplos da unidade escolar apoiados pelos pais e colegas de profissão.
           Aconteceu-me também no ensino fundamental: a aluna indisciplinada e desobediente, eu a ameacei de tirar sua nota para contê-la, qual não foi no dia da entrega do boletim, ela com nota baixa, não que eu havia tirado de fato sua nota, diga se de passagem, era fraca mesmo, mas a mãe se apresentou a mim, dizendo ser professora também, e professor não pode tirar a nota de aluno. Transtorno maior foi porque a filha estava do nosso lado, ouvindo e comemorando os males do tal nepotismo educacional. Assim não se educa...
          Todavia agora, a coerência me diz que devia ser proibido ao filho de professor estudar na mesma unidade e turno de trabalho de seus pais. Bem como é proibido todas as formas de nepotismo, para preservar as amizades e o "profissionalismo" funcional. "Apesar de o nepotismo ser expressamente proibido desde 1996, inclusive com o STF aprovando uma Súmula Vinculante que impede esta prática, porém, muito dos nossos gestores insistem em criar subterfúgios que possibilitem nomear para os cargos de confiança e ou assessorias, esposas, irmãos, filhos, sogras, tios, primos e outros parentes, sem que nada de punição lhes sejam impostas. http://palavradesa.blogspot.com.br/2012/03/nepotismo-um-exemplo-de-falta-de.html - (acessado em 05/03/2016).
           Já recebi ameaças circunstanciais de uma mãe trabalhadora na secretaria da escola, se eu não assinasse a ficha de aprovação do seu filho já reprovado comigo, ia se ver com ela! Eu assinei para não comprometer a nossa relação "amistosa", sobretudo estou disposto a dividir as consequências por essa omissão. E agora, faço a pergunta que me fiz naquele dia: O nepotismo escolar é uma demonstração de amor a seu ente querido ou o academicismo leal não merece nosso respeito? Sem falar que o filho de professor vigia os colegas de seus pais para controlarem o conteúdo ministrado em classe. Assim, sobrecarregamos o filho de professor exigindo demais dele, simplesmente por que é filho de professor e veja que ele não tem culpa! Será?
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 27/02/2016
Reeditado em 05/03/2016
Código do texto: T5556762
Classificação de conteúdo: seguro

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