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MINHAS PÉROLAS

domingo, 10 de fevereiro de 2013

UM PLANO DE AULA GROSSEIRA ("Se o plano A não funcionar, não se preocupe. O alfabeto tem mais 26 letras pra você." Sabrina Chaves)



Crônica

UM PLANO DE AULA GROSSEIRA ("Se o plano A não funcionar, não se preocupe. O alfabeto tem mais 26 letras pra você." Sabrina Chaves)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

         Escrevi bem destacado no quadro esta proposta para minha aula de hoje, valendo um curinga (ponto extra): Ilustrar uma piada e elaborar cinco questões respondidas sobre o tema da mesma. Objetivos: Aprimorar leitura e compreensão textual; treinar a habilidade de perguntar; auferir o humor. Dúvidas surgiram perante a proposição: Uma aluna daquele terceiro ano do Ensino Médio perguntou-me se era para desenhar, eu a respondi bravamente: — quem não presta a atenção faz perguntas tolas. Ela se sentiu ofendida e me retrucou grosseiramente e foi imediatamente me denunciar à coordenadora. O outro já não sabia nada sobre o tema, porém eu não achei sua pegunta tola, apenas o retornei com a mesma pegunta, o qual me agrediu também, dizendo sobre ali não haver professor ao ensiná-lo. Outras moças da mesma turma reforçaram minha frustração na aula que foi preparada com desvelo, dizendo que piadinha não ensina nada! Pois, com este tipo de atividade, eles não aprendem. Certa feita, uma coordenadora me mandara um recado por aluno, dizendo-me: — "palavras cruzadas não é aula de gramática'. Ora, é sim, uma aula de produção textual e gramática também, e eu recortei as palavras cruzadas e as piadinhas do "Jornal daqui" o mais vendido da região, um material do seu meio, é pedagogicamente correto!!! "A palavra cruzada tem vários subsídios importantes que colaboram no desenvolvimento do pensamento e da linguagem, além da ortografia e questões semânticas." {http://educador.brasilescola.com/trabalho-docente/palavras-cruzadas.htm} (acessado em 12/05/2018). 
           Eu queria a intertextualidade deles, exigindo o conhecimento de mundo, porém consegui apenas atraí a inveja dos colegas e a reprovação da coordenação. Também me senti ofendido, pois ninguém suporta me ver trabalhando fácil.
          No final da aula, no tumulto, estou eu tentando vistar a atividade, pois muitos deles, estrategicamente, mostram só depois do toque do sino, recebendo os seus pontinhos sem uma verificação cuidadosa do professor, falta-lhe tempo, e a coordenadora resolveu depois de tocar a sirene sair de sala em sala pressionando o professor a desocupar, para o outro entrar. Os alunos retardatários, eu duvido que terminarão a tarefa em casa, Então deixei para outro dia, até hoje. 
          Aos benfeitores, sendo uma minoria, ainda tenho a sensatez de parabenizá-los, porque cumpriram sua obrigação. Certamente a visão desses com relação ao esforço do professor em apresentar aulas criativas é positiva. Antigamente o servo que fazia só a sua obrigação era considerado inútil!!! Eu só lamento pelas piadinhas exigentes no ENEM, poucos acertariam, pelo menos "os daqui" por oferecer resistência a esses treinamentos. É certo que só a grama morre, quando os elefantes brigam! Esta também é mais uma frustração moral no professorado: a crítica de coordenador preguiçoso, e a denúncia de colega invejoso, e o descaso de aluno acomodados. Como veem, não é o plano da aula, feito antecipadamente; o segredo de uma aula extraordinária é a amizade entre as partes.        
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 31/08/2012
Reeditado em 10/02/2013
Código do texto: T3858649
Classificação de conteúdo: seguro


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