"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 25 de outubro de 2014

COORDENADAS ADITIVAS (SE NINGUÉM NÃO TE ESCOLHEU PARA NADA, É PORQUE NÃO TENS TALENTO ALGUM! )



Crônica

COORDENADAS ADITIVAS (SE NINGUÉM NÃO TE ESCOLHEU PARA NADA, É PORQUE NÃO TENS TALENTO ALGUM! )

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Nem sempre ensina quem sabe mais, mas também os que nem sabem estão ensinando!!! Sempre mesmo, é o tolo lutando com suas tolices, pois nem sabe que não sabe. Todavia, nunca se admite aprender por orgulho e se esquiva por medo, ele jamais quer responsabilidade.
           Eu queria entender a voz das igrejas: "de quem sabe mais, mais lhe será cobrado". Penso não ser justo que um mesmo objeto necessário a todos seja vendido caro para quem tem muito dinheiro e barato a quem tem pouco dinheiro. Como se aplica a ideologia da injustiça: "dois pesos e duas medidas", tão condenada pela Bíblia?
           Talvez seja assim como dita o provérbio chinês: "Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com um pão, e, ao se encontrarem, trocarem os pães, cada um vai embora com um. Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com uma ideia, e, ao se encontrarem, trocarem as ideias, cada um vai embora com duas." Ensinar é um somar de conhecimentos, nunca eu mando, e você aprende o que eu quero. Eu apenas lhe apresento minhas ideias sem anular as suas. 
           Se você é de nada, não lhe convidam a ensinar nada! Talvez o chame com a finalidade apenas de ser aluno! SE NINGUÉM LHE ESCOLHEU PARA NADA, É PORQUE Nunca Teve TALENTO ALGUM! POIS, TALENTO ENTERRADO É TALENTO MINADO!!!! Fingir-se talentoso, e ainda, sem ninguém o chamar, oferece-se, será pois somente desprezado ou escravizado, por prestar uma laboriosidade sem qualidade. Qualifique-se, faça a diferença; leia os livros lidos pelos seus heróis! Se não descobriu ainda o que eles leram, então procure outros heróis, esses estão sendo mau exemplo, pois todos os famosos foram convidados a subir à escada do sucesso e jamais apagaram seus rastros. E esses rastros o convida a subir também. Confirmamos usando as palavras de Salomão:" Viste o homem diligente na sua obra? Perante reis será posto; não permanecerá entre os de posição inferior." (Pv 22:29). Também concordo com Michel de Montaigne: "O lucro do nosso estudo é tornarmo-nos melhores e mais sábios".
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 29/09/2014
Reeditado em 25/10/2014
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sábado, 18 de outubro de 2014

O Espelho Partido: Entre o Jaleco e a Burocracia ("A primeira fase do saber, é amar os nossos professores." – Erasmo de Rotterdam, teólogo.)



Crônica

O Espelho Partido: Entre o Jaleco e a Burocracia ("A primeira fase do saber, é amar os nossos professores." – Erasmo de Rotterdam, teólogo.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Há um fenômeno intrigante na sala dos professores: o aluno que é silêncio em uma aula e caos em outra. Nessa coreografia de tensões, colega, o que nos fere não é apenas a indisciplina em si, mas a maneira como o sistema nos lança em um jogo perverso de “quem educa melhor”, fragmentando a solidariedade docente. Muitas vezes, o desespero discente — que se manifesta em agressões morais ou denúncias vazias — é o grito de quem foi moldado por uma estrutura que valoriza a nota acima do saber e a disciplina externa acima da ética interior. Ao final, o jaleco branco, símbolo da autoridade intelectual, termina manchado por uma lama que não é dos alunos, mas de uma engrenagem que nos desautoriza.

O sistema educacional padece de uma profunda miopia institucional. Enquanto a Educação trata a “disciplina” como conteúdo formativo, a gestão frequentemente a reduz a mero comportamento dócil. Vive-se, assim, um falso conforto: métodos são sacrificados em nome da manutenção de uma ordem aparente. O professor de Língua Portuguesa, ao constatar o abismo entre ensino e aprendizagem nas redações, encontra-se isolado; se expõe o erro em busca de um caminho comum, é julgado; se silencia, torna-se cúmplice. Como advertia Victor Hugo: "Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha". Nesse cenário, a meritocracia converte-se em ficção, pois não há justiça estrutural que ampare quem atua na linha de frente.

É preciso, com urgência, nomear os responsáveis por esse naufrágio. O problema não é o “diabo” em sala de aula, mas um desígnio sistêmico que se expressa em três frentes principais:

A gestão de fachada, que privilegia o cumprimento de metas burocráticas em detrimento do apoio real diante da violência escolar.

O isolamento docente, no qual a ausência de colaboração entre pares permite que sejamos colocados uns contra os outros.

A instrumentalização do aluno, que aprende precocemente a utilizar o sistema de denúncias para ocultar a lacuna do conhecimento.

Reconstruir o que restou exige mais do que resistência: exige práxis. São necessárias políticas efetivas de saúde mental, uma gestão que compartilhe riscos — e não apenas cobranças — e um currículo que dispense iscas vazias, permitindo que o conhecimento seja desejado por sua própria potência de vida. Goethe estava certo: aprende-se com quem se gosta. Mas, para que o amor retorne à educação, é indispensável que a escola deixe de ser um campo de batalha e volte a ser o espaço onde o humano se reconhece no outro.


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Como seu professor de Sociologia, convido vocês a analisarem este texto que toca em um ponto sensível: a crise de identidade das nossas escolas. O autor nos propõe olhar para além da bagunça em sala de aula e enxergar os problemas de estrutura e gestão que afetam tanto quem ensina quanto quem aprende. Para nossa aula, preparei 5 questões que conectam esse texto aos conceitos de instituições sociais, solidariedade e poder.


1. A Fragmentação da Solidariedade Docente O texto menciona que o sistema coloca professores uns contra os outros em um jogo de "quem educa melhor". Questão: Utilizando o conceito de Solidariedade Orgânica de Émile Durkheim, explique como o isolamento dos professores e a falta de colaboração entre colegas prejudicam o funcionamento da "engrenagem" escolar.

2. Disciplina: Comportamento ou Conhecimento? O autor diferencia a disciplina como "conteúdo formativo" da disciplina como "comportamento dócil". Questão: Quando uma escola foca apenas em manter os alunos quietos (ordem aparente) em vez de focar no aprendizado real, que tipo de cidadão ela está ajudando a formar? Relacione sua resposta à ideia de "gestão de fachada" citada no texto.

3. A Instrumentalização do Aluno. O texto afirma que o aluno aprende a usar "denúncias vazias" para esconder lacunas de aprendizado. Questão: De que forma a troca do esforço pelo saber pelo uso de estratégias de manipulação do sistema reflete uma falha na função social da escola? Por que o autor diz que o aluno é a "primeira vítima" dessa engrenagem?

4. A Crítica à Meritocracia no Sistema Atual. Segundo o texto, a meritocracia na escola atual é uma "ficção" porque não há justiça estrutural para quem está na linha de frente. Questão: Por que não podemos falar em mérito (sucesso por esforço próprio) quando o sistema ignora as dificuldades reais de professores e alunos, priorizando apenas metas burocráticas?

5. Educação como Práxis e Humanização. O encerramento do texto sugere que a escola deve ser um espaço onde "o humano se reconhece no outro". Questão: Baseado na ideia de Educação Libertadora (ou Práxis), como o diálogo e o afeto ("aprende-se com quem se gosta") podem transformar a escola de um "campo de batalha" em um espaço de construção do conhecimento?

Dica do Prof: Ao responder, tente não focar apenas na sua opinião pessoal, mas em como as regras da "engrenagem" (o sistema) influenciam o comportamento das pessoas dentro da escola.

Olá! Boa tarde!.....dizem que é melhor apartar para melhor reinar... pode ser que façam isso para que a discórdia apareça... bom é estar preparado para ela... que cada um se una a seus pares e não deixe que o Mal prevaleça... texto sincero... e dolorido.. ...... e hoje eu também tenho - Posse - ..... Um beijo azul com saudades

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O OSSO DURO DE ROER ("Por mais que o osso esteja duro de Roer... Tem sempre alguém querendo tomar ele de você!— Matheus Carreiro)



Crônica

O OSSO DURO DE ROER ("Por mais que o osso esteja duro de Roer... Tem sempre alguém querendo tomar ele de você!— Matheus Carreiro)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           O sistema educacional brasileiro público, sobretudo em Goiás com seu IDEB  campeão no país, é, na verdade, um defunto. Vamos confirmar isso, agora, depois da pandemias. E o futuro é previsível, imagine um defunto, o qual os seus familiares relutam em enterrar. Apenas embalsamam e usam maquiagem, Apesar do tudo o mais, o mau cheiro já denuncia a deterioração. Todavia, só acreditarei em ressurreição, se os filhos dos professores começarem a estudar nas escolas onde eles lecionam! É difícil achar um professor que rejeitou outras opções, priorizando o magistério, quase todos o são por falta delas. Depois se encontram em um ambiente tão morno, ficando difícil sair do caldeirão da bruxa. Uma vez cozido, vira comida preciosa de políticos! É como já disse Luigi Pirandello: "A educação é inimiga da sabedoria, porque a educação torna necessárias muitas coisas das quais, para sermos sábios, nos deveríamos ver livres."
           Depositei a gota d'água, quando tentei me mostrar zeloso pela língua, então escrevi lá: " Quero votar em um candidato a presidente, pois nunca suportei a palavra "PRESIDENTA". Devem ter me achado machista demais, mas eu de forma alguma defendi a palavra "DENTISTO", só não queria mais transtornos linguísticos.
           Sou um semelhante a muitos outros da educação, eu nunca quis sair do Grupo: "Mobilização dos professores de Goiás" (Facebook). Pelo contrário, sempre pensei que tínhamos algo em comum. Mas, de tanto postar perguntas reflexivas e receber afrontas de professores como respostas, fui, cada vez mais, provocando e provocado, e eles, dessa vez, reagiram radicalmente, banindo-me do seu meio virtual, então não posso postar mais nada e nem comentar nada aos seus 20.000 membros, supus ser meus colegas de profissão, os tais que só pensam em salário, talvez, todos bem intencionados. Lembrando que, nem sempre, colega é amigo, o sistema se fez assim, por dentro e por fora, de perto e de longe. Antigamente, os incomodados se retiravam, porém hoje são os incomodadores retirados. Será se a verdade incomoda os da zona de conforto? Ainda nem sei o que poderia ser confortável ao derredor do cadáver, evitando a hora de sepultamento! Já fede! Então, continuarei procurando uma razão suprema para a frase: "Os iguais se protegem".   
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 18/09/2014
Reeditado em 10/10/2014
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sábado, 4 de outubro de 2014

A VULGARIDADE DE UMA SALA DE AULA ("Um pai vale mais do que uma centena de mestres-escola". — George Herbert)



Crônica

A VULGARIDADE DE UMA SALA DE AULA ("Um pai vale mais do que uma centena de mestres-escola". — George Herbert)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Ao adentrar a sala 6, sou recebido por uma sinfonia dissonante de cadeiras arrastadas e burburinho incessante. O ar está denso de expectativas não correspondidas, e eu, como maestro relutante, tento reger este caos.

Respiro fundo, ajusto meus óculos e inicio a aula, minha voz competindo com o ruído ambiente. É como tentar acender um fósforo em meio a um furacão. João, com seu eterno "posso ir ao banheiro?", inicia o desfile de desculpas. Maria chega atrasada, sua mochila arrastando no chão como um troféu de guerra. No fundo, Pedro e Ana cochicham, seus olhos brilhando com a empolgação de quem compartilha segredos universais.

Os astutos sabem bem o jogo que jogam. Esperam que o tumulto inicial me faça adiar o começo da aula, mas não cedo. Começo mesmo assim, ignorando a balbúrdia. Quando percebem o andamento, alguns tentam atrapalhar de forma mais sutil. Carla pede que eu repita a explicação, claro, porque estava ocupada demais com mensagens sob a carteira.

O problema, percebo, está na base que nunca construíram. Cada aula se torna um ciclo infindável de dúvidas e retrocessos. Os poucos responsáveis logo se veem desestimulados pelos colegas que preferem se esconder em desculpas: "Num truce o livro, sinhô!" Como se o peso do material fosse o verdadeiro inimigo da aprendizagem.

Mais intrigantes são os que se fingem de bons alunos. Cobram disciplina, reclamam da bagunça, mas alimentam o vício dos indisciplinados, emprestando cadernos para cópia. Solidariedade ou conivência? Para mim, é a segunda opção. E se ouso corrigir essa injustiça, o rótulo de discriminador recai e homofobia sobre mim.

O verdadeiro golpe, no entanto, vem do sistema. Pressionado por estatísticas, sou coagido a aprovar todos, independentemente do desempenho real. A escola se torna uma fábrica de mediocridade, onde o conhecimento é secundário e as aparências, primordiais.

Mas então, no meio do caos, vejo os olhos atentos de Luísa, absorvendo cada palavra. Ela me lembra por que estou aqui. A aula continua, uma dança entre o desejo de ensinar e a resistência em aprender. Alguns transformam a sala em circo, outros silenciosamente absorvem o conhecimento como esponjas sedentas.

Ao final, exausto mas não derrotado, reflito. A educação é como plantar sementes em solo às vezes árido. Algumas brotarão imediatamente, outras levarão tempo, algumas talvez nunca germinem. Mas continuamos plantando, dia após dia, na esperança de um futuro mais brilhante.

Saio da sala com um sorriso cansado. Amanhã será outro dia, outra chance de fazer a diferença. Porque é isso que nós, professores, fazemos: acreditamos no potencial de cada aluno, mesmo quando eles ainda não conseguem ver.

Nesta sociedade onde a superficialidade reina, a sala de aula me ensina mais sobre as pessoas do que qualquer livro. Entre atalhos e desculpas, questiono: ainda há espaço para o verdadeiro aprendizado? Mas persisto, porque talvez um dia, quando menos esperarmos, aquela semente plantada em meio ao caos finalmente floresça, transformando não apenas uma vida, mas o mundo ao seu redor.

Com base no relato do professor, proponho as seguintes questões para reflexão e discussão:

O texto apresenta um retrato desafiador da sala de aula. Quais os principais obstáculos enfrentados pelo professor no seu dia a dia?

A questão da disciplina é central no relato. Como o professor pode lidar com a falta de disciplina dos alunos, sem comprometer a relação professor-aluno?

O autor menciona a pressão por resultados e a necessidade de aprovar todos os alunos. Quais as consequências dessa prática para a qualidade do ensino e para o aprendizado dos alunos?

O texto destaca a importância da motivação dos alunos. Como o professor pode despertar o interesse dos alunos pelo conteúdo e estimular a aprendizagem autônoma?

A figura do aluno que "se finge de bom" é interessante. Por que alguns alunos adotam esse comportamento e quais as implicações para o ambiente escolar?

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sábado, 27 de setembro de 2014

A PANDEMIA PERGUNTA: POR QUE ELES FREQUENTAM A ESCOLA? ("Entre as diversas formas de mendicância, a mais humilhante é a do amor implorado." — Carlos Drummond de Andrade)



crônica

A PANDEMIA PERGUNTA: POR QUE ELES FREQUENTAM A ESCOLA? ("Entre as diversas formas de mendicância, a mais humilhante é a do amor implorado." — Carlos Drummond de Andrade)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

            Hoje me preocupou mais uma vez a constatação, a qual eu chegara há muito tempo atrás. Desta vez, quando reclamava do barulho desrespeitoso e todo tipo de perturbação à minha aula no matutino, uma aluna, daquelas avessa à filosofia, disse: "é que você não tem autoridade". Bem, minha autoridade vem do Satanás – expliquei ironizando – então os endeusados OPÕEM-SE, e com razão, às minhas ordens, só para se mostrarem diferentes, ACHANDO QUE SÃO GRANDES. Mas... e se o Demônio nunca existiu? Eles estão fazendo revoltas contra o nada novamente, fortalecendo suas ilusões, mais uma evidência de ignorância. E nessa situação desejei ardentemente ir morar o inferno, TALVEZ EXISTA, porque para lá, vou por méritos próprios, pelo menos serei digno, e ao céu só se vai pelos méritos de Jesus, como dizem esses "crentes". Por isso, jamais quero me sentir indigno na "carona" de alguém de outra cultura e rodeado de aproveitadores. Por certo, salvo no paraíso, eu nunca saberia viver em paz juntos a esse tanto de gente sem amor e egoísta ("Escola de Deus em tempo integral").
           À tarde, aconteceu o mesmo neste dia desfavorável, eu tentava impor respeito naquela sala de 8º ano irreverente, aplicando a experiência aprendida no matutino, foi quando uma aluna, daquelas corpulentas e intimidadoras, em distorção série/idade, diz-me com todas as letras: "Você não é de nada, só tem conversa".  Então, só me restou concordar, pois se eu fosse melhor, nem estaria aguentado tanta humilhação de pessoas daquele jeito. Pelo menos, ouvi dela que só tenho conversa, ou seja, sou mentiroso: qualidade dos infernais. Enquadrou-me no lugar certo: filho do satanás. 
          É sempre assim, na entrega dos boletins, final de bimestre, todo aluno é bom, educado e cumpridor de seus deveres, as notas baixas que por ventura pintam seu boletim é porque o professor é ruim, mal educado e não cumpridor de seu dever. Dizem eles aos pais. A desgraça nossa, é eles acreditarem sempre nos filhos e de forma alguma nos professores. Afinal, a culpa da maior parte do fracasso da educação dos jovens de hoje é inteiramente dos pais. Como estão sofrendo para tolerar seus filhos em quarentena por causa da pandemia, FELIZES os que recebem cestas básicas da merenda escolar. 
           No dia anterior, eu assistia a muitos alunos colando no simulado, sendo mais direto, na prova diagnóstica do governo. Isso deveria ser um treino para fixar as matérias na mente, porém, está sendo, sim, um treino para desenvolver técnica de colar. Bons tempos quando eu, no primeiro dia de aula, apresentava-me à classe, dizendo: Sou professor de Língua Portuguesa e quero que façam isso ou aquilo, não permito isso ou aquilo e temos um currículo extensivo a ser  cumprido, imperava o imperativo! Hoje, meu discurso mudou, apenas digo: Sou Claudeci e como vocês querem minhas aulas? O como querem aprender? Vamos conversar, não precisam me denunciar por pouca coisa! O imperativo mesmo é o medo e a frouxidão obrigatória.
           Por esses casos, eu sou obrigado a concordar com Immanuel Kant, considerando minha falta de perspectiva: "É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias."
           A escola nunca cumpriu nem este e nem aquele objetivo!!!! Frustrações renitentes! E sem mais palavras, fico por aqui.
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 19/08/2014
Reeditado em 27/09/2014
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sábado, 20 de setembro de 2014

APRENDERAM COMIGO (Então não confunda "vencer na vida" com "vencer a vida" dos outros.)




crônica

APRENDERAM COMIGO (Então não confunda "vencer na vida" com "vencer a vida" dos outros.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Alguns de meus alunos me cobram conhecimento, da forma mais cruel possível, num tom de crítica e em público. Quando erro no texto, diz o pior deles, a quem interessar minha humilhação: — "e diz que é professor de português". Fica evidente sobre estes poucos, nem querer aprender de mim, por que pensam já saber muito e focam na minha fraqueza, fortalecendo-se. Mas, eu não tenho culpa deles terem um caráter perverso, ofereço-lhes meus acertos mais frequentes. Porém, mediram-me apenas por uma palavra mal dita, ou uma frase gaguejada, ou um trava-língua mal ensaiado, ou um tê que esqueci de cortar no texto do quadro etc.  entretanto enfatizam tão veemente o meu lado ruim, o qual assumi cegamente para nunca ver sua torpe vontade de crescer. E assim, alimentam seus erros com tanto prazer, tal qual o prazer vivido pela a vingança imediata. Quem me dera ver  perdurar as lições lhes dadas, baseadas em livros, vidas melhores e intelectos privilegiados. Ah! Como dura o desejo de vingança em seu coração! Por isso, fingem desinteresse ao meu planejamento. Se faço correto é mera obrigação, porém só meus erros lhes chamam a atenção.
          Ao que ensina é justo o desfrutar ou o receber os prazeres de ver a aplicação do ensinado, a colheita bendita, a prova da utilidade. Chamo-lhes a atenção confirmando meu desejo de autoridade, repreendo-os, castigo-os e atribuo notas escalonadas conforme a produção. Mentira! Deixo correr frouxo, e todos os dias tenho de explicar a um deles por que lhe dei aquela nota baixa. Se assim não for, o pai vem à escola! Então, em meio pressão, ameaças e desacatos, pais e coordenadores pedagógicos forçam a barra fabricando nota boa, enfeitando as estatísticas. É lógico, se errei em algumas delas para melhor, ninguém vem reclamar! Embora, as boas notas constantes no boletim da maioria, só tem revelado o grau de marginalidade e não mais de intelectualidade, pois colam até nos simulados, de cuja nota também deveria ser simulada! Promovidos gratuitos na unidade escolar. Um professor levou 5 tiros de um aluno por que não lhe deu uma nota desejada. E qual professor os fará felizes? Por isso, estamos sempre em perigo. 
http://g1.globo.com/se/sergipe/noticia/2014/08/professor-baleado-por-aluno-dentro-de-escola-permanece-sedado-na-uti.html (acessado em 13/03/2020).
            A sala dos professores tem de ser blindada para se trancarem na hora dos intervalos, por segurança. Naquele caso, o professor deu a nota que o aluno mereceu, e ele atirou no professor...( é menos mau quando nos atiram só palavras, bravatas e xingamentos) e, sobre isso, continuam intimidando os professores e encorajando outros alunos a forçar a escola aprovar todos os demais desrespeitadores e improdutivos. Certamente nos concursos, eles comprarão ou porão a arma na cabeça do avaliador conquistando a vaga. Vencer na vida é isso? Quem confunde tudo também confunde: "vencer na vida" com "vencer a vida" dos outros.
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 17/08/2014
Reeditado em 20/09/2014
Código do texto: T4926136
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sábado, 13 de setembro de 2014

TUDO ME É LÍCITO! (Mas, Será que tudo me convém?)



Crônica

TUDO ME É LÍCITO! (Mas, Será que tudo me convém?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           O foco majoritário dentro das coisas públicas está na quantidade. Assim primam as escolas pelas estatísticas enfeitadas com números bonitos em detrimento da real qualidade. Lá, jamais podemos parar e "amolar o machado" (o segredo dos lenhadores de sucesso). A escola pode liberar o aluno mais cedo? Nem pensar! Reuniões de professores devem ser no sábado. Você se lembra dos 180 dias letivos? A educação era melhor! Agora passou para 209 e... Não sei a quem se destina essa exibição teatral, visto que alunos e professores matam aula inescrupulosamente dentro da própria unidade escolar, na hora de trabalho; coitados, perdidos no amaranhado do labirinto normativo sem sentido! Contando ainda com as muitas interrupções no horário de trabalho: vendedores e propagandistas fazem festa diante de um público cativo e sedento pelo o novo, todos os dias a sala dos professores está cheia de sacoleiros. Vende-se de tudo.
            Então, dizem: o professor nunca pode subir/descer aula quando faltar o colega, é mais uma norma da Secretaria: sair mais cedo pega mal à imagem da escola. Para comemorar o aniversário de um docente, tem-se que mentir, dizendo ser uma reunião pedagógica, caso alguém não acredite na justificativa, fecham-se as portas da sala dos professores para efetivar a festa.  
        Mas, Nada tem firmeza, estes critérios são subvertidos rápido e prontamente quando, por interesse particular, decidem dispensar uma turma mais cedo, motivo desconhecido, vírgula, é quando conveniente, é claro! Aí, os mestres assíduos são convidados a fazer o proibido em outros contextos: Descer/subir aula. Chamamos isso de ajuste operacional pedagógico, fazendo o professor ministrar duas em uma, no final suas seis aulas do turno foram ministradas aos trancos e barrancos em um quarto do período. Contudo, nem sei que alegria é essa, se os educadores, mesmo depois da tarefa feita, deverão continuar até o cumprimento do horário na sala dos professores. Seria isso simplesmente hora extra não remunerada ou reposição das faltas na qualidade das aulas subidas ou descidas?
           Todo aluno gosta de sair mais cedo, o professor também. Só a família detesta receber suas crianças mais cedo em casa, dão mais trabalho ou os pais ainda estão trabalhando lá fora. A escola de tempo integral ameniza esta situação, empilhando alunos improdutivos. No entanto e por isso, estou pensando que nem sempre criança na escola significa crescimento. Comem mais, brincam mais e estudam bem pouquinho, só fazem o que querem fazer, e existem tantos para apoiá-las nesse comportamento pirracento, batendo de frente com os professores os quais têm obrigação de ensinar matéria da matriz curricular, pois já nem se sabe mais quem são os professores chatos! Então, quem não quer ser agradável e ter aceitação? Será se isso me convém?
Claudeko Ferreira

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Enviado por Claudeko Ferreira em 07/08/2014
Reeditado em 13/09/2014
Código do texto: T4913370
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sábado, 6 de setembro de 2014

AS RELAÇÕES EXTRACLASSES (A céu aberto, Deus era testemunha.)



Crônica

AS RELAÇÕES EXTRACLASSES (A céu aberto, Deus era testemunha.)

    Por Claudeci Ferreira de Andrade

Era uma tarde de julho como tantas outras. O sol se punha lentamente, pintando o céu com tons de laranja e rosa, enquanto eu caminhava de volta para casa após meu exercício diário. Meu corpo estava cansado, mas minha mente inquieta, ansiosa por algo que eu ainda não sabia definir.

Foi então que os vi na "Praça Criativa" - um grupo de jovens alunos meus, brilhantes e cheios de potencial: Rodrigo, Nádila, Lucas, Karlos, Josué, Marcos Antonio e Eduardo. Seus olhos brilhavam com uma curiosidade que me lembrou de mim mesmo quando jovem. Aproximei-me para cumprimentá-los, sem imaginar que estava prestes a embarcar em uma jornada filosófica que duraria horas.

"Professor!", chamou Rodrigo. "Pode se juntar a nós? Estávamos discutindo sobre a existência de Deus."

Como poderia eu recusar? Ali estava eu, qual Sócrates moderno, rodeado por mentes ávidas por conhecimento. O círculo se formou naturalmente, as vozes se elevaram em um debate apaixonado que atraía a atenção dos transeuntes. As horas passaram despercebidas enquanto mergulhávamos em questões profundas.

Rodrigo, que se dizia ateu, surpreendeu-me com sua honestidade intelectual: "Não sou um ateu total. Todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro. Busco o conhecimento para entender os dois lados." Sua reflexão abriu caminho para discussões sobre temas controversos como sexualidade e religião.

A mente fértil desses adolescentes me impressionava a cada momento. Questionaram a lógica por trás da Arca de Noé, indagando como Noé, um idoso, poderia descer o Monte Ararate, tarefa difícil até para alpinistas profissionais. Desafiaram conceitos preestabelecidos sobre pecado e amor, provocando com perguntas como: "E quem faz sexo com a cabra é bode também?"

Foi então que percebi: ali, naquela praça, sem planos de aula ou recursos didáticos, estava acontecendo a verdadeira educação. Não era eu quem ensinava, mas sim um facilitador de um diálogo socrático que permitia que esses jovens explorassem suas próprias ideias e convicções.

O céu escureceu, as estrelas começaram a pontilhar o firmamento, mas o brilho nos olhos daqueles jovens não diminuía. Testemunhei algo extraordinário - a pura sede de conhecimento, livre de obrigações ou autoritarismo.

Essa experiência provou que quem faz a escola é o aluno. Tivemos uma aula de filosofia intertemática sem nenhum recurso didático formal. Bastou-me apenas o domínio de minha matéria de estudo e o método socrático dos questionamentos.

Enquanto caminhava para casa, refletia sobre como a educação poderia ser transformada se capturássemos a essência daquela didática. Se pudéssemos trabalhar os jovens no tempo da vida, no espaço da vida, com conteúdos da vida. A verdadeira educação não acontece apenas dentro das paredes de uma sala de aula, mas em cada momento em que estamos abertos a questionar, aprender e crescer.

Naquela noite, sob o céu estrelado, senti que havia recebido uma lição preciosa de meus próprios alunos. E quem sabe, talvez Deus estivesse ali conosco naquela praça, não como um tema de debate, mas como testemunha silenciosa de mentes jovens florescendo em busca da verdade. Afinal, como dizia Einstein, a única certeza que temos é a singularidade do indivíduo.

ALINHAMENTO CONSTRUTIVO

1. Como a discussão sobre a existência de Deus e a busca por sinais de sua presença pode influenciar a formação das crenças e valores dos jovens em um ambiente educativo informal?

2. De que maneira o debate na "Praça Criativa" ilustra a importância de uma abordagem educacional intertemática e participativa na construção do conhecimento entre alunos do Ensino Médio?

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