"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

TUDO É INFLUÊNCIA: Reflexões sobre a Autenticidade ("Influência boa não existe... Toda a arte é completamente inútil". — Oscar Wilde)

 


TUDO É INFLUÊNCIA: Reflexões sobre a Autenticidade ("Influência boa não existe... Toda a arte é completamente inútil". — Oscar Wilde)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Hoje, véspera do segundo turno das eleições e também feriado do Dia do Servidor Público, sinto uma energia expansiva e reflexiva. O clima de pausa e celebração convida ao equilíbrio interior, guiado por uma sensação quase mística de que forças sutis — talvez anjos — conduzem meus passos rumo ao aprendizado e à serenidade. Este momento inspira a renovação, a olhar para dentro e a redirecionar o foco para atividades que alimentem o crescimento pessoal e espiritual, especialmente no vasto e desafiador espaço da internet.

Quero aproveitar o dia para compartilhar boas intenções nas redes sociais, sem me abater por críticas ou opiniões divergentes. A empatia e a conexão com pessoas de bem são o caminho para manter a serenidade diante das tensões políticas e da polarização deste período. Prefiro o diálogo respeitoso ao confronto, acreditando que pequenas atitudes de gentileza ressoam mais fortemente do que discursos inflamados. O essencial é permanecer autêntico, preservando meus valores mesmo diante de pressões externas.

Nas interações cotidianas — virtuais ou presenciais — é fácil ceder à moda, ao "politicamente correto" ou às expectativas sociais. Contudo, a verdadeira liberdade surge ao escolhermos agir de acordo com nossas convicções. Manter-me fiel a mim mesmo é um exercício constante de discernimento e coragem, tornando a autenticidade uma forma de resistência pacífica e um gesto de equilíbrio diante da complexidade do mundo.

A mágica reside em compreender que o futuro, em certo sentido, já nos influencia, moldando nossas decisões no presente. É como se ele nos observasse, silencioso, esperando que escolhamos o melhor caminho para alcançá-lo. Ao agir com consciência e propósito agora, colaboramos para que esse futuro se realize de maneira harmônica. Assim, cada escolha de hoje se transforma numa semente do amanhã, e é nessa perspectiva que sigo, caminhando e cantando, guiado pela esperança e pela fé no poder transformador das boas intenções.


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Como seu professor de Sociologia, preparei 5 questões discursivas e simples, alinhadas às ideias do texto, focando em conceitos sociais relevantes para o Ensino Médio. O texto aborda temas como polarização política, engajamento digital, autenticidade e o papel das escolhas individuais na construção social.

1. Polarização e Espaços Virtuais

O autor menciona a busca por serenidade diante das "tensões políticas e da polarização" nas redes sociais. Do ponto de vista sociológico, explique como as redes sociais e o ambiente digital contribuem para a polarização ideológica na sociedade contemporânea e qual a importância do diálogo respeitoso (mencionado no texto) para mitigá-la.

2. A Construção Social da Autenticidade

O texto afirma que "a verdadeira liberdade surge quando escolhemos agir de acordo com o que realmente acreditamos", tornando a autenticidade uma forma de "resistência pacífica". Discorra sobre a diferença entre identidade pessoal (o que se é) e identidade social (o que se projeta) e como a pressão pelo "politicamente correto" ou pelas "expectativas sociais" (citadas no texto) desafia a autenticidade do indivíduo na sociedade.

3. Consumo de Valores e "Moda" Social

O autor toca no tema das "influências da moda" e das "expectativas sociais" nas interações cotidianas. Na Sociologia do Consumo, como a adesão a determinados valores, comportamentos ou estilos de vida pode ser vista como um ato de consumo simbólico, onde o indivíduo busca pertencimento ou distinção social em vez de agir por convicção própria?

4. Ação Social e o Impacto das "Boas Intenções"

O texto enfatiza a importância de "compartilhar boas intenções" e de que "pequenas atitudes de gentileza podem ressoar mais fortemente" do que o confronto. Utilizando o conceito de Ação Social de Max Weber, explique como a motivação individual (intenção) pode se manifestar em ações que geram um impacto no coletivo, mesmo que a princípio pareçam pequenas.

5. A Relação Indivíduo-Sociedade e o Tempo

A reflexão final sugere que o futuro "já nos influencia, moldando nossas decisões e nosso comportamento no presente". Analise esta afirmação à luz da Sociologia, discutindo como as projeções e expectativas sociais de futuro (seja o sucesso financeiro, a estabilidade política ou o reconhecimento) atuam como um fator de pressão e orientação para as escolhas e o planejamento da vida do indivíduo no presente.

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quinta-feira, 27 de outubro de 2022

O GÊNERO FAZ A DIFERENÇA: A Crônica da Sala de Aula ("Fiquem tranquilos os poderosos que têm medo de nós: nenhum humorista atira para matar." — Millôr Fernandes)

 


O GÊNERO FAZ A DIFERENÇA: A Crônica da Sala de Aula ("Fiquem tranquilos os poderosos que têm medo de nós: nenhum humorista atira para matar." — Millôr Fernandes)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Pobre aula de Filosofia! Recordo-me de um embate que se tornou emblemático: em tom propositalmente provocador, afirmei que o dinheiro compra amor e carinho. Um aluno, tomado pela ironia e, talvez, pela inveja, respondeu na hora: “só pode, para achar alguém que fique com o senhor, tem de ser por dinheiro mesmo”. Mantive a calma e devolvi-lhe a provocação com uma pergunta afiada: “Pois é, e que razão uma mulher teria para ficar com você, se não tem dinheiro, nem beleza, nem saúde e nem inteligência?”. Completei a investida: “Só se ela for pior que você!”.

A classe silenciou, e a reflexão se impôs de imediato — mulheres inteligentes e promissoras buscam parceiros que as elevem, não que as rebaixem.

Infelizmente, confrontos como esse se tornaram corriqueiros nas salas de aula, onde o respeito e a curiosidade filosófica são substituídos pela disputa e pela militância desmedida. Nesse ambiente, muitos professores são reduzidos, no imaginário estudantil, a meros “analfabetos funcionais”, desvalorizados por alunos que transformam qualquer tema em um palco de confronto ideológico. Em vez de diálogo, há acusações; em vez de aprendizado, há ruído. É uma inversão trágica: o mestre, que deveria ser o guia da reflexão, torna-se o alvo do desprezo.

Nessas horas de frustração, identifico-me com o humorista Diego Almeida, também professor, que transforma as dores e contradições da escola em sátira teatral. Compreendo seu gesto: é o riso que grita por socorro, a arte como desabafo diante de um sistema que sufoca. Eu, por minha vez, escolhi a literatura — especialmente a crônica — como meio de narrar as experiências e agruras vividas no cotidiano docente. Somos semelhantes em propósito: ambos usamos a palavra como ferramenta de resistência e denúncia, clamando por uma educação mais humana e respeitosa.

Apesar de nossas intenções, percebo que muitos no meio "escolar" parecem guardar mais rancor de mim do que dele, embora eu jamais lhes tenha cobrado um centavo. Talvez minhas críticas, ainda que duras, sejam mal interpretadas. No fundo, como o profeta Balaão, que ao tentar amaldiçoar acabou abençoando, minhas palavras buscam provocar mudança e despertar a consciência. Se for preciso, aceito o papel da jumenta falante — aquela que, espancada por dizer a verdade, ainda assim persiste. Entre a ironia e a fé, continuo acreditando que toda crítica sincera é, em essência, uma forma de bênção disfarçada.


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Como seu professor de Sociologia, preparei 5 questões discursivas e simples, alinhadas às ideias do texto, focando em conceitos sociais relevantes para o Ensino Médio.

1. O Valor do Dinheiro e as Relações Sociais

O texto inicia com a provocação "o dinheiro compra amor e carinho". Do ponto de vista sociológico, como a dimensão econômica (o dinheiro e o poder aquisitivo) pode influenciar a formação de vínculos e relações afetivas na sociedade contemporânea?

2. Desvalorização Docente e a Crise na Educação

O autor menciona que professores são frequentemente reduzidos a "analfabetos funcionais" e se tornam "alvo do desprezo" em um ambiente de "confronto ideológico". Explique, a partir da perspectiva sociológica, como a desvalorização da profissão docente e a falta de respeito em sala de aula se manifestam como um sintoma da crise institucional e de valores na educação.

3. A Meritocracia e a Escolha de Parceiros

O trecho que descreve a reflexão imposta sugere que "mulheres inteligentes e promissoras buscam parceiros que as elevem". Essa visão está relacionada a um ideal de ascensão social ou meritocracia dentro dos relacionamentos. Discorra sobre como as expectativas sociais de sucesso (beleza, saúde, inteligência, dinheiro) atuam como critérios de seleção social na busca por parceiros.

4. Conflito e Diálogo em Espaços de Aprendizado

O texto critica a substituição do diálogo pela "disputa e militância desmedida" em sala de aula, gerando "ruído" em vez de aprendizado. Qual é o papel central do diálogo e do debate respeitoso (e não do conflito ideológico) para a construção do conhecimento sociológico e para a formação de uma cidadania crítica?

5. Expressão Artística como Denúncia Social

O professor relata que utiliza a crônica e se identifica com o humorista/professor que usa a sátira para denunciar as contradições da escola. Como a arte, a literatura ou o humor podem ser entendidos como ferramentas de resistência ou denúncia social, capazes de promover reflexão e crítica sobre as instituições e o cotidiano?

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quarta-feira, 26 de outubro de 2022

NO FINAL, TUDO FICARÁ "REDONDINHO": A Verdade na Interseção dos Opostos ("Muitos anjos, sim, mas para manter o equilíbrio, também muitos demônios...Mantenha seu equilíbrio sobre o fio da navalha." — Caio Fernando Abreu)

 


NO FINAL, TUDO FICARÁ "REDONDINHO": A Verdade na Interseção dos Opostos ("Muitos anjos, sim, mas para manter o equilíbrio, também muitos demônios...Mantenha seu equilíbrio sobre o fio da navalha." — Caio Fernando Abreu)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Ambos os mendigos estavam certos, embora vissem o mundo por lentes opostas. Um enxergava na rua o abrigo que lhe restava, enquanto o outro via nela o perigo e a exclusão. O mesmo ocorre com os médicos, que divergem em seus diagnósticos sem que, por isso, um anule o outro. A verdade, muitas vezes, habita na interseção dos opostos, no ponto de harmonia onde as contradições se equilibram. Afinal, a vida humana é forjada por contrastes: o abrigo e o abandono, a saúde e a doença, o instinto e a razão.

Essa dualidade se reflete até mesmo no comportamento dos animais. O cão que, em um gesto instintivo e aparentemente repulsivo, cheira o semelhante e, em seguida, demonstra afeto ao dono, simboliza uma pureza instintiva que a racionalidade humana frequentemente perde. Essa naturalidade revela que o elo entre os seres não se funda na aparência, mas na essência — naquilo que é verdadeiro, ainda que desconfortável. Ao julgar a natureza, o homem esquece que nela reside sua própria origem, e que o equilíbrio entre o puro e o impuro é parte da ordem divina.

Da mesma forma, os vírus — invisíveis e poderosos — são lembretes da constante interdependência e movimento do mundo. Se outrora os coronavírus saltaram dos animais para os humanos, talvez um dia o inverso ocorra, expondo o quanto nossa arrogância espiritual e científica nos distancia da humildade. Nessa troca simbiótica, o hospedeiro ri do parasita sem perceber que, por vezes, ambos se confundem. Até mesmo os terraplanistas, ao rejeitarem o formato esférico da Terra, enfrentam uma ironia cósmica: o inimigo invisível que os ameaça é, ironicamente, um globo em miniatura.

A célebre frase de Einstein, que diz que “a vida é como andar de bicicleta — é preciso seguir em movimento para manter o equilíbrio”, resume tanto a dinâmica da existência quanto o princípio da renovação planetária. O movimento circular é o próprio ciclo da justiça divina: nada escapa ao retorno, e nada permanece estático. A direita necessita da esquerda, o bem se manifesta no contraste com o mal, e toda crise carrega em si o germe da restauração. Como afirmam as Escrituras, “é necessário que Jesus permaneça no céu até que chegue o tempo da restauração de todas as coisas”. O equilíbrio, afinal, é o nome sagrado desse movimento eterno.


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Como professor de Sociologia do Ensino Médio, vejo neste texto uma análise rica sobre perspectivismo, dualidade, interdependência e movimento social. Abaixo estão 5 questões discursivas, simples e objetivas, que incentivam os alunos a aplicar conceitos sociológicos e a Filosofia Social às ideias de meu texto:

1. O Perspectivismo e a Realidade Social

O texto inicia com o exemplo dos dois mendigos, que enxergam a mesma realidade ("a rua") de maneiras opostas ("abrigo" e "perigo/exclusão"), mas ambas válidas. Explique como o conceito de Perspectivismo (ou o relativismo cultural/social) é crucial para a Sociologia, e por que a verdade sobre um fenômeno social muitas vezes reside na "interseção dos opostos" e não em uma única visão absoluta.

2. Instinto, Razão e Desigualdade Social

O autor contrasta a "pureza instintiva" do animal com a "racionalidade humana" que frequentemente se perde. Analise o impacto da razão e da moralidade social na formação do juízo de valor. Por que o julgamento humano se baseia na aparência (condenação de gestos instintivos ou de grupos marginalizados) e distancia-se da "essência", dificultando o reconhecimento mútuo na sociedade?

3. Interdependência e Arrogância Científica

A menção à troca simbiótica entre vírus e hospedeiro e à "arrogância espiritual e científica" critica a visão humana de superioridade. Discuta o conceito de Interdependência na sociedade global. Por que a arrogância (seja ela científica ou espiritual) pode levar a sociedade a ignorar as consequências de longo prazo de suas ações, violando o princípio de que o homem é parte de um sistema maior?

4. O Movimento Social e a Crise como Restauração

A citação de Einstein e a menção ao "movimento eterno" sugerem que a crise (o desequilíbrio) é necessária para a renovação. Explique a ideia de que a crise social ou o conflito (como a oposição entre "direita" e "esquerda") é, segundo a Sociologia (por exemplo, em Simmel ou Marx), um motor de mudança social, e não apenas um fator de destruição.

5. Polarização e Equilíbrio de Forças

O texto finaliza afirmando que "A direita precisa da esquerda, o bem se revela no contraste com o mal". Analise essa ideia de dualidade e equilíbrio de forças no contexto da Polarização Social e Política contemporânea. De que forma o reconhecimento da necessidade do oposto pode ser um passo para a superação de antagonismos radicais e para a busca de um equilíbrio democrático?

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segunda-feira, 24 de outubro de 2022

ANALFABETISMO SUSTENTÁVEL: O Analfabetismo como Pilar Inverso da Escola ("Na época em que vivo, analfabetismo é tido por "Dialeto Virtual". — Thiago O. Rodrigues)

 


ANALFABETISMO SUSTENTÁVEL: O Analfabetismo como Pilar Inverso da Escola ("Na época em que vivo, analfabetismo é tido por "Dialeto Virtual". — Thiago O. Rodrigues)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

O analfabetismo, paradoxalmente, parece ser o que mantém viva a estrutura da escola, que não demonstra um interesse real em sua erradicação. As tentativas de combate à ignorância são tímidas e superficiais, parecendo cumprir apenas um discurso protocolar. A ironia de Davi Goulart Martins ecoa com precisão ao afirmar: “O Brasil não precisa de IBGE para mostrar faixa de analfabetismo, basta ir ao ‘feicebuqui’.” Essa observação expõe uma verdade cruel: a educação nacional está presa a uma lógica que alimenta o problema que deveria resolver, perpetuando um ciclo em que a falta de conhecimento é o próprio combustível da instituição escolar.

No corpo discente, o cenário é igualmente contraditório. Os alunos considerados "bons" tendem a aprender rápido e, involuntariamente, tornam-se o suporte dos dependentes, reforçando a desigualdade. As amizades escolares, que deveriam ser espaços de crescimento mútuo, transformam-se em redes de cumplicidade na trapaça. Quando o auxílio legítimo degenera em cola e a cola em hábito, o aprendizado deixa de ser uma conquista para se tornar mera aparência, enganando não só o professor, mas, sobretudo, o próprio aluno.

Esse comportamento revela uma distorção moral preocupante: o colega é "ajudado" não por solidariedade genuína, mas por medo de romper o pacto de mediocridade que protege o grupo. Enganar o sistema torna-se um gesto de pertencimento e sobrevivência em um ambiente que perdeu sua autenticidade. No fundo, há uma recusa em assumir a culpa individual — “ninguém quer ir para o inferno sozinho” —, e essa cumplicidade no erro corrói, silenciosamente, o caráter coletivo.

Como professor, resta-me o protesto. Manifesto-me contra a omissão institucional, contra o esvaziamento da vocação e contra a indiferença diante da falência moral que a escola reflete e reproduz. Visto-me de preto, em luto pela educação pública, não por compaixão passiva, mas por resistência ativa. Educar, no sentido mais profundo, é um ato de coragem: o de romper com o comodismo, despertar consciências e recusar-se a aceitar que o analfabetismo — seja ele literal ou moral — continue sendo o pilar de sustentação do nosso sistema.


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Como professor de Sociologia do Ensino Médio, preparo as seguintes 5 questões discursivas e simples. Elas exploram os conceitos de função social da escola, ideologia, capital cultural e anomia presentes no texto, incentivando os alunos a analisar criticamente a estrutura e as dinâmicas da educação.

1. O Paradoxo da Manutenção do Analfabetismo

O texto afirma, paradoxalmente, que o analfabetismo é o "combustível da própria instituição escolar". Explique, a partir de uma perspectiva crítica da Sociologia (como a Teoria da Reprodução), como a falha sistêmica (manutenção da ignorância) pode ser funcional para a escola, mantendo a necessidade da sua existência, em vez de promover sua erradicação.

2. Capital Cultural e Desigualdade no Corpo Discente

O texto descreve que os alunos "bons" se tornam "suporte dos dependentes, reforçando involuntariamente a desigualdade". Utilizando o conceito de Capital Cultural (Bourdieu), analise como essa dinâmica de dependência (cola e auxílio) na escola não diminui, mas sim reproduz e legitima a desigualdade entre os alunos, transformando a competência em "suporte" em vez de inspiração.

3. O Pacto de Mediocridade e o Controle Social Informal

O comportamento de cumplicidade na cola é motivado pelo "medo de romper o pacto de mediocridade que protege o grupo". Explique como esse pacto funciona como uma forma de Controle Social Informal dentro do grupo de alunos. Por que "enganar o sistema" se torna um "gesto de pertencimento" mais forte do que a busca pela excelência individual?

4. A Crítica ao "Discurso Protocolar" e a Ideologia

O texto critica as tentativas de combate à ignorância como "tímidas e superficiais", cumprindo apenas um "discurso protocolar". Relacione essa crítica ao conceito de Ideologia. Como a manutenção de um discurso de erradicação do analfabetismo (a ideologia da escola) pode coexistir com a prática de perpetuação do problema?

5. O Protesto e a Resistência Ativa do Professor

O professor opta por "vestir-se de preto, em luto" como um ato de resistência ativa contra a "falência moral" do sistema. Analise este gesto como uma forma de Ação Social (Weber) ou Resistência Institucional. Qual o significado sociológico de um indivíduo resistir ativamente a uma omissão institucional, e por que a educação é definida como um "ato de coragem" nesse contexto?

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domingo, 23 de outubro de 2022

O INSEGURO MORRE MAIS CEDO: O "Lobovírus," o Medo e a Purificação da Resistência ("O segredo do sucesso é ser frio, calculista, e confiante." — George Sheykson)

 


O INSEGURO MORRE MAIS CEDO: O "Lobovírus," o Medo e a Purificação da Resistência ("O segredo do sucesso é ser frio, calculista, e confiante." — George Sheykson)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

O coronavírus revelou-se um "Lobovírus", um predador que, à semelhança do lobo, testa a força e a serenidade do rebanho. Diante do perigo, os que se mantêm firmes e confiantes sobrevivem, enquanto aqueles dominados pelo pânico se tornam presas fáceis. Essa metáfora traduz a essência de um tempo em que o medo e a vulnerabilidade interior abriram espaço para o sofrimento coletivo, expondo a fragilidade humana diante do invisível. Mais do que um inimigo biológico, a pandemia demonstrou que o medo é capaz de ferir antes mesmo que a doença toque o corpo.

Em meio ao caos, tornou-se evidente que a saúde psicológica valia tanto quanto, ou até mais, que a física. O equilíbrio interno configurou-se como um escudo essencial contra a desordem do mundo exterior, pois a mente lúcida era a única capaz de sustentar o corpo cansado. O indivíduo percebeu que o domínio do medo é um exercício de fé e de lucidez, e que a confiança serena, como a das ovelhas que não fogem, é o que, de fato, desarma o predador.

No entanto, a relação entre o medo e o poder manteve-se ambígua. O mais forte — seja ele um sistema, uma força política ou um instinto — tende a oprimir o mais fraco para conservar o controle. Essa opressão é alimentada pela insegurança, já que o poderoso também teme perder o domínio que o define. Assim, a pandemia revelou não apenas a vulnerabilidade dos indivíduos, mas também a do próprio poder que tenta contê-los por meio da coerção e do temor.

Entre as cicatrizes deixadas por esse tempo, há fantasmas que nos lembram que a sobrevivência não é sinônimo de vitória, mas de resistência. Carrego comigo marcas que sussurram que não fui bom o suficiente para ser perverso, mas forte o bastante para permanecer. Nessa permanência, reside um mistério que transcende a vontade e o esforço individual, pois, como está escrito: “Isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Romanos 9:16). A verdadeira purificação, afinal, não está em escapar do lobo, mas em aprender a permanecer inteiro diante dele.


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Como professor de Sociologia do Ensino Médio, vejo neste texto uma oportunidade excelente para discutir a relação entre medo, poder, vulnerabilidade e controle social em tempos de crise. Abaixo estão 5 questões discursivas e simples, formuladas para incentivar os alunos a aplicar conceitos sociológicos ao meu texto:

1. O Medo como Fator de Vulnerabilidade Social: O texto afirma que a pandemia demonstrou que o medo pode "ferir antes mesmo que a doença toque o corpo" e transforma os dominados pelo pânico em "presas fáceis". Analise, sob a perspectiva sociológica, como a disseminação do medo em massa pode se tornar um fator de desorganização social e aumentar a vulnerabilidade de certos grupos, levando-os a aceitar medidas extremas ou a agir irracionalmente.

2. Saúde Psicológica e Resistência no Caos: O autor destaca que o "equilíbrio interno" e a "saúde psicológica valia tanto quanto, ou até mais, que a física" como escudo contra a desordem externa. Explique o conceito de Resiliência Social e como a manutenção da lucidez mental e do equilíbrio interno pode ser vista como uma forma de resistência individual contra as pressões e o pânico gerados por uma crise coletiva.

3. O Medo como Instrumento de Opressão do Poder: O texto aborda a "relação entre o medo e o poder", afirmando que "o mais forte [...] tende a oprimir o mais fraco para conservar o controle". Discuta como as instituições (Estado, mídia, grupos políticos) podem utilizar o medo de uma ameaça (como o "Lobovírus") como uma estratégia de controle social e político, justificando a restrição de liberdades ou a adoção de medidas que beneficiam o "mais forte".

4. A Ambiguidade da Vulnerabilidade do Poder: O texto afirma que a pandemia revelou não só a vulnerabilidade dos indivíduos, mas também a do "próprio poder que tenta contê-los". Analise a vulnerabilidade das Estruturas de Poder em momentos de crise global. Por que a incapacidade de um sistema político ou econômico de garantir segurança total pode levar o "poderoso" a intensificar a opressão por medo, ao invés de buscar soluções cooperativas?

5. Sobrevivência e o Conceito de Resistência: O autor conclui que a "sobrevivência não é sinônimo de vitória, mas de resistência". Diferencie os termos Sobrevivência e Resistência no contexto de uma crise social. Por que a resistência — a permanência "inteiro diante dele" (do lobo/vírus) — é considerada a "verdadeira purificação", em vez da simples vitória ou escape?

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A VIDA SUPLICA POR REFLEXÃO: A Permanência na Mudança e a Resistência da Fé (" QUEM VAI, LEVA O NORTE; QUEM FICA, SUPLICA. DOR... NÃO ME CONFORTE." — Oscar de Jesus Klemz)

 


A VIDA SUPLICA POR REFLEXÃO: A Permanência na Mudança e a Resistência da Fé (" QUEM VAI, LEVA O NORTE; QUEM FICA, SUPLICA. DOR... NÃO ME CONFORTE." — Oscar de Jesus Klemz)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Não se trata mais de quarentena, mas de um distanciamento social permanente — um verdadeiro buraco negro na vida de qualquer um. As mudanças, mesmo que motivadas por politicagem, tornaram-se inevitáveis, embora nem toda transformação seja intrinsecamente benéfica. Aprendi a aceitá-las com modéstia e estratégia, evitando provocar mais complicações em um cenário já conturbado. A vida prossegue, protegida por uma fé persistente, e quem esperou até agora pela morte sabe que alguns dias a mais são irrelevantes. O fundamental é não tropeçar perto da linha de chegada, como um atleta exausto que desfalece no último metro.

As medidas preventivas implementadas trouxeram um rigor que, muitas vezes, parece desproporcional aos resultados efetivos. É imperativo ter disciplina, mas também discernimento, para evitar que o medo nos converta em prisioneiros do próprio lar. O caos, por mais paradoxal que seja, possui sua própria lógica, e dele podem emergir novas formas de ordem e aprendizado. A prudência é necessária, mas não deve de forma alguma sufocar a vontade de viver.

O acúmulo de tarefas e a sensação de improdutividade pesam sobre a rotina, e a internet, embora útil, jamais substituirá a complexidade do mundo real. Contudo, recuso-me a ceder à aflição. Lembro-me das palavras de Vicente Jolvino: “Se as coisas não estão tão boas, talvez seja porque a vida suplica por um pouco mais de reflexão.” É nessa pausa forçada que encontro refúgio, buscando sentido no próprio desconforto.

Creio que as soluções virão, como sempre vieram, conduzidas por forças que se alternam entre o divino e o humano. Que os anjos inspirem e que até os demônios colaborem, se necessário, para que o mal se converta em bem. Afinal, é nas contradições do existir que se manifesta a verdadeira capacidade humana de resistência e reinvenção.


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Como professor de Sociologia do Ensino Médio, fiz neste texto uma análise profunda sobre os efeitos sociais da crise, a mudança e a redefinição de ordem em um contexto de incerteza. Abaixo estão 5 questões discursivas, simples e objetivas, que incentivam os alunos a aplicar conceitos sociológicos às ideias de seu texto:

1. A Mudança Social e o Papel da "Politicagem": O texto observa que as mudanças, mesmo quando inevitáveis, podem ser "motivadas por politicagem". Analise o conceito sociológico de mudança social e discuta como a intervenção política e os interesses de grupos de poder (a "politicagem") podem distorcer ou acelerar transformações sociais, em vez de refletir um consenso ou uma necessidade genuína da sociedade.

2. Disciplina, Medo e Controle Social: As "medidas preventivas" impuseram um "rigor" que pode levar ao confinamento e ao medo, transformando as pessoas em "prisioneiros do próprio lar". Relacione essa ideia com o conceito de Controle Social (formal e informal). Como o medo de uma ameaça invisível pode ser utilizado para gerar uma disciplina social que, em excesso, limita a liberdade e o discernimento individual?

3. O Paradoxo do Caos e a Nova Ordem: O autor afirma que o "caos (...) possui sua própria lógica" e que dele podem "emergir novas formas de ordem e aprendizado". Discuta o pensamento sociológico sobre a relação entre caos (ou anomia) e a reorganização social. Cite um exemplo histórico ou contemporâneo de como uma crise ou desordem (caos) forçou a sociedade a criar novas instituições, normas ou formas de convivência (nova ordem).

4. O Sentido de Comunidade e o "Distanciamento Social Permanente": O "distanciamento social permanente" é descrito como um "buraco negro". Em termos sociológicos, qual o impacto desse distanciamento prolongado na solidariedade social (mecanismos que unem os indivíduos)? Como a falta de interação física e o excesso de mediação digital afetam a formação do sentido de comunidade e de pertencimento?

5. A Internet e a Complexidade do Mundo Real (Interação Social): O texto menciona que a internet é útil, mas "jamais substituirá a complexidade do mundo real". Explique por que, do ponto de vista da Teoria da Interação Social (como a interacionismo simbólico), a comunicação face a face é considerada insubstituível. Quais elementos da interação (gestos, expressões não verbais, etc.) se perdem no ambiente digital e diminuem a "complexidade" do convívio?

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