"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

quarta-feira, 31 de maio de 2023

ERA UMA VEZ... AQUELA FÉ ("Eu já não sou o que era: devo ser o que me tornei." — Coco Chanel)

 


ERA UMA VEZ... AQUELA FÉ ("Eu já não sou o que era: devo ser o que me tornei." — Coco Chanel)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Antigamente, quando os crentes se sentiam ofendidos e insatisfeitos, buscavam em oração e entrega a Deus a resposta para suas preocupações ("confiando todas as vossas preocupações a Ele, porque Ele cuida de vós..." — 1 Pedro 5:7). No entanto, nos dias atuais, observa-se uma mudança de comportamento, onde optam por denunciar, registrar boletins de ocorrência, buscar vingança e prejudicar qualquer pessoa, chegando até a exigir altas indenizações ("devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará..." — Mateus 24:12). Essa transformação revela uma nova maneira de lidar com adversidades, afastando-se do amor e da compaixão.

A eficiência do evangelho pode ser avaliada de diferentes perspectivas, e cada pessoa pode interpretar de forma única. Com a expansão da igreja social, busca-se santificar o homem e promover valores positivos diante do contexto do fim dos tempos, mas também pode ocorrer a deterioração de princípios e desvios de propósito. Não devemos rotular os envolvidos de antigamente como "bobos da história", pois cada indivíduo e época possuem suas particularidades e desafios. É fundamental refletir e compreender os impactos e direções que a mensagem do evangelho está tomando na sociedade atual.

Que sejam prontamente desencadeadas as sete pragas do apocalipse. Será que podemos considerar a pandemia da Covid-19 como uma enfermidade necessária ou um remédio? ... a cessação do amor é imprescindível para aflorar a verdadeira equidade e retidão. A chegada das sete pragas apocalípticas nos convida a uma profunda reflexão sobre o propósito da pandemia de Covid-19: será ela um mal necessário para despertar uma nova consciência e promover uma sociedade mais justa? O término do amor, por mais paradoxal que pareça, pode ser visto como um catalisador para a manifestação plena da justiça genuína. Que caminhos devemos trilhar diante dessas perspectivas? CiFA

terça-feira, 30 de maio de 2023

HETEROFOBISMO ("Podemos enganar a todos com o fenótipo, mas o genótipo sempre será o mesmo original!" — Prof. Marcos Fernando da Silva)

 


HETEROFOBISMO ("Podemos enganar a todos com o fenótipo, mas o genótipo sempre será o mesmo original!" — Prof. Marcos Fernando da Silva)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

O Dr. Eneias, renomado especialista, afirmou com convicção que o fenótipo, ou seja, as características visíveis de um organismo, podem sofrer alterações ao longo do tempo. No entanto, ele ressaltou que o genótipo, o conjunto de genes hereditários de um indivíduo, permanece inalterado. Essa perspectiva nos leva a refletir sobre a complexidade da natureza humana e como as influências ambientais podem moldar nossas características físicas, mas não têm o poder de modificar nossa composição genética. Essa compreensão amplia nossa visão sobre a relação entre hereditariedade e ambiente, fornecendo insights valiosos para a ciência e a compreensão da diversidade humana.

Desde o meu nascimento, fui designado como "hétero sexual", uma classificação que se refere à minha atração sexual por pessoas do sexo oposto. Essa orientação faz parte da minha identidade, independentemente das minhas características físicas, como aparência ou condição socioeconômica. Embora a sociedade muitas vezes associe certos estereótipos à aparência e à atração sexual, é importante lembrar que a orientação sexual não está ligada exclusivamente à estética. A diversidade é uma característica intrínseca da sexualidade humana, e cada indivíduo tem o direito de viver e expressar sua orientação de maneira autêntica e respeitosa.

Tenho pleno direito de vivenciar o processo de envelhecimento conforme os planos iniciais e finais estabelecidos por Deus. Acredito que é injusto ser punido com solidão e abandono, algo que considero como consequências da heterofobia, o medo irracional ou aversão em relação às pessoas heterossexuais. Cada indivíduo merece ser respeitado e valorizado, independentemente de sua orientação sexual. A diversidade é uma parte essencial da sociedade e devemos promover a inclusão e o entendimento mútuo, superando preconceitos e estereótipos infundados. Acredito no poder da empatia e da igualdade para construir um mundo mais justo e acolhedor para todos. (CiFA

segunda-feira, 29 de maio de 2023

NÃO É BULLYING, É VELHO GAGÁ ("Não se chama uma pessoa gagá de gagá na frente da pessoa gagá. A pessoa gagá pode ficar magoada e até ficar meio gagá". — Tudo Bem no Natal que Vem (filme)

 


NÃO É BULLYING, É VELHO GAGÁ ("Não se chama uma pessoa gagá de gagá na frente da pessoa gagá. A pessoa gagá pode ficar magoada e até ficar meio gagá". — Tudo Bem no Natal que Vem (filme)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

É interessante observar como o abuso de autoridade por parte de mulheres que defendem os direitos femininos e igualdade de gênero pode afetar negativamente seu casamento. Isso nos faz refletir sobre a importância de equilibrar o poder nas relações conjugais, promovendo o diálogo e o respeito mútuo. Da mesma forma, a expressão de ideias machistas por parte dos homens pode comprometer sua reputação e causar danos significativos. É fundamental que todos repensemos nossas crenças e comportamentos, buscando construir relações mais igualitárias e saudáveis, baseadas no respeito, na empatia e na valorização da igualdade de oportunidades para todos.

A comicidade do palhaço ao rir de suas próprias situações embaraçosas nos ensina uma valiosa lição sobre a importância de encontrar humor em nossas próprias trapalhadas. No entanto, devemos lembrar que zombar dos erros alheios e da fragilidade dos mais velhos não é algo louvável, pois todos nós, em algum momento, precisaremos de compaixão e empatia. É tentador se conformar com o estereótipo de um idoso otimista e fingir ser o que os outros esperam de nós. No entanto, a realidade é que cada um de nós tem suas limitações e imperfeições. Mesmo que tentemos escapar dos estereótipos negativos, eles nos seguem onde quer que estejamos, e é importante aprender a lidar com eles de forma consciente e autêntica.

Não adianta tentar escapar dessa realidade implacável, pois ela nos envolve onde quer que estejamos. Aqueles que procuram mudar apenas transferem a solidão de um lugar para outro, assim como os cocos na praia, que têm valores diferentes em locais distintos. Porém, é o vendedor e o transportador de cocos que realmente lucram, nos levando em uma viagem ilusória. Já acreditei em muitas coisas, até mesmo na abordagem da EMA, ignorando a realidade dos preços corrompidos. Quem é o culpado? Quem é o seu culpado por ter que encarar-me com desprezo? Sinto-me culpado por existir, mas existo e, portanto, penso, mesmo indo contra a corrente! E você, também pensa diante disso? (CiFA

domingo, 28 de maio de 2023

A EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE CONCESSÕES ("Não existem concessões: o tempo é implacável. Tic-Tac." — Helena Rodrigues)

 


A EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE CONCESSÕES ("Não existem concessões: o tempo é implacável. Tic-Tac." — Helena Rodrigues)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Era mais uma manhã de segunda-feira quando entrei na sala dos professores, o aroma de café fresco misturando-se com o cheiro de giz e livros velhos. Observei meus colegas chegarem, cada um carregando não apenas suas pastas, mas também o peso invisível de suas responsabilidades. Como professor há mais de duas décadas, confesso que os últimos anos têm sido um desafio crescente.

Ajeitei minha gravata, um pequeno ato de resistência contra a casualidade que invade nossa profissão, e refleti sobre o caminho que me trouxe até aqui. Lembro-me de quando comecei, cheio de ideais e sonhos, acreditando que poderia mudar o mundo, uma aula de cada vez. E ainda acredito, na verdade, embora o mundo ao meu redor pareça estar mudando mais rápido do que minha capacidade de adaptação.

"Bom dia, professor!", ouvi Mariana, uma aluna brilhante do terceiro ano, me cumprimentar no corredor. Seu sorriso genuíno me lembrou porque escolhi esta profissão em primeiro lugar. Entrei na sala de aula, sentindo o peso dos olhares dos alunos, alguns atentos, outros dispersos, todos compõem parte de um sistema que, às vezes, parece trabalhar contra nós, educadores.

Iniciei a aula falando sobre responsabilidade, não apenas a dos alunos, mas a minha como professor e a nossa como sociedade. Enquanto falava, lembrei-me das inúmeras vezes em que me senti impotente diante de situações de indisciplina. O medo de represálias, a pressão por aprovações sem critério, tudo isso pesa sobre nós, professores, como uma nuvem escura em um dia que deveria ser ensolarado.

Usando o giz como metáfora, expliquei como cada traço no quadro é como uma decisão que tomamos na vida, algumas fáceis de apagar, outras permanentes. Desenhei uma linha tortuosa representando o caminho da educação, nem sempre reto, nem sempre fácil, mas um caminho que percorremos juntos.

Infelizmente, nos tempos atuais, a concessão de aprovações sem critérios tornou-se uma prática comum. O professor, temeroso de sofrer represálias administrativas, muitas vezes se abstém de aplicar medidas disciplinares necessárias. Sem a pedagogia da punição, os alunos podem perder o senso de responsabilidade e consequências.

Olhei para os rostos à minha frente e compartilhei minha crença no potencial de cada um deles. Naquele momento, senti uma conexão que há muito não experimentava, vendo em seus olhos um brilho de compreensão e talvez até gratidão.

Ao final da aula, as palavras de Mariana - "Obrigada por não desistir de nós" - ficaram comigo, ecoando em minha mente enquanto eu corrigia provas e preparava as aulas seguintes. Percebi que, apesar dos desafios, cada pequeno momento de conexão torna tudo isso válido.

Saí da escola naquele dia com um novo vigor. O caminho pode ser difícil, as batalhas podem ser silenciosas, mas a guerra pela educação é uma que vale a pena lutar. Como um simples professor, estou na linha de frente todos os dias, armado não apenas com diplomas, mas com paixão, conhecimento e a crença inabalável no potencial de cada aluno.

Enquanto caminhava para casa sob o céu alaranjado do pôr do sol, refleti sobre minha jornada como educador. Cada desafio superado, cada aluno que alcança seus objetivos, são motivos de orgulho e satisfação. A verdadeira essência da educação está em transformar vidas e deixar um legado duradouro.

Amanhã seria outro dia, outra chance de fazer a diferença. E eu estaria lá, pronto para enfrentar qualquer desafio, porque no fim das contas, não há arma mais poderosa do que um professor dedicado em uma sala de aula cheia de possibilidades. Sigo em frente, plantando sementes de conhecimento e esperança, na expectativa de um futuro melhor para todos nós.

Questões Discursivas:

1. O texto apresenta reflexões sobre os desafios e as recompensas da profissão docente na sociedade atual. A partir dessa perspectiva, quais são os principais obstáculos que os professores enfrentam no exercício de sua função e como esses desafios impactam o processo de ensino e aprendizagem?

2. O autor destaca a importância da responsabilidade individual e social na educação. Explique como o conceito de responsabilidade, aplicado tanto aos alunos quanto aos professores, pode contribuir para a construção de um ambiente escolar mais positivo e propício ao aprendizado.

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sábado, 27 de maio de 2023

O MODERNO ESCOLARIZADO PÓS-PANDÊMICO ("Cara, se essa parada de 'aprenda com os seus erros' funcionasse. Eu já tinha pós-doutorado em relacionamentos, faz tempo". — Soulstripper)

 


O MODERNO ESCOLARIZADO PÓS-PANDÊMICO ("Cara, se essa parada de 'aprenda com os seus erros' funcionasse. Eu já tinha pós-doutorado em relacionamentos, faz tempo". — Soulstripper)

Por Claudeci Ferreira de Andrade
 

Após o período de Pandemia, os professores retornaram com um nível de habilidade maior no uso das tecnologias. Eles se adaptaram aos aplicativos com uma agilidade impressionante. Embora tenha sido um desafio aprender, eles conseguiram superar as dificuldades e se destacaram! Agora, estão mais preparados para utilizar as ferramentas digitais em benefício da educação. Como podemos valorizar e apoiar esses profissionais que se dedicaram tanto para garantir a continuidade do ensino durante momentos difíceis?

Após se adaptarem às tecnologias, os professores agora se deparam com os dispositivos eletrônicos pedagógicos da escola. Infelizmente, esses dispositivos parecem ser verdadeiras armadilhas. Além de estarem desatualizados e antiquados, todos mexem neles de maneira irresponsável, mesmo que com boas intenções. É a dura realidade que enfrentam. Como podemos garantir que os professores tenham acesso a recursos tecnológicos atualizados e recebam o suporte necessário para utilizá-los de forma eficaz, superando esses desafios?

Eu queria fazer uma aula diferente, exigida pelo planejamento da coordenadora; todavia, queimei a fonte do computador, tentando que lesse meu "pendrive"; foi assim, desloquei o computador para tomada 220v da sala dos alunos, e alguém o usara com o transformador em 110v, como eu ia adivinhar que tinha de mudar a chave? Sou apenas um professor de Língua Portuguesa pós-pandêmico. (CiFA

sexta-feira, 26 de maio de 2023

O DOCE ENGODO DA ÁGUA EM EXTINÇÃO ("Quem bebe água pela mão alheia acaba morrendo de sede." — Célio Devanat)

 


O DOCE ENGODO DA ÁGUA EM EXTINÇÃO ("Quem bebe água pela mão alheia acaba morrendo de sede." — Célio Devanat)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

A mídia disse que a água vai acabar no planeta; mas, isso é apenas uma falsidade. As Fake News matam as pessoas por desidratação da verdade; porém, é verdade que ninguém morrerá de sede ou fome devido à superpopulação da terra: morrem por não saberem beber e comer. As pragas apocalípticas têm um propósito compatível, elas visam reduzir, sim, a população dos predadores da natureza e restaurar o equilíbrio dos ecossistemas, permitindo a prosperidade dos que ainda são humanos. Essas manifestações catastróficas funcionam como mecanismos de controle natural, preservando a biodiversidade e mantendo a harmonia ecológica.

As máquinas dessalinizadoras são como personagens em um enredo literário, trazendo esperança em meio à escassez de água potável. Elas desempenham o papel de heróis tecnológicos, transformando a água salgada em água doce e preservando os recursos hídricos dos oceanos. O sol continua a brilhar no horizonte, trazendo vida e energia. As condensadoras capturam a umidade do ar, transformando-a em esperança. O sol nunca desaparecerá completamente, sua essência eterna alimenta as maravilhas desse conto mágico. No entanto, o medo disseminado faz com que os pobres economizem água tratada, enquanto os ricos banham-se livremente em suas piscinas sem qualquer consciência pesada. Os empresários justificam o preço da água tratada, tornando-a inacessível para muitos.

O pior dessa situação é a irracionalidade do "gado" que reproduz o discurso de que o frigorífico é o paraíso, oferecendo viagens gratuitas no caminhão da empresa os açougues. Até mesmo a mídia poderia dizer que a água se perde no espaço sideral e que a chuva irá parar, levando os terraplanistas a acreditarem que precisam aquecer o domo que cobre a terra para desembaciá-lo. Diante dessa narrativa, somos confrontados com a disseminação de ideias contraditórias e a busca pela verdade em um mundo complexo. (CiFA

quinta-feira, 25 de maio de 2023

A INFLUÊNCIA DA FUSÃO DE PAPÉIS: MÃE, PROFESSORA E A CONFUSÃO ACADÊMICA ("A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano". — Voltaire)

 


A INFLUÊNCIA DA FUSÃO DE PAPÉIS: MÃE, PROFESSORA E A CONFUSÃO ACADÊMICA ("A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano". — Voltaire)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Essa política chega até à escola: Quando a mãe vai à escola acusar o tal professor de marcar seu filho, ela está pedindo que o trate com medo, facilitando para ele tirar notas boas, senão configura a perseguição. É interessante observar que os filhos de professoras muitas vezes apresentam desempenho acadêmico abaixo da média, possivelmente devido à influência das discussões políticas sobre educação em seu ambiente familiar. A fusão dos papéis de mãe e professora pode gerar confusão e dificuldades para separar as esferas pessoal e profissional. A questão de levar trabalhos da escola para casa é que os problemas domésticos acabam sendo levados para o ambiente escolar, o que pode impactar negativamente no desenvolvimento educacional dos alunos. É importante refletirmos sobre a importância de estabelecer limites saudáveis e proporcionar um equilíbrio adequado entre vida pessoal e profissional para garantir o sucesso acadêmico dos estudantes.

             É interessante ponderar sobre a possibilidade de a mídia criar um novo mosquito que transmita um vírus capaz de alterar nossos processos hormonais e modificar nossa forma de pensar. Cada mosquito, nessa perspectiva, seria como uma seringa voadora que nos injeta novas ideias e perspectivas. Diante dessa realidade, é crucial exercitar nossa inteligência e senso crítico para discernir o que é verdadeiro e o que é manipulação. Embora a alegria seja um sentimento valioso, devemos também buscar um equilíbrio entre o entretenimento e a reflexão, evitando que a diversão superficial prevaleça em detrimento do desenvolvimento intelectual e do pensamento crítico. (Cifa

quarta-feira, 24 de maio de 2023

DESAFIANDO A ARROGÂNCIA: O vício da arrogância e o silêncio confortável ("Finja estar fraco e seu inimigo se tornará arrogante e negligente". — Sun Tzu)

 


DESAFIANDO A ARROGÂNCIA: O vício da arrogância e o silêncio confortável ("Finja estar fraco e seu inimigo se tornará arrogante e negligente". — Sun Tzu)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Sempre que alguém se julga completo, algo começa a faltar. A arrogância tem esse efeito paradoxal: infla o ego e esvazia o mundo. Age como uma lente defeituosa — amplia certezas, mas distorce a realidade. Quem se acredita suficiente já não escuta; quem se julga acima não aprende. Assim, o diálogo morre antes mesmo de nascer.

Na escola, esse vício costuma vestir um uniforme aparentemente inofensivo. Surge disfarçado de bordão, repetido com a tranquilidade de quem encontrou uma saída confortável para o próprio desconforto: “política e religião não se discutem”. Ouço isso com frequência — às vezes como escudo, outras como fuga. Nem sempre se trata de arrogância pura; muitas vezes é medo, despreparo ou o reflexo cansado de uma cultura que ensina a zombar do pensamento antes de enfrentá-lo. Ainda assim, o resultado é o mesmo: interrompe-se o debate, interditam-se as perguntas, preserva-se apenas a superfície.

Quando alguns estudantes recorrem a gracejos, apelidos ou risos estratégicos diante de temas complexos, não estão apenas me desgastando como professor. Estão, sobretudo, desistindo de si mesmos. Recusar o debate ético não é neutralidade; é abdicação. É aceitar que outros pensem, decidam e governem em seu lugar. O silêncio confortável sempre favorece quem grita mais alto — ou quem governa pior.

Falar de política e religião em sala de aula não é doutrinação; é responsabilidade. São esses temas que moldam leis, valores, conflitos e afetos. Evitá-los em nome de uma falsa paz é formar cidadãos incompletos, treinados para a obediência ou para o sarcasmo, mas não para a reflexão. Questionar o mundo é um gesto de cidadania; sustentar uma opinião com argumentos é exercício de maturidade.

Já vi estudantes se incomodarem com o fato de o professor pensar em voz alta, como se ensinar exigisse neutralidade absoluta e silêncio moral. Ignora-se, assim, que o papel docente não é o de um espelho vazio, mas o de um mediador crítico — alguém que provoca, contextualiza, tensiona e, sobretudo, ensina a discordar com método. O problema não é o confronto de ideias, mas o choque de egos.

Talvez o caminho esteja menos em vencer debates e mais em reaprender a escutar. Criar espaços seguros de fala, valorizar o erro como parte do processo, ensinar a argumentar antes de opinar — são práticas simples, mas eficazes, para romper o ciclo da arrogância travestida de desinteresse. Humildade não é submissão: é o reconhecimento de que ninguém pensa sozinho.

Sem ela, o saber apodrece. Como já se advertia há séculos, “o orgulho precede a destruição; a arrogância precede a queda”. Quando o respeito mútuo desaparece, a educação deixa de emancipar e passa a apenas administrar hostilidades. Ainda assim, sigo acreditando — talvez teimosamente — que a sala de aula pode ser o lugar onde o pensamento vence o riso fácil e o silêncio deixa de ser refúgio.


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Olá! Como seu professor de Sociologia, fico feliz em construir esse texto. Ele toca em um ponto nevrálgico da nossa disciplina: a Educação para a Cidadania. No Ensino Médio, nosso objetivo não é apenas decorar conceitos, mas entender como o diálogo e a política constroem a sociedade em que vivemos. Aqui estão 5 questões discursivas, simples e diretas, para pensarmos juntos:


1. O Perigo do Bordão "Política não se discute". O texto afirma que frases como "política e religião não se discutem" podem servir como um "escudo" para evitar o pensamento. Do ponto de vista sociológico, por que evitar esses temas na escola pode prejudicar a formação de um cidadão consciente?

2. Arrogância vs. Aprendizado. O autor diz que "quem se acredita suficiente já não escuta". Como o excesso de certezas e a recusa em ouvir opiniões diferentes impedem o processo de socialização, que é a nossa capacidade de aprender e conviver com o outro?

3. O Silêncio como Escolha Política. De acordo com o texto, o silêncio diante de injustiças ou temas sociais "sempre favorece quem grita mais alto". Por que a neutralidade absoluta ou o silêncio em temas importantes pode ser considerado, na verdade, um posicionamento que ajuda a manter as coisas como estão (o status quo)?

4. O Papel do Professor: Espelho ou Mediador? Muitas pessoas acham que o professor deve ser "neutro" e não ter opiniões. O texto defende que o professor deve ser um "mediador crítico". Explique a diferença entre "doutrinar" um aluno e "ensinar a discordar com método", como sugere o autor.

5. A Humildade como Ferramenta de Sabedoria. O texto termina citando que "ninguém pensa sozinho". Como a prática da humildade intelectual e do respeito mútuo pode transformar a sala de aula em um espaço de emancipação (liberdade), em vez de apenas um lugar de conflitos e "hostilidades"?

Dica do Professor:

Reparem que a política não acontece apenas no dia da eleição. Ela acontece agora, na nossa capacidade de argumentar sem ofender e de entender que o mundo é feito de escolhas coletivas. O saber é uma construção de muitas mãos!

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