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MINHAS PÉROLAS

sexta-feira, 7 de julho de 2017

LEMBRANDO-ME DOS QUE ME ESQUECERAM (Charles Bukowski: "Posso viver sem a grande maioria das pessoas. Elas não me completam, esvaziam-me.")


LEMBRANDO-ME DOS QUE ME ESQUECERAM (Charles Bukowski: "Posso viver sem a grande maioria das pessoas. Elas não me completam, esvaziam-me.")

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Linda, Vânia Dourado, muito agradecido, minha querida, que bom que lembrou! "Os iguais se protegem". Certamente seja por isso que ninguém mais lembrou de MIM em mais este meu aniversário, deve ser por que são tão diferentes de mim, não sabendo eles que "A moral é uma, os pecados são diferentes." (Machado de Assis). Meus 58 anos, talvez os últimos, digo isso, pois sempre me preparo para o pior, e tudo que vier será lucro. Mas, nunca me esquecem nas "vaquinhas" para comemorar o aniversário dos outros. São dez reais para lá, cinco para ali e no final do ano, meu dízimo tomou rumo "nobre". (riso). Agora me ocupo em responder as centenas de mensagens dos meus amigos virtuais. Sim pelos menos esses me confortam. Será por que os colegas de trabalho, por está em férias se esqueceram de mim! Nem fazem parte do meu Facebook para que o aplicativo os lembrasse. Mas não! De quebra, depois deste desabafo, sinto-me também vingado dos que se esquecem de mim pela a quinquagésima oitava vez! Aqui cabem, perfeitamente, em minha boca, as palavras de Charles Bukowski: "Posso viver sem a grande maioria das pessoas. Elas não me completam, esvaziam-me."
            Todavia, eu as compreendo, é que a maioria das pessoas adotam o esquecimento para vingar-se do indesejado: ignoram uns aos outros. Já dizia sabiamente Alfred de Musset: "Na falta de perdão, abre-te ao esquecimento." Porém devemos priorizar o que disse positivamente, sobre esquecer-se, Benjamim Franklin: "O esquecimento mata as injúrias. A vingança multiplica-as." O lado favorável de tudo isso é que precisamos esquecer para viver. Então vamos nos conciliar no pensar de Machado de Assis sobre este tema: "Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito."
            Não estou chateado, não, também tenho me esquecido de muitos! E nessa circunstância, coloco-me como o personagem, Doutor Lucas falando a Lucrécia, do Romance de Clarice Lispector, A Cidade Sitiada:
           "— Não sei qual é a minha culpa mas peço perdão.
            — A luz do farol revelou-os tão rapidamente que não se puderam ver. — Peço perdão por não ser uma "estrela" ou "o mar" disse irônico — ou por não ser alguma coisa que se dá, disse corando. Peço perdão por não saber me dar nem a mim mesmo — até agora só me pediram bondade — mas nunca que eu... — para me dar desse modo, eu perderia minha vida se fosse preciso — mas peço de novo perdão, Lucrécia: não sei perder minha vida." (Pág. 116).

           Afinal, eu também, peço perdão a mim mesmo: depressão não é doença é sim falta de fé! Se por acaso, eu morrer com meus 58 anos de idade, aqui fica meu último desejo que não se esqueçam que também me esqueci de vocês. E ainda sem fé, se você insistir que eu acredite em seu perdão, deveria eu morrer em paz? É uma crônica de despedida sem querer me despedir ...


Enviado por Kllawdessy Ferreira em 07/07/2017
Código do texto: T6048011 
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