"O sábio procura a ausência de dor e não o prazer." (Aristóteles)

"O maior prazer que alguém pode sentir é o de causar prazer aos seus amigos." (Voltaire)

Pesquisar neste blog ou na Web

MINHAS PÉROLAS

sábado, 19 de maio de 2012

AOS MEUS DISCÍPULOS (Se sou um deus ou uma besta, só o tempo revelará)



Crônica

AOS MEUS DISCÍPULOS (Se sou um deus ou uma besta, só o tempo revelará)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Quem quiser saber o caminho certo, encontre-me num cruzamento qualquer desta vida, estarei trilhando por ele. Se quiser seguir meus passos não os achará. O caminhar do homem criativo é solitário e não linear. Embora dissesse Aristóteles: "O homem solitário é uma besta ou um deus." Creio ser meio solitário e meio deus, sim, não só por interferir no meio, mas, muito mais, por filtrar o meio para beber do naturalismo sadio!
          No ano passado, ficaram retidos, para repetir a série, alguns pouquíssimos alunos, e um, em especial,  chamou-me muito bem a atenção, este é o motivo maior desta crônica. Lembrando da maioria de meus alunos declarados evangélicos, os quais certamente nem leem ou leem pouco os Evangelhos; são arrogantes, prepotentes, subestimadores e autossuficientes, querem nos convencer que são melhores seres humanos que nós todos juntos. Mas, conseguem senão evidenciar e exaltar a mesquinhez de sua existência e de seu testemunho viciado, diminuindo o Cristo de quem eles se dizem seguidores!
          Por isso, estou cobrando mais do aluno reprovado, pois é o objeto de minhas observações de então, até porque sempre se ofereceu a mim como modelo ideal de "Filho de Deus". Os filhos louvam o Pai todos os dias com um cântico novo, que seja assim, porém sem esquecerem nunca de cumprir suas outras obrigações!
          É tão fácil ser promovido nos estudos, ainda mais nos colégios públicos da atualidade por causa das estatísticas midiáticas. E, alguns crentes ainda conseguem ser reprovados, isso é inadmissível. O tal aluno, um músico da igreja, trazia o seu violão à sala de aula todos os dias e, nos intervalos, exibia seus talentos, rodeado das menininhas evangélicas, cantavam dezenas de músicas gospel. No final do ano, herdou a reprovação, provando que só o louvor a Deus não é o suficiente para se ter uma carreira acadêmica promissora, também importam as preocupações da vida material. Ou os professores que o reprovaram são do Lúcifer?! Eu não duvido sobre alguns terem pacto com ele, suportando os algozes da profissão, cada dia mais difícil. E talvez seja o caso aqui, porque os professores geralmente avaliam apenas os conhecimentos mundanos! Ou ainda o testemunho cristão e trabalho missionário do mancebo não foram suficientes na quela etapa dos seus estudos, pois seria o mais provável, talvez Deus estivesse usando os professores para retê-lo, obrigando-o a repetir aquela série, repetindo também a sua influência ali? Digo obrigou, porque creio de todo coração, ele queria ir adiante, apenas exerceu demais a sua fé, esta desvinculada das obras não fanáticas, isto está na epístola de Tiago, o que ele não sabia ou ignorou! "Fé sem as obras é morta" (Tg 2:26). 
           Finalmente, os cantores abandonaram seu violonista, findaram-se as rodinhas da música santificadora e sobrou apenas o batidão "fanquista" do receio, no terceiro ano é assim, depois de formados, todos somem. O poeta já tinha lhe advertindo que cada coisa ter o seu lugar apropriado: "É diferente, diferente eu também sou, um  pouco d'água mata a sede, e um calmante passa a dor". Se sou um deus ou uma besta, só o tempo confirmará, como o fez ao nosso protagonista.
Claudeko
Enviado por Claudeko em 21/01/2012
Reeditado em 19/05/2012
Código do texto: T3453981


Comentários


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Postar um comentário