"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 21 de janeiro de 2023

ENSINAR COM SABEDORIA É SIMPLESMENTE VIVER ("Não adianta nada alguém ficar dando lições de moral, se esse mesmo alguém não vivencia aquilo que fala." — Fabrine Silva)

 


ENSINAR COM SABEDORIA É SIMPLESMENTE VIVER ("Não adianta nada alguém ficar dando lições de moral, se esse mesmo alguém não vivencia aquilo que fala." — Fabrine Silva)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

A liberdade de escolha só existiria se não houvesse nenhuma chance de arrependimento. Afinal, alguém pode, de fato, escolher o arrependimento? O livre-arbítrio é inexistente sem total autonomia. Os demônios propagam a ilusão de que o homem é livre, mas convenientemente lhe escondem as rédeas da lei da causa e efeito. Consequentemente, a desgraça advinda dos resultados de atos errados não é uma escolha de ninguém, mas uma inevitável colheita.

Lúcifer prospera entre os ingênuos, ensinando-os a cultivar o desejo de serem deuses. Ele sabe que um conceito incorreto sobre qualquer aspecto fundamental da vida compromete todas as ideias subsequentes. Essa pessoa se vê obrigada a se justificar de inúmeras maneiras para manter alguma credibilidade, tanto perante os outros quanto a si mesma. No entanto, as incoerências de seu comportamento acabam por denunciá-la.

Por isso, temo a possibilidade de me ver como deus de mim mesmo e, com isso, não necessitar do Deus verdadeiro; ou de ser consumido pela incapacidade de lidar com a própria identidade, transformando-me em um demônio.

Embora eu tenha o dever de incitar os alunos a voarem, não consigo sair do chão, pois minhas asas estão aparadas. E, quando finalmente crescerem, temo estar gordo demais para levitar.

O sistema educacional é ineficiente porque os exemplos falam mais alto que as palavras. O que um professor fumante, alcoólatra, glutão, pederasta e dado a vícios transmite nas entrelinhas de suas aulas? É inútil dizer: “faça o que digo e não faça o que faço”, pois essa falsidade, por si só, descredencia completamente a autoridade e a capacidade de instrução de um guia.

Lembro-me de um professor que, ao apagar o cigarro no chão da escola, falava sobre “autocontrole” com voz rouca e olhar perdido. As crianças, entre risos e tosses, imitavam o gesto de tragar. Ele sabia que estava errado e, ainda assim, prosseguia, preso à própria contradição.

Numa tarde, quando um aluno o encontrou chorando atrás da cantina, ele apenas disse: “não se é exemplo o tempo todo, mas ainda dá pra tentar”. Aquelas palavras, ditas sem pose, ensinaram mais do que todos os sermões que já dera. Ali compreendi que a redenção pode nascer da humildade — que há grandeza no reconhecimento da própria falha. Nem todos os mestres estão perdidos; alguns, mesmo caídos, ainda acendem luzes com a brasa de seus erros.

O conhecimento motiva o bom comportamento, da mesma forma que o bom comportamento incentiva o conhecimento. A Bíblia reforça esse ciclo em Oséias 4:6: “Meu povo perece por falta de conhecimento.” Os eleitos de Deus o são por clamarem pela coerência, pois somos definidos por propósitos, ações e palavras. Desse modo, a aprendizagem se dá melhor pelo exemplo. A árvore boa produz bons frutos, e a qualidade desses frutos atesta a bondade da árvore.


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Eu sou seu professor de Sociologia e o texto que apresento levanta questões cruciais sobre o indivíduo, a sociedade e as instituições. Com base nas ideias de coerência, responsabilidade e o papel do exemplo social, preparei 5 questões discursivas simples para nosso Alinhamento Construtivo. Lembrem-se de usar suas próprias palavras para articular a resposta, mostrando que compreenderam as ideias centrais do texto.

1. Crítica ao Livre-Arbítrio e a Causa e Efeito

O texto argumenta que a lei da causa e efeito (ou a "inevitável colheita") questiona a existência do livre-arbítrio. De que forma o arrependimento, mencionado no início do texto, é usado pelo autor para desafiar a ideia de que temos total liberdade de escolha sobre nossas ações e consequências?

2. Coerência e Reputação Social

O autor afirma que a pessoa que adota um "conceito incorreto sobre qualquer aspecto fundamental da vida" é obrigada a se justificar constantemente. Explique a relação entre a "incoerência de seu comportamento" e a necessidade de manter a credibilidade perante os outros e a si mesmo, conforme o texto.

3. A Crítica à Autoridade no Sistema Educacional

O texto é categórico ao afirmar que "os exemplos falam mais alto que as palavras". Qual é o principal problema de autoridade e credibilidade que o autor aponta ao mencionar a frase "faça o que digo e não faça o que faço" no contexto de um professor incoerente?

4. O Exemplo Positivo da Falha Humana

O que o professor, ao dizer “não se é exemplo o tempo todo, mas ainda dá pra tentar”, ensinou ao aluno? Analise como o texto transforma o reconhecimento da falha em um ato de humildade que, paradoxalmente, se torna um exemplo valioso de redenção.

5. O Ciclo da Aprendizagem e a Coerência Final

De acordo com o texto, qual é o ciclo de interdependência estabelecido entre conhecimento e bom comportamento? Utilizando a metáfora da "árvore boa" e "bons frutos", explique como a coerência entre propósitos, ações e palavras é o fundamento da aprendizagem pelo exemplo.

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

PAGANDO LIMPA FICHA ("A dívida é a mãe prolífica de loucuras e crimes." — Benjamin Disraeli)

 


PAGANDO LIMPA FICHA ("A dívida é a mãe prolífica de loucuras e crimes." — Benjamin Disraeli)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Perdoar alguém que não pediu perdão, isto é, não reconheceu que errou e, por cima, joga a culpa no outro, é no mínimo pedir para ser enganado novamente. Se for preciso perdoar setenta vezes sete é loucura. Quem lhe ofende 70x7 está abusando de você.  As consequências quitam a conta e devem ser tão prontamente quanto é a transgressão. Se Deus não elimina as consequências, é porque Ele não perdoa, apenas equilibra mediante o pagamento. Quem paga não deve nada nem favor.            

Constatar o ladrão, e não fazê-lo devolver a quantia do furto mais correção monetária é no mínimo ser conivente com o infrator, portanto culpado também. AMBOS ASSUMIRAM A CONTA PARA PAGÁ-LA EM DUPLA. CiFA

HÁ VIDA NA PODRIDÃO ("Gosto de lugares assim, com a podridão humana estampada no rosto das pessoas." — Raphael Montes)

 


HÁ VIDA NA PODRIDÃO ("Gosto de lugares assim, com a podridão humana estampada no rosto das pessoas." — Raphael Montes)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Eu entendo muito bem as palavra de Camilo Castelo Branco: "A torpeza, a ignomínia, a podridão das entranhas vivas, o nascer ou morrer infamado ou infame é só do homem." Ou sou zumbi? Ordinário neste mundo como os animais imundos que clamam pela as sombras das árvores e as destroem, alimento-me das folhas que "caem mortas como eu", em outro particular, sou como as raízes embrenhadas sem direção, alimentando-se da podridão da terra. Os fungos aparecem do nada para a decomposição, seus dejetos interessam-me, depois uso Chá de folha seca para curar minhas doenças, coisas crônicas.

Socialmente falando, aprendi a aprender com os meus e seus erros que matam mais do que ensinam, falo por lhe ver comendo carne e usando remédio da farmácia.

E se o corpo é a prisão da alma, libertem-me os deuses! Minha alma também está doente, não quero mais viver de higienização. Mas, a alma sou eu todo, quem apodrece: quem me livrará do corpo que apodrece? A morte leva tudo e todos para a sujeira da podridão. Todo nascer e renascer é fruto da podridão. O podre não é doença, doente é a alma que se efetiva com pensamentos e palavras limpas. Ou quero, sim, viver de verdade antes da estrutura ruir por contaminação da limpeza. Quero um curandeiro com as mezinhas de ervas poderosas que são ineficazes para a purificação. Cifa

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

FAZER SEXO PARA SE HUMANIZAR ("Pois que o amor e a afeição com facilidade cegam os olhos do entendimento." — Dom Quixote)

 


quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

RECONHECIMENTO E GRATIDÃO ("Não se preocupe quando não for reconhecido, mas se esforce para ser digno de reconhecimento." — Abraham Lincoln)


 

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

NÃO HÁ LEITE SEM CHUPETA: O Espetáculo da Inversão ("A chupeta do capeta é o pecador sem Deus." — Helgir Girodo)



NÃO HÁ LEITE SEM CHUPETA: O Espetáculo da Inversão ("A chupeta do capeta é o pecador sem Deus." — Helgir Girodo)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Uma aluna da Educação de Jovens e Adultos (EJA), na extensão do colégio — alguém que mal domina a composição de um texto, por vezes nem um simples bilhete — travava uma disputa por nota integral, humilhando o professor ao se colocar em pé de igualdade com ele. Quem, sem domínio da escrita, se julga capaz de avaliar os critérios de correção de quem vive o ofício diariamente?

A seu lado, um colega de caligrafia garrancheira e ilegível, cuja única propriedade era o tamanho do papel, mantinha os fones nos ouvidos como um muro simbólico. Apoiada por ele, a aluna reivindicava sem sequer fundamentar seu pedido. Os semelhantes se defendem. Queria a mesma nota da colega de quem colou ou apenas o espetáculo de me constranger? Afinal, ninguém produz uma redação idêntica à de outrem, porque ninguém pensa de modo igual. Ao final, dobrei-me às pressões.

Foi então que o cenário se configurou como um teatro de papéis invertidos: o mestre transformado em réu; o erro reivindicando razão; a fragilidade julgando a experiência, como se todo saber pudesse ser medido pelo volume do protesto. Havia ali menos aprendizagem e mais disputa de vaidades — um silêncio calculado no qual o mérito se dissolvia no desejo de igualdade sem esforço. Observava, calado, o peso da superficialidade que revestia gestos simples e os convertia em acusações. Ainda assim, mantive a dignidade da palavra, como quem segura uma tocha contra o vento: tremendo, porém acesa.

A loucura que me atribuem não é delírio, mas sobrevivência — abrigo derradeiro de quem insiste em ensinar algo que tenha sentido. Ser “louco”, aqui, é não ceder ao vazio. E talvez seja justamente nesse abismo que minha sanidade se firma.

Sempre há um incompetente nas relações sociais: naquele episódio, atribuí a mim esse papel por não conseguir compreendê-los; eles, porém, não se culpam por não compreender a mim. Alguns colegas, vivendo os mesmos cenários, aconselham-me a buscar tratamento psicológico, como se o desgaste fosse sinal de fraqueza. Tornaram-se aliados do conforto, da diplomacia do nada. Mas pergunto: quem é o enfermo — o que sente demais ou o que finge não sentir nada?

Escolhi permanecer autêntico, pois ser professor é, antes de tudo, aceitar a tarefa árdua de convencer corações distraídos. Meu destino será moldado pela loucura criativa que insiste em ensinar o que é útil; o deles, pela hipocrisia imóvel das promessas vazias.

O futuro pertence aos loucos lúcidos, enquanto os hipócritas se sustentam em amizades interesseiras. Não é pecado ser louco; pecado é condenar a lucidez inquieta em nome de um politicamente correto que produz silêncio, mas não paz.

Sei que o parasita não preserva nada do que consome — vive de desfrutar, espoliar e descartar — e, por isso, devora o hospedeiro até o fim. Que sugue. Pois está escrito: “Mas Deus lhe disse: Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12:20).

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Abaixo, apresento 5 questões discursivas e simples que visam estimular a reflexão dos alunos sobre as ideias centrais tratadas no meu relato, conectando-as à teoria social.

1. Relações de Poder e Inversão de Papéis: O narrador descreve a situação como um "teatro de papéis invertidos: o mestre transformado em réu; o erro reivindicando razão; a fragilidade julgando a experiência". Com base nas relações sociais e de poder, explique o que essa "inversão de papéis" pode significar para a autoridade e o reconhecimento do saber formal (do professor) na sociedade contemporânea.

2. Meritocracia e Igualdade sem Esforço: O texto critica o momento em que "o mérito se dissolvia no desejo de igualdade sem esforço". Diferencie, sociologicamente, o conceito de Equidade (que busca justiça e oportunidades iguais) do ideal de Igualdade Superficial (ou "sem esforço") que o narrador aponta. Qual o risco social de exigir a mesma recompensa sem o reconhecimento do esforço ou da competência?

3. Autenticidade Profissional vs. "Diplomacia do Nada": O professor confronta a postura de colegas que o aconselham a buscar tratamento psicológico, caracterizando-os como "aliados do conforto, da diplomacia do nada". Analise como o conceito de Autenticidade (a escolha de "permanecer autêntico") é apresentado no texto como uma forma de resistência ao Vazio ou à Anomia (ausência de normas/valores fortes) no ambiente de trabalho e nas relações sociais.

4. A Crítica ao "Politicamente Correto" e a Lucidez Inquieta: O autor afirma que "pecado é condenar a lucidez inquieta em nome de um politicamente correto que produz silêncio, mas não paz". Discuta como o uso excessivo e não reflexivo do "politicamente correto" pode, segundo o texto, sufocar o debate e a crítica construtiva, criando um ambiente de superficialidade e inautenticidade nas relações.

5. Solidariedade e Dinâmica de Grupo: A união entre os alunos é resumida na frase: "Os semelhantes se defendem". Qual tipo de Solidariedade Social (mecanismo de coesão social, segundo Émile Durkheim, por exemplo) está em ação nessa cena? O que, no contexto narrado, une esses indivíduos e qual é a função dessa união para o grupo, considerando o objetivo de "constranger" o professor?

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NEGANDO-SE AO APEGO ("Pratique a lei do desapego e você notará menos problema em sua vida." — Karol Palumbo)

 


NEGANDO-SE AO APEGO ("Pratique a lei do desapego e você notará menos problema em sua vida." — Karol Palumbo)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Meu aniversário está chegando, enlarguecendo meu estado de terceira idade; mas não choro, depois de certa idade, não dói mais, são notórias as mudanças de comportamento que a gente adota para evitar sofrimentos psicológicos e frustrações sentimentais: não responde indiretas, não faz questão de muitos amigos, não corre atrás de ninguém. A gente só quer viver em paz. "Nada contribui mais para a serenidade da alma do que não termos qualquer opinião." (Georg Lichtenberg). E assim seja, se não fosse tão trágico!

Hoje, estive na confraternização dos professores, na despedida do primeiro semestre escolar. Como sempre, fui um tanto intransigente com as pessoas que fazem parte de meus relacionamentos. Eu não gosto do que elas gostam: comer carne, beber cerveja, ouvir música de corno alta, etc. Conviver com as pessoas, já fui melhor nisso. E peço apenas que me respeitem do jeito que sou, como as respeito, alguém já tinha dito que não se vingar já é uma forma de perdão e assim sigo.

"A companhia da multidão é nociva: há sempre alguém que nos ensina a gostar de um vício, ou que, sem que percebamos, transmite-nos esse vício por completo ou em parte. Quanto mais numerosas forem as pessoas com as quais convivemos, maior é o perigo." (Sêneca). Na verdade, sempre sou o desestabilizado da história toda. É trágico porque, apesar de tudo, ainda gosto muito de estar ali na escola com meus colegas de trabalho, mesmo fora da hora de aula, contando histórias do passado e fantasiando o futuro, mexendo com nossas lembranças e ambições, tocando o coração e a alma uns dos outros. Tudo isso faz valer o emprego do tempo. CiFA