"Lembrar é fácil para quem tem memória. Esquecer é difícil para quem tem coração." (W. Shakespeare)

"Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho." (Mario Quintana)

Pesquisar neste blog ou na Web

MINHAS PÉROLAS

sábado, 20 de dezembro de 2008

SOU MAIS UMA 'PEDRA NO CAMINHO'! (o professor não pode ficar no centro do caminho parado, impunemente)



CRÔNICA

SOU MAIS UMA 'PEDRA NO CAMINHO'! (o professor não pode ficar no centro do caminho parado, impunemente)

Por Claudeci Ferreira de Andrade


            “O poema, publicado no livro ‘Alguma Poesia’ (1930), causou um verdadeiro escândalo na imprensa da época, provocando ataques ferrenhos ao autor por críticos que se negavam sequer a considerar poesia aquele texto ousadamente estruturado na repetição e numa construção lingüística simples, coloquial, que afirma a fala popular: ‘tinha uma pedra’ em detrimento da forma culta ‘havia uma pedra’”.(http://lazer.hsw.uol.com.br/drummond1.htm)(15/02/2016)

"No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra."
(Carlos Drummond de Andrade)

           É certo que na maioria dos caminhos é bom evitar os extremos e permanecer “no meio do caminho”, como nos é dito por pensadores que defendem o equilíbrio. Normalmente, eu estou do lado desses bons conselheiros. Mas, há ocasiões em que o professor não pode ficar no centro do caminho parado, impunemente. Ocasiões há em que o homem no centro do caminho, no meio da estrada, está totalmente errado. No caso da educação, isso acontece quando os princípios pedagógicos estão mal aplicados, indefiníveis.
           Fui advertido por está conduzindo minha moto no meio da estrada, em cima da faixa central. Foi-me recordado o que eu sabia havia anos — que através do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), o governo gasta milhares de Reais cada ano, pintando a linha divisória para mostrar aos motoristas o centro da estrada, de modo que eles possam permanecer em sua mão, e não no centro, como aconteceu comigo.
           Professores dedicados e disciplinados sentirão que a linha de demarcação entre a má e a boa educação devia ser mantida perfeitamente distinta. Eles se recusam a se familiarizar com o modismo do mundo educacional, mas não querem ser tradicionalistas, e assim, viram-se pedras no meio do caminho. Quem ainda não se sentiu obrigado a parar no meio do caminho por não saber o que fazer exatamente. São tantas injustiças, tantos favorecimentos! E os alunos diante daquela pedra no meio do caminho sem expressar seu posicionamento com relação às mudanças pré-moldadas pelos homens dos escritórios e já não mais em seu estado tradicional, transformam-se em pedras também. Ou os mestres se comportarão entusiasticamente favoráveis do lado certo, ou a pedra drummondiana permanece representada por mestres que usam metodologias que não apontam caminho algum.
           E mais: a LDBEN (Lei de diretrizes e bases da Educação Nacional) e os Parâmetros Curriculares não deixam lugar para compromisso com a “lambança”. Entende-se que os grandes professores não podem aceitar transigências. Em nossas opiniões não deve haver a menor aparência de incerteza, a comunidade tem o direito de saber o que deve esperar de nós.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 01/06/2009
Código do texto: T1625938

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Comentários


Postar um comentário