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MINHAS PÉROLAS

sábado, 12 de maio de 2012

MODULAÇÃO SERÔDIA (Distribuição das aulas voadoras por critérios estranhos)



Crônica

MODULAÇÃO SERÔDIA (Distribuição das aulas voadoras por critérios estranhos)

Por Claudeci Ferreira de Andrade
          No início de cada ano letivo, eu imagino que os colégios estaduais se transformam em um ringue ou picadeiro, como queira. Pelo menos em meu derredor, os professores estão brigando, garantindo sua carga de aula igual ou superior a do ano passado, 28 aulas (40) ou 42, para ganhar por 60. Ah, ganhar por sessenta, nem pensar, não é obrigação da Unidade Escolar conferir! Herdam alguns, sim, se sobrar aulas! Atores profissionais e concursados lutando a fim de manter o nível de vida, pois precisam saldar os compromissos. Eita, "vida besta"! Digo isso, porque o mesmo dinheiro que entra, sai rapidamente, pagando as contas, pois sempre é pouco!
          A cada ano, os critérios, seguidos nessa distribuição de aula, são diferentes, além do mais, eles se identificam com a política do grupo gestor, baseada no apadrinhamento, nas vinganças e no medo das denúncias dos corajosos à Secretaria da Educação ou ainda ao Ministério Público. Na ciranda das aulas voadoras, os ditos "veteranos de casa", também, se sujeitam a dar aulas de matérias estranhas à sua formação. É comum vermos pedagogos no Ensino Médio, lecionando Filosofia, Artes, Ensino Religioso, Espanhol, Sociologia etc. certamente não se pode esperar agilidade de um professor desses que têm 28 diários de classe para prestar conta. Chamam isso de Pré-Modulação! Começando em janeiro e vai o ano todo, colhendo os frutos podres das primeiras decisões.
          Por que eu deveria acreditar em um apagão na educação? Não por esse motivo! Pois, tem professor de mais, e, aula de menos. Por isso, alguns sempre ficam insatisfeitos, sem a carga horária desejada e fora do turno do qual precisam; outros, no desespero, sem aula alguma em sua Unidade de lotação, choram! Em qualquer outra empresa, os funcionários saem em férias certos de que retornarão para o mesmo posto. Cada um recebendo o mesmo salário e os planos em dia: tranquilidade. O recesso do professor é tenso, perturbado com a pergunta: o que será de minha vida quando eu voltar ao trabalho? Todo recesso é assim, os professores começam ligar, bem cedo, à secretária da Unidade Escolar, mendigando suas aulinhas! Este procedimento força a uma pré-modulação, ou seja, uma distribuição de aulas fora de época, que precisa certamente ser refeita pela imprecisão. Todavia, eu a chamo de desperdiço remunerado de esforços. Fruto forçado a amadurecer, apodrece cedo!
Claudeko
Enviado por Claudeko em 19/01/2012
Reeditado em 06/05/2012
Código do texto: T3450552


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