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MINHAS PÉROLAS

sábado, 9 de novembro de 2013

PAIS versus PROFESSORES (A minha receita é que, se for possível, sejam pais e professores indistintamente.)



Crônica

PAIS versus PROFESSORES (A minha receita é que, se for possível, sejam pais e professores indistintamente.)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Não sei o que os pais têm contra os professores, se ciúmes ou inveja! Mas, com suas acusações e distratos, alimentam um sentimento provedor de desconforto tal que, toda vez que eles vão à escola, quando saem, deixam os destroços do pós-guerra e o medo na academia. Na entrega dos boletins é aquele vexame, o adolescente diz que não tem culpa, o professor o acusa e os pais o defendem! Essa relação cruelmente tridimensional é tão distinta que uma mãe não consegue ser professora e mãe ao mesmo tempo, e purgatórico mesmo é quando esta é também aluna universitária ou tem alguma outra Licenciatura acadêmica.
          Uma professora, que também é mãe, minha colega de trabalho, mostrava-me toda raiva ao comentar que sua filha foi incluída na qualificação de "estrume".  A professora daquela turma, por desequilíbrio crônico, pelo estresse do dia-a-dia e humana que era, disse que se os alunos não dessem atenção às aulas nunca seriam nada, apenas "estrume" da sociedade. Porém o que mais me impressionou foi a mãe, minha colega, descrevendo as atitudes que ia tomar contra a professora de sua filha: iria até às últimas instâncias para penalizar a professora que "humilhou" sua filha. Assim, é desconsertante de todas as formas ser professor de filho de colega de trabalho.
          Uma coisa é ser mãe a outra coisa é ser professora dos filhos dos outros. Por que uma professora ensinaria, no papel de mãe, aos seus filhos maltratarem os seus professores? E se não o fariam conscientemente, faz sim com os comentários desajustados contra o sistema educacional e atitudes exageradamente protetoras contra o colega de trabalho.  Em minha experiência de professor, até agora, só me lembro de duas alunas de cujas mães eram professoras e eu as admirava por serem cumpridoras de seus deveres e respeitadoras. Mas, já fui, centenas de vezes, maltratado tanto por filhos de professora quanto por colegas de profissão, exigindo de mim o que elas não conseguiram com seus filhos. Detesto ser professor de filho de colega de trabalho, especialmente na mesma unidade de escolar, quaisquer medidas educativas, ou repreensão, ou nota baixa redunda-se em um caso pessoal. Sabendo disso, o filho/aluno deita e rola sob a suposta proteção.

          A minha receita é que, se for possível, sejam pais e professores indistintamente. Talvez eu não esteja conseguindo dize o que é necessário nesse tema: pintar um indivíduo ideal para os dois papéis.  Entretanto, exemplifico com minha carcomida vida, descobrindo-me incompetente demais para ser pai e professor ao mesmo tempo, escolhi ser só professor, se tenho algum filho, não o conheço, por isso não perturbei seus professores. O difícil mesmo é colher o que não plantei.

          Quando nossos alunos nos ameaçam e danificam nosso carro, aprenderam de quem? Vejam as notícias: http://www.jcnet.com.br/Regional/2013/05/pai-de-aluno-tem-momento-de-furia-quebra-carros-e-ameaca-professores.html (acessado em 09/11/2015).

          Tínhamos a família tradicional como parceira da escola na educação das crianças! Agora que compromisso terá a família moderna cujos principais se esqueceram que direito são advindos de deveres cumpridos. Então para os adolescentes em busca de identidade, como esta família moderna pretende ajudar a escola a favor de seus filhos? Fazer prosperar e conservar essa tradicional instituição, casada com a religião da prosperidade sem se importar em quem tenha que pisar, torna-se, desse jeito, quase que impossível.
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 30/05/2013
Reeditado em 09/11/2013
Código do texto: T4317340
Classificação de conteúdo: seguro

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