"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

MEU INCONSCIENTE NÃO É MEU DEUS ("Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino." — Carl Jung)

 


MEU INCONSCIENTE NÃO É MEU DEUS ("Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino." — Carl Jung)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

A noção de livre-arbítrio revela-se como uma farsa sedutora que, desde o Éden, ilude a humanidade com a promessa de autonomia. Quando foram tentados a se tornarem “conhecedores do bem e do mal”, Adão e Eva imaginaram poder conduzir o próprio destino. Contudo, a expulsão do paraíso expôs a realidade: o Criador redefiniu seus caminhos e demonstrou que nenhum futuro se ergue independentemente de Sua vontade. Se tanto o querer quanto o realizar procedem de Deus, torna-se ilusório acreditar que a criatura possa construir por si mesma o dia de amanhã — ou que este realmente lhe pertença.

A presunção de autossuficiência — base de grande parte da retórica moderna de autoajuda — alimenta a fantasia de que cada indivíduo é senhor soberano da própria rota. No entanto, como ignorar que Deus governa tanto a luz quanto as trevas, conforme a teologia implícita em Isaías 45:7? Assumir para si uma liberdade absoluta equivale a substituir simbolicamente o Criador, erguendo-se como um "pequeno deus" incapaz de perceber as calamidades que o cercam. A verdadeira sabedoria consiste em reconhecer-se instrumento nas mãos d’Aquele que sustenta o cosmos, em vez de venerar uma liberdade que não existe senão como miragem.

Além disso, se o Divino pudesse ser mensurado ou reduzido à compreensão de mentes finitas, seria inferior ao próprio homem. Esse abismo ontológico evidencia a fragilidade da tese da autodeterminação. Nenhuma ação ocorre isoladamente; nossas decisões reverberam sobre outras vidas. Entretanto, tal rede de influências não nos transforma em arquitetos do futuro, mas em fios entrelaçados na grande tessitura providencial, onde cada movimento permanece submetido ao governo soberano.

As leis universais, visíveis ou ocultas, confirmam essa supremacia. Por meio delas, Deus estabelece consequências, conduzindo os sábios pelo entendimento e corrigindo os insensatos pela disciplina. Assim, a história humana não se desenrola como palco de autonomia irrestrita, mas como o ambiente em que a liberdade limitada se curva à providência absoluta. No fim, o ciclo retorna ao seu ponto de origem: o destino começa e termina em Deus.


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Como seu colega professor, preparei 5 questões discursivas pensadas para o Ensino Médio. O objetivo aqui é verificar a capacidade de interpretação de texto e a habilidade dos alunos de relacionar conceitos teológicos/filosóficos com críticas sociais modernas (como a autoajuda), sem necessariamente entrar no mérito de crença pessoal, mas sim na lógica interna do argumento apresentado pelo autor.


Questão 1 O texto inicia fazendo uma releitura do episódio bíblico do Éden. Segundo o autor, por que a tentativa de Adão e Eva de se tornarem “conhecedores do bem e do mal” é utilizada como argumento para provar que a autonomia humana é uma ilusão?

Questão 2 No segundo parágrafo, o autor faz uma crítica direta à "retórica moderna de autoajuda". Explique qual é a relação que o texto estabelece entre a crença na autossuficiência (a ideia de que somos donos do nosso destino) e a figura de um "pequeno deus".

Questão 3 O texto utiliza a metáfora da "tessitura" (tecido) para explicar a sociedade. De acordo com o terceiro parágrafo, qual é a diferença entre ser um "arquiteto do futuro" e ser um "fio entrelaçado na grande tessitura providencial"?

Questão 4 O autor menciona um "abismo ontológico" (uma diferença de natureza) entre a mente humana e o Divino. Como esse argumento é utilizado para justificar que o ser humano não tem capacidade de determinar o seu próprio caminho?

Questão 5 Na conclusão, o texto afirma que a história humana não é um palco de "autonomia irrestrita". Segundo o autor, qual é o papel das "leis universais" e das consequências na vida dos indivíduos (sábios e insensatos) dentro dessa visão de mundo?

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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

SEXO É SAGRADO: Prostituição, Religião e Estado ("Nunca deixe de se interessar pelo Sagrado." — Albert Einstein)

 


SEXO É SAGRADO: Prostituição, Religião e Estado ("Nunca deixe de se interessar pelo Sagrado." — Albert Einstein)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

A hipótese de uma profissionalização crescente da prostituição ganha força ao observarmos como certas abordagens terapêuticas vêm adotando a sexualidade como eixo central de cura. Evoca-se Freud, para quem muitos distúrbios teriam raízes na esfera sexual — perspectiva que, embora frequentemente simplificada, sustenta a ideia de que desequilíbrios psicológicos poderiam justificar uma “terapia sexual” específica. Nesse cenário, a figura do substituto sexual aparece como alternativa voltada ao tratamento ou à ressignificação da vida íntima.

O prestígio atribuído a essas práticas torna plausível sua inserção em ambientes religiosos. Se igrejas já oferecem acompanhamento conjugal, nada impediria que novas formas de “cura” — inclusive associadas ao prazer carnal — fossem reinterpretadas como manifestações legítimas de fé. Assim, a antiga fusão entre devoção e sexualidade ressurgiria sob roupagens contemporâneas, aproximando ainda mais o espiritual do corporal nos espaços considerados sagrados.

Além disso, a tradição de valorizar elementos simbólicos provenientes de territórios religiosos — água, óleo, pedras ou qualquer artefato de Israel — revela a disposição do fiel para experiências que evocam o divino por meio de rituais materiais. Seguindo essa lógica, não soa improvável um retorno simbólico às antigas sacerdotisas da fertilidade, que ofereciam serviços sexuais em benefício dos templos. Nesse contexto, até mesmo um “substituto sexual espiritualizado” poderia surgir como uma atualização moderna dessa dinâmica entre fé, corpo e financiamento religioso.

A discussão se expande quando observamos que alguns países já custeiam programas de reabilitação sexual para servidores públicos. Se governos reconhecem tais cuidados como parte do bem-estar, torna-se compreensível que indivíduos desgastados pelas exigências da vida — como o irônico “soldado idoso de tantas guerras” — considerem recorrer a esse tipo de assistência. Assim, entre humor e crítica, emerge a questão central: até que ponto a sociedade está disposta a institucionalizar antigos tabus, aproximando cura, prazer, religião e Estado de maneiras inesperadas?


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Como professor de sociologia, preparei 5 questões discursivas baseadas no texto, focando na interpretação dos fenômenos sociais apresentados (a relação entre ciência, religião, Estado e a moralidade).

Questão 1 O texto inicia abordando a "profissionalização da prostituição" sob uma nova ótica. De acordo com o primeiro parágrafo, qual argumento ligado à psicologia (e a Freud) é utilizado para justificar a existência da figura do "substituto sexual" como uma forma de terapia?

Questão 2 Na sociologia, estudamos como as instituições (como a Igreja) se adaptam aos novos tempos. Segundo o texto, como a prática já existente de "acompanhamento conjugal" nas igrejas poderia abrir portas para novas formas de "cura" que envolvem a sexualidade?

Questão 3 O autor faz um paralelo histórico entre práticas modernas e as "antigas sacerdotisas da fertilidade". Explique, com suas palavras, qual é a semelhança que o texto aponta entre o papel dessas sacerdotisas no passado e a ideia de um "substituto sexual espiritualizado" nos dias de hoje.

Questão 4 No último parágrafo, é mencionado que o Estado (governos) em alguns países já financia programas de reabilitação sexual. Qual é a justificativa social e de saúde pública apresentada no texto para que o governo invista recursos nisso?

Questão 5 O texto encerra questionando a disposição da sociedade em "institucionalizar antigos tabus". Identifique e liste quais são as quatro esferas (ou áreas da sociedade) que o autor afirma estarem se misturando de forma inesperada nessa nova dinâmica social.

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domingo, 6 de novembro de 2022

Páscoa, Coerência e o Sentido Simbólico da Ressurreição: PARA RESSUSCITAR, PRECISA ESTÁR MORTO NÃO APODRECIDO ("Lázaro morreu e ressuscitou. Jesus morreu e ressuscitou. A diferença entre ambos? Lázaro morreu de novo!" — Reinaldo CantalÍcio)

 


Páscoa, Coerência e o Sentido Simbólico da Ressurreição: PARA RESSUSCITAR, PRECISA ESTÁR MORTO NÃO APODRECIDO ("Lázaro morreu e ressuscitou. Jesus morreu e ressuscitou. A diferença entre ambos? Lázaro morreu de novo!" — Reinaldo CantalÍcio)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

A narrativa tradicional da Páscoa sempre provocou questionamentos quanto à coerência dos relatos da ressurreição. Se Cristo teria dito “não me toques porque ainda não subi ao Pai”, como justificar que, logo depois, Tomé pôde tocá-Lo sem restrições? Além disso, as aparições em que Jesus atravessa portas fechadas para, em seguida, comer com os discípulos, acentuam o paradoxo entre materialidade e transcendência. O episódio no caminho de Emaús reforça essa tensão: ali Ele também come, embora o relato ainda O situe antes da ascensão. Mesmo após quarenta dias marcados por novas refeições e encontros, o enigma entre um corpo glorificado e um corpo físico permanece intacto.

Diante dessas contradições, muitos recorrem a hipóteses alternativas. Se Jesus afirmou “Eu e o Pai somos um”, a leitura irônica de que, em vez de o Filho ascender, o Pai teria descido apenas amplia o mistério. Assim, a tese de um corpo roubado surge, para alguns, como solução mais plausível do que a tentativa de compatibilizar versões que se chocam. Tanto romanos quanto judeus poderiam ter encontrado conveniência na manipulação simbólica do cadáver, cada qual orientado por seus interesses políticos e religiosos.

No âmbito literário, Clarice Lispector observa que “se morre simbolicamente muitas vezes para experimentar a ressurreição”. Na arte, esse renascer é legítimo e fértil; porém, a noção de uma ressurreição literal se desfaz diante de realidades materiais incontornáveis. O que poderia retornar à vida de alguém cremado e reduzido a cinzas dispersas? Um espírito teria cérebro para pensar ou aparelho fonador para falar? A ausência de qualquer testemunho significativo de Lázaro sobre sua experiência da morte — somada ao fato de ter morrido novamente — enfraquece ainda mais a lógica desses retornos. Até o rei Ezequias, agraciado com quinze anos extras, apenas prolongou sua estadia no mundo, sem que essa extensão representasse um salto transcendental.

Entre o fanático que acredita em tudo e o que não acredita em nada, resta o território da lucidez: reconhecer que só a vida gera vida e que a morte, por sua natureza, produz apenas morte. Nesse sentido, a ressurreição mais autêntica talvez seja a memória — “quem morre ressuscita toda vez que é lembrado”, como afirma Abraático. Deseja-se, portanto, ser lembrado ainda vivo, não por um milagre pós-morte, mas pela força da presença, das ações e do legado. Nunca se viu um amputado ressurgir com um membro restaurado; o que realmente existe é o renascimento simbólico expresso nas relações, nas obras e nos significados que permanecem. Talvez seja esse o “céu circunstancial” ao qual podemos, de fato, aspirar.


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Sou o professor de Sociologia. Este texto nos apresenta uma análise crítica e profundamente racional sobre a narrativa da Páscoa, confrontando o relato literal com a materialidade da existência e as hipóteses sociais. Ele nos convida a desvendar como as crenças são construídas, mantidas e questionadas na sociedade. Preparei 5 questões discursivas simples para explorarmos a construção social da fé, a manipulação de símbolos e o significado do legado humano.

Questão 1: Contradição e Coerência na Narrativa da Fé

O texto aponta diversas inconsistências nos relatos da ressurreição (ex: a contradição entre "não me toques" e o toque de Tomé; o paradoxo do corpo que come e atravessa portas). Com base na Sociologia do Conhecimento, explique por que, apesar de contradições internas, narrativas religiosas como a da Páscoa são capazes de manter sua coerência social e continuar orientando o comportamento e o sentido de vida de milhões de indivíduos ao longo da história.

Questão 2: Manipulação de Símbolos e Interesses Políticos

O autor sugere que tanto romanos quanto judeus poderiam ter encontrado "conveniência na manipulação simbólica do cadáver" para seus próprios "interesses políticos e religiosos". Analise esse argumento à luz da Teoria Sociológica do Poder. De que forma a manipulação de um símbolo religioso central (o corpo/cadáver) pode ser usada por grupos dominantes (sejam eles políticos ou religiosos) para legitimar sua autoridade e obter controle social?

Questão 3: A Ressurreição Literal e o Fato Material

O texto confronta a noção de ressurreição literal com "realidades materiais incontornáveis" (ex: o que ressuscita de um corpo cremado? um espírito tem aparelho fonador?). Discuta a relação entre a ciência (materialidade) e a fé (transcendência) na sociedade moderna. Por que a prevalência do raciocínio empírico, típico da modernidade, torna a aceitação de eventos que desafiam as leis da física mais difícil e exige um salto maior de crença?

Questão 4: O "Céu Circunstancial" e o Sentido da Vida

O texto conclui que a ressurreição mais autêntica é a memória — “quem morre ressuscita toda vez que é lembrado” — e propõe o “céu circunstancial” como aspiração. Explique o que o autor entende por "céu circunstancial". Como essa visão, que valoriza o legado (obras, relações, significados) em vez do milagre pós-morte, se alinha com a busca por sentido na Sociologia, onde o indivíduo constrói sua imortalidade através da contribuição social?

Questão 5: Fanatismo e Lucidez

O autor estabelece um contraste entre o "fanático que acredita em tudo" e o "que não acredita em nada", restando no meio o "território da lucidez". Analise esse contraste em termos sociológicos. O que é lucidez nesse contexto? Por que o caminho do meio (o reconhecimento de que "só a vida gera vida") é considerado mais coerente do que as posturas extremas de crença cega ou de ceticismo absoluto?

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sábado, 5 de novembro de 2022

A PROFECIA DO MESSIAS BOLSONARO: Crise Social e Convergência de Necessidades ("Há duas forças que unem os homens: medo e interesse." — Napoleão Bonaparte)

 


A PROFECIA DO MESSIAS BOLSONARO: Crise Social e Convergência de Necessidades ("Há duas forças que unem os homens: medo e interesse." — Napoleão Bonaparte)

Por Claudeci Ferreia de Andrade

A análise dos impactos das medidas restritivas impostas durante a pandemia evidencia que o lockdown, ao paralisar o comércio e suspender atividades essenciais, intensificou a crise econômica enfrentada pela população. Nesse contexto, o ex-presidente Bolsonaro sustentou que tais ações ampliaram o desemprego, agravaram a pobreza e deixaram consequências ainda perceptíveis. A imprensa registrou suas declarações de que “ficamos praticamente um ano em lockdown”, mencionando inclusive o cancelamento de eventos esportivos — um exemplo de como, segundo ele, a vulnerabilidade dos mais pobres se aprofundou.

Esse ambiente de fragilidade social foi acompanhado pelos alertas do ex-presidente sobre possíveis saques a supermercados — não como previsão literal, mas como risco decorrente do avanço da miséria. A reflexão de Chico Xavier reforça essa percepção ao afirmar que o desespero coletivo, somado à ausência de educação e de amparo espiritual, pode levar o povo à perda de discernimento. Com escolas e igrejas esvaziadas, faltariam justamente as bases capazes de oferecer equilíbrio moral e intelectual à população, que, metaforicamente, alguns políticos chamam de “gado”.

A instabilidade ultrapassou o âmbito sanitário e alcançou a esfera política, intensificada pela polarização e pela disputa apertada na transição presidencial. A eleição com a menor diferença de votos da história entre Bolsonaro e Lula, conforme divulgado pelo portal R7, evidenciou um país profundamente dividido, incapaz de sustentar a noção de maioria consensual. Esse cenário ampliou a percepção de que tensões sociais poderiam extrapolar fronteiras partidárias, refletindo um mal-estar coletivo mais profundo — contexto que, em parte, ajuda a explicar episódios como a invasão ao Congresso.

Diante desse conjunto de fatores, torna-se plausível considerar que, sob o peso da fome e da pobreza, antigos adversários ideológicos se aproximem não por afinidade política, mas por necessidade de sobrevivência. Quando o interesse vital é compartilhado, até inimigos se unem. Assim, tanto bolsonaristas quanto petistas, submetidos às mesmas dificuldades econômicas, podem convergir em ações sociais ou reivindicatórias, não como representantes de facções opostas, mas como cidadãos movidos por necessidades comuns e pela busca de condições mais dignas.


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Sou o professor de Sociologia. Este texto nos oferece um panorama complexo sobre como a pandemia interligou a crise econômica, a polarização política e a fragilidade social. Ele nos convida a analisar as consequências das ações governamentais e a natureza das tensões coletivas. Preparei 5 questões discursivas simples para explorarmos as dinâmicas de poder, polarização e sobrevivência social.


Questão 1: Impacto Econômico e Desigualdade Estrutural

O ex-presidente Bolsonaro argumentou que o lockdown contribuiu para tornar “os pobres ainda mais pobres”. Explique o que o conceito de vulnerabilidade social significa em contextos de crise (como o lockdown). De que forma a paralisação das atividades revela e intensifica as desigualdades estruturais preexistentes no Brasil?

Questão 2: Discurso do Risco e Controle Social

O texto menciona os alertas sobre "saques a supermercados" como risco iminente, e a ausência de amparo espiritual/educacional levando à "perda de discernimento" (reflexão de Chico Xavier). Analise o uso de discursos que sugerem caos social (como os saques) e a desqualificação de parte da população como "gado". Qual o objetivo político de evocar o medo da desordem e de associar a ausência de instrução e fé à perda de controle?

Questão 3: Polarização e a Crise da Representação Política

A eleição presidencial com a menor diferença de votos da história é citada como prova de um país "profundamente dividido" e incapaz de sustentar uma "noção de maioria consensual". Em termos de Teoria Política, discuta como a polarização extrema afeta a eficácia da democracia representativa. Por que um cenário de divisão tão acentuada leva à percepção de que a instabilidade social pode extrapolar as fronteiras partidárias?

Questão 4: Saída da Crise pela Sobrevivência

O autor sugere que, diante da fome e da pobreza, adversários ideológicos podem se unir "não por afinidade política, mas por necessidade de sobrevivência". Explique o que é ação coletiva na Sociologia. Diferencie a ação motivada por alinhamento ideológico (militância) daquela motivada por necessidades compartilhadas (sobrevivência), conforme exemplificado no texto.

Questão 5: Tensão Social e Eventos Extrapolares

O texto cita a invasão ao Congresso como um evento que reflete o "mal-estar coletivo mais profundo". Analise o conceito de anomia social (a ausência de normas claras). Como a combinação de crise econômica, polarização política e a fragilidade das instituições pode criar um ambiente propício para que tensões sociais latentes se manifestem em ações violentas ou radicais que extrapolem a política convencional?

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OS IGUAIS SE PROTEGEM: Pandemia, Egoísmo e a Luta por um Novo Horizonte Ético ("A alegria só pode brotar de entre as pessoas que se sentem iguais." — Honoré de Balzac)

 

OS IGUAIS SE PROTEGEM: Pandemia, Egoísmo e a Luta por um Novo Horizonte Ético ("A alegria só pode brotar de entre as pessoas que se sentem iguais." — Honoré de Balzac)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

A pandemia apenas revelou comportamentos sociais preexistentes: idosos que persistiam em viver como se nada pudesse abalá-los e jovens que se deslocavam quase exclusivamente em busca de lazer, indiferentes ao impacto coletivo de suas escolhas. Mesmo diante de um fluxo abundante de informações, prevaleceu o velho hábito de ignorar riscos e repetir erros, como se a própria vida fosse um curta-metragem desajeitado de desfecho sabido. Contudo, apesar das perdas e frustrações, permanece o aprendizado forjado no confronto com esse mundo que, tantas vezes, reduz, mas não destrói o que o amor-próprio sustenta.

A convivência humana, já marcada por julgamentos apressados, tornou-se ainda mais frágil. Quando crentes e não crentes me desclassificam por critérios egoístas, vejo apenas o egoísmo medindo o outro com a régua de si mesmo. Se não me empolgo com determinadas companhias, não é falta de sociabilidade, mas consciência das dinâmicas que atravessam nossa existência: a pobreza, que induz ao descuido; a juventude, com sua inexperiência; e a velhice, inevitavelmente acompanhada pela fragilidade do corpo.

Nesse mesmo cenário de tensões sociais, percebo meu próprio machismo tentando resistir ao reconhecimento da superioridade alheia, mas ao mesmo tempo suavizando-se diante da necessidade de igualdade de gênero. Há aspectos que ele, em sua estupidez, não compreende — como a exposição do corpo feminino nas redes —, embora eu compreenda, com clareza, o crime cometido por quem compartilha imagens íntimas sem consentimento. Essa contradição revela o choque entre velhas crenças e novas demandas éticas.

Enquanto movimentos feministas se fortalecem e se articulam com outras frentes de luta, como as pautas LGBTQIA+, as transformações sociais se escancaram para aqueles que se recusam a acompanhá-las. Enquanto alguns descem a ladeira agarrados a preconceitos que já não se sustentam, sigo tentando subir, buscando um horizonte mais lúcido e menos aprisionado às velhas distorções que insistem em nos acompanhar.


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Sou o professor de Sociologia. O texto que analisamos é um relato muito honesto sobre como a pandemia funcionou como um espelho, revelando nossos "comportamentos sociais preexistentes" e expondo as contradições éticas e ideológicas da sociedade. Preparei 5 questões discursivas para analisarmos as dinâmicas de risco, egoísmo, desigualdade e transformação social abordadas no texto.


Questão 1: Indiferença ao Risco e Comportamento Coletivo

O texto menciona "jovens que se deslocavam quase exclusivamente em busca de lazer, indiferentes ao impacto coletivo de suas escolhas". Com base na Sociologia do Risco, "discuta" por que, apesar do "fluxo abundante de informações" sobre a pandemia, a "indiferença ao impacto coletivo" prevaleceu para alguns grupos, e como isso reflete a primazia do interesse individual sobre a responsabilidade social.

Questão 2: Egoísmo e Julgamento Social

O autor critica o "egoísmo medindo o outro com a régua de si mesmo", que leva a "julgamentos apressados" (crentes e não crentes o desclassificando). "Analise" esse fenômeno à luz da "Sociologia do Cotidiano. Como a fragilidade social e a incerteza geradas pela pandemia intensificaram a tendência de indivíduos e grupos a usarem critérios subjetivos e egoístas para julgar e excluir o comportamento alheio?

Questão 3: Desigualdade Estrutural e "Descuido"

O autor aponta a "pobreza, que induz ao descuido" como uma das dinâmicas que atravessam a existência. "Explique" como a "desigualdade socioeconômica" (pobreza) se relaciona com o conceito de "vulnerabilidade social" durante uma crise sanitária. Por que, sociologicamente, o que parece ser "descuido individual" é, na verdade, uma manifestação da falta de condições estruturais para a adesão às medidas preventivas?

Questão 4: Choque Ético e Contradições Pessoais

O autor expõe sua "contradição" ao reconhecer a necessidade de igualdade de gênero enquanto aspectos do seu "machismo" resistem e não compreendem novas realidades (como a exposição do corpo feminino nas redes). Discuta o conceito de "socialização" e "choque cultural". De que forma as "novas demandas éticas" (feminismo, pautas LGBTQIA+) criam um "conflito interno" e um "processo de dessocialização" e ressocialização para indivíduos que carregam "velhas crenças"?

Questão 5: Movimentos Sociais e Transformação

O texto finaliza mencionando o fortalecimento dos "movimentos feministas" e das "pautas LGBTQIA+" como "transformações sociais que se escancaram". "Analise" o papel desses "movimentos sociais" como "agentes de mudança" na sociedade. Como a articulação dessas frentes de luta contribui para a "construção de um horizonte mais lúcido" e para desafiar os "preconceitos que já não se sustentam", conforme o texto sugere?

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quinta-feira, 3 de novembro de 2022

JOIO E TRIGO "NO TOCANTE" À PANDEMIA: Pandemia, Moralização e a Busca por Sentido. — (“Muito difícil saber separar o joio do trigo nesse mar de lamas chamado Brasil." — Jerônimo Bento de Santana Neto)

 


JOIO E TRIGO "NO TOCANTE" À PANDEMIA: Pandemia, Moralização e a Busca por Sentido. — (“Muito difícil saber separar o joio do trigo nesse mar de lamas chamado Brasil." — Jerônimo Bento de Santana Neto)


Por Claudeci Ferreira de Andrade

Apesar de ter contraído a Covid-19 sem sintomas graves, observei como muitos interpretaram a pandemia a partir de lentes simbólicas e religiosas, tratando cada morte como indício de um juízo seletivo. A impressão de que “só os bons estão partindo” alimenta a metáfora do joio e do trigo, embora a própria parábola sugira uma ordem distinta dos acontecimentos. Essa contradição reforça o quanto buscamos sentido em meio ao caos, mesmo quando as respostas nos escapam.

No cotidiano, contudo, essa busca por significado se mistura a tensões práticas, como o episódio da atendente da lotérica que recusou meu atendimento por eu não estar usando máscara. A preocupação dela, aparentemente maior que a minha, revelou não apenas o rigor das normas sanitárias, mas também a forma como alguns transformaram tais regras em instrumentos de autoridade ou prestígio social. A pandemia expôs, assim, tanto vulnerabilidades médicas quanto fragilidades humanas.

Enquanto isso, o impacto devastador da epidemia no Brasil — com centenas de milhares de mortos — levanta questionamentos sobre a real eficácia das medidas adotadas e sobre a facilidade com que se atribuem culpas simplificadoras. Diante desse cenário, torna-se inevitável confrontar nossos sentimentos ambíguos: a dor pelas perdas, a irritação com atitudes extremadas e a perplexidade frente à tentativa de moralizar uma tragédia que atinge indiscriminadamente.

No fim, o que permanece é a lembrança de nossa própria insignificância diante da morte e a necessidade de distinguir o que realmente sustenta a vida — o “trigo” simbólico que alimenta, e não as hostilidades que apenas aprofundam divisões. Se há algo a colher após essa experiência, não é uma separação divina entre eleitos e rejeitados, mas a possibilidade de reencontrar alguma lucidez, humanidade e responsabilidade coletiva.


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Sou o professor de Sociologia. O texto que acabamos de ler oferece uma excelente base para analisarmos a pandemia não apenas como um evento biológico, mas como um fenômeno social que expôs e intensificou nossos comportamentos e estruturas de crença. Preparei 5 questões discursivas simples para explorarmos a moralização, o controle social e a busca por sentido durante a crise.


Questão 1: Atribuição de Sentido e Moralização da Crise

O texto afirma que muitos interpretaram a pandemia sob "lentes simbólicas e religiosas", com a ideia de que “só os bons estão partindo” (metáfora do joio e do trigo). Explique por que, segundo a Sociologia da Religião, em momentos de caos e incerteza (como uma pandemia), as sociedades tendem a recorrer a explicações morais ou sobrenaturais para dar sentido a eventos que atingem as pessoas de forma indiscriminada.

Questão 2: Regras Sanitárias e Autoridade Social

O episódio da atendente da lotérica que usou a regra da máscara como "instrumento de autoridade ou prestígio social" ilustra o uso das normas sanitárias. Discuta como as normas sociais (uso de máscara, distanciamento) durante a pandemia foram transformadas, por alguns indivíduos, em formas de exercer poder simbólico e de controle social no cotidiano, além de seu objetivo sanitário original.

Questão 3: Culpa, Simplificação e Hostilidade

O texto menciona a "facilidade com que se atribuem culpas simplificadoras" e o surgimento de hostilidades que aprofundam divisões. Analise como a atribuição simplificada de culpa durante uma crise (por exemplo, culpar grupos específicos pelo contágio ou pela falta de adesão às medidas) serve como mecanismo social para evitar a responsabilidade coletiva e facilita a polarização social.

Questão 4: Insignificância e Humanidade

O autor conclui que a experiência da pandemia reforça a lembrança de nossa "própria insignificância diante da morte" e a necessidade de reencontrar "humanidade". Em termos sociológicos, explique por que a confrontação massiva com a morte indiscriminada pode levar a uma reavaliação dos valores sociais e à busca por maior solidariedade e conexão humana, em contraste com as divisões anteriores.

Questão 5: Responsabilidade Coletiva e Aprendizado Social

A conclusão do texto sugere que o verdadeiro aprendizado da pandemia é a "responsabilidade coletiva". Defina o conceito de responsabilidade coletiva no contexto de uma crise sanitária. Qual seria o papel de cada cidadão, segundo o texto, para garantir que as lições aprendidas não resultem em "separação divina entre eleitos e rejeitados", mas em uma sociedade mais lúcida?

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