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MINHAS PÉROLAS

sábado, 28 de fevereiro de 2015

ALUNO PAGA AO PROFESSOR OU PROFESSOR PAGA AO ALUNO? (Comprar aula é o remédio! Privatizar a educação, também!)


Crônica

ALUNO PAGA AO PROFESSOR OU PROFESSOR PAGA AO ALUNO? (Comprar aula é o remédio! Privatizar a educação, também!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Em  uma aula expositiva do Ensino Médio, não daquelas que acontecem normalmente, mas esta serviu para representar cabalmente tantas outras desaforadas, pois eu me recusei a repetir a explicação, pela terceira vez, a umas alunas que conversavam paralelamente e, com o fone auricular em uso que dava para ouvir a distância, não me ouviam. Então, uma delas, ousadamente, a mim, levantou a voz, como quem quisesse me obrigar, alegando que pagava meu salário. Pedi maiores explicações, e ela repetiu o velho discurso irreflexivo de quem não tem um justo juízo: — "uma balinha que compro me é cobrado impostos que formam seu salário, professor público." Por isso, veio-me a pergunta: É o aluno que paga o salário do professor ou é o professor que paga para o aluno da escola pública estudar?
           Pois bem, pesquisando alguns sites, esbarrei em um dizendo que cada aluno custou para o estado de Goiás, em 2013, R$ 271,09 por mês. (http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/12/31/em-2013-governos-devem-gastar-ao-menos-r-2243-por-aluno-de-escola-publica.htm) — acessado em 25/02/2015. O que achei pouco, mas...
           Agora em 2016, foi melhorado o valor do Bolsa Família, que se faz merecedor somente a quem é frequente à escola, o que elevou consideravelmente o investimento por aluno. (http://gazeta.inf.br/cada-aluno-na-rede-municipal-custa-cerca-de-r-56-mil-por-ano/) — acessado em 25/04/2016.
           Analisando assim e o que produz o aluno, então ele entra e sai devendo ao estado. Eu sim, que pago! Como meu imposto de renda é um pouco mais do que custa um aluno anualmente, os professores pagam, sim, para tolerar as afrontas deles, também. Sem falar das balinhas (partilhas para a garganta) e outras coisinhas que compramos, em função do trabalho,  que não se pode abater no IR.
          Porém, quem paga, de fato, aos professores da rede pública? E se são os alunos que pagam o salário dos professores, então são também péssimos patrões, pois não querem produção necessária. Se não sei, de fato, quem nos paga, muito menos sei quem paga aos que cortam nosso ponto, quando faltamos ao trabalho, por uma dor de cabeça que não precisou ir ao médico pegar atestado com CID (Falar nisso, vincular o CID no atestado é falta de ética médica), desconforto que, temos certeza, com um simples repouso, resolve. Só sei que quem quer que seja,  este patrão não está interessado em qualidade. Denunciam as mudanças vindas das instância superiores. Há quanto tempo não faço um curso de aperfeiçoamento que não custou do meu bolso! Isso é se quero fazer frente à concorrência.  Querer motivar o professor para se aperfeiçoar com um suborno de duzentos reais mensais (sismédio) realmente fica mais barato do que pagar um bom curso, dirigido por doutores, para cada um devolver significativamente com esforço qualificado no trabalho de educador, fazendo jus a dignidade. 
           Se os alunos soubessem o valor objetivo e subjetivo de uma aula, talvez seriam mais respeitosos e compromissados. Os coordenadores estão muitíssimos preocupados em fazer leis e normas rígidas para manter os alunos em sala de aula, mas esse esforço em elaborar estratégias é só uma evidência da desvalorização real do produto vendido pelo professor. Comprar aula é a solução! Privatizar a educação, também! E tanto faz, se a escola não se valorizar. Por que ela estaria mais interessada que os alunos estudem do eles mesmos deveriam estar? 
             
Klawdessy Ferreira

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Enviado por Klawdessy Ferreira em 21/02/2015
Reeditado em 27/02/2015
Código do texto: T5144910
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