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MINHAS PÉROLAS

sábado, 5 de janeiro de 2013

SÁBADO LETIVO COM OS BONS PAIS ("A competência sem autoridade é tão importante como a autoridade sem competência." Gustave Le Bon)


Crônica

SÁBADO LETIVO COM OS BONS PAIS ("A competência sem autoridade é tão importante como a autoridade sem competência." Gustave Le Bon)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

         É de praxe, a escola promover uma comemoração no dia dos pais, segundo domingo de agosto. Mas, era sábado, sábado letivo, tentando matar dois coelhos com uma cajadada só; visto que letivo é relativo a lições. Bem, era um dia de lições para os pais, ou melhor, de brincadeiras educativas para eles. Vieram alguns, porque no sábado pela manhã, muitos trabalham, todavia os que vieram, foram solícitos e ativos, agradecemos-lhes profundamente por contribuir. Não sei se atraídos pelas lembrancinhas de participação ou algo mais subjetivo, quem sabe, tentando garantir sua imagem de herói, pois os filhos estavam ali, aplaudindo-os com fervor. Mas, como eram desbotados os sorrisos dos filhos dos perdedores nos jogos propostos. Em compensação, era larga a felicidade da família dos vencedores. Assim é a vida, para uns ganharem, outros têm que perder!!!
          Eu e os demais professores assistíamos à programação dirigida pela professora de educação física, escolhida por se tratar de competições recreativas, atentamente, sentindo uma sensação de dever cumprido. Não sei exatamente o que se passava na cabeça deles, porém na minha, era visível pelo brilho do meus olhos. E esta luz me fazia vislumbrar a importância de uma programação bem pensada na escola. E como se precisa de pouca coisa para motivar alguém à felicidade! Eu chorei ao ver vertendo as lágrimas dos olhinhos atentos de uma aluna que lia um texto que ela mesma preparou, falando da profissão de seu pai, assim aquele anjinho com uma colher de pedreiro na mão, vestindo a camisa de seu pai, fazia referência ao seu sustento vindo dos braços fortes do bom pedreiro que ele era. Foi muito gratificante para mim, por tê-la incentivado à participação, pois estava sendo avaliada em Língua Portuguesa também, prometi que lhe daria 2 pontos. Foi a nota mais justa que já concedi a um aluno em atividade extra. E foi em um sábado, que não é contado entre os dias úteis!
          Que pena! Os maus estudantes até nisso nos tiram a felicidade! Nesse mesmo sábado, no final da programação também era a entrega dos boletins dos que estavam abaixo da média. Quase nenhum dos responsáveis por eles compareceu. Como sempre, tivemos que nos congratular com a participação dos pais dos aplicados alunos que merecem elogios. Eu estava à mesa que atendia o nono ano, só três boletins foram requisitados. Os outros vinte e sete foram envelopados e retornaram à secretaria.
          O desviu aqui neste último paragrafo é proposital, focando o pós-evento festivo: será se a culpa é minha por desclassificar essa turma como o pior nono ano que já lecionei? E sempre vou levar na mentalidade que sou um escritor medíocre por tentar descrevê-la e não consegui, eu quis falar do comportamento deles, do que vira lá e ouvira e de como me tratavam por ali e não me vieram a palavras. Falei apenas do primeiro momento: festa para os pais. Talvez a culpa seja deles se esta crônica saiu tão ruim assim. A lembrança deles me tira a inspiração. Então restam-me as palavras verdadeiras da  SILVIA REGINA COSTA LIMA: "Penso que o mundo escolar desabou de uma tal forma que não sei se haverá volta algum dia. É tudo dolorido e sem nenhum interesse em nenhuma das partes. Eu vejo, sinto, leio, analiso e gostaria muito que fosse diferente, como gostaria! A crônica não é ruim... ruim mesmo é este tempo moderno...este tempo..."         
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 12/08/2012
Reeditado em 05/01/2013
Código do texto: T3826869
Classificação de conteúdo: seguro

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