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MINHAS PÉROLAS

sábado, 23 de junho de 2012

PEDAGOGIA POR TERRA (Uma inchação sem remédio!!!)



Crônica

PEDAGOGIA POR TERRA (Uma inchação sem remédio!!!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          No calor das reivindicações dos professores do estado de Goiás pelo plano de carreira, fui coagido a refletir no valor do profissional da educação, mais especificamente sobre o pedagogo. Então, perguntei-me qual a ferrugem que corrói esse título e trava essa função? Um formado em pedagogia do Movimento dos sem-terra, no programa deles,  respondeu-me: “Seria interessante que os cursos superiores dedicados à formação dos assentados não se limitassem à qualificação de educadores e sim fossem estendidos às diferentes áreas do conhecimento humano e necessidades dos assentamentos. Pensamos que são necessários cursos também na área de agricultura, de saúde, de economia, de direito...” (Aluno da Primeira Turma), (http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt08/t084.pdf).
          Agora a UFG, também, adotou a "Pedagogia da terra"! Ter um diploma de pedagogia da UFG era um privilégio sem medidas. Só os campeões de uma concorrência exacerbada gozava dele. Hoje, não, com o advento dos Cursos a distância, cota para negros, para alunos do colégio público e para analfabetos funcionais, ENEMs da vida e o descaso do governo desvirtuaram as licenciaturas de lá. Todos os sem-terra, sem-teto e sem-...(qualquer coisa) vão ter curso superior em pedagogia; aptos para concorrer nos concursos públicos da educação, então teremos uma avalanche de pedagogo na escola pública, logo nós vamos ter mais coordenadores que professores. É algo parecido com um desequilíbrio na cadeia alimentar, se matássemos todos as cobras super povoariam os ratos! Sem esquecermos da "pedagogia parcelada" da UEG e seus efeitos catastróficos para a autoestima de muitos. Tudo isso causará uma inchação sem remédio!!
          Ironizando ou não, um amigo professor, um excelente professor de geografia, diga se de passagem, com boa formação, ainda no estágio probatório pela educação estadual, disse-me: —"Claudeko, já pensei até em fazer um curso de pedreiro... De tanto que estou insastifeito com a profissão. No último sábado, o rapaz colocou 22 metros de cerâmica na minha casa e levou R$ 212,00...Enquanto que no colégio, num dia inteiro de serviço, não me rende 70% desse valor.Tem base?"
          Eu diria que não tem base, mas não me assusta, apenas me indigna, pois sempre tivemos alunos que ganham mais do que nós! Mas, preocupa-me a questão: Com que status podemos ser os professores deles!? Além dessa humilhação e do desrespeito social à função, acaçapam-nos ainda mais em um lugar de segregação e também derrubam nossa autoestima, apesar de portarmos um diploma de licenciatura da UFG.            
Claudeko
Enviado por Claudeko em 25/02/2012
Reeditado em 23/06/2012
Código do texto: T3518769


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