"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

COLEÇÃO 3 ("Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males." — Voltaire)



Pensamentos

COLEÇÃO 3 ("Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males." — Voltaire)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Na escola, não devia ser assim: Os ruins puxam os melhores para baixo com preguiça de segui-los. E os bons não contagiam. Ruídos escolares!(CiFA
     
O melhor pecado é a boa inveja! Aquela que lhe faz procurar ser igual aos bons sem atrasar o crescimento continuo deles.(CiFA
     
O destino é sempre a favor de quem tem ideias criativas. E a sorte existe para quem está dentro do plano existencial, elaborado pelo o Criador, então as coisas acontecem para as pessoas certas no instante certo.(CiFA
     
Pobre gosta de fila, e na fila única até os ditos normais são discriminados. Atendentes só pensam na fluidez de seu trabalho e cumprir seu dia. (CiFA
     
Fico impressionado como alunos de 8º ano não se intimidam diante do professor academicamente superior. Não se pode dar-lhes uma aula expositiva sequer, eles falam demais, interrompendo a todo instante para mostrar que sabem mais, e não precisam de nada: Aliás só de nota.(CiFA
     
OS LIVROS NÃO GOSTAM DE QUEM NÃO GOSTA DELES.(CiFA
     
Exibir-se como quem sabe é crise de valor! Reagir antes de ouvir a pergunta é tolice. Tolo se mete em apuro devido a sua rudeza. CiFA
 
Os alunos tolos devem ser envergonhados, eles não sabem ouvir, querem falar, imitando os Octo-processadores sem ter um banco de dados sortido à disposição.(CiFA
     
A geração Google está fartada pela velocidade e o amontoado de informação cadente, próprio do futurismo. Mas, ela não retém quase nada nas dobras do cérebro, assim como um intestino medicado para emagrecer. Tudo na moda, o purgante do caos!(CiFA
   
A postura arrogante, justificando o desinteresse nas aulas de um professor velho "quadrado" de antigamente, é compreensível. Esse é o mal do sistema educacional! E o comportamento desrespeitoso, é por motivo dos novos conhecimentos não substituírem os velhos: ciúmes!(CiFA
     
Meus alunos, não me tenham como ameaça, este momento era o que eu chamava de meu futuro, meu ponto final, portanto é o seu presente. Pois também, não os tenho como ameaça, porque quando forem alguém na vida (se forem), eu já não serei mais nada ( se é que fui alguma coisa na vida).(CiFA
     
O medo de nova tragédia possa coibir o tal bullying. Uma vez tornando o bem vencedor, estabelecer-se-á a paz! Sem adeus nas mãos.(CiFA
     
Sempre acreditei que se não for possível serem respeitadas as pessoas pelas vias pacificas, na base da tolerância, que alguém corajoso diga de forma trágica esta lição demais necessária.(CiFA
   
A justiça deve ser feita pelos chefes fixados, de quem é dever, mas na falta desses, faz-se-lhe o coagido com as próprias mãos. (CiFA
     
Devo considerar que o Bullying é um crime assolador, primeiramente pela devastação que causa na alma, refletindo em todo o ser das vítimas, depois dando teor rixoso aos seus atos.(CiFA
   
O BOM SENSO ME DIZ QUE NINGUÉM COLHE SEM PLANTAR,SE ASSIM O FIZER,COMETE INJUSTIÇA AO SEMEADOR.(CiFA
     
Quando eu encontro um professor que me diz não ter uma conta no Facebook, querendo se mostrar superior e precavido dos males da internet, eu tenho uma mau impressão dele, talvez não saiba nem ligar um PC, ainda mais duvido que leia alguma coisa, porque eu conheço os benefícios da net. (CiFA
     
Na internet, celeiro de idiotas, os que roubam ideias: copiam e colam sem as devidas credenciais do autor. No outro lado, imbecis resistindo as afrontas e pedindo por receitas prontas e acabadas, sem saber o que é pesquisar!(CiFA
     
Os que dizem que não confiam na internet, estão apenas tentando justificar sua falta de estudo por lá: são exatamente os vazios. Pois o bom do mundo virtual é a pesquisa para comprovar a veracidade dos assuntos. É como disse Luzia Homem: "Meus enredos eu mesmo desenredo". (CiFA
 
Ninguém pode crer no gozo que sinto, guiando meus alunos às artes linguísticas,ao juízo lógico e indagar o sistema educacional. (CiFA
Kllawdessy Ferreira


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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 20/11/2017
Reeditado em 19/09/2019
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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

COLEÇÃO 2 ("Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males." — Voltaire)



Pensamentos

COLEÇÃO 2 ("Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males." — Voltaire)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

2,1 Mais vale um cidadão com um pouco de bandido do que um bandido mais bandido! De cidadão para criminoso há um caminho longo, mas de bandido para criminoso o caminho é curto. Quero meu direito de defesa pessoal. Se o professor estivesse armado legalmente, pregava fogo no bandido que matou aquela jovem dentro da sala de aula em Alexânia. Agora o estado, com nosso dinheiro, vai sustentá-lo pelos seus melhores anos de vida! (CiFA

2,2 Sou assim porque o muro desabou comigo em cima — e os arranhões foram inevitáveis. Reconstruí-lo custaria caro demais. Melhor, então, ser hipócrita do que covarde, mesmo que seja em cima de um muro qualquer!

(CiFA)

2,3 Estar em cima do muro é confortável — no “nem”: nem para lá, nem para cá. Nesse maneirismo, não é preciso argumento algum. Mas a queda é fácil. A mornidão se torna recomendada quando nos ensinam que devemos tolerar as diferenças!

(CiFA)

2,4 Observo que, na Educação, quase tudo é simulacro. Simulam-se provas, austeridade, letividade, legalidade — e até mesmo a amistosidade. A escola prepara a sociedade para ela própria.

(CiFA)

2,5 Vivemos nesse torpor existencial, semelhante a uma relação sexual: uma hora de esforço para cinco segundos de orgasmo.

(CiFA)

2,6 Quem te ensinou a gemer — tanto para expressar a dor quanto para o gozo? O que me embaraça são as interjeições. É preciso relaxar para gozar, e também calejar para suportar a dor: isso é felicidade!

(CiFA)

2,7 Também — se a vida fosse um orgasmo constante — eu preferiria um pouco de dor. Que venham as dores e os relampejos de alívio.

(CiFA)

2,8 A vida é feita de dor quase constante — por isso, devem ser valorizadas as raras pausas, os breves momentos de prazer. A vida é (Cu)rta!

(CiFA)

2,9 Todavia, não me calarei. No mínimo, curo minhas depressões conversando com meu caderno de anotações.

(CiFA)

2,10 A unidade escolar deveria ser o lugar mais aconchegante da Terra, por ser um ambiente de educação. Mas só é assim para aqueles que foram expulsos de outra escola.

(CiFA)

2,11 Uma aluna do 7º ano me perguntou se eu era formado mesmo. Só podia estar orientada! Suspeito que colegas "intelectuais", sentindo-se ameaçados pela minha "burrice", se valem dos "ingênuos" para se firmar.

(CiFA)

2,12 Sou realmente muito ruim; no meu caso, é uma experiência perdida. Nunca presenciei a viabilização de uma sugestão minha em reunião de trabalho. Por isso digo: a escola é um espaço hostil para quem quer melhorar.

(CiFA)

2,13 Os alunos me perguntam todos os dias: — Por que o senhor veio hoje? Na sala dos professores, os colegas torcem pela falta de alguém, todos querendo sair mais cedo. Ali, adoecer ou morrer não importa, desde que dê folga para os outros.

(CiFA)

2,14 Dentro das minhas aulas de língua portuguesa, há alunos que não assistiram a nenhuma aula, mas conseguem atrapalhar todos os dias. Quem os mantém ali pagará por isso. Enquanto isso não acontecer, eles continuarão se matando — uma verdadeira tragédia escolar.

(CiFA)

2,15 Eu sou só um; você é a maioria. Meu poder de destruição não se compara ao seu. Portanto, não sou eu o culpado por a Educação estar assim.

(CiFA)

2,16 As ciências exatas não são humanas! Sem a linguagem, vocês jamais teriam se expressado tão bem!

(CiFA)

2,17 A matemática é muito fácil; aquelas fórmulas engessadas subestimam minha inteligência. Basta decorar algumas delas, e tudo se resolve. Com a linguagem, sou criativo, pois nunca estou pronto nem acabado. Assim, me posiciono como um ser vivo e atuante: transformo o mundo e sou transformado.

(CiFA)

2,18 Aprendi o seguinte: os intelectuais, por serem discriminados, também sofrem bullying. Selecionar os melhores torna-os uma minoria perseguida.

(CiFA)

2,20 Na escola, não deveria ser assim: os ruins puxam os melhores para baixo, por preguiça de segui-los, e os bons não contagiam. Ruídos didáticos!

(CiFA)

2,21 O melhor pecado é a boa inveja: aquela que nos faz buscar ser iguais aos bons, sem atrasar o crescimento contínuo deles.

(CiFA)

Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 18/11/2017
Reeditado em 18/09/2019
Código do texto: T6175323
Classificação de conteúdo: seguro

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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Coleção 1 do CiFA ("Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males." — Voltaire)


Pensamentos


Coleção 1 ("Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males." — Voltaire)

1-1) No fim das contas, o aluno será promovido, mesmo que fique reprovado em duas matérias. Ele nem se preocupa — afinal, um "trabalhinho" qualquer resolverá sua dependência curricular. E, convenhamos, o professor não quer, de forma alguma, mais trabalho extra. (CiFA)

1-2) Notei também que, no quarto bimestre, aumentam as denúncias de pais e alunos contra os professores — muitas vezes por motivos banais, chegando até a envolver questões da vida pessoal e familiar do docente. Trata-se de uma competição desleal: os alunos querem a aprovação a qualquer custo — ou, pior, sem custo algum. (CiFA)

1-3) A partir do terceiro bimestre, a pressão psicológica sobre o professor só aumenta — quando, na verdade, deveria recair sobre o aluno. É um assédio moral aqui, uma imoralidade ali, uma falta de ética acolá... e assim seguimos, com “ordem e progresso” estampados na escola, mas bem longe da realidade. (CiFA)

1-4) No início do ano, os professores renovam o voto com firmeza: — "Vamos aprovar apenas os alunos dedicados e estudiosos. Sejamos rigorosos, nossa escola é séria!" Mas basta chegar o conselho de classe do terceiro ou quarto bimestre e, se a taxa de aprovação não foi alcançada, tudo se resolve no velho jeitinho brasileiro — com um acréscimo de nota aqui, outro ali. (CiFA)

1-5) Ora, se os alunos já sabem que serão aprovados automaticamente — ou melhor, no grito —, por que se importariam com mais uma tarefa no quadro, valendo alguns pontinhos? (CiFA)

1-6) O mais perverso dos argumentos de um coordenador pedagógico para justificar a aprovação sem mérito é sempre o mesmo: — "Você quer tê-lo novamente como seu aluno no próximo ano?" (CiFA)

1-7) A redação do Enem deveria ser uma grande oportunidade de motivação para o estudo e a pesquisa direcionada. No entanto, os candidatos acabam tocando superficialmente aqui e ali, guiados apenas pela intuição. Afinal, aprofundar-se em quê, se ninguém consegue adivinhar o tema? AS REDAÇÕES DO ENEM DEVERIAM SER DE GRANDE CONTRIBUIÇÃO CIENTÍFICA PARA O PAÍS. Mas começo a suspeitar que o verdadeiro propósito da redação seja descobrir profetas — porque, neste caso, acertar o tema já seria um dom: Clarividência! (CiFA)

1-8) Agora o milagre da inclusão social dos surdos resume-se ao estudo da língua de sinais? Nesse caso, somos nós quem decidimos: se não estudarmos, não haverá inclusão. (CiFA)

1-9) Já no fim do Ensino Médio, os alunos modernos sequer sabem que curso desejam fazer na faculdade — será aquele que a nota do Enem permitir. (CiFA)

1-10) Estou aprendendo a oferecer minha ausência — um dia após o outro — até que ela se torne eterna para aqueles que nunca souberam valorizar minha presença. Aos que aprenderam comigo, deixo um aviso: castiguem-se, se negarem o que sabem a meu respeito. Pérolas aos porcos, sempre! Felizmente, os porcos amam a internet. (CiFA)

1-11) A certeza de que muita gente me lê revela-se na quantidade de inimigos que acumulo. Como já disse Martin Luther King: "Para ter inimigos, não precisa declarar guerras, apenas diga o que pensa." (CiFA)

1-12) Professor burro tolhe o êxito dos alunos ao impor vetos vãos, atrasando, assim, seu próprio sucesso. Afinal, o sucesso do aluno é também o nosso. (CiFA)

1-13) Na escola, compreendi a rebeldia dos jovens de hoje: eles descobriram que não tiveram infância. Não brincaram e agora querem fazê-lo. Por isso, vingam-se dos adultos que os transformaram em brinquedos. Mas não sou eu o culpado por ter feito meus próprios brinquedos; nunca precisei brincar com crianças — e nem sequer sabia o que era pedofilia. (CiFA)

1-14) Por que não amamos aquilo que já não nos serve? Ninguém ama sem obter algum benefício! Eu quero seu amor poético; o resto é apenas responsabilidade. (CiFA)

1-15) Como poderia deixar de amar quem me ama tanto? Da mesma forma, inversamente, como poderia ensinar quem me odeia tanto? Não me vingar já é uma forma de amar. (CiFA)

1-16) Em mim, só existem dois tipos de amor: o que pratico com quem me ama e o que pratico com quem me odeia. Porque, em nome do amor, a reciprocidade é obrigatória. (CiFA)

1-17) A escola maternalista está equivocada. Técnicos da educação acreditam que os alunos são bons porque são amados, quando deveriam ser amados por serem bons. Dar sem critério não ajuda ninguém; as pessoas precisam de dignidade. O mundo já está cheio de “esmolengos” inúteis. Assim, em vez de “vender” estudantes, a escola acaba “comprando filhos”. (CiFA)

1-18) Não me lembro de nenhum mártir da educação. Talvez não seja importante ser “linha dura” e dar a vida em troca de simulações, já que lá tudo é simulado. Arrisco-me muito agradando gregos e troianos; porém, a neutralidade evita conflitos, mas não forma heróis. (CiFA)

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sábado, 14 de setembro de 2019

Violência Escolar: Uma Crônica do Colapso Social (Abaixo a "pedagogia" da facada)




Crônica

Violência Escolar: Uma Crônica do Colapso Social (Abaixo a "pedagogia" da facada)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

O dia começou como tantos outros, até ser abruptamente transformado em pesadelo. Em 30 de agosto de 2019, a escola, que deveria ser sinônimo de aprendizado e crescimento, converteu-se em cenário de uma violência fatal: um aluno tirou a vida do coordenador do Programa Mais Educação com uma facada, por um motivo banal. Esse episódio brutal e inexplicável revela a crescente banalização da existência e a corrosão do respeito dentro dos espaços educativos.


Lembranças de incidentes anteriores e posteriores somam-se ao choque. Em 28 de agosto de 2018, um adolescente de 14 anos esfaqueou um colega de 13 no Centro de Ensino Fundamental 19, em Ceilândia, após uma discussão. Meses depois, em 3 de dezembro de 2018, uma mulher invadiu uma escola municipal no Pedregal (Novo Gama) e assassinou outra por vingança, após uma disputa iniciada nas redes sociais. Essas tragédias não são isoladas; são ecos de um ambiente social marcado por tensões crescentes.

Em 30 de abril de 2019, o professor e coordenador Júlio César Barroso de Sousa foi assassinado por um aluno, em Valparaíso, após intervir em uma briga. Mais uma vez, o centro de ensino, que deveria ser um porto seguro, converteu-se em palco de vingança. Assim, as escolas se transformam em verdadeiros campos de batalha, onde educação e segurança disputam espaço em meio ao caos social.

Mesmo dentro das salas de aula, a violência assume formas perturbadoras. Professores, exaustos e desamparados, recorrem a práticas extremas para tentar manter o controle — como amarrar alunos às cadeiras ou cobrir suas cabeças para evitar cola. Houve até um episódio em que estudantes foram hospitalizados após ingerirem bebida adulterada com "boa noite Cinderela". Tais situações nos obrigam a questionar: que tipo de sociedade estamos formando e permitindo? O que vivenciei nas escolas transcende a lógica comum. Ninguém merece sofrer ataques, sejam eles motivados por questões políticas ou por conflitos cotidianos. No entanto, a escola é obrigada a aceitar delinquentes reincidentes sem qualquer respaldo institucional. Tenta-se disciplinar o indisciplinável com regras superficiais, como proibir bermudas e celulares, enquanto se ignoram riscos muito mais profundos e letais. A cada novo episódio, é inevitável questionar o rumo da educação. A Secretaria impõe às escolas a obrigação de matricular e tolerar alunos problemáticos, tornando o cotidiano insuportável. No fim, o prejuízo recai sobre professores e funcionários, enquanto agressores são, por vezes, defendidos. Aos educadores resta o luto permanente: físico, emocional e moral. Essa inversão de prioridades e a hipocrisia corroem o sistema. O estresse e a frustração cobram um preço alto, afetando a saúde dos que resistem. Eu carrego a cicatriz de um câncer intestinal, uma marca de quem está esgotado por batalhar. Minha persistência testemunha o compromisso, mas também revela o quanto estou exaurido — e quantos professores tombaram antes de mim dentro dos próprios locais de trabalho. "Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo" (Mateus 23:23-24). Essa passagem ecoa, refletindo a miopia do sistema. Abaixo a pedagogia da violência! Não preciso de facas ou mártires para ser aquilo que desejo: um professor, mesmo quando ensino quem não quer aprender. Eu sigo, apenas, confiando que a fé possa socorrer os que ainda resistem na linha de frente da educação.
Resta-nos, enfim, refletir sobre o preço da indiferença coletiva e da violência normalizada. A sociedade precisa olhar para si e se perguntar como trata os mais vulneráveis. Que caminhos podemos construir para que a escola volte a ser um instrumento de paz e desenvolvimento humano? Deixo essas perguntas na esperança de que as respostas não cheguem tarde demais.

***


Questões Discursivas sobre Violência nas Escolas e o Futuro da Educação:


1. Violência nas Escolas: Reflexo da Sociedade e Ameaça à Educação

a) A partir do texto e de seus conhecimentos sociológicos, analise os seguintes pontos:

A banalização da violência: Como a banalização da violência na sociedade se reflete no ambiente escolar, culminando em atos brutais como o assassinato do coordenador do Programa Mais Educação?


A escola como campo de batalha: Quais os fatores sociais e culturais que contribuem para a transformação das escolas em ambientes de insegurança e medo, onde a educação cede espaço à violência?


A culpabilização das vítimas: De que forma a culpabilização das vítimas de violência, como a punição com medidas disciplinares rigorosas, contribui para a perpetuação do ciclo de violência nas escolas?


b) Propondo soluções:

Prevenção da violência: Que medidas podem ser tomadas no âmbito escolar, familiar e social para prevenir a violência nas escolas, promovendo um ambiente seguro e acolhedor para todos os alunos?


Educação para a paz: Como a educação pode ser utilizada como ferramenta para promover valores como o respeito, a tolerância e a resolução pacífica de conflitos, combatendo a cultura da violência na sociedade?


O papel do Estado: Quais as responsabilidades do Estado na garantia da segurança nas escolas e na promoção de uma educação de qualidade para todos os cidadãos?


2. O Desafiante Papel do Educador em um Cenário de Violência e Injustiças

a) A partir do texto e de seus conhecimentos sociológicos, explore as seguintes questões:

A sobrecarga e o desamparo dos educadores: Como a sobrecarga de trabalho, a falta de recursos e o desamparo institucional contribuem para o sofrimento dos educadores, como no caso do autor do texto que enfrenta um câncer e ainda precisa lidar com a violência nas escolas?


A hipocrisia e as injustiças no sistema educacional: De que forma a hipocrisia e as injustiças no sistema educacional, como a obrigatoriedade de matricular alunos reincidentes em atos de violência, afetam a saúde mental e emocional dos educadores?


A busca por um futuro melhor: Que medidas podem ser tomadas para valorizar a profissão docente, garantir melhores condições de trabalho e criar um ambiente educacional mais justo e humanizado?


b) Reflexões sobre o papel do educador:

A missão do educador: Qual o papel fundamental do educador em um contexto social marcado pela violência e pelas desigualdades? Como os educadores podem contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e pacífica?


A importância do autocuidado: Como os educadores podem cuidar de sua saúde mental e emocional para lidar com os desafios da profissão e manter a força para continuar sua missão?


A busca por apoio e solidariedade: Quais os mecanismos de apoio e solidariedade que podem ser disponibilizados aos educadores para que se sintam amparados e acolhidos em sua árdua missão?

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sábado, 7 de setembro de 2019

INCONGRUÊNCIA PEDAGÓGICA ("A maior incongruência do Universo é gastar tanto tempo disciplinando o FOCO e não FAZER nada a respeito do que se QUER." — Douglas Liandi).




Crônica

INCONGRUÊNCIA PEDAGÓGICA ("A maior incongruência do Universo é gastar tanto tempo disciplinando o FOCO e não FAZER nada a respeito do que se QUER." — Douglas Liandi)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

O sol ainda estava nascendo quando cheguei ao colégio, carregando comigo o peso de mais um dia de aula e todas as frustrações que acumulei ao longo dos anos. O silêncio dos corredores vazios me dava uma breve sensação de paz, mas eu sabia que, em breve, essa calmaria seria substituída pela rotina exaustiva e desafiadora que me aguardava na sala de aula.

Ao me aproximar da porta, a cena já era familiar: os mesmos alunos problemáticos, aqueles que só apareciam no final do bimestre, empurravam-se e riam alto. Eles vinham pelo lanche gratuito e pela necessidade de evitar as faltas que os condenariam à perda dos benefícios. Eram figuras previsíveis, sempre presentes quando pouco se podia fazer para salvar seu desempenho acadêmico.

Entrei na sala, disposto a ignorar o tumulto da entrada. Mas não demorou muito para que a coordenadora pedagógica, com seu salto ecoando nos corredores, surgisse como sempre, atraída pelo caos. Ao vê-la, os alunos bagunceiros correram para dentro, fingindo uma obediência que duraria apenas o tempo necessário para escapar de qualquer reprimenda mais séria.

Ela iniciou seu discurso habitual sobre responsabilidade e comportamento. Eu, já cansado desse teatro, observei a reação dos alunos. Os menos ruins olhavam com tédio, forçados a ouvir lições que não eram para eles. Já os bagunceiros fingiam arrependimento, sabendo que, assim que a coordenadora saísse, tudo voltaria ao que sempre foi. E foi exatamente o que aconteceu. Mal a porta se fechou, os risos e cochichos retornaram, e o clima de desrespeito instaurou-se novamente.

Tentei retomar a aula, mas era como tentar remar contra uma maré implacável. Senti o peso de um sistema falho sobre meus ombros. Como ensinar em meio a um ambiente que sabotava a própria ideia de educação? Como manter o desejo de transmitir conhecimento quando a desordem era constantemente premiada com estatísticas manipuladas e notas forjadas?

Naquele momento, pensei nas palavras de Napoleão Bonaparte: “Nunca interrompa o seu inimigo enquanto ele está cometendo um erro.” No entanto, era difícil aplicar essa máxima quando o erro não era apenas dos alunos, mas do próprio sistema que permitia e incentivava tal comportamento. A única arma que me restava eram as notas, um recurso cada vez mais insignificante frente à pressão para elevar índices e embelezar relatórios com números falsos.

Nos conselhos de classe, era sempre o mesmo roteiro. A expectativa era que eu, como professor, ajustasse as notas daqueles que mais haviam causado problemas. As coordenadoras, ansiosas por manter a aparência de uma escola eficiente, exigiam que todos os alunos passassem, independentemente de seu real desempenho. Enquanto isso, eu via minha autoridade ser corroída pela conivência com o erro.

E o que restava? Seguir em frente, aula após aula, dia após dia, acreditando que, em meio a esse cenário desolador, ainda havia alunos que queriam aprender. Era por eles que eu continuava, por aqueles poucos olhares que se iluminavam quando algo novo era ensinado, por aqueles que, silenciosamente, ainda acreditavam no poder transformador da educação.

No fim das contas, a verdadeira batalha não era contra os alunos desinteressados, mas contra o sistema que, ao punir o professor e premiar a desordem, minava a própria essência da educação. E, apesar de tudo, eu me recusava a desistir. Porque, no fundo, eu sabia que cada pequena vitória — cada aluno que se importava — era uma semente plantada em solo difícil. E, quem sabe, um dia, essas sementes floresceriam em um mundo mais justo e sábio.

Por ora, seguimos assim, resistindo. Cada aula é uma nova chance, uma nova oportunidade de fazer a diferença. Porque, apesar de tudo, ainda acredito que a educação, mesmo em meio ao caos, tem o poder de transformar.


Com base nesses temas, proponho as seguintes questões discursivas:


O texto destaca a dificuldade de manter a disciplina em sala de aula. Quais os principais fatores que contribuem para a indisciplina escolar e como eles se relacionam com o contexto social mais amplo?

A pressão por resultados é um tema recorrente no texto. De que forma essa pressão impacta a qualidade do ensino e a relação entre professores e alunos?

O professor descreve um sistema educacional que, muitas vezes, parece mais preocupado com números e estatísticas do que com a aprendizagem dos alunos. Quais as consequências dessa visão quantitativa da educação?

O texto aborda a questão da motivação dos alunos. Quais os fatores que podem contribuir para a falta de interesse e desmotivação dos estudantes? Como os professores podem estimular a participação e o engajamento dos alunos?

A escola é retratada como um microcosmo da sociedade. De que forma os desafios enfrentados pelos professores refletem os problemas mais amplos da nossa sociedade?

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