"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 16 de março de 2013

FESTA DE PROFESSOR: O Banquete das Sombras ("...A tristeza é melhor que a alegria porque ela nos purifica." — Ecl. 7:2-3 BV)



Crônica da vida escolar

FESTA DE PROFESSOR: O Banquete das Sombras ("...A tristeza é melhor que a alegria porque ela nos purifica." — Ecl. 7:2-3 BV)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Este ano foi especialmente generoso com o funcionalismo público. Um calendário elástico, emendado quase por decreto, somado à euforia patriótica de um ano de Copa do Mundo da FIFA, multiplicou os motivos para celebrar. Nesse clima de entusiasmo institucional, aceitei o convite para o jantar de confraternização dos professores, realizado no próprio colégio, com a promessa de encerrar o semestre com “chave de ouro”.

O salão estava impecável, ornamentado com zelo quase corporativo. Contudo, por trás das luzes e das toalhas engomadas, percebia-se algo menos festivo: colegas “maquiados de si mesmos”, desempenhando com afinco os papéis habituais. Os risos soavam ensaiados; os brindes, previsíveis. Notei ausências importantes. “Questões pessoais com a direção?” Explicaram, com uma neutralidade estudada. Perguntei-me, então, onde é mais árduo sustentar a máscara: na rotina burocrática ou na celebração que deveria suspendê-la?

Quando o conjunto musical iniciou os acordes, fui tomado por um súbito desejo de partir. A mesa farta reluzia sob a promessa do prazer imediato. O antigo “pão e circo” não desaparece — apenas se atualiza. Recordei as palavras de Salomão no Eclesiastes: "... é melhor estar nos velórios que ir a festas de aniversário. Isso porque você vai morrer um dia e é bom pensar nisso enquanto ainda há tempo. A tristeza é melhor que a alegria porque ela nos purifica." (Ecl. 7:2-3 BV).

Entre um gole de refrigerante e outro, eu tentava preservar algum foco interior — como quem protege uma chama frágil contra o vento. Foi quando a coordenadora, cordial e persuasiva, convidou-me a cantar uma composição minha em homenagem aos colegas. Não houve ensaio, tampouco tempo para defesas íntimas.

Levantei-me. O breve trajeto até o microfone pareceu uma travessia moral. A voz, segura em casa, ali vacilou. O silêncio da plateia tinha densidade. Cantei — e, enquanto cantava, percebi que já não dominava o julgamento invisível que me cercava. Não era vaidade; era exposição. Cada deslize soava como confissão involuntária. Ao final, vieram aplausos generosos — talvez benevolentes. Retornei à mesa com a sensação de ter atravessado uma avenida movimentada de olhos fechados.

Compreendi, então, o impasse: fugir seria covardia; permanecer também exige preço. Se tivesse saído antes do jantar, restaria a suspeita da omissão; ficando, herdei a vulnerabilidade. Entre a evasão e o risco, escolhi o risco — e ele me devolveu um espelho.

À medida que a música prosseguia e os pratos se acumulavam, pensei na pedagogia silenciosa dessas celebrações. Por que a confraternização docente gravita sempre em torno da abundância? Proclamamos formar consciências críticas, mas frequentemente educamos pelo excesso. O Programa Mais Educação, com lanches na entrada e na saída — além do intervalo regular —, não é apenas política pública; é sintoma cultural. Alimenta-se o corpo repetidas vezes em poucas horas, enquanto a interioridade raramente é nutrida. Chamam isso de cuidado. Talvez seja apenas a versão escolar de uma estratégia antiga: saciar para apaziguar.

Convém esclarecer: não se trata de condenar o alimento, mas de interrogar o símbolo. Quando a mesa se torna o centro gravitacional da convivência, a reflexão corre o risco de ceder lugar à digestão. E nós, professores, quase sem perceber, assumimos o papel de oficiante desse culto à abundância, enquanto a dimensão interior se esvai.

Ao deixar o salão, carregava uma consciência ambígua. No ano anterior, ausente, ouvi ao retornar: “Você perdeu uma festa maravilhosa!” Perdi — ou fui poupado? Agora, presente, experimentei outra forma de ausência: a de mim mesmo, diluído entre risos e harmonizações forçadas.

Talvez eu diga aos que faltaram que a festa: “foi excelente”! Não por malícia, mas porque compreendo a engrenagem social: presença e ausência produzem culpas equivalentes. A vida coletiva parece um cálculo em que sempre subsiste algum déficit moral.

No íntimo, oscilo entre o conselho austero de Salomão e a suspeita de que Friedrich Nietzsche ironizaria minha contenção, acusando-me de temer o impulso dionisíaco que dissolve as máscaras. Talvez Epicuro ponderasse que o prazer autêntico não reside no excesso, mas na medida — não no banquete ruidoso, e sim no pão simples partilhado sem encenação. Entre essas vozes, permaneço suspenso.

No fim, compreendi que a festa não foi mero evento social, mas um experimento moral. Sob luzes artificiais e melodias previsíveis, vi a comédia humana encenar sua fome — de alimento, de aprovação, de pertencimento. E entendi que o verdadeiro banquete não estava nas mesas, mas nas sombras que cada um de nós levou consigo para o interior do salão.

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Olá, pessoal! Como professor de sociologia, fico muito feliz em trabalhar esse texto com vocês. Ele é um material riquíssimo porque transforma um evento cotidiano — uma festa da escola — em um objeto de análise científica. O autor nos convida a "tirar os óculos" do senso comum e observar as estruturas sociais, as máscaras que usamos e os rituais de consumo. Para nossa aula, preparei 5 questões discursivas que ajudam a conectar essa narrativa aos conceitos fundamentais da nossa disciplina.


1. Máscaras Sociais e Goffman: O texto menciona colegas que pareciam "maquiados de si mesmos", desempenhando papéis habituais mesmo em um momento de lazer. Com base na ideia de que a vida social é uma espécie de teatro, por que o autor questiona se é mais difícil sustentar a "máscara" no trabalho ou na celebração?

2. A Atualização do "Pão e Circo": O autor afirma que o antigo conceito romano de Panem et Circenses (Pão e Circo) não desapareceu, apenas se atualizou. Como a oferta abundante de comida e música em eventos institucionais pode ser interpretada como uma ferramenta de controle ou apaziguamento social dentro do ambiente escolar?

3. Instituição e Socialização: Ao citar o Programa "Mais Educação" e a rotina de alimentação das crianças, o texto sugere uma "pedagogia silenciosa". De que maneira a escola, como instituição social, pode estar moldando o comportamento dos indivíduos para o consumo e para a busca pelo prazer imediato, em vez da reflexão crítica?

4. O Dilema do Pertencimento e a Coerção Social: O narrador sente-se culpado tanto quando falta à festa quanto quando comparece. Explique, do ponto de vista sociológico, como a pressão do grupo (a "engrenagem social") exerce influência sobre as escolhas individuais, criando o que o texto chama de "responsabilidades e déficits morais".

5. O Indivíduo frente ao Coletivo: No final, o texto cita a tensão entre a contenção (Salomão/Epicuro) e a entrega ao grupo (o impulso dionisíaco de Nietzsche). Como as festas de confraternização ajudam a reforçar a identidade de um grupo profissional, mesmo quando os indivíduos se sentem "desconectados" ou "diluídos" na multidão?

Dica do Professor:

Para responder a essas questões, não busque apenas o que está escrito literalmente. Tente perceber como o autor olha para a festa não como um simples jantar, mas como um fato social — algo que tem regras próprias, exerce pressão sobre as pessoas e revela muito sobre a cultura em que vivemos.

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sábado, 9 de março de 2013

Deus É a Dinâmica da Vida ("O medo inconcebível de uns é o prazer inenarrável de outros." — Maryanne Schramm)



Crônica

Deus É a Dinâmica da Vida ("O medo inconcebível de uns é o prazer inenarrável de outros." — Maryanne Schramm)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Deus é o sistema último, transformando todas as energias em matéria e a matérias em energias: é a dinâmica da vida. E o que chamamos de vontade de Deus? Nada mais é do que a fome do motor pelo o combustível da vida, fazendo movimentar as substâncias em busca do que Lhe é próprio consumir no momento. Ele consome vidas para produzir a vida. "Há no âmago do Universo uma 'energia' pulsadora para frente, fazendo o 'acontecer', nunca o deixa parado. As coisas no universo só podem 'acontecer', não podem 'parar' ou regredir" (Marcelo Caixeta - DM).
          Se um grupo de "religiosos" fanáticos e pretensiosos se diz conhecedor de Deus, por que não nos explica melhor o sentido da vida? Se Deus pode ser conceituado e explicado, medido por mentes finitas, então é menor que o homem! Um desses, certa vez, disse-me sobre o seu Deus ser onipresente: está em todos os lugares ao mesmo tempo. Todavia, nem pensou na ausência Divina como uma possibilidade que seu Deus sempre usa! Quando eles julgam as pessoas "afastadas" de Deus. Porém, o Deus da totalidade é exatamente presente, não podendo Se ausentar, pois sem Deus não há vida; Ele é o fluido de toda existência. Então, o Deus dele de jeito nenhum É onipresente, pois só um Deus físico e humanizado pode se ausentar. Se a onisciência de Deus estiver vinculada à onipresença, não há lacuna alguma na sabedoria desse Deus: nunca existiria o não saber, assim como, a ausência! Se  a onipotência de Deus considerar o nada como alguma coisa permeável pelo Seu poder, então os Seus atributos são o próprio Deus. Doutrinas religiosas são uma tentativa frustrada da igreja; pois a própria Bíblia disse que se possível fosse enganariam até os escolhidos. (Mt 24:24). Então achei necessário o acréscimo com o comentário do Pseudônimo,  "Mostradamus": "segue-se o raciocínio daqueles basicamente inteligentes, mas medrosos: Quem foi que criou Deus? Se não fomos nós, foi um outro (O pai), porém de onde teria vindo o pai? e assim uma infinidade de perguntas irrespondíveis. Então chamemos Deus de ignorância plena, escuridão, medo, insegurança, ou aceitemos implicitamente nossa obscuridade, como fazem os ateus".
          O Deus é complexo demais para ser limitado por conceitos ou definições, então vamos apenas nomeá-Lo como indefinível, inconceituável e inconcebível. Dar-Lhe esses nossos atributos de criatura,  faz dEle um de nós, pois é isso que os homens da religião querem: brincar de ser Deus!
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 05/10/2012
Reeditado em 09/03/2013
Código do texto: T3918225
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

domingo, 3 de março de 2013

RECUPERAÇÃO PARALELA NA "CONSTRUTEL": Notas sobre Mérito e Sentido ("A mesma grana que compra o sexo, mata o amor. Traz a felicidade, também chama o rancor." (Emicida)



Crônica

RECUPERAÇÃO PARALELA NA "CONSTRUTEL": Notas sobre Mérito e Sentido ("A mesma grana que compra o sexo, mata o amor. Traz a felicidade, também chama o rancor." (Emicida)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Em setembro de 2012, a Secretaria de Educação do Distrito Federal anunciou o afastamento de um professor de educação física surpreendido fumando maconha com alunos no Parque da Cidade, em Brasília. Os estudantes tinham 15 e 16 anos; abordado pela polícia, o docente ainda confessou possuir mais droga no veículo.

Longe dali, em Nampula, Moçambique, salas de aula ainda em construção tornaram-se cenário noturno de práticas íntimas entre professores e alunas — algumas trocando o corpo por notas, frequência ou avanço de série; outras, por dinheiro. O mais inquietante não era o escândalo, mas sua duração: os relatos repetiam-se havia anos, como se a anomalia tivesse sido absorvida pela rotina.

Esses episódios não são desvios isolados; apontam para algo mais profundo. A escola já não é apenas o refúgio formador que imaginamos, mas um espelho ampliado da própria sociedade. Pais e mães, frequentemente esmagados por jornadas exaustivas, depositam nela uma esperança quase total — não por descuido, mas por falta de tempo, energia e horizonte. A educação passa, assim, a carregar sozinha uma missão que sempre foi compartilhada.

Nesse contexto, o sistema de avaliação contínua — pontinhos por tudo, até por limpar uma carteira — por vezes ensina menos o conhecimento do que a negociação. O estudante aprende rapidamente a recorrer a atalhos: pressão, sedução, intimidação. Em Manaus, em 2018, um professor foi preso sob suspeita de abusar de alunas prometendo melhorar notas. O caso extremo apenas torna visível uma lógica banalizada em graus menores: quando a avaliação perde credibilidade, o mérito cede lugar à barganha.

O aluno que agride verbalmente o professor por causa de uma nota não defende aprendizado; defende um crédito simbólico. Sua identidade escolar passa a depender do resultado obtido, não do saber adquirido.

Talvez por isso a escola precise recuperar um rigor orientado pela excelência — não para excluir pessoas, mas para dissipar ilusões. Como disse Sarah Westphal: “Descubra do que você tem fome. É um desperdício imperdoável passar a vida empanzinado daquilo que não nos sacia.” Educar é orientar a fome correta.

Uma possibilidade seria separar ensino e certificação: avaliações externas periódicas, aplicadas por equipes independentes, como ocorre no Exame Nacional do Ensino Médio. O professor ensinaria; a instituição avaliaria. Reduzir-se-ia o poder de negociar resultados e, com ele, a tentação de explorá-los. O reconhecimento viria do aprendizado comprovado — não da proximidade, da intimidação ou do favor.

O estudante aprovado poderia sentir gratidão, mas não dívida; a relação pedagógica deixaria de ser transação para voltar a ser encontro intelectual.

Quando jovens aprendem a “comprar” notas com favores ou substâncias, ensaiam um padrão que a vida adulta apenas ampliará: trocar dignidade por sobrevivência simbólica. A antiga pergunta do Livro de Jeremias ecoa: “Assim também podereis vós fazer o bem, estando tão habituados à prática do mal?”

A ironia surge em certas notícias: o rendimento das alunas caiu significativamente, “mas isso não quer dizer que tenha relação com os relatos sobre os atos sexuais”. Como se a realidade precisasse preservar a própria negação para continuar funcionando.

No fundo, a crise talvez não seja apenas pedagógica, mas civilizacional. A escola tornou-se palco de um vazio maior: buscamos resultados sem esforço, pertencimento sem formação, certificado sem conhecimento. Reformar métodos é necessário; reencontrar sentido, indispensável.

Pergunta-se, então, não apenas o que fizeram com o ensino público, mas o que esperamos dele. Enquanto a aprovação valer mais que o aprendizado, qualquer sistema encontrará meios de sobreviver — ainda que à custa da verdade que deveria ensinar.


https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2018/10/02/professor-e-preso-suspeito-de-abuso-em-alunas-criancas-em-manaus.ghtml (Acessado em 18/02/2026)


https://verdade.co.mz/professores-e-alunos-usam-salas-de-aula-para-actos-sexuais/ (Acessado em 18/02/2026)


http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2012/09/28/interna_cidadesdf,325129/professor-e-flagrado-fumando-maconha-com-alunos-no-parque-da-cidade.shtml (Acessado em 18/02/2026)


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Olá! Como professor de sociologia, fico muito satisfeito em trabalhar com um texto tão denso e necessário. Ele nos permite analisar a escola não como uma ilha isolada, mas como uma instituição que reflete as tensões e as crises da nossa própria estrutura social. Preparei cinco questões discursivas focadas na interpretação sociológica do texto, ideais para o Ensino Médio.


1. A Instituição Escolar e a Família

O texto afirma que a escola passou a carregar sozinha uma missão que antes era compartilhada com as famílias. Segundo a leitura, por que isso aconteceu e qual é a consequência sociológica dessa "sobrecarga" para a instituição de ensino?

2. A "Cultura da Barganha" no Ambiente Escolar

O autor menciona que, quando o sistema de avaliação se baseia em "pontinhos por tudo", o mérito cede lugar à negociação. Explique como essa lógica de "troca" (seja por pressão, favores ou intimidação) pode corromper a função social da educação.

3. Identidade Escolar vs. Saber Adquirido

De acordo com o texto, o aluno que agride um professor por nota está defendendo um "crédito simbólico" e não o aprendizado. Diferencie, com base no texto, a busca pelo certificado da busca pelo conhecimento.

4. O Papel da Avaliação Externa

Uma das soluções propostas no artigo é a separação entre quem ensina (o professor) e quem certifica (uma instituição externa). Como essa medida poderia, na visão do autor, humanizar a relação pedagógica e acabar com a lógica da "dívida" entre aluno e docente?

5. A Crise Civilizacional

O encerramento do texto sugere que a crise na escola é, na verdade, uma "crise civilizacional". O que o autor quer dizer ao afirmar que buscamos "resultados sem esforço" e "pertencimento sem formação" na sociedade atual?

Dica do Professor

Nota para o aluno: Ao responder, tente conectar os exemplos do texto (como os casos de Brasília, Moçambique e Manaus) com os conceitos sociológicos de ética, instituição social e anomia (quando as regras sociais perdem sua força).

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

O "INFERNO" MORA NO "CÉU" ("Até Deus tem um inferno: é o seu amor pelos homens." — Friedrich Nietzsche)



Crônica da vida escolar

O "INFERNO" MORA NO "CÉU" ("Até Deus tem um inferno: é o seu amor pelos homens." — Friedrich Nietzsche)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Quem é o Satanás, senão o promotor do inferno! Já ouvi muitos professores no ensino fundamental da rede pública dizerem sobre a sala de aula ser um inferno. Eu costumo chamá-la de purgatório. Porém, o que faz da sala de aula um inferno ou um purgatório? Talvez seja o fato de nosso Deus nem ser suficientemente forte, ou de forma alguma tem interesse nisso. Será se a hora da calamidade já, de fato, chegou? Nem por isso, acredito na existência do Lúcifer (Anjo Portador Luz), mas, sim, na existência dos Demônios de carne e osso, aqueles tortos desconhecedores das autoridades humanas e, por tabela, ignorantes até das leis de Deus. Dizem os luxuriosos como dissera Raul Seixas: "Não existe Deus senão o homem."
           A vida é como um GPS reprogramadora da rota, quando se sai dela. No fim último, ninguém se perde, apenas teremos de percorrer distâncias maiores, quando remando a favor de objetivos alheios. Se alguém se aventura sozinho pelos atalhos, terá experimentado o inferno do descaminho. Talvez seja esta a real situação na vida de muitos dentro do sistema educacional. Deviam preparar os filhos do Estado para a vida: Já os rebeldes, desrespeitosos e antipáticos, então merecem se perder. O inferno é dos perdidos. Só sei de uma coisa, os Demônios estão no lugar certo, onde estão todos que sofrem e fazem sofrer. E eu, aqui dentro, também, sou o demônio de mim mesmo, sofrendo merecidamente, por ordem do destino.
           E ai de quem tentar prender o perturbador da paz!  Será castigado juntamente. É isso, exatamente, o que acontece com um professor disciplinador, condutor de alunos indisciplinados à coordenação, será difamado por eles e, por final, terminará levando advertência gratuita, disfarçada de documento, obrigando-o a assinar o livro ata, tão merecida aos alunos em questão.  Por isso Maquiavel tem razão: "Os homens devem ser adulados ou destruídos, pois podem vingar-se das ofensas leves, não das graves; de modo que a ofensa que se faz ao homem deve ser de tal ordem que não se tema a vingança." 
           Agora parafraseando Carlos Drummond de Andrade, eu digo por experiência própria atualizada na modernidade: "O professor disserta sobre ponto difícil do programa. Um aluno bagunça, sem perspectiva acadêmica. O professor vai adverti-lo? Vai repreendê-lo? Não. Faz vista grossa, com medo de represália." Porque os iguais se protegem. Os do "inferno" também falam a mesma língua?!
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 13/09/2012
Reeditado em 19/09/2012
Código do texto: T3880394
Classificação de conteúdo: seguro


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sábado, 16 de fevereiro de 2013

"ESQUEMA PERVERSO" ("Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor! Enquanto a violência é praticada em plena luz do dia." — John Lennon)



"ESQUEMA PERVERSO" ("Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor! Enquanto a violência é praticada em plena luz do dia." — John Lennon)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Observando o mundo através da lente de uma crônica envolvente, como "VIREI PRAGA" da colega Marília Paixão, uma questão recorrente me veio à mente: a crescente prevalência da agressividade em nossa sociedade.

O tempo parece ter chegado onde os animais são, de certa forma, colocados acima dos seres humanos. Um exemplo notável disso é a proliferação de serviços voltados para os pets, como os psicólogos para cachorros. O luxo e os cuidados dispensados a esses animais muitas vezes superam o que é oferecido a crianças brasileiras. De fato, de acordo com o IBGE, a presença de cães em lares brasileiros é mais comum do que a presença de crianças.

Entretanto, ao examinarmos mais profundamente essa tendência, percebemos uma complexa teia ideológica que permeia nossa sociedade. Há uma crescente humanização dos animais, enquanto, paradoxalmente, testemunhamos a animalização do humano. Esse fenômeno, em parte, é resultado do neonaturalismo contemporâneo, que gradualmente difunde a ideia de que os animais merecem tratamento semelhante ao dos seres humanos.

Essa inversão de valores é evidenciada também na interconexão entre agressividade e sexualidade, uma relação frequentemente observada no comportamento animal. Tal como observado pelo padre Jaime Snoek, a agressividade e a sexualidade muitas vezes se entrelaçam, formando um "Esquema Perverso", conceito atribuído por Freud. À medida que os animais se tornam mais valorizados e os seres humanos são desprezados, uma distorção da alma humana se estabelece, dando origem a uma sociedade cada vez mais focada em instintos primários, como o sexo.

No entanto, há uma serenidade resignada nessas reflexões. Como Raul Seixas profeticamente expressou em sua canção "Meu Amigo Pedro", tudo acaba onde começou. A grandeza de uma nação, como apontado por Mahatma Gandhi, pode ser julgada pela maneira como seus animais são tratados, mas essa reflexão sugere também uma inversão cíclica de valores ao longo da história.

Assim, mesmo diante dessas complexidades, é imperativo reconhecer que a discriminação e a violência psicológica, muitas vezes motivadas por impulsos sexuais, devem ser combatidas. Se os donos, ciumentos e repletos de parasitas emocionais, não sacrificarem seus animais com excesso de mimos, a natureza humana, permeada de inveja e desigualdade, o fará de maneiras mais sutis e cruéis.

Questões Discursivas sobre a Prevalência da Agressividade na Sociedade

Questão 1: O texto aborda a crescente humanização dos animais e a simultânea "animalização" dos humanos. Discuta esse fenômeno à luz do neonaturalismo contemporâneo e da inversão de valores entre agressividade e sexualidade. Como essa distorção da alma humana pode afetar a sociedade como um todo?

Questão 2: O autor levanta a questão da discriminação e da violência psicológica motivadas por impulsos sexuais. A partir das ideias apresentadas no texto, como podemos combater esses males e construir uma sociedade mais justa e pacífica?

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