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MINHAS PÉROLAS

sábado, 21 de dezembro de 2013

O ÚLTIMO PÃO-DE-QUEIJO DA BANDEJA ( Eu me importei com aquele pão-de-queijo e lho olhei com outros olhares!)



Crônica

O ÚLTIMO PÃO-DE-QUEIJO DA BANDEJA ( Eu me importei com aquele pão-de-queijo e lho olhei com outros olhares!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Em todo evento na escola, não pode faltar o lanche! Não sei por quê! Mas, eu não me sinto bem dando essa impressão de que se vive para comer. Se é reunião de professores, então o pão-de-queijo é indispensável. A tal "vaquinha magra" soma o dinheiro dos que gostam, e uma ou duas duzias de pães-de-queijo quentinho tornam-se o motivo da felicidade da maioria e o sucesso da socialização. Vivenciei nessa semana uma situação reveladora, em que um grupo de professores olhava sofregamente para o último pão-de-queijo que sobrou na bandeja: aquele que ninguém pega para mostra-se educado, desprendido de egoísmo, versado nas etiquetas da alta sociedade! Mas, eu juro que se qualquer um daqueles mestres ficasse sozinho na sala com aquele solitário e apetitoso pão-de-queijo, avançaria nele com voracidade. Observei-o, confesso, com água na boca, mas de forma discreta para descobrir quem faria as honras do bolinho da falsa moralidade, controlei-me.
            Chegou a hora, e todos saíram de uma só vez, desembaraçando-se uns dos outros, devagarinho como se processando uma despedida, não uns dos outros, mas daquele artesanal pão-de-queijo, porém desprezado pelas circunstâncias. Eu também saí no "bolo", andando meio devagar, sempre olhando para trás para ver quem devoraria a última peça. Finalmente uma professora, como quem fingia ter esquecido alguma coisa na sala, faz finca-pé e retorna aos chamados do infeliz pão-de-queijo. Eu a segui sem que ela percebesse, e ela me deu o drible, entrou na porta vizinha: o banheiro! Entrevi-me com aquela decepção e em fração de segundo me descuidei da mesa de observação, então, virei-me para lá, muito tarde, e me deparei com o responsável da cozinha que recolhia as vasilhas. E o Pão-de-queijo se foi!!!
           Você já se sentiu o último pão-de-queijo da bandeja?  A vasilha é grande demais para contê-lo. Desprezado por pessoas que não querem partilhar com sua reputação. Os santarrões que temem ser comparado com você, que é desbocado e não goza da aceitação da maioria, pelo menos aparentemente. Eu sou como aquele cobiçado pão-de-queijo, impedido de saber o quanto lhe querem, só porque a atitude de comê-lo é uma indicação de desregra. Porém se esquecem da iniciativa! E a criatividade? E a inovação desvinculada do medo do que vão pensar de si?!!! Raul Sexas já disse: "Só os desobedientes são criativos".
           As Relações da educação são assim. Muitos me leem, mas ninguém comenta, para não revelar o que pensam a meu respeito: se me aceitam positivamente, são coniventes, e os respingos de minha má reputação os manchará; se não me aceitam, atraem a repugnância dos que me veem bem. Então, é mais fácil ler um comentário, em um dos meus textos na internet, de pessoas desconhecidas e de outras áreas de atuação. "O profeta em sua terra não faz milagre".
           Infelizmente, como o último pão-de-queijo da bandeja, sofremos com o corporativismo do mal. Nossos inimigos acompanham nossos amigos, para longe ou para bem perto, eles, oportunistas, se valem da aproximação dos que confiamos para ter acesso a nossas fraquezas, nos acompanham indiretamente, nem precisamos chamá-los, e todos virão! Uns para nos apreciar e os outros para nos condenar. Por isso, digo: amigos dos meus inimigos são meus inimigos também. Logo, até que a morte me devore pelos caminhos certos, digo isso, crendo que ninguém é totalmente desprezível: eu me importei com aquele retraído pão-de-queijo e lho olhei com outros olhares! Então, certamente, alguém se importará comigo, vendo me com olhares diferentes, respeitando o que realmente sou e o que faço. Na verdade, não há inimigos nossos, há apenas aversos circunstanciais.      
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 15/08/2013
Reeditado em 21/12/2013
Código do texto: T4435749
Classificação de conteúdo: seguro
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